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ESTÃO BRINCANDO COM A MORTE

Covid: Brasil registra 1.111 novas mortes em 24h, maior número desde 15/9

Em meio à pandemia, região da rua 25 de Março, em São Paulo, teve grande movimentação no fim do ano - RENATO S. CERQUEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

Em meio à pandemia, região da rua 25 de Março, em São Paulo, teve grande movimentação no fim do ano

O Brasil voltou a registrar mais de mil mortes por covid-19 em um intervalo de 24 horas. De acordo com dados divulgados hoje pelo Ministério da Saúde, o país confirmou 1.111 novas mortes provocadas pela doença nas últimas 24 horas. Desde o início da pandemia, 192.681 pessoas morreram.

Esta é a maior marca desde 15 de setembro, quando o Ministério divulgou 1.113 novos óbitos de um dia para o outro. É a segunda vez neste mês que o Brasil apresenta mais de mil mortes por covid-19 em 24 horas. Antes, em 17 de dezembro, foram 1.092 óbito registrados.*

(*) UOL, em São Paulo

ESTAMOS … ESTAMOS MESMO!

Pesquisador diz que janeiro será o pior mês da pandemia

O chefe do Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, Domingos Alves, disse, em entrevista ao G1, que janeiro deve ser o pior mês da pandemia em número de óbitos.

“Nós vamos ter uma mortalidade por Covid aqui no Brasil não vista até agora na pandemia. O número de óbitos vai explodir.”

Dados das secretarias de saúde mostram que dezembro já registrou mais mortes (18.570) que novembro (13.263) e outubro (16.016). O pico de mortes ocorreu em julho (39.912).

Domingos Alves afirmou que a segunda onda é diferente, por contaminar mais jovens. Por isso, o aumento no número de mortes demora mais a aparecer.

“Quando se via o número de casos crescendo na primeira onda, se esperava duas semanas e já se via o número de óbitos crescendo. Agora, o delay tem mais de um mês. As pessoas se infectando são as mais jovens – demora mais para infectar os mais velhos e [a pessoa] vir a óbito”, afirmou.

UM CANALHA

Maia critica Bolsonaro por fala sobre tortura: ‘Não tem dimensão humana’

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por provocar a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ontem, ao falar da tortura sofrida por ela durante a ditadura militar. Maia afirmou em seu Twitter que o presidente não possui “dimensão humana” e prestou solidariedade à ex-presidente.

“Bolsonaro não tem dimensão humana. Tortura é debochar da dor do outro. Falo isso porque sou filho de um ex-exilado e torturado pela ditadura. Minha solidariedade à ex-presidente Dilma. Tenho diferenças com a ex-presidente, mas tenho a dimensão do respeito e da dignidade humana”, afirmou Maia.

A fala de Maia acontece um dia após o presidente Jair Bolsonaro ironizar a tortura sofrida por Dilma Rousseff quando ela foi presa, no ano de 1970, durante a Ditadura Militar (1964 – 1985). Diante de apoiadores, o presidente solicitou que lhe mostrassem um raio X da petista como forma de comprovar as agressões que ela sofreu no período.

“Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio X”, disse o presidente.

Maia ainda retuitou uma postagem de Baleia Rossi (MDB-SP), em que o candidato à chefia da Câmara dos Deputados também presta solidariedade à Dilma.

“Não é sobre esquerda, centro ou direta. É sobre a dignidade humana, é disso que se trata. Nossa solidariedade à ex-presidente Dilma Rousseff. Tortura nunca mais”, declarou o parlamentar.

Na tarde de ontem, Dilma Rousseff rebateu os comentários feitos pelo atual mandatário e o chamou de “fascista”, “sociopata” e “cúmplice da tortura e da morte”.

“A cada manifestação pública como esta, Bolsonaro se revela exatamente como é: um indivíduo que não sente qualquer empatia por seres humanos, a não ser aqueles que utiliza para seus propósitos. Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela covid-19 que, aliás, se recusa a combater. A visão de mundo fascista está evidente na celebração da violência, na defesa da ditadura militar e da destruição dos que a ela se opuseram”, declarou a ex-presidente em nota.

Políticos reagem à fala

Além de Maia e Baleia Rossi, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também prestou apoio à petista e enfatizou que a fala do atual chefe do executivo é “inaceitável”.

“Minha solidariedade à ex Presidente Dilma Rousseff. Brincar com a tortura dela — ou de qualquer pessoa — é inaceitável. Concorde-se ou não com as atitudes políticas das vítimas. Passa dos limites”, disse FHC.

Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite de ontem que o Brasil perde sua “humanidade” em cada declaração de Bolsonaro. Para Lula, Bolsonaro é um “homem sem valor” que jamais conhecerá a coragem de Dilma.

“O Brasil perde um pouco de sua humanidade a cada vez que Jair Bolsonaro abre a boca. Minha solidariedade à presidente Dilma Rousseff, mulher detentora de uma coragem que Bolsonaro, um homem sem valor, jamais conhecerá”, disse Lula, via Twitter.*

(*) Com informações de Estadão Conteúdo e Hanrrikson de Andrade, do UOL, em Brasília

NO MATO SEM CACHORRO

Bolsonaro planta descaso e quer colher vacinas

Um aparelho eletrônico, quem diria, tornou-se o principal opositor de Jair Bolsonaro. Nada é mais corrosivo para o prestígio do presidente do que as cenas de vacinação que chegam do exterior pelo televisor. As imagens deixam Bolsonaro zonzo.

Em menos de 72 horas, o presidente adotou três posições diferentes. No sábado, deu de ombros para o avanço da vacinação contra Covid noutros países. “Eu não dou bola pra isso.” No domingo, disse o oposto: “Temos pressa em obter uma vacina segura, eficaz e com qualidade…” Nesta segunda-feira, culpou os fabricantes pela falta de vacinas no mercado nacional.

“O Brasil tem 210 milhões de habitantes. Um mercado consumidor, de qualquer coisa, enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para a gente? Por que eles, então, não apresentam documentação na Anvisa? Pessoal diz que tenho que… Não, não. Quem quer vender… Se eu sou vendedor, eu quero apresentar.”

O mercado, como se sabe, costuma se guiar pela lei da oferta e da procura, não pela vontade de gestores imprevidentes. No momento, o número de candidatos à vacina é maior do que a capacidade de produção dos fabricantes. Por isso, é grande, muito grande, incomensurável a procura por vacinas.

Os compradores fazem fila na porta dos laboratórios. Não é que os produtores de vacina tenham esquecido o mercado brasileiro. A questão é que o governo Bolsonaro jogou suas melhores fichas no imunizante da Oxford-AstraZeneca, que atrasou. Esnobou todo o resto, enquanto outros países iam às compras.

A Pfizer tentou vender sua vacina ao Brasil desde o meio do ano. A pasta da Saúde só acordou agora. Em outubro, Bolsonaro mandou rasgar o compromisso de compra de 46 milhões de doses da chinesa CoronaVac, testada no Brasil pelo Instituto Butantan. Agora, o governo cogita encomendar 100 milhões de doses.

Enquanto os brasileiros morriam de Covid, Bolsonaro imaginou que o negacionismo e a terceirização de responsabilidades imunizariam seu governo contra os efeitos da pandemia. Agora, numa fase em que os brasileiros começam a morrer de falta de vacinas, fica mais difícil distribuir as culpas.

Não é à toa que Bolsonaro leva o debate sanitário para o campo econômico. A economia compreende todas as atividades do planeta. Mas nenhuma atividade do planeta compreende integralmente a economia. Quando o sujeito não entende nem os fatos nem os números, basta misturar os fatos (angústia X descaso) e os números (210 milhões de brasileiros X nenhuma dose), para tecer com eles um indecifrável silogismo. Pronto! O gestor confuso já pode reivindicar que seus devotos continuem considerando-o um extraordinário presidente.

O único problema é que as poses de Bolsonaro não produzem imunizantes. O presidente plantou descaso desde março, quando a pandemia começou a matar no Brasil. Agora, quer colher vacinas. Se você é do tipo que economiza para os dias ruins, comece a se planejar para os dias piores. Eles já chegaram.*

(*)  Josias de Souza – UOL

A NOVA POLÍTICA A PLENO VAPOR

Tenebrosas transações pavimentam a eleição na Câmara
A fome insaciável do “centrão” em 2020 | Humor político, Memes engraçados, Rir pra não chorar

Quem diria que no governo do ex-capitão Jair Bolsonaro a Operação Lava Jato seria largada ao Deus dará, ao sol e à chuva para se desidratar. Largada, não: a palavra certa é esvaziada, nos seus estertores, a um passo de sucumbir.

Afinal, Bolsonaro pegou carona nos feitos da Lava Jato para se eleger presidente da República. Prometeu mundos e fundos para atrair a companhia do ex-juiz Sérgio Moro. E bradou que com ele no poder, o combate à corrupção jamais teria fim.

Há muitas formas de corromper, e nem todas tipificam crimes previstos no Código Penal Brasileiro. Exemplo? O loteamento de cargos no governo em troca de aprovação de matérias do seu interesse no Congresso. O é dando que se recebe.

É natural que partidos identificados com as ideias do governo dele possam participar. Presidente algum governa sozinho. Até ditadores precisam de ajuda para governar. Outra coisa é distribuir cargos no varejo para alcançar determinados fins.

No momento, é o que ocorre com a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Bolsonaro carece ali de votos para eleger Arthur Lyra (PP-AL), seu candidato à sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ). Fazer então o quê? Acenar com cargos.

Não está em discussão à vista de todos medidas para atenuar os mais graves problemas do país. Esperar que se discutisse algo ambicioso, um projeto de país pós-pandemia – por que não? -, seria exigir demais dos medíocres personagens em cena.

Tudo se resume a: o presidente da Câmara é quem manda na pauta. É ele quem define o que será votado, como e quando. Pode ser pressionado a pôr em votação o que não quer, mas tem meios e modos para tentar impor sua vontade.

É um cargo-chave para quem governa. Daí porque os presidentes da República procuram manter uma relação amistosa com quem preside a Câmara. Se for um aliado, tanto melhor. Bolsonaro quer um presidente da Câmara servil.

E para isso está disposto a pagar qualquer preço. Liberar o pagamento de emendas parlamentares ao Orçamento da União? Moleza. De resto, é obrigatório. Só que a liberação sairá mais rápida se o autor ou autores da emenda votarem em Lira.

Dir-se-á que os presidentes que antecederam Bolsonaro agiram assim. Mas nenhum deles submeteu-se ao voto popular garantindo que faria o contrário – Bolsonaro submeteu-se. A Velha Política daria vez à Nova, não lembra? Já esqueceu?

É conveniente esquecer como Bolsonaro o fez, como fizeram os generais que o cercam e que sempre mantiveram distância das figurinhas do Congresso encrencadas com a Justiça, mas dispostas a se encrencarem mais se o prêmio compensar.

Há um lote de centenas de cargos a serem repartidos com quem se disponha a apoiar Lira, por sinal um político que responde a processos, assim como boa parte dos seus pares. Cargos para chamar de seus e para facilitar futuras negociatas.

Outra vez, ao povo cabe assistir, bestificado, tenebrosas transações.*

(*) Ricardo Noblat – veja.com

RICO NÃO PEGA COVID

A festa continua: Neymar compra um hangar desativado para receber os convidados em Mangaratiba

Neymar compra hangar para receber convidados para festa de fim de ano, em Mangaratiba

Ainda sobre a festa de réveillon de Neymar, maratona que começou sexta e vai até a virada do ano, em Mangaratiba, na Costa Verde: o jogador comprou um hangar desativado, da Fazenda Bom Jardim, para receber seus convidados pelo ar — cerca de 500. Pelas contas de empresário da região, a festança vai custar uns R$ 4 milhões.*

(*) Ancelmo Gois – O Globo

… NO DOS OUTROS É REFRESCO.

Bolsonaro diz que gasto com cartão corporativo ‘é zero’ e desafia imprensa a desmenti-lo

A demagogia de Bolsonaro: usa caneta Bic e estoura no cartão de crédito pago pela população

O jornalista Lúcio Vaz, contudo, mostrou ao longo de 2020 que os gastos ultrapassam a cifra dos milhões de reais

O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira (28) que seu gasto com o cartão corporativo seria “zero” e desafiou a imprensa a desmenti-lo. A apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada, ele disse que no seu cartão particular seria possível usar R$ 26 mil por mês “para fazer o que bem entender”. “O gasto que tem é com as emas, com energia elétrica, comida para quase 200 pessoas que ficam aqui e na Granja do Torto. Alguma viagem de avião, muitas vezes o abastecimento do avião entra no cartão corporativo”, alegou o presidente.

O jornalista Lúcio Vaz, blogueiro da Gazeta do Povo, contudo, mostrou ao longo de 2020 que os gastos do cartão corporativo de Bolsonaro ultrapassam a cifra dos milhões de reais. Segundo os levantamentos do blogueiro, até outubro deste ano o presidente já havia gasto R$ 7 milhões com cartões corporativos – quase o mesmo valor de despesas de todo o ano passado, que ficaram em R$ 7,5 milhões. Somente nos meses de agosto, setembro e outubro os gastos sigilosos de Bolsonaro com cartões corporativos somaram mais de R$3 milhões.*

(*) Estadão Conteúdo e Gazeta do Povo

SOCIOPATA JURAMENTADO

Bolsonaro diz que laboratórios têm de correr atrás do Brasil para vender vacina

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (28) que, diante de um mercado consumidor “enorme” no Brasil, os laboratórios é que deveriam estar interessados nos pedidos de autorização junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para vender a vacina contra o coronavírus no país. E disse que não é o governo que deveria buscar os laboratórios para comprar imunizantes.

“O Brasil tem 210 milhões de habitantes, um mercado consumidor de qualquer coisa enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para a gente? Por que eles não apresentam documentação na Anvisa?”, indagou Bolsonaro a um grupo de apoiadores no Palácio da Alvorada, em Brasília (DF). “Pessoal diz que eu tenho que ir atrás [de vacinas]. Quem quer vender [que tem de correr atrás]”, disse.

Bolsonaro ainda repetiu que não está preocupado com o início da campanha de vacinação no país, pois o processo depende da Anvisa. “Se eu vou na Anvisa e digo ‘corre aí’, vão falar que estou interferindo”, completou o presidente.*

(*) Gazeta do Povo