DANÇANDO NA PROA DO TITANIC…

Após atritos, presidente do BB avisa Bolsonaro que não quer mais seguir no cargo

Planalto, que ainda não escolheu substituto, não pretendia fazer mudança agora após o desgaste com Petrobras

Jota Camelo charges | Camelo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi informado na quinta-feira (25) que o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, não pretende seguir no cargo.

Segundo assessores presidenciais, a informação foi transmitida ao presidente pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que defende a permanência do economista à frente da instituição financeira.

Após desavenças em janeiro com Brandão, Bolsonaro manifestou interesse em trocá-lo do cargo, mas não pretendia fazê-lo agora, sobretudo para não gerar mais desgaste após a intervenção na Petrobras.

Apesar de integrantes do bloco do centrão manifestarem interesse na indicação do cargo, o presidente disse a membros do governo que quer um nome com experiência no setor bancário, já que, na avaliação dele, a instituição financeira é estratégica para o governo federal.

Desde quinta-feira (25), um nome que vem sendo defendido no Palácio do Planalto é o do atual presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. Mas o nome não é visto como certo.

Também chegou a ser ventilado o nome de Gustavo Montezano, atual presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e próximo à família Bolsonaro. Mas fontes garantem que ele permanecerá na instituição de fomento.

Outro nome citado é o secretário-executivo do Ministério da Cidadania, Antônio Barreto.

No BB, o clima é de desânimo desde o anúncio do enxugamento da estrutura no mês passado. Em janeiro, o banco aprovou o fechamento de 361 unidades e dois programas de demissão voluntária.

O anúncio irritou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e desencadeou um processo de fritura de Brandão, presidente do BB. Auxiliares no Palácio do Planalto afirmaram que o executivo poderia ser demitido.

A repercussão do plano de enxugamento e as queixas no Congresso Nacional aumentaram a pressão sobre Brandão. Deputados e senadores reclamaram que estavam sendo cobrados por prefeitos onde agências do banco encerrariam suas atividades.* (…)

(**) Gustavo Uribe– Fábio Pupo- Ricardo Della Coletta
BRASÍLIA – FOLHA DE S. PAULO