O BRUCUTU DAS CAVERNAS

Antitudo

Respondam, caros leitores, sem pestanejar, sobre os principais dúvidas dos  brasileiros nesta hora grave. | Jornal O Expresso

“O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa. Para depois nós começarmos a fazer. Que eu sirva para que, pelo menos, eu possa ser um ponto de inflexão, já estou muito feliz”.

Nem mesmo um mês havia se passado desde a posse quando Jair Bolsonaro chocou Davos pela irrelevância de seu discurso na abertura do Fórum Econômico Mundial. Pouco tempo depois, em seu segundo compromisso no exterior, não faltou desenvoltura ao mito.

Regado a caipirinha, mousse de caviar, bife Wellington e quindim, o jantar opulento na Embaixada brasileira em Washigton DC não dialogava com a narrativa da administração recém-empossada. Todavia foi ali, entre candelabros e a prataria, na presença do polemista Olavo de Carvalho, do chanceler Ernesto Araújo e de convivas do naipe de Steve Bannon que, com desconcertante franqueza, Bolsonaro revelou seu projeto destruidor.

Dezoito meses se passaram. É forçoso reconhecer que o presidente vem honrando sua palavra.

Anticiência, antimáscara e agora antivacina. A disposição de Bolsonaro em hostilizar consensos civilizatórios só perde para o acobertamento de esquemas que envolvam seus rebentos. A economia não pode parar, mas que Justiça, PF e COAF não se façam de bobos.

A degradação moral, estética e intelectual que o presidente impõe ao País causa especial estupefação em meio à pandemia. Brasileiros estão morrendo como passarinhos — já daria para lotar um Maracanã daqueles antigos —, contudo nada de o capitão esmorecer em sua campanha pelo atraso.

No caso daqueles que ainda se iludem, é recomendado entender de uma vez por todas: Bolsonaro sempre afrontará concertos que promovam a normalidade. Não se trata, por exemplo, de rechaçar a vacina por ela ser chinesa ou estar ligada à gestão de João Doria. A disputa política é mero detalhe.

Collor entrou para a história como megalômano, Fernando Henrique foi pintado como vendilhão, Lula parou na cadeia e Dilma quebrou o país. Para além de pechas merecidas e narrativas comuns à disputa política, em alguns casos até mesmo de crimes, nenhum deles trouxe tanto prejuízo à nossa imagem, ofendeu a democracia e atuou contra o povo.

A ver como Bolsonaro será lembrado.*

(*) Mario Vitor Rodrigues – Gazeta do Povo