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VERDADEIRA CARNIFICINA

A GOIABICE DA SEMANA

Paulo Guedes reinou absoluto: na terça (27) de manhã, soubemos do áudio vazado em que ele dizia que “o chinês inventou” o coronavírus e, ainda assim, tinha uma vacina menos eficiente que a dos EUA — o que é coisa muito inteligente quando você é ministro da Economia e se refere a seu maior parceiro comercial, que por acaso também calha de ser seu maior fornecedor de vacinas.

Tinha como piorar? Ô, se tinha: mais tarde, tomamos conhecimento de outro trecho da reunião em que Guedes dizia que o problema da saúde pública no Brasil é que “todo mundo quer viver 100 anos, 120, 130. Não há capacidade de investimento para que o estado consiga acompanhar”. Então, brasileiro, faça o favor de parar com essa palhaçada de querer viver muito, que senão o ministro da Economia não consegue fechar as contas. Como disse o chargista Lafa, em um cartum anterior a essas declarações: se vocês morrerem, o Brasil decola!*

(**)  Ruy Goiaba – Crusoé

GENOCÍDIO OFICIAL

Justiça proíbe governo Bolsonaro de promover ‘tratamento precoce’ contra a covid

Decisão foi tomada depois que Secretaria Especial de Comunicação contratou influenciadores para ações de marketing na pandemia

Já que Bolsonaro não gostou de ser chamado de Capitão Cloroquina... então  vamos aos memes : brasil

A Justiça Federal em São Paulo proibiu a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) do governo federal de promover campanhas publicitárias defendendo ‘tratamento precoce’ contra o coronavírus ou remédios sem eficácia comprovada para tratar a doença.

A decisão é da juíza Ana Lucia Petri Betto, da 6.ª Vara Cível Federal de São Paulo, e também determina a retratação pública de quatro influenciadores contratados pelo governo Jair Bolsonaro para defender o ‘atendimento precoce’ nas redes sociais. O processo, movido por Luna Zarattini Brandão, que foi candidata a vereadora em São Paulo pelo PT, foi aberto justamente esteira da ação de marketing.

“Levando em consideração o contexto em que veiculada a campanha, além da indiscutível similaridade entre as expressões “tratamento precoce” e “atendimento precoce”, é forçoso concluir que, no mínimo, a ação publicitária com os influenciadores digitais tem o potencial de induzir em erro os destinatários da mensagem”, escreveu a magistrada.

No processo, o governo afirmou que a campanha em questão foi pensada para estimular as pessoas a buscarem atendimento médico tão logo desenvolvam os primeiros sintomas da covid-19. Mas, na avaliação da juíza, a publicidade não foi clara.

“Mesmo que o intuito da campanha com os influenciadores não tenha sido a propagação do referido tratamento, como argumenta a União, a comunicação deve ser pautada pelas diretrizes da clareza e da transparência, a fim de transmitir, adequadamente, a mensagem aos destinatários, sobretudo no cenário devastador de agravamento da pandemia da Covid-19 e de disseminação das chamadas fake news”, observou.

A contratação dos influenciadores João Zoli, Jéssika Taynara e Pam Puertas e da ex-BBB Flávia Viana, em troca de cachês que somaram R$ 23 mil, foi revelada pela Agência Pública. Como mostrou a reportagem, eles foram instruídos a seguir o seguinte roteiro nas postagens: “Hoje quero falar de um assunto importante, quero reforçar algumas formas de se prevenir do coronavírus. Vamos nos informar e buscar orientações em fontes confiáveis. Não vamos dar espaços para fake news. Com saúde não se brinca. Fiquem atentos! E se identificar algum sintoma como dor de cabeça, febre, tosse, cansaço, perda de olfato ou paladar, #NãoEspere, procure um médico e solicite um atendimento precoce”.


Publicação feita pela ex-bbb Flávia Viana, que posteriormente pediu desculpas pela publicidade. Foto: Reprodução/Instagram

COM A PALAVRA, O GOVERNO FEDERAL

Procurado, o governo informou que a União ainda não foi intimada.*

(**) Rayssa Motta – Estadão

PICARETAGEM OFICIAL

Programa de Michelle Bolsonaro distribuiu ao todo 2% de cestas básicas do que ONG doou na pandemia

Enquanto o programa da primeira-dama doou 27 mil cestas básicas em um ano e nove meses de existência, Ação da Cidadania destinou 1,4 milhão só na pandemia

Pergunta a Bolsonaro dos R$ 89 mil bomba na web; veja posts mais criativos  - UOL TILT

BRASÍLIA – A Casa Civil e a Secretaria de Comunicação da Presidência defenderam nesta semana o programa “Pátria Voluntária”, coordenado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em nota enviada à reportagem, o governo disse que o programa distribuiu pouco mais de 27 mil cestas básicas e 38,5 mil quilos de alimentos desde que foi criado, em julho de 2019. Este número representa 1,93% do que uma única ONG doou apenas no período da pandemia, de março de 2020 até hoje.

Para fins de comparação: sozinha, somente a ONG Ação da Cidadania, fundada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, doou cerca de 14 milhões de quilos de comida desde o começo da pandemia de covid-19, em março passado. Isso equivale a 1,4 milhão de cestas. A ajuda beneficiou mais de 4 milhões de pessoas, segundo a entidade. Só de fevereiro deste ano para cá, foram distribuídas 350 mil cestas básicas que beneficiaram 1,5 milhão de famílias, segundo informou ao Estadão. Ou seja, em pouco mais de um ano, no período da pandemia, a ONG distribuiu 50 vezes mais cestas do que o programa de Michelle em toda a sua existência. E no período de três meses, 12 vezes mais.

Em outra frente, a Força Sindical anunciou que vai distribuir neste sábado, 1º de maio, 15 mil quilos de alimento. A distribuição em um dia equivale a mais da metade do que o programa de Michelle doou em quase dois anos de existência.Propaganda não faltou para que o programa da primeira-dama decolasse.

Reportagem do Estadão mostrou que o gasto da ação com publicidade (R$ 9,3 milhões) é maior que as doações destinadas pela iniciativa (R$ 5,8 milhões) até o momento. O governo alocou mais dinheiro para promover a campanha de Michelle do que para divulgar a importância de combater o mosquito Aedes Aegypti e de “cuidados precoces” contra a covid-19.

A Casa Civil justifica a disparidade afirmando que há várias etapas a serem cumpridas no processo. “Os recursos são empenhados à medida em que os editais públicos são lançados e todo o processo é devidamente internalizado e concluído, o que exige um tempo maior”, diz a pasta.

“O objetivo foi incentivar o voluntariado por meio da divulgação das ações desenvolvidas pelo Pátria Voluntária, evidenciando suas dimensões e impactos positivos na sociedade”, continua o texto. “É um equívoco tentar comparar a campanha publicitária com a execução de projetos, pois eles diferem quanto ao objeto, método e propósito.”

A reportagem publicada pelo Estadão deixa claro que os recursos têm origens diferentes: enquanto a verba usada para propaganda sai do Orçamento da União, o dinheiro doado é captado por meio de doações.

A nota da Casa Civil esclarece que quem decide sobre a destinação das doações é o “Conselho de Solidariedade”, ligado à Casa Civil. Este grupo “não conta com ministros em sua formação, mas, sim, com representantes de ministérios, os quais se reuniram várias vezes ao longo do ano”.

Já o Conselho do Pátria Voluntária, que é mencionado no site do programa, é integrado por ministros e representantes da sociedade civil. Este conselho, no entanto, tem caráter consultivo. Isto é, não toma decisões.

Os dados mostram que as doações ao programa estão praticamente paradas desde julho de 2020. O programa derrapa no momento em que mais da metade dos domicílios brasileiros enfrenta algum grau de insegurança alimentar em consequência da pandemia da covid-19.

A volta da fome no Brasil também repercute no mundo. No dia 24, a capa do jornal americano The New York Times estampou a foto de uma fila da sopa no centro de São Paulo. “Milhões passam fome conforme o vírus se espalha pelo Brasil”, dizia a chamada.

“Primeiro-damismo”

O engajamento da primeira-dama do Brasil em iniciativas sociais, como faz Michelle Bolsonaro, não é uma novidade. Antecessor de Bolsonaro no Planalto, Michel Temer (MDB) destacou a mulher, Marcela Temer, para atuar como garota-propaganda do programa Criança Feliz, que promovia o cuidado de crianças de até três anos integrantes de famílias carentes. Mas, diferentemente do “Pátria Voluntária”, o Criança Feliz tinha orçamento próprio. Chegou a ser de R$ 600 milhões em 2018, último ano da gestão Temer.

Nos anos de 1990, a então primeira-dama Rosane Collor foi acusada de desviar verbas da antiga Legião Brasileira de Assistência (LBA), uma entidade assistencial presidida por ela. A LBA foi criada por outra primeira-dama, Darcy Vargas, em 1942.

Entre os pesquisadores da área de serviço social, este tipo de política é conhecido como “primeiro-damismo”. Muitos profissionais da área são críticos à prática por ela não se basear em critérios técnicos. “Entre seus traços principais está o fato de que a legitimidade destas primeiras-damas não está firmada em competências técnicas e profissionais, mas sim no posto de governo de seus maridos, o que resulta em amadorismo na condução das políticas sociais”, diz Leonardo Ortegal, doutor em política social pela Universidade de Brasília (UnB) e professor do Departamento de Serviço Social da mesma universidade.

Nem todas as primeiras-damas brasileiras apoiam políticas assistencialistas, porém. A socióloga Ruth Cardoso (1930-2008) era crítica da prática e ajudou a criar o programa Comunidade Solidária, que visava combater a extrema pobreza. O programa substituiu a Legião Brasileira de Assistência e tinha por objetivo modernizar a política pública de assistência no País.

“Para a população, ter a assistência social convertida em assistencialismo é algo que significa retrocesso para os direitos de cidadania. Além de deteriorar as conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras do País, o que deveria ser dever do Estado, passa a ser utilizado como ferramenta de clientelismo e exercício populista de poder”, diz Ortegal.*

(**) André Shalders, O Estado de S.Paulo

TROCA DE RATAZANAS

FIM DE LINHA

O Tribunal Especial Misto vou pelo afastamento em definitivo de Wilson Witzel (PSC) do Governo do Rio de Janeiro

Wilson Witzel | Humor Político – Rir pra não chorar
Witzel se torna o primeiro governador no país a ser afastado em definitivo por meio de um processo de impeachment desde a redemocratização. É também o sexto chefe do Executivo do Rio de Janeiro acusado de corrupção.

Diante do resultado, o governador interino Cláudio Castro (PSC) assumirá definitivamente o governo do estado. Aliado do presidente Jair Bolsonaro, ele também é investigado no mesmo suposto esquema de propina na Secretaria de Saúde que levou ao impeachment de seu antecessor.*

(**) UOL

CIRCO BRASIL

Estão gostando do palhaço?

Agora no centro do picadeiro, Paulo Guedes não perde uma oportunidade de ficar calado

Paulo Guedes, ministro-bufo de Jair Bolsonaro encarregado dos esquetes sobre economia, disse que “livro é coisa de rico”. E, como sempre, desafinou. Bolsonaro, por exemplo, é rico e não gosta de livros. O último que teve em mãos foi no dia de sua posse —um exemplar da Constituição, que ele jurou defender, mas nunca abriu e na qual cospe com regularidade.

Bolsonaro tem razão em não ligar para livros. Não só porque lê com dificuldade, acompanhando as linhas com a cabeça e tropeçando nas palavras quebradas, mas porque construiu seu patrimônio sem precisar deles, valendo-se apenas do salário de deputado e, dizem, do de seus servidores. A estante ao fundo em seus pronunciamentos no Planalto é cenográfica, com livros comprados a metro. Às vezes variam a cor das lombadas para combinar com sua gravata. Um brincalhão poderia rechear as prateleiras com as obras completas de Karl Marx e Bolsonaro não perceberia.

Esse brincalhão poderia ser Paulo Guedes. Numa trupe de momos como Abraham Weintraub, Ernesto Araújo e Eduardo Pazuello, era difícil notá-lo no picadeiro. À medida que eles foram sendo defenestrados, Guedes saltou para o centro da lona e nunca mais perdeu uma oportunidade de ficar calado. Exprobou as domésticas por irem à Disney, tachou os servidores públicos de parasitas, acusou os pobres de destruir o meio ambiente e ainda os condenou por não saberem poupar e só pensarem em consumir.

Como o show não pode parar, Guedes há pouco criticou o brasileiro por “querer viver 100, 120, 130 anos” e sobrecarregar a Previdência. Deu mais uma cotovelada na China, acusando-a de ter inventado o vírus e vender uma vacina de segunda. E avisou o IBGE que não lhe mandaria dinheiro para fazer o Censo porque “quem muito pergunta ouve o que não quer”.

Está certo. Imagine se, em meio ao espetáculo, alguém perguntar ao público se estão gostando do palhaço.*

(**) Ruy Castro – Folha de S. Paulo

VERGONHOSO

Ramos terá que explicar à Câmara por que tomou vacina ‘escondido’

Jota Camelo | Humor Político – Rir pra não chorar

O ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos (foto), precisará explicar à Câmara por que teve que tomar “escondido” a vacina contra a Covid-19, como relatado durante reunião do Conselho de Saúde Suplementar. Os esclarecimentos deverão ser prestados em resposta a um requerimento de informação apresentado pelo deputado Kim Kataguiri, do DEM de São Paulo.

No documento, o demista questiona quem orientou o ministro a se imunizar longe dos holofotes e se outras pessoas receberam a mesma recomendação. “Vossa Excelência temia a reação do presidente da República se lhe fosse dada a
informação de que um de seus ministros se vacinou?“, emendou.

Ao fazer a revelação sobre sua imunização, o general não sabia que o evento do  Conselho estava sendo gravado e transmitido nas redes sociais. O vídeo foi apagado, mas a rádio CBN divulgou o conteúdo da fala.

Tomei, foi em Brasília, ali no Shopping Iguatemi. Tomei escondido porque a orientação era para todo mundo ir para casa, mas vazou. Mas tomei mesmo, não tenho vergonha não. Eu tomei e vou ser sincero porque eu, como qualquer ser humano, eu quero viver. Eu tenho dois netos maravilhosos, eu tenho uma mulher linda, eu tenho sonhos ainda. Então, eu quero viver, pô. E se a ciência, a medicina, fala que é a vacina — né [Paulo] Guedes? —, quem sou eu para me contrapor?“, disse, na ocasião.

Na mesma gravação, Ramos declarou estar “pessoalmente” envolvido na tentativa de convencer Jair Bolsonaro a tomar o imunizante. “Nós não podemos perder o presidente para um vírus desse. A vida dele no momento corre risco. Ele tem 65 anos“, prosseguiu.*

(**) ANA VIRIATO –  CRUSOÉ

GENERAL CAPACHO VAI ABRIR O BICO?

PLANALTO TEME QUE TENSÃO ENTRE NÚCLEO IDEOLÓGICO E MILITAR LEVE PAZUELLO A EXPLODIR

Receio é que olavistas sejam convocados para apontar erros do ex-ministro da Saúde

O Palácio do Planalto teme que a guerra entre o enfraquecido núcleo ideológico, formado pelos apoiadores mais radicais de Bolsonaro, e o núcleo militar, cause um bombardeio em cima de Eduardo Pazuello na CPI da Pandemia.

O receio é que olavistas sejam convocados na CPI para apontar erros de Pazuello, tal qual o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten fez à revista Veja, e isso leve o ex-ministro da Saúde a fazer o mesmo em seu depoimento.

Só que, ao detonar olavistas, Pazuello pode acabar entregando segredos que coloquem a cabeça de Jair Bolsonaro a prêmio.*

(**) Guilherme Amada – Época

A ERA DA BOÇALIDADE

Em mais uma trapalhada do governo, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) provocou a bancada feminina do Senado, que decidiu ir para a guerra na CPI da Covid. Como não há nenhuma senadora na comissão, Flávio Bolsonaro disse que as mulheres se mostravam “menos indignadas” e deu a entender que elas não quiseram participar das investigações. As declarações foram feitas na sessão de instalação da CPI.

O machismo fez a bancada feminina se unir ainda mais. Elas decidiram que em todas as sessões haverá pelo menos uma senadora. Elas vão fazer barulho:

“Na minha terra tem um ditado que diz ‘não cutuque onça com vara curta’. Já íamos participar da CPI diuturnamente, porque nada é mais importante para a bancada feminina que entender os erros que mataram centenas de milhares de brasileiros, e continuam matando. Agora, provocadas, estaremos de plantão 24 horas”, explicou a senadora Simone Tebet (PMDB-MS).

Senadora Simone Tebet — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Senadora Simone Tebet — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Os trapalhões

Esse humilde blog pergunta: quem deve ganhar o troféu Trapalhões da CPI? Até o momento concorrem:

  1. General Ramos – Fez circular um documento que aumentava de 18 para 23 os pontos a serem investigados;
  2. Flávio Bolsonaro – Com seu machismo, chamou para a briga as 12 senadoras;
  3. Flávia Arruda – Esqueceu de apagar as digitais do governo nos requerimentos de informações apresentados pelos senadores governistas. *

(**) Octávio Guedes – G1