SEMPRE PATROCINANDO O PIOR

O Exército e os seus momentos vexatórios de sua história

O Exército, que lutou pela democracia nos campos da Itália durante a Segunda Guerra Mundial, também teve momentos vexatórios em sua história. Qual foi o pior deles? A Campanha de Canudos (entre 1896 e 1897), o golpe de 1964 ou o apoio a Bolsonaro (“um mau militar”, segundo Geisel)? Cartas para a redação.*

(**)  Ancelmo Gois – O Globo

CANALHA DE QUINTA CATEGORIA

Artistas levantam campanha pedindo prisão de Mário Frias

Coletivo 342 artes levantou hashtag #MarioFriasNaCadeia, que chegou aos assuntos mais comentados do Twitter

Mídia NINJA on Twitter: "#mariofriasnacadeia… "

O coletivo 342 Artes, formado por artistas brasileiros, levantou hoje a hashtag #MarioFriasNaCadeia pedindo a responsabilização do secretário Especial de Cultura pelo incêndio da Cinemateca Brasileira. A campanha chegou ao topo dos assuntos mais citados no Twitter.Enquanto a Cinemateca queimava, o ministro do Turismo e seu subordinado, Mario Frias, que deveria cuidar especificamente da área, estavam em Roma. Segundo os funcionários da Cinemateca, o incêndio era uma tragédia anunciada devido ao descaso com a instituição.Na manhã desta sexta-feira, Frias se pronunciou em seu Twitter sobre o assunto e botou a culpa no PT. “O estado em que recebemos a Cinemateca é uma das heranças malditas do governo apocalíptico do petismo”, escreveu o secretário.O órgão está sem gestor desde 31 de dezembro de 2019, na época o então ministro da Educação Abraham Weintraub anunciou, naquele ano, que não iria renovar o contrato com a organização social Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, responsável pela administração.

Nas mãos do governo federal, o patrimônio cultural brasileiro foi deixado de lado. Em julho do ano passado, o Ministério Público Federal apresentou uma ação contra a União alegando que a Cinemateca estava sob “estrangulamento financeiro e abandono administrativo”. *

(**) Guilherme Amado  – Bruna Lima – Metrópoles

SEGURA, CENTRÃO!

Aliados constrangidos com a farsa da fraude eleitoral

O mentiroso e o Pinóquio. Por Amarildo Lima

Aliados de Jair Bolsonaro consideraram um fiasco o desempenho dele ao frustrar quem acreditou que ele poderia cumprir a promessa de apresentar prova de fraude eleitoral. Ontem, quinta-feira 29 de julho, durante a transmissão ao vivo pelo Facebook, o presidente disse que não tinha prova, apenas indícios.

“Vergonha alheia”, admitiu um constrangido deputado da base aliada em entrevista pelo telefone. Parlamentares ouvidos pelo Bastidor admitiram que o presidente criou expectativa e desapontou quem, de boa-fé, seguiu a teoria conspiratória que já tinha exposto ao vexame Aécio Neves, candidato do PSDB derrotado por Dilma Rousseff na eleição de 2014.

A aposta de um deputado aliado de Bolsonaro é a de que o presidente jogou contra o voto impresso. De acordo esse parlamentar, o desempenho do presidente tirou votos da minoria que ainda defendia essa polêmica proposta na Câmara. A remota possibilidade de reverter essa derrota iminente, na avaliação dele, é a manifestação marcada para domingo contar com a participação de milhões de pessoas. *

(**) Nonato Viegas

É COAUTOR DA TRAGÉDIA NACIONAL

O abalo de Heleno com Ciro Nogueira na Casa Civil

Heleno está constrangido porque foi ele que fez um dos principais ataques ao centrão na época da campanha

general augusto heleno | Humor Político – Rir pra não chorar

O ministro Augusto Heleno está abalado desde a semana passada, quando soube do convite que Jair Bolsonaro fizera ao senador Ciro Nogueira para ser o novo chefe da Casa Civil.Heleno está especialmente constrangido por ter sido na voz dele um dos principais ataques ao centrão, na época da campanha, quando Bolsonaro afirmava ser contra a “velha política”, a mesma que ele agora orgulhosamente admitiu fazer parte.

Na semana que vem, haverá boa oportunidade para Heleno mostrar quão resiliente é. Na cerimônia de posse, terá de apertar a mão e figurar ao lado do chefe do centrão — aquela ala que ele comparou a ladrões. *

(**) Guilherme Amado – Metrópoles

“EU JÁ SABIA”

Após alarde, Bolsonaro admite não ter provas de supostas fraudes nas eleições

Opresidente Jair Bolsonaro (foto) admitiu nesta quinta-feira, 29, não ter como atestar a ocorrência de fraudes nas eleições. O chefe do Planalto havia prometido mostrar provas de irregularidades durante a tradicional live semanal, mas, ao longo de 2 horas, limitou-se a transmitir teorias conspiratórias que circulam há anos na internet e vídeos disponíveis no YouTube.

Os materiais do acervo utilizado por Bolsonaro já foram desmentidos em ocasiões anteriores por projetos de checagem de fatos e pelo Tribunal Superior Eleitoral, TSE.

Não tem como se comprovar que as eleições não foram ou foram fraudadas. São indícios. Crime se desvenda como vários indícios”, disse Bolsonaro. “Ah, não tem prova de fraude. Também não tem que não há”, completou.

Em meio à live, Bolsonaro transpareceu o receio com o resultado das urnas em 2022. “Como eu posso ser recebido em qualquer lugar do Brasil, como serei, se Deus quiser, em Presidente Prudente no próximo sábado e o outro cara não consegue ir em um bar sem ser vaiado. Esse é o candidato que tem voto? A imprensa, em grande parte, produz fake news, a pesquisa diz que eu estou mal para justificar a manipulação de votos na ponta da urna. Isso é uma certeza? Não é uma certeza. É um indício fortíssimo“, esbravejou.

O presidente iniciou a transmissão ao vivo com um discurso de 40 minutos, no qual distribuiu ataques — Bolsonaro fez menção ao PSDB, ao PT e ao ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, por exemplo. No entanto, as investidas centraram-se, principalmente, no presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso.

Na sequência, Bolsonaro deu a palavra a um homem que identificou apenas como Eduardo e que, segundo disse, é analista de inteligência. Foi ele quem fez a passagem dos vídeos apresentados. O primeiro deles transmitiu a narração da mensagem de que é possível fraudar o código fonte para computar o voto de um candidato para o outro.

Minutos depois, o TSE publicou nas redes uma checagem do Projeto Comprova, do qual Crusoé faz parte. O material mostra que, de acordo com a própria corte e um especialista ouvido pela reportagem, o programa que é utilizado na gravação como simulador da urna eletrônica é muito mais simples que o equipamento em si, que conta com inúmeros dispositivos de segurança que impedem que ela funcione com um arquivo modificado.

Em outro exemplo, Bolsonaro resgatou um vídeo feito por uma emissora de televisão que mostra que dois técnicos contratados por uma coligação política afirmam terem encontrado indícios de fraude nas urnas eletrônicas durante eleições municipais realizadas em Caxias, no Maranhão, em 2008.

Em tempo real, o TSE esclareceu, em seu site oficial e nas redes, que, a pedido da Justiça Eleitoral, a PF periciou as urnas eletrônicas utilizadas no pleito e concluiu que não foram identificados sinais de violação física dos lacres que envolvem os aparelhos.

No documento, a PF descartou as hipóteses de instalação de softwares fraudulentos e de adulteração dos programas autenticados pelo TSE. Também não foram encontrados arquivos contaminados por vírus nas urnas eletrônicas examinadas pela instituição“, explicou, em nota. *

(**) ANA VIRIATO – O ANTAGONISTA

O PRESIMENTE ACUMULA

Alessandro Vieira diz não saber se é pior um presidente ‘estúpido’ ou ‘canalha’

Senador que integra a CPI da Covid comentou nas redes sociais a live em que Jair Bolsonaro prometeu apresentar ‘provas’ de fraude eleitoral e não cumpriu

Alessandro Vieira, um dos integrantes da CPI da Covid no Senado, comentou da seguinte forma as mentiras de Jair Bolsonaro em sua live desta quinta (29), na qual o presidente prometeu apresentar “provas” de fraude nas eleições e não cumpriu:

“Não sei o que é pior: um presidente tão estúpido que acredita em teorias conspiratórias de WhatsApp ou um tão canalha que inventa as teorias conspiratórias de WhatsApp.”

O senador do Cidadania de Sergipe acrescentou:

“No final das contas dá no mesmo, são ataques diários contra a democracia. É uma doença que vamos curar no voto.” *

(**) Redação  – O Antagonista

UM EXEMPLAR

Como se tornar um tirano

Atuar para impedir eleição configura crime de responsabilidade, mas o impeachment depende de Arthur Lira, cujo silêncio envergonha a democracia

Tome o poder, acabe com os rivaisreine pelo terrorcontrole a verdade, crie uma nova sociedade, governe para sempre. Esses são os episódios da primeira temporada da série “Como se tornar um tirano”, disponível na Netflix.

Luís Roberto Barroso, que dá dicas de livros e filmes no Twitter, poderia recomendar sem erro o documentário.

Apesar de ainda não conseguir cometer certos excessos, como fizeram Saddam Hussein, Muamar Kadafi, Adolf Hitler e outros tiranos retratados no streaming, Jair Bolsonaro segue à risca o “manual”.

Hoje, ele esticou mais um pouco a corda. Voltou a atacar o presidente do TSE e a imprensa, lançou dúvidas sobre o sistema eleitoral com peças de desinformação que circulam nas redes sociais e agitou a claque a não aceitar uma eleição sem voto impresso.

“Não temos provas”, admitiu.

Atuar para impedir eleição configura crime de responsabilidade, como vem martelando o próprio Barroso. Mas o impeachment depende do presidente da Câmara, Arthur Lira, cujo silêncio envergonha a democracia.

Tiranos só viram tiranos com a cumplicidade dos covardes.*

(**) Claudio Dantas – O Antagonista

“ACABOU A MAMATA”

Ciro Nogueira tem 210 cargos para nomear no Planalto

Líder do Centrão tomou posse na Casa Civil

Ciro Nogueira, novo ministro da Casa Civil e representante do Centrão na cúpula do Planalto, tem à sua disposição nada menos do que 210 cargos de confiança na Presidência, ou seja, de pessoas que ele poderá nomear ao seu bel-prazer.Nogueira terá que escolher nomes para despachar em diversos órgãos do Planalto, incluindo a Secretaria de Relações Governamentais e as Subchefias de Política Econômica, Finanças Públicas, Políticas Sociais, e Articulação e Monitoramento.Líder do Centrão, o senador licenciado tomou posse na Casa Civil nesta terça-feira (28/7). No Senado, o senador tende a não perder nenhum cargo de seu gabinete. O ministro tem como suplente a própria mãe, a empresária Eliane Nogueira, que já assumiu o mandato e não deve mudar nenhum assessor.*(**) Eduardo Barretto – Metrópoles

GOLPISTA DESDE CRIANCINHA

Bolsonaro quer tornar o centrão sócio da desmoralização das eleições

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O presidente Jair Bolsonaro marcou para esta quinta-feira a live em que, segundo ele, provaria que o sistema de votação eletrônica não é confiável. Escolheu fazê-lo logo após a nomeação de seu novo chefe da Casa Civil, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, um dos comandantes máximos do centrão. Assim como entregou cargos aos generais para desmoralizar os militares, agora oferece cargos no governo ao centrão para desacreditar as urnas. Tudo junto e misturado, o resultado seria um só: escrachar a democracia.

É difícil crer que Ciro Nogueira e o presidente da Câmara, Arthur Lira, que é do PP de Alagoas, se rebelarão e recusarão ser sócios dessa cruzada do capitão Bolsonaro contra as urnas eletrônicas.

Como chefe da Casa Civil do Planalto, Ciro Nogueira tem como principal função defender a aprovação no Congresso dos projetos de interesse do governo.

E Bolsonaro dá mostras nessa live desta quinta-feira que considera prioridade do governo a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que institui o voto impresso no Brasil.

A PEC foi apresentada na Câmara pela deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF) por sugestão do próprio presidente. Kicis foi ungida presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, graças ao acordão partidário capitaneado pelo Planalto para eleger Arthur Lira o todo poderoso presidente da Casa.

Lira instituiu uma comissão especial para analisar a PEC. Tem dito que, embora não desconfie da urna eletrônica, considera razoável o voto impresso. Note-se que seu partido, o PP, representado pelo próprio Ciro Nogueira, integrou no último dia 26 de junho uma reunião em que os presidentes de 11 legendas se manifestaram contra a aprovação da PEC.

O projeto quase foi derrubado na comissão nesta última semana antes do recesso de meio do ano do Legislativo. A votação foi adiada e a expectativa era que o texto fosse enterrado agora na volta dos trabalhos, no início de agosto. Será?

Bolsonaro está decidido a promover uma força-tarefa contra a derrubada do projeto. Amarrou o comando do centrão com cargos importantes no governo, e acredita que comprou os votos do grupo.

Se conseguir, terá repetido com os políticos dos partidos que integram o centrão a mesma estratégia que usou com os generais: distribuiu cargos a granel para os comandantes das três Forças para, em troca do comissionamento, humilhar e desmoralizar os militares em geral. Uma vingança contra aqueles que, no passado, o obrigaram a deixar o Exército.

Ciro e Lira não estarão sendo usados para desmoralizar os políticos em geral. Esses, Bolsonaro acredita que já tinha desmoralizado na sua própria campanha eleitoral, quando venceu com o mote de combate ao que chamava de “velha política”.

O que Bolsonaro quer mesmo, agora, é usar o centrão, especialmente esses dois comandantes do agrupamento partidário, para desmoralizar a democracia. Afinal, ele mesmo já disse que é a favor da ditadura.*

(**) Tales Faria
Chefe da Sucursal de Brasília do UOL