GÍRIA DE ASSASSINOS

Foto de Bolsonaro com cartaz de ‘CPF cancelado’ gera críticas nas redes sociais

Bolsonaro é criticado por posar com cartaz "CPF cancelado"

Líderes de partidos da oposição, representantes de movimentos sociais e usuários do Twitter criticaram Jair Bolsonaro (sem partido) após a divulgação de uma foto oficial do presidente segurando um cartaz com a frase “CPF cancelado”.

O registro foi feito na última sexta-feira durante a visita de Bolsonaro a Manaus. Ele se encontrou com o apresentador e apoiador político Sikêra Júnior para uma entrevista em uma emissora amazonense e depois posaram para a foto.

A expressão é comumente utilizada no meio policial para se referir a execuções ou mortes, o que fez muitos questionarem a postura de Bolsonaro, sobretudo diante das quase 400 mil mortes por Covid-19 registradas no país.

“‘CPF cancelado’ é uma gíria usada por milícias e grupos de extermínio para comemorar mortes. Bolsonaro não é presidente da República. É um miliciano.”, criticou Guilherme Boulos (PSOL-SP).

A deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP) também se manifestou no Twitter, condenando a atitude do chefe do Executivo. “Quando te perguntarem o que é genocídio, mostre esta foto: com o país se aproximando de 400 mil mortos, quem deveria estar trabalhando pela vacina apareceu com uma placa que diz ‘CPF cancelado'”, escreveu.

“CPF cancelado é gíria de milícia, não temos um presidente, temos um miliciano”, postou a ativista indígena Alice Pataxó.

Em outros registros, os filhos de Bolsonaro, Eduardo e Flávio, também posaram com os mesmos cartazes, fato que também foi criticado pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). “Não é só Bolsonaro que faz apologia ao extermínio com placa CPF Cancelado! Seus filhos parlamentares também fazem”, postou a deputada.

A polêmica em torno do jargão chegou a irritar Bolsonaro nesta segunda-feira, quando chamou uma repórter de idiota por ter questionado a atitude controversa.

— Você não tem o que perguntar, não? Deixa de ser idiota — afirmou o presidente.

Essa não foi a primeira vez em que Bolsonaro é criticado por falta de decoro em relação às mortes por Covid-19. Em março passado, o presidente riu durante uma live ao comentar o suposto aumento de casos de suicídio, como consequência do isolamento social durante a pandemia.*

(**) Amanda Scatolini – O Globo

AUTO ENRABOU-SE

Juiz que barrou Renan em CPI deve ter despachado no Planalto, diz Randolfe

Fora do círculo governista, é grande a irritação dos senadores com a liminar que barra a indicação de Renan Calheiros (MDB-AL) como relator da CPI da Covid.

A decisão foi concedida pelo juiz Charles Renaud Frazão de Morais, da 2ª Vara Federal Cível do DF, menos de 24 horas antes de a comissão ser instalada.

— É a liminar cloroquina. O juiz deve ter despachado de dentro do Palácio do Planalto — ataca o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Líder da oposição, Randolfe participou do acordo que prevê a escolha de Omar Aziz (PSD-AM) como presidente e Renan como relator. Ele deverá assumir a vice-presidência.

— Se o Renan não puder ser relator da CPI, o Aziz pode me indicar. Vai ser pior ainda para o governo — provoca.

O juiz Morais atendeu a um pedido da deputada Carla Zambelli (PSL-SP), aliada do presidente Jair Bolsonaro.

Neste momento, senadores não alinhados ao Planalto estão reunidos no apartamento de Aziz. Eles discutem uma reação conjunta à decisão judicial.

A avaliação do grupo é de que a liminar invadiu atribuições do Senado e tende a ser derrubada nas próximas horas. Se isso ocorrer, o governo não deve esperar boa vontade de Renan como relator da CPI.*

(**) Por Bernardo Mello Franco – O Globo

QUEM COMANDOU O MORTICÍNIO, HEIN?

‘Brasil não levou pandemia a sério e muitos morreram desnecessariamente’, diz Nobel de Medicina

Charles M. Rice
Para virologista americano Charles Rice, que venceu o prêmio em 2020, presidente Jair Bolsonaro é culpado pela crise de covid-19 e enfrentar pandemia sob sua liderança “será um desafio”

Na opinião do virologista americano Charles Rice, vencedor do Nobel de Medicina em 2020, “como aconteceu nos Estados Unidos, o governo brasileiro não levou a pandemia a sério e, como consequência, muitos morreram desnecessariamente”.

Falando à BBC News Brasil por e-mail, ele diz acreditar que o presidente Jair Bolsonaro é culpado pela crise de covid-19, e que enfrentar a pandemia sob sua liderança “será um desafio”.

“Embora Bolsonaro e sua administração sejam responsáveis, acho que a prioridade agora deve ser seguir em frente, agir e enfrentar a pandemia. Será um desafio, principalmente com a atual liderança, mas talvez a vontade do povo e a imprensa ajudem.”

Professor de virologia na Universidade Rockefeller (Estados Unidos), Rice dividiu o prêmio do ano passado com os pesquisadores Michael Houghton e Harvey J. Alter por seus trabalhos sobre o vírus da hepatite C. A doença, para a qual não existe vacina, provoca uma inflamação do fígado que pode se tornar crônica e causar câncer, levando à morte.

Carta aberta

Recentemente, Rice foi um dos três ganhadores do prêmio Nobel a assinar uma carta com mais de 200 nomes, entre cientistas e pesquisadores de todo o mundo, para defender a ciência no Brasil e criticar a atuação do governo Bolsonaro durante a pandemia de covid-19. O documento, publicado em 7 de abril, diz que a área está sob ataque pela sua gestão (ver íntegra ao fim desta reportagem).

Além de Rice, outros dois laureados com o Nobel, Michel Mayor (Nobel de Física em 2019) e Peter Ratcliffe (Nobel de Medicina em 2019), também estão entre os signatários.

A BBC News Brasil entrou em contato com os dois – Mayor não respondeu aos questionamentos da reportagem e Ratcliffe afirmou, por meio de sua secretária, que ficou “feliz” de ter assinado a carta, mas que não “desejava fazer comentários adicionais” sobre a situação da pandemia da covid-19 no Brasil.

No documento, os signatários dizem que Bolsonaro “deve ser responsabilizado pela condução da crise sanitária no Brasil, que não somente fez explodir o número de mortes mas acentuou as desigualdades no país”.

A carta lembra que o presidente se referiu à covid-19 como “gripezinha”, criticou as medidas preventivas, como isolamento físico e uso de máscaras, e “por diversas vezes provocou aglomerações”, além de “propagar o uso da cloroquina” e “desencorajar a vacinação”.

“Em meio ao negacionismo, proliferação de falsas informações e ataques à ciência, em plena crise sanitária, o presidente chegou a mudar quatro vezes de ministro da saúde”, acrescenta o documento.

Na carta, os signatários também destacam que a ciência no Brasil “vem sofrendo diversos ataques”.

“Cortes e mais cortes orçamentários que ameaçam pesquisas e colocam o trabalho de cientistas em xeque; instrumentalização da ciência à fins eleitoreiros como bem mostram as declarações do presidente desacreditando o trabalho de cientistas durante a crise sanitária. Esses ataques, no entanto, vão além do contexto da covid-19”.

O Brasil é um dos países mais afetados pela pandemia de covid-19 no mundo: tem o terceiro maior número de casos confirmados de coronavírus (mais de 14 milhões) e o segundo maior número de mortes (391 mil).

Veja a íntegra da carta abaixo.

Carta Aberta: solidariedade internacional aos pesquisadore(a)s e cientistas no Brasil e ao povo brasileiro.

Pesquisadore(a)s do mundo todo

Terça-feira, 6 de abril de 2021 – O Brasil registra 4195 mortes pela Covid. Ao todo, são mais de 340 000 óbitos contabilizados desde o começo da pandemia. Se o coronavírus afeta todos os países do globo, a amplitude da catástrofe sanitária que acomete o país não pode ser dissociada da gestão desastrosa do presidente Jair Bolsonaro. O presidente deve ser responsabilizado pela condução da crise sanitária no Brasil, que não somente fez explodir o número de mortes mas acentuou as desigualdades no país.

Em inúmeros momentos, o dirigente da república brasileira se referiu à covid-19 como « gripezinha », minimizando a gravidade da doença. Bolsonaro criticou as medidas preventivas, como o isolamento físico e o uso de máscaras, e por diversas vezes provocou aglomerações. Chegou a propagar o uso da cloroquina, embora cientistas alertassem para os efeitos tóxicos do uso do fármaco para combater a covid. Pesquisadores que publicaram estudos que demonstravam que o uso do medicamento aumentava o risco de morte em pacientes com Covid chegaram a ser ameaçados no Brasil. Bolsonaro desencorajou ainda a vacinação, chegando a sugerir, por exemplo, que as pessoas poderiam se transformar em « jacaré ». Em meio ao negacionismo, proliferação de falsas informações e ataques à ciência, em plena crise sanitária, o presidente chegou a mudar quatro vezes de ministro da saúde.

A ciência brasileira está sofrendo diversos ataques : cortes e mais cortes orçamentários que ameaçam pesquisas e colocam o trabalho de cientistas em xeque ; instrumentalização da ciência à fins eleitoreiros, como bem mostram as declarações do presidente desacreditando o trabalho de cientistas durante a crise sanitária. Esses ataques, no entanto, vão além do contexto da covid-19. Basta lembrar os ataques feitos por Bolsonaro ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em um contexto alarmante diante dos níveis de desmatamento da Amazônia.

Ao desmentir a ciência, Bolsonaro não somente fere a comunidade científica, mas toda a sociedade brasileira : são diários os recordes de mortes pela covid, dados da Fiocruz indicam por exemplo a circulação de 92 cepas do coronavírus no Brasil, o que torna o país uma gigantesca fábrica de variantes ; para além temos ainda os impactos sobre o meio ambiente, povos tradicionais da Amazônia e o clima global.

Em um contexto de crise sanitária, de agravamento das desigualdades, de mudanças climáticas, este tipo de conduta é inaceitável e o autor deve ser responsabilizado. Nós nos preocupamos com o agravamento da crise sanitária no Brasil, com os ataques à ciência e por meio desta carta aberta nós, acadêmico(a)s de todo o mundo, demonstramos nossa solidariedade com os/as colegas no Brasil, cujas liberdades estão ameaçadas e com a população brasileira que é afetada diariamente por essa política destrutiva.*

(**) Luis Barrucho – @luisbarrucho

       Da BBC News Brasil em Londres

SAUDADES DO TRUMP…

Porta-voz americano aumenta pressão sobre Bolsonaro

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, elevou a pressão sobre o Brasil ao afirmar que o governo Joe Biden espera que o país exerça seu papel de “líder regional” no enfrentamento às mudanças climáticas. A expectativa foi revelada nesta quinta-feira, véspera da Cúpula de Líderes sobre o Clima.

“O Brasil é uma das dez maiores economias do mundo. É um líder regional, tem a responsabilidade de liderar, inclusive na questão climática”, disse Price, em coletiva de imprensa.

“Nós respeitamos a soberania do Brasil ao lidar com os desafios ambientais. Podemos construir sobre nosso histórico de cooperação na área ambiental para fazer mais, elevar as ambições. É este, precisamente, o ponto da Cúpula que acontecerá amanhã. Vemos o Brasil como um parceiro importante para colocar o mundo no caminho de zerar as emissões líquidas de carbono até 2050”, acrescentou.

“Um dos focos deste governo é incentivar o Brasil a tomar ações que reduzam o desmatamento e implementar metas ambiciosas para a redução de emissões de carbono, consistentes com o objetivo mundial de limitar o aquecimento global em 1,5 graus celsius. Nós acreditamos que tudo isso é realístico para a comunidade internacional e para o governo do Brasil também”, afirmou Price.

O porta-voz da diplomacia norte-americana sublinhou, mais uma vez, que o governo de Joe Biden espera medidas concretas contra o desmatamento ilegal na Amazônia, além de um “sinal político” de que a prática “não será tolerada”.*

(**) ANDRÉ SPIGARIOL – CRUSOÉ

VIDA DE GADO

Bilhete a um jovem bolsonarista

Se estiver sentindo o vírus perigosamente por perto, prepare-se para vir conhecer o Brasil real

Se o amigo vive no Brasil de Jair Bolsonaro, parabéns. Até há pouco, jovem, feliz, negacionista e com histórico de atleta, você era imune à Covid. Enquanto os velhos morriam, você assobiava no azul —distanciamento, higiene, restrições ao comércio, máscara e vacinas eram coisa de maricas e comunistas. Nas últimas semanas, no entanto, ao sentir o vírus perigosamente por perto e sabendo que amigos de seu porte físico e idade estavam intubados ou já no cemitério, é possível que você esteja pedindo ingresso no Brasil real —o nosso.

Não podemos bater-lhe a porta na cara, mas não espere muito de nossa parte. Somos 200 milhões à mercê da pandemia, dependendo apenas de nossos cuidados e do sacrifício dos profissionais da saúde —aqueles que nunca mereceram uma palavra de gratidão de Bolsonaro, muito menos uma visita de solidariedade a uma linha de frente. Mas fique certo de que esses profissionais o tratarão com a mesma heroica dedicação com que nos tratam —para eles, você será só mais um a ser salvo, não um farrista de aglomerações, festas clandestinas e carreatas.

Nós, brasileiros de segunda classe, estamos há um ano lendo e ouvindo entrevistas dos epidemiologistas e infectologistas. Mês a mês, eles avisaram sobre o que iria acontecer —e aconteceu. O combate a uma pandemia não pode caber a uma besta fardada como Eduardo Pazuello, cuja grande façanha militar foi obrigar um soldado a puxar uma carroça diante dos colegas num quartel em Brasília, em 2005. Talvez não seja também da sola de um cardiologista invertebrado como Marcelo Queiroga. Os especialistas continuam a avisar e a não serem levados em conta.

Neste Brasil à deriva, torça para não ser intubado. E, se for, que os hospitais tenham os remédios para ajudá-lo a engolir aquela tubulação.

Suas chances de sobreviver não serão muitas, mas, se sair dessa, aí, sim, bem-vindo ao Brasil real.*

(**) Ruy Castro – Folha de S.Paulo

VAI VENDO…

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA

Em meio a uma crise sanitária sem precedentes, delações  e de uma CPI matadora, surge um sinal dos tempos em Brasília: restaurantes finos da capital federal estão há mais de uma semana com grave desabastecimento de ‘linguado’, aquele peixe achatado. Para substituí-lo, os maîtres estão sugerindo o ‘robalo‘. É sério, aconteceu no Tejo Restaurante, de gastronomia portuguesa inventiva e refinada da Asa Sul. Ô raça, isso o povo brasileiro não vê!

É UM ZERO-ZERO À ESQUERDA

Carlos Bolsonaro confunde LGPD com LGBT e rebate crítica: “Mentirosos”

Câmara discutia a Lei de Proteção de Dados quando o vereador se preocupou com “autodeterminação informativa”. “Sexo é homem e mulher, X e Y”

Em uma discussão na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), confundiu a expressão “autodeterminação informativa”, presente na nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com “identidade de gênero”, tema relacionado à política de garantia de direitos da população LGBT.

Carlos Bolsonaro pediu a palavra para reclamar contra a presença da expressão na lei sobre proteção de dados, que significa o direito de exercer o controle sobre seus dados pessoais, decidindo se a informação pode ser objeto de tratamento (coleta, uso, transferência) por terceiros, ou mesmo ter direito à transparência sobre a destinação dada às suas informações pessoais, assim como acessar bancos de dados para exigir correção ou cancelamento de informações pessoais.

Veja:

O vereador criticou o princípio, alegando, entre outras coisas, que “vê por aí gente que inclusive se autodenomina tigre, leão, jacaré, papagaio, periquito”.

O filho do presidente ainda tentou se proteger de eventuais críticas, ressaltando aos demais parlamentares que não se tratava de uma “piada”.

“Novamente repito, não é piada. Então, a partir do momento que você coloca isso, ignorando legislações superiores que caracterizam o sexo da pessoa como homem e mulher, X e Y, baseado na ciência, e você entra com uma característica de autodeterminação, fica algo muito vago, porque coloca em situação delicada tanto a pessoa que se autodetermina quanto as pessoas que estão ao redor dela”, alertou.*

(**)  Metrópoles

MALHAÇÃO DO JUDAS

“Pazuello se ferrou e nos ferrou junto”, diz ex-comandante do Exército

General Edson Leal Pujol reclama da atuação do ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello, que é alvo de investigações

Para Além do Cérebro: Pazuello, o “coisa que não cai”, por Fernando Brito