GENOCIDAS JURAMENTADOS

Mundo discute vacina, enquanto Ministério da Saúde insiste na cloroquina

Revolta da Vacina

O Ministério da Saúde não desistiu. Mesmo com a publicação de diversos estudos científicos que mostram que a cloroquina não tem eficácia no combate à Covid-19, a pasta prepara novos materiais para divulgar teses que defendem o tratamento precoce da doença com o uso de medicamentos como a cloroquina e a hidroxicloroquina. Funcionários da pasta relataram à coluna que foram orientados a buscar dados para embasar essa postura.

A previsão inicial era que a reiteração da defesa do ministério em relação ao tratamento precoce ocorresse na semana passada, mas o material ainda está em preparação. Há duas semanas, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que nunca estimulou o uso de tais medicamentos. A afirmação do general foi desmentida por uma série de reportagens que mostraram Pazuello defendo a cloroquina, como um vídeo gravado em outubro ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, o ministro tinha sido infectado pelo novo coronavírus.

Desde maio, o Ministério da Saúde recomenda o tratamento com a cloroquina já no primeiro dia de sintomas da Covid-19. Essa recomendação é destinada a profissionais que atuam no tratamento da doença.

Na semana passada, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a conduta de Pazuello na crise sanitária de Manaus (AM). O ministério pressionou a Secretaria de Saúde de Manaus para que utilizasse precocemente medicações antivirais orientadas pela pasta no tratamento da Covid-19, como a cloroquina e a hidroxicloroquina, além do antibiótico azitromicina.*

(*) Bela Megale – O Globo

O FUTURO CHEGOU, FUJA!

Brasil está desgovernado, no regime do salve-se quem puder

Parece que ninguém está vendo o que ocorre no país. Manaus é o Brasil amanhã

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Vamos falar sério. O Brasil está desgovernado. Estamos no regime do salve-se quem puder.

O Helinho (assim eu o chamava quando começou a trabalhar na Folha, com cachimbo e caneta tinteiro, que eu adoro) às vezes transita pelo ambiente nefelibata em suas colunas. Escreveu um artigo que hoje lhe vale um processo. Usou um raciocínio consequencialista para dizer que Bolsonaro seria mais útil morto do que vivo.

Fazendo as contas, ele tem razão. Bolsonaro vivo custa mais de mil mortes diárias ao país. Hélio, porém, tem uma frieza “filosófica” que eu não tenho. Mas os números lhe dão razão. Esse processo contra ele não passa de bazófia.

Impeachment? Bolsonaro nem deveria ter sido eleito. Ele fraudou as eleições. Patrícia Campos Mello que o diga. Mas hoje vemos supostos luminares dizerem que não há condições políticas, que a popularidade deste capitão terrorista ainda é alta.

Política não se faz com o fígado como dizem os “especialistas” de plantão a serviço de qualquer governo. Estão espalhados pela mídia como praga. Mas também não se faz com neurônios alimentados por trapaças e verbas escandalosas para afagar acólitos.

A confiar nas “pesquisas”, Bolsonaro tem cerca de 30% de aprovação. Suponha-se que os dados estejam corretos. Aí temos o seguinte: 2/3 do Brasil estão sendo governados por alguém que nem de longe representa a maioria. Precisa desenhar?

Bolsonaro é um bandido. Sim, um bandido. As fotos e os discursos não deixam dúvidas. Criou-se a si mesmo e sua família na mesma forma. Uma quadrilha que sobrevive à custa de chicanas judiciais. Para alimentá-las, o pretenso presidente parte para xingamentos a esmo. “Ah, ele fala a linguagem do povo”. De que povo esta gente fala? Certamente não é o povo brasileiro. Mas sim o dos porões dos piores momentos que este país já viveu. Ou do pessoal que andou invadindo o Capitólio em Washington.

Nesta segunda-feira (1º) vai ocorrer o cerimonial de eleições para as duas Casas do Congresso. Todos sabem que isso se decide no dinheiro raso. Todos? Nem todos. Não há oposição de fato. O PT, maior bancada do Congresso, parece ter decidido se afundar na lama definitivamente. Uma decepção para quem procura uma saída para estes tempos tenebrosos. Seu apoio a Baleia Rossi etc. é um atestado de óbito auto-assinado do partido.

Parece que ninguém está vendo o que ocorre no país. Manaus é o Brasil amanhã. O ministro da Saúde, “especialista em logística”, não seria contratado como trainee de contabilidade em nenhuma empresa de garagem. É um paspalho que se orgulha de ser paspalho.

Os donos do dinheiro aos poucos parecem perceber isso. Ainda não o suficiente para mandar Bolsonaro para a lata do lixo de onde ele nunca deveria ter saído.

Mas o principal não é isso. O Brasil só vai mudar de fato quando as forças democráticas verdadeiras se movimentarem. Enquanto isto não acontecer, o destino é o desespero. Com sabor de leite Moça.*

(*) Ricardo Melo

(**) Jornalista e apresentador do programa ‘Contraponto’ na rádio Trianon de São Paulo (AM 740), foi presidente da EBC (Empresa Brasil de Comunicação)
Folha de São Paulo

E VOCÊ PENSA QUE JÁ VIU TUDO…

É PAU PURO

Ontem, o ex-prefeito baiano ACM Neto foi hostilizado por bolsonaristas no Aeroporto de Brasília com xingamentos da cepa alucinógena, como “comunista” ou “capacho socialista”. Foi perseguido pelo saguão com gritos de “bandido comunista” , etc, etc.

DO BAIXO CLERO VIESTES, ETC E TAL…

O banquete do Centrão

O governo deu a sinalização que topa abrir o cofre e os espaços nos principais escalões para que o Centrão lhe apóie no Congresso e agora precisará administrar o apetite dos novos amigos. Com o movimento, Jair Bolsonaro ganha apoio dentro do Parlamento mas poderá ter de renovar essa fidelidade a cada votação de seu interesse. Leia-se: mais emendas e mais cargos.

Se forem confirmados os favoritismos de Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o Centrão multiplica sua força. E o presidente precisará conter o avanço do grupo sobre áreas nobres do governo, como Educação e Saúde. Nos dois últimos anos de seu mandato presidencial, Bolsonaro contratou uma aliança que poderá até entregar o apoio prometido. Resta saber a que custo político.*

(**) Marcelo de Moraes – Estadão