PAÍS AO AO DEUS DARÁ

Abandonados na defesa do isolamento, Estados avançam em auxílios próprios

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Jair Bolsonaro reafirmou com novas declarações na linha “mortes são inevitáveis” o que governadores já sabiam, mas Arthur Lira e Rodrigo Pacheco fingem desconhecer: combater efetivamente a pandemia não é a prioridade do presidente. Essa tarefa foi delegada a Estados e municípios, que sofrem com a falta de vacinas, com as UTIs lotadas, com o desgaste do confinamento e estão abandonados pelo Congresso. Cientes desse jogo, os governadores tentam avançar por conta própria na compra de vacinas e até em programas de transferência de renda.

Antídoto. Na economia, para tentar evitar que Bolsonaro continue posando de “defensor dos empregos” enquanto empurra a conta da crise para os governadores e capitaliza popularidade com o auxílio emergencial, diversos Estados também avançaram na concessão de benefícios sociais.

Antídoto 2. Esses auxílios estaduais muitas vezes têm valores pagos aos cidadãos mais altos do que os do federal e atendem um número maior de categorias.

Ajuda própria. O Pará, por exemplo, iniciou o pagamento de R$ 500,00 mensais a autônomos, além de pequenos comerciantes e população mais carente. Em São Paulo, o governo do Estado turbinou seus programas sociais. O Ceará criou em março um auxílio de R$ 1.000,00 para trabalhadores desempregados de bares e restaurantes. Já o Piauí aprovou o mesmo valor para os setores de alimentação e de eventos.

Tiro na água? Para Bruno Soller, do Instituto Travessia, de análises e pesquisas, a redução do valor da ajuda federal, que passou de R$ 600 para R$ 250, em média, pode frustrar a população porque não atende as necessidades das famílias, ainda mais em um cenário de aumento de preços.*

(**) Coluna do Estadão