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ENLAMEANDO MAIS AINDA O EXÉRCITO

Pazuello complica Bolsonaro ainda mais

Quanto mais o presidente se debate tentando escapar da rede, mais se enreda.

Pazuello disse que determinou ao então secretário-executivo do Ministério da Saúde, coronel Élcio Franco, que apurasse se havia alguma irregularidade. Franco apurou, nada encontrou, e todos deram o assunto por encerrado. Beleza.

Quem são essas pessoas? Como vivem? O que comem?

Ninguém achou que seria boa ideia conversar com o denunciante. E ninguém apresentou nenhum documento que comprove a história. Não há um ofício, um memorando, um email, um zap.

Mentirosos compulsivos contando uma história inverossímil, sem provas, com cinco dias de atraso e esperando que o distinto público acredite em sua palavra.

Bolsonaro tinha a obrigação de comunicar à Polícia Federal ou ao Ministério Público: se comunicou a Pazuello, considerado suspeito pelo denunciante, continua culpado de prevaricação e se coloca na posição de eventual cúmplice.

Já Pazuello acaba de confessar que também cometeu crime de prevaricação. E continua suspeito.

E Franco, corroborando a conversa fiada de Pazuello, também comete prevaricação. E continua suspeito.

Quanto mais se debatem tentando escapar da rede, mais se enredam.

Quem são essas pessoas? *

(**)  Ricardo Rangel –  Veja 

AGORA, TODOS CONTRA O GENOCIDA

Superpedido de impeachment de Bolsonaro promove união rara na História do Brasil

Vargas e Prestes em um comício em São Paulo: ex-ditador e ex-preso político juntos contra o governo Dutra / Crédito: Arquivo / Agência GloboVargas e Prestes em um comício em São Paulo: ex-ditador e ex-preso político juntos contra o governo Dutra. (O Globo)

Apenas cinco anos após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, apresentaram-se juntos, no mesmo palanque político, o líder do Movimento Brasil Livre, deputado Kim Kataguiri, e a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann. Pediam, juntos, um novo impeachment. Estavam lá, também, outros parlamentares: Joice Hasselmann e Jandira Feghali, Alessandro Molon e Tabata Amaral. O encontro político de grupos tão diametralmente opostos politicamente, ainda por cima com brigas profundas a separá-los, acontece na História. Mas é raro.

Carlos Lacerda, que participou das conspirações para o golpe de 1964, se uniu a João Goulart, o presidente deposto pelo golpe, e Juscelino Kubitschek, em 1967. Apenas três anos depois. Lacerda estava entre os que acreditaram que os militares chegariam ao poder e organizariam eleições para o ano seguinte. Não foi trivial convencer Jango a topar o acordo — mas luta contra ditaduras faz milagres.

Em 1947, Luís Carlos Prestes deixou-se fotografar num palanque com o ex-presidente Getúlio Vargas. Faziam campanha contra o governo de Eurico Gaspar Dutra. Durante a ditadura Vargas, Prestes havia passado nove anos preso e foi um dos poucos comunistas poupados de tortura física. Ainda assim, sofreu uma das piores dores. Sua mulher, Olga Benário, que era judia, foi extraditada pelo regime ainda grávida e morreu no campo de extermínio nazista de Bernburg. Dutra estava levando o Partido Comunista para ilegalidade mais uma vez e por isso Prestes se posicionava. O PCB foi ilegal por todo o período do Estado Novo.

Em todas as vezes que algo do tipo aconteceu, valores democráticos de alguma forma estavam em jogo. O direito de uma corrente de opinião se organizar em partido e disputar eleições ou mesmo o direito a votar em eleições para presidente. É a luta por democracia que costuma reunir opostos na política brasileira.*

(**) – O Globo

A CHAPA ESQUENTOU

Planalto precisa rifar Barros para proteger Flávio Bolsonaro

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Estrategistas do presidente Jair Bolsonaro estão convencidos de que será necessário sacrificar Ricardo Barros para evitar que o escândalo das vacinas se aproxime do grupo de Flávio Bolsonaro. Ainda esperam aval de Ciro Nogueira, presidente do PP.

Como previsto, o avançar da crise é irrefreável e devastador. A suspensão do contrato entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos, do lobista Max, para a compra da Covaxin é um ato necessário, mas insuficiente para amenizar o apetite por sangue em Brasília.

Hoje, Ricardo Barros, o líder do governo na Câmara, é o protagonista do caso, queira ou não. Cedo ou tarde, o acúmulo de denúncias custará a liderança na Câmara – e pode cobrar um preço bem mais caro do deputado, se ele não perceber a encrenca em que está metido.

Reservadamente, Barros nega as suspeitas e diz que a articulação no Congresso favoreceu tanto a Covaxin quanto a Sputnik – cuja compra ainda não foi esquadrinhada.

O ainda líder do governo sabe que a PF, o Ministério Público e a CPI trabalham com a hipótese de que Flávio Bolsonaro, por meio do advogado Willer Tomaz, participou da operação Covaxin.

O Planalto opera sob as mesmas premissas. E, para evitar que o caso chegue à família presidencial, arriscando detonar uma guerra civil entre centrão e Planalto, está disposto a queimar Barros da maneira mais eficiente possível.

Ou seja, de um modo que não destrua Barros nem o incentive a contar o que sabe acerca das compras das vacinas.*

(**) Diego Escosteguy

NÃO PASSARÃO

Bolsonaro promove por decreto uma ‘pazuelização’ da máquina administrativa

Charge do Zé Dassilva: autoridade | NSC Total

Bolsonaro decidiu transformar algo extraordinário —a ocupação de cargos civis por militares— em coisa ordinária. Começa a vigorar nesta quinta-feira (1º) decreto presidencial que promove uma espécie de pazuelização da máquina pública. Transforma em cargos militares os postos civis ocupados por servidores fardados.

A iniciativa tem uma aparência ilegal. As orelhas do decreto são de lobo. O focinho é de lobo. Os dentes são de lobo. Mas o Planalto sustenta que se trata de uma vovozinha camuflada sob uniforme de campanha.

O Estatuto dos Militares prevê que integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica que permanecerem por dois anos exercendo cargos civis são obrigados a passar para a reserva. Bolsonaro modificou essa regra, permitindo que militares exerçam funções civis por tempo indeterminado. Na prática, em vez de os militares retornarem à vida civil, os cargos civis é que se tornam militares.

O problema é que o Estatuto dos Militares é uma lei. E Bolsonaro promoveu as alterações por decreto. Significa dizer que o presidente está atropelando o Congresso. Ele passa por cima dos legisladores num instante em que a Câmara inicia o debate sobre uma proposta de emenda à Constituição que limita a quantidade de militares da ativa em funções civis, o posto do que deseja Bolsonaro

Forças Armadas são instituições de Estado. Existem para defender a nação. Não se confundem com governo e oposição.

De acordo com o Tribunal de Contas da União, o número de militares em cargos civis deu um salto. Em 2018, eram 2.765. Em 2020, segundo ano da gestão Bolsonaro, o número foi a 6.157. Um crescimento de 122%.

A ocupação militar promovida pelo general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde mostrou que o resultado nem sempre é positivo. Não há vestígio de militar no comando da Saúde nas duas décadas de ditadura militar.

Todos os ministros da Saúde dos generais eram médicos civis. O decreto de Bolsonaro tem um aroma venezuelano. Dificilmente ficará em pé. Tornou-se uma espécie de derrota esperando para acontecer no Congresso ou no Supremo Tribunal Federal.*

(**) Josias de Souza
Colunista do UOL

RATOS PULANDO DO TITANIC

Coordenadora do PNI coloca cargo à disposição

A CPI da Covid aprovou a quebra dos sigilos de Francieli Fantinato

A coordenadora do Programa Nacional de Imunização, Franceili Fantinato, colocou o cargo à disposição nesta quarta-feira (30). Segundo O Globo, ela não aguentou a pressão gerada pela CPI da Covid.

A possibilidade de que ela deixasse o Ministério da Saúde era ventilada desde a semana passada. A pasta havia informado que a servidora estava de férias.

No início do mês a CPI aprovou uma acareação entre Fantinato e a médica Luana Araújo. Hoje, o ministro do STF Luís Roberto Barroso negou um pedido para que ela pudesse faltar à sessão.

A comissão aprovou também a quebra dos sigilos telefônico e telemático de Fantinato, o que pode ajudar a elucidar possíveis irregularidades do ministério no combate à pandemia. A PGR é contra a medida cautelar.*

(**) O Antagonista

VIVA O BOLÇONAQUISTÃO

O livro que Ricardo Barros lançou diz tudo. Eis o título: ‘De olho no dinheiro do Brasil’

Reprodução

Ninguém pode acusar Ricardo Barros de não ser um político direto e objetivo. Inclusive como autor de livros, uma faceta pouco conhecida do líder do governo na Câmara.

Pois eis que em 2007 ele lançou uma obra com o nada sutil título de “De olho no dinheiro do Brasil“. Parece piada-pronta.

Como subtítulo, mandou um “Orçamento da União, agora você pode participar”. Para quem lê só isso fica a dúvida: esse “você” seria o leitor comum ou algum deputado do Centrão?

Quando foi lançado, Barros esclareceu:

— É um livro técnico, porém bastante interessante para as pessoas que pretendem entender melhor como é feita a aplicação do dinheiro público.

Será que Barros contou tudo o que sabe no livro?*

(**) Lauro Jardim – O Globo

DOIS CANALHAS BOLSONARISTA

O roteiro de perguntas para Wizard na CPI: gabinete paralelo, tratamento precoce e live com Luciano Hang

Os empresários Lucian Hang e Carlos Wizard

Senadores da CPI da Covid prepararam um roteiro de perguntas para Carlos Wizard focado no gabinete paralelo e no financiamento de propagandas da cloroquina. Os integrantes do G7, grupo majoritário da comissão, também vão questionar a relação do empresário com a Belcher Farmacêutica. A empresa foi a intermediária da negociação com o governo para a compra de 60 milhões de doses da vacina chinesa Cansino.

Na carta de intenção de compra assinada em junho com a Belcher está previsto o pagamento de US$ 17 por dose. Em março, Wizard e Luciano Hang, dono da Havan, fizeram uma live com Emanuel Catori, sócio da Belcher Farmacêutica. Na transmissão, ele foi apresentado apenas como Emanuel e disse ter 8 milhões de doses de vacinas para vender a empresas privadas. Não especificou, porém, qual seria o imunizante. Um trecho da live será exibido durante o depoimento de Wizard nesta quarta-feira.

Atualmente a Belcher é investigada pela Polícia Federal sobre desvios na compra de testes de Covid no governo do Distrito Federal.

Wizard e Hang tentaram aprovar, sem sucesso, a compra de vacinas pela iniciativa privada. Na ocasião, a live buscava apoio popular para pressionar o Executivo e o Legislativo para flexibilizar a legislação sobre o tema.

A aprovação da compra de vacinas contra a Covid-19 antes da imunização dos cerca de 80 milhões de brasileiros que fazem parte do grupo prioritário não agrada a maior parte de profissionais de saúde. Para eles, a aquisição e a distribuição do imunizante pela iniciativa privada podem fazer com que pessoas que não estão na lista de prioridades sejam vacinadas antes daquelas que estão, gerando um movimento de “fura-fila”. *

(**) Bela Megale – O Globo

BOZO, O HONESTO

Ou os irmãos Miranda gravaram o presidente ou estão blefando. Bolsonaro paga para ver?

Charge O TEMPO 26-06-2021

Nenhum presidente é obrigado a saber tudo de todos os ministérios, mas como não saber nada do Ministério da Saúde durante uma pandemia que já matou mais de 510 mil brasileiros?

Quanto mais abre a boca, mais o presidente Jair Bolsonaro se enrola e mais vai aplainando o caminho para a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. Já não há mais dúvida: Bolsonaro é o maior adversário dele mesmo e o principal cabo eleitoral de Lula em 2022. Quanto mais um cai, mais o outro se consolida.

A campanha de Bolsonaro foi a que captou antes e usou melhor o grande catalisador da eleição de 2018: qualquer coisa, menos o PT. Nada como um dia atrás do outro, ou de uma eleição atrás da outra, e agora foi a campanha de Lula que captou antes e pretende usar melhor o catalisador de 2022: qualquer coisa, menos Bolsonaro.

Ao abrir a boca ontem, o presidente produziu mais uma pérola: “Não tenho como saber o que acontece nos ministérios”. Em meio à pandemia, aos ataques e ao desprezo às vacinas, também admitiu, como quem não quer nada: “Eu nem sabia como é que estava a tratativa…” Ou seja, como estava a pressa e a pressão para comprar a preço de ouro a Covaxin, vacina indiana que não tinha autorização nem na Índia, quanto mais da Anvisa.

O presidente fala do jeito mais displicente sobre questões graves e complexas, como mortes, pandemia, economia, governo, China, Joe Biden, ambiente, índios, máscaras, vacinas, deixando a impressão de que, ou ele se finge de bobo, ou é bobo mesmo. E, definitivamente, governando é que ele não está.

Nenhum presidente é obrigado a saber tudo de todos os ministérios, mas como não saber nada do Ministério da Saúde durante uma pandemia que já matou mais de 510 mil brasileiros? E como não sabia das tratativas da Covaxin? Foi ele quem enviou mensagem para o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em favor dessa vacina, depois de desdenhar de Pfizer e Coronavac!

Ok. Vamos dar a Bolsonaro o benefício da dúvida. Vai que ele falou a verdade e não sabia de nada mesmo, já que estava superocupado, andando de moto, atacando jornalistas e inaugurando pontezinhas no Norte e agênciazinhas da CEF no Sul. Mas e, depois, quando recebeu as informações e os documentos do deputado Luis Miranda e seu irmão Luis Ricardo, responsável pelas importações no Ministério da Saúde?

Foi no dia 20 de março, sábado. A partir daí, não há como dar benefício da dúvida, porque ninguém, por mais desmemoriado, tem o direito de esquecer uma denúncia envolvendo US$ 45 milhões. Ele sabia exatamente o que estava acontecendo no ministério, sabia exatamente das tratativas (ou mutretas) com a Covaxin e simplesmente lavou as mãos. Tem nome: prevaricação.

Toda a confusão imobilizou o presidente e o Centrão. Nem Bolsonaro sabe o que fazer com o seu líder Ricardo Barros, nem o Centrão de Barros sabe o que fazer com Bolsonaro. Luis Miranda está no comando da situação: ou gravou a conversa com o presidente, ou blefou ao jogar isso no ar. Alguém tem como desmenti-lo? E quem quer pagar para ver?

A situação vai se complicando, com a notícia-crime contra Bolsonaro no Supremo por prevaricação e com novas descobertas instigantes. A Precisa, que representa a Covaxin no Brasil e tem uma reputação “mais ou menos”, aumentou seus negócios com o governo em 6.000% na era Bolsonaro. E não era a única a ter privilégios e defensores poderosos.

A vacina Convidecia, da chinesa CanSino, passou pelo mesmo processo atípico, também não tinha autorização da Anvisa e pedia um preço ainda maior do que a Covaxin. Onde é a sede da representante dela no Brasil? Em Maringá (PR), cidade do líder do governo e ex-ministro da Saúde Ricardo Barros – o dos “rolos”. Deve ser tudo coincidência, como os bolsonaristas-mor Luciano Hang e Carlos Wizard serem pró-Convidencia desde criancinhas. Bolsonaro, evidentemente, não sabia de nada.*

(**) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo