POBRE POVO DO ESTADO DO RJ

VEJA A QUE NÍVEL É GOVERNADO O RJ

Witzel em igreja: “Troque fuzil por uma Bíblia, vamos te salvar”. Veja

Governador afastado do Rio reformulou frase de 7 de janeiro, quando afirmou que quem tem arma de guerra não deveria circular livremente

A ideia de defender o “abate” de criminosos, difundida pelo governador afastado do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC), parece que foi refutada pelo próprio. Em uma pregação nessa segunda-feira (22/2), na Assembleia de Deus dos Últimos Dias, localizada em São João de Meriti (RJ), o político reformulou sua famosa frase: “‘Troca um fuzil por uma Bíblia, senão nós vamos te matar”.

Durante o culto, o político afirmou: “Essa frase viralizou, eu quero mudar essa frase hoje: ‘Troque seu fuzil por uma Bíblia porque nós vamos te salvar’”.

O político se referia a uma frase de 7 de janeiro, quando afirmou que bandido que tem arma de guerra não deveria circular livremente. “Não ande de fuzil, você vai morrer”, disse na ocasião.*

(*) Nathalia Kuhl – Metrópoles

DÁ PRA ACREDITAR?

PIADA PRONTA

No que se refere. Uma notável diferença entre Bolsonaro e Dilma Rousseff: a petista nunca fez juras de amor ao liberalismo.

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“Estranho ver petista criticando a intervenção de Bolsonaro na Petrobrás. Mais estranho ainda é ver alguém que se diz de direita defendendo.” *

(**) Daniel Coelho, deputado federal (Cidadania-PE)

A ERA DA CANALHICE

‘Engodo liberal’

Persio Arida alertou que o liberalismo de Bolsonaro era uma farsa e Guedes não mandaria nada

Não foi por falta de aviso. Desde a campanha eleitoral, em 2018, as vozes mais brilhantes da economia, com grandes serviços prestados ao Brasil, já alertavam para o autoengano do mercado com o liberalismo improvisado do corporativista Jair Bolsonaro, que usou o “Chicago Boy” Paulo Guedes para “enganar um bobo, na casca do ovo”.

Foi assim que Bolsonaro venceu e, presidente, joga pela janela a “nova política”, a Lava Jato, Sérgio Moro, as reformas, as privatizações e as regras de mercado. Só falta jogar o próprio Guedes e… a democracia. Quanto ao ministro, é considerado questão de tempo. Quanto à democracia, é melhor prevenir agora do que (tentar) remediar depois.

Persio Arida, um dos pais do Plano Real e assessor da campanha do tucano Geraldo Alckmin, não grita, não é histriônico, nem sequer é político, mas alertou o tempo todo para exatamente tudo o que está acontecendo agora. Banqueiros, empresários, economistas e metidos a entendidos, não venham dizer que não sabiam e estão perplexos. O passado condena. O passado de Bolsonaro já dava todas as pistas do que viria por aí.

Em entrevista inesquecível à repórter Renata Agostini, no Estadão, Arida disse que o capitão Bolsonaro era um “engodo liberal”, como o coronel Hugo Chávez na Venezuela, e alertou para a esquizofrenia da campanha bolsonarista: um candidato estatizante e corporativista escudando-se num “Posto Ipiranga” privatizante e reformista. Sua aposta: o “mitômano” Guedes não ia mandar nada. Afinal, “quem tem a caneta manda”.

Promessas liberais de Paulo Guedes não saíram do papel: falta respaldo do presidente ou foram exageradas. Foto: Dida sampaio/Estadão
Foi um momento “Mãe Dinah” de Persio Arida? Não, ele apenas disse o óbvio, mas o capital e grandes parcelas da população estavam cegos pelo ódio ao PT e foram facilmente manipulados por uma profecia autorrealizável: só Bolsonaro venceria o ex-presidente Lula ou o candidato dele. As pesquisas diziam o contrário, mas as redes sociais tanto martelaram isso que virou verdade. A facada fez o resto e veio “o mito”.

Cadê o R$ 1 trilhão de Guedes com a venda de estatais? Bolsonaro é contra privatizações e o gato comeu. Cadê a promessa de Guedes de zerar o déficit público em um ano? Bolsonaro nunca quis cortar nada e, quanto mais 2022 se aproxima, menos ele quer. A reforma administrativa? Bolsonaro trancou na gaveta, em favor do corporativismo e do populismo. E a tributária? Ele não entendeu nada, mas não gostou. Dá muito trabalho. E não rende voto…

Teimoso, obtuso, o capital segue com Bolsonaro contra tudo e contra o bom senso, mas seus argumentos, ou melhor, pretextos, vão lhes escorrendo pelos dedos. Quando já não sobrava quase nada a dizer, muitos ainda tentavam manter a pose: “Ah! Deixa o Bolsonaro para lá, o importante é deixar o Guedes trabalhar”. Ainda tentam?

Gurus e “gabinete do ódio” estão tendo um trabalhão para providenciar algum discurso para o capital e as tropas bolsonaristas da internet, depois de Bolsonaro entrar de sola na Petrobrás e rasgar o que restava dos seus compromissos de campanha. Desta vez, a um altíssimo custo: a mais simbólica companhia brasileira derreteu R$ 100 bilhões até esta segunda-feira, 22.

A bomba na Petrobrás enterra o “engodo liberal”, humilha o “mitômano” Guedes, chacoalha o cinismo do mercado, deixa o Banco do Brasil e as estatais de barbas de molho e obriga os bolsonaristas renitentes a dar um salto mortal: de endeusadores da Lava Jato, viraram algozes de Sérgio Moro; de adeptos de Guedes, terão de virar inimigos do liberalismo. O bolsonarismo segue os passos do petismo.

Como efeito colateral, Bolsonaro vai cooptando um general atrás do outro e, assim, embaçando a visão estratégica das Forças Armadas. Aliás, outro alerta certeiro de Persio Arida parece cada vez mais atual: “Bolsonaro é um risco à democracia”, já dizia em 2018.*

(**) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

*COMENTARISTA DA RÁDIO ELDORADO, DA RÁDIO JORNAL (PE) E DO TELEJORNAL GLOBONEWS EM PAUTA

TUDO PELO GOVERNABILIDADE, NÉ?

As tentações do imediatismo

Abraçado ao centrão, Bolsonaro dá rédeas soltas ao imediatismo econômico

DEMORÔ” – Contra o Vento

Jair Bolsonaro descobriu o caminho das pedras. Ele até que tentou seguir as bandeiras de sua campanha eleitoral, na qual rejeitou o “establishment” político, notadamente o centrão, e afirmou que governaria com o apoio de frentes parlamentares, em especial o das bancadas BBB (bíblia, boi e bala).

É óbvio que não deu certo. Ironicamente, foi uma derrota sua no Congresso, o generoso auxílio emergencial de R$ 600, que o fez experimentar as delícias do populismo. Com a ajuda de emergência, até grupos demográficos que pareciam bastiões inexpugnáveis do PT passaram a aprovar a gestão do capitão reformado.

Bolsonaro gostou e agora, abraçado ao centrão, dá rédeas soltas ao imediatismo econômico. Acaba de intervir na Petrobras e ameaça fazer o mesmo no setor elétrico, para assegurar preços baixos aos consumidores/eleitores.

O imediatismo é um dos muitos problemas que assombram as democracias. Pela lógica imposta por mandatos de quatro anos, sempre vale a pena para o governante sacrificar o futuro para se dar bem no presente. Como o auxílio emergencial mostrou, é fácil arrancar aplausos distribuindo benesses.

Os termos da equação seriam alterados se os mandatos durassem 20 ou 50 anos. Nesse cenário, responsabilidade fiscal e uma estratégia política baseada em ganhos incrementais mas constantes ganhariam importância eleitoral. Não recomendo, porém, o esticamento dos mandatos. Aí perderíamos uma das principais virtudes da democracia, que é a relativa facilidade com que ela despacha os maus políticos para casa.

O sistema só funciona bem quando o “establishment” se convence da necessidade de preservar o médio e o longo prazos e veta os arroubos populistas mais escandalosos dos dirigentes de turno. Até pareceu que o Brasil havia chegado a esse ponto de amadurecimento institucional nos anos FHC, Lula 1 e a primeira metade de Lula 2, mas, como vimos, era só uma ilusão.*

(**) Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo

DEU RUIM PRO BISPO E O CAMELÔ?

Presidente da Petrobras teria se recusado a dar R$ 100 milhões para Record e SBT

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, demitido na última sexta-feira por Jair Bolsonaro“já vinha enfrentando problemas com o Palácio do Planalto”, diz Merval Pereira.

“Ele havia recusado um pedido do governo para colocar 100 milhões de reais em publicidade nas redes de televisão Record, do bispo Macedo, e SBT, de Silvio Santos.” *

(*) Por Redação O Antagonista

O GUEDES AINDA É MINISTRO?

DEU RUIM

‘Posto Ipiranga’ não conseguiu convencer Bolsonaro sobre como deveria funcionar o mercado de combustíveis

No fim das contas, deu-se um paradoxo: o “Posto Ipiranga” não conseguiu convencer Jair Bolsonaro sobre como deveria funcionar o mercado de combustíveis numa economia liberal.*

(**) Lauro Jardim – O Globo

ELE ACREDITOU, É?

Mattar: “O governo não é liberal e eu acreditei no candidato Bolsonaro”

Salim Mattar, ex-secretário especial de Desestatização, também criticou a escolha de um general para o comando da Petrobras.

Me desculpe, estamos militarizando demais o país”, disse em entrevista à CNN Brasil. “O militar é para quartel. Temos que colocar um homem de mercado na Petrobras. Um homem que saiba o que é um departamento de relações com os investidores. Esse é o tipo de pessoa que precisamos em uma empresa listada. O governo brasileiro está mostrando que não é confiável.”

Afirmou ainda que a decisão de substituir Roberto Castello Branco no comando da empresa mostra mais uma vez que o governo Jair Bolsonaro não é liberal.

O governo não é liberal e eu acreditei no candidato Bolsonaro. No candidato que falava em privatizar a “TV da Dilma”, que é a EBC, a empresa do trem bala, que é a EPL. Ele falava em tirar o estado do cangote do cidadão. Mas foi um discurso de campanha. Eu deixei todos os meus negócios para ir para o governo. Fui motivado pelo desafio espetacular, que era um projeto de Brasil e não do governo.”

FILME ANTIGO : O ETERNO POPULISMO

“Bolsonaro resolveu governar para os caminhoneiros”

O Estadão, em editorial, diz que somente a “inépcia” de Jair Bolsonaro pode explicar a insistência do presidente em querer interferir na política de preços da Petrobras.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou a decisão de trocar o comando da Petrobras, indicando para o posto o general Joaquim Silva e Luna, presidente da Itaipu Binacional. Incapaz de cuidar de um país assolado por uma pandemia, famoso pelo desprezo à vida dos brasileiros e conhecido pela incompetência administrativa, Bolsonaro resolveu governar para os caminhoneiros – aqueles por ele apoiados, em 2018, quando bloquearam o transporte rodoviário, usaram violência para impor sua vontade e causaram enorme prejuízo ao País. Para agradar esse eleitorado, o presidente voltou a criticar a política de preços da Petrobras, dando palpite na gestão de uma empresa estatal de capital aberto.”

E VIVA O POPULISMO…

A que temperatura ferve o doutor Paulo Guedes?

Jair Bolsonaro deixou em polvorosa o Ministério da Economia ao submeter a Petrobras a um processo de pazuellização. Chama-se Joaquim Silva e Luna o novo Pazuello. Teme-se que o capitão queira reproduzir na estatal o modelo de gestão do Ministério da Saúde, baseado na metodologia do “um manda, o outro obedece.”

O general Silva e Luna assume o comando da Petrobras e da política de preços dos combustíveis em meio a uma coreografia hemorrágica. A companhia perdeu R$ 28 bilhões em valor de mercado apenas nesta sexta-feira. Continuará sangrando no pregão de segunda-feira.

Metade da equipe de Paulo Guedes está nervosa porque o ministro diz que mantém o presidente da República sob controle, mas sabe que ele está mentindo e pode deixar o governo a qualquer momento.

A outra metade do time da Economia está nervosa porque Paulo Guedes diz que Bolsonaro está sob controle, e avalia que o ministro acredita mesmo na lorota, descartando a hipótese de bater em retirada de Brasília.

Paulo Guedes está nervoso porque não sabe se diz que dispõe de um ‘Plano B’ que ainda não fez, se faz o ‘Plano B’ e não diz, ou se chama o caminhão de mudança.

A Petrobras pende do organograma do Ministério de Minas e Energia, chefiado pelo almirante Bento Albuquerque. Na prática, porém, era Guedes quem dava as cartas. Afastado do comando da estatal, Roberto Castello Branco é amigo de Guedes.

As contas nacionais, como se sabe, estão em desalinho. Se fosse prestigiado por Bolsonaro, Guedes teria enorme dificuldade para colocar a casa em ordem. Mantido pelo presidente num jogo de gato e rato, pode perder as estribeiras.

De Bolsonaro não se espera senão um populismo reeleitoral do tipo que subordina a saúde financeira da maior estatal do país aos humores dos caminhoneiros. A grande dúvida nacional é a seguinte: a que temperatura ferve o doutor Paulo Guedes?*

(**) Josias de Souza
Colunista do UOL