FALTARÃO CELAS PARA ESSA ESCUMALHA

Assim como Sérgio Camargo, Bolsonaro tem encontro marcado com a Justiça

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Bolsonaro elegeu-se presidente da República com uma pregação conservadora. Muitos imaginaram que ele levaria o Brasil para a direita. Engano. Conservadores foram o americano Ronald Reagan e a britânica Margareth Thatcher. Bolsonaro é apenas arcaico. Seu modelo é Donald Trump. Ele empurrou o Brasil para trás, não para a direita. Sérgio Camargo, o presidente da Fundação Palmares, é a exacerbação do absurdo.

O Ministério Público do Trabalho colecionou 16 depoimentos de servidores da fundação que foram vítimas de assédio moral e perseguição ideológica. Pede o afastamento de Sergio Camargo da função e indenização de R$ 200 mil por danos morais.

Desde que foi premiado por Bolsonaro com uma função pública, em 2019, Sérgio Camargo desfila pelo noticiário como um vexame administrativo à espera de reações judiciais. À frente de uma entidade criada para apoiar e integrar a comunidade afrodescendente, dedica-se em tempo integral à desqualificação dos negros e à caça de esquerdistas.

Na largada, a Era Bolsonaro começou com um adorador da ditadura na Presidência, um antiambientalista no Ministério do Meio Ambiente, um deseducado no Ministério da Educação, um antidiplomata no Itamaraty, um inimigo dos artistas na Secretaria de Cultura e vários outros contrassensos. Num governo assim, um negro racista no comando de uma entidade que deveria preservar a memória e a cultura negra é apenas mais um escárnio a serviço da falta de lógica.

Sérgio Camargo e seus assemelhados são reflexos da regressão. Bolsonaro é a verdadeira cara do atraso. O presidente também tem um encontro marcado com a Justiça. A blindagem da Câmara e da Procuradoria-Geral da República retardam esse encontro. Mas os processos virão depois que Bolsonaro for ex-presidente. É certo como o nascer do sol a cada manhã.*

(**) Josias de Souza
Colunista do UOL

DELÍRIOS DE UM GOLPISTA

Dia da dependência

O golpe, se ocorrer, será um dos únicos da história feito às claras, com conhecimento da população e das instituições

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Como já havia acontecido com a camisa da seleção —um dos emblemas da “pátria em chuteiras”, na expressão de Nelson Rodrigues, e que hoje se transformou em símbolo do bolsonarismo—, o Sete de Setembro foi sequestrado. Não haverá o tradicional desfile cívico-militar, cujo ponto alto, ao menos para mim, eram as acrobacias da Esquadrilha da Fumaça. Não se exibirá pela enésima vez o filme “Independência ou Morte”, que de lambuja seria uma homenagem póstuma ao ator Tarcísio Meira com suas suíças à dom Pedro.

O Dia da Independência virou um ato de dependência. Bolsonaro convocou uma manifestação a seu favor com todas as características de um ensaio de golpe. Ou do golpe propriamente dito. O qual, se ocorrer, será um dos primeiros da história dado ao conhecimento geral da população e das instituições, com dia e hora marcados, nome e sobrenome dos conspiradores.

Não há o que festejar nas ações do governo, que despenca em popularidade e se agarra a mentiras divulgadas nas redes sociais. Então se prepara uma baderna, com aval dos generais que aceitaram fazer parte da aventura recebendo altos salários. Que tal invadir o STF? Fechar Senado e Câmara? Talvez assim as coisas melhorem e Bolsonaro possa assumir o cargo de generalíssimo. Eis a lógica de quem está bancando os “protestos”, sobretudo empresários ruralistas e varejistas e pastores evangélicos, além da máquina de ódio que funciona dentro do Palácio da Alvorada.

A mobilização de tropas da PM para o ato no feriado nacional é o ingrediente explosivo desse caldo. Insufladas por Bolsonaro, não é de hoje que as forças auxiliares agem à revelia de governadores, achando-se no direito de organizar motins por aumento de salário. E agora de fazer manifestações políticas na rua. Irão armados?

O clima de nuvens negras estaria mais sereno se, em maio, o Exército tivesse punido o general Pazuello por ter virado um reles cabo eleitoral. *

(**) Álvaro Costa e Silva – Folha de São Paulo

TEMPESTADE PERFEITA

Banco do Brasil e Caixa ameaçam deixar a Febraban

Como consequência de uma crise que se desenrola nos bastidores da Febraban há uma semana, o Banco do Brasil e a Caixa estão ameaçando deixar a entidade, criada em 1967 para representar o setor bancário — e da qual os dois bancos públicos estão entre os fundadores.O motivo é um manifesto, capitaneado pela Fiesp, que será publicado nos jornais nos próximos dias, assinado por cerca de cem entidades de classe dos setores financeiro e industrial.

Intitulada “A praça dos Três Poderes”, a declaração afirma que “as entidades da sociedade civil que assinam esse manifesto veem com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas”.

Mais: “O momento exige serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer, gerar empregos e assim reduzir as carências sociais que atingem amplos segmentos da população”.

Durante os últimos dias, houve uma intensa troca de  mensagens e telefonemas. Os dirigentes da Caixa e do BB tentaram que a Febraban não chancelasse a peça. Insistiram que o o.k. da entidade ao texto seria visto como uma manifestação política contra o governo Bolsonaro.

Em vão. Ontem, uma votação na entidade aprovou a participação da Febraban. Entre os bancos que apoiaram estavam Bradesco, Itaú, Credit Suisse, JP Morgan, BTG, Safra, Santander e muitos outros.

Tanto o ministro Paulo Guedes, quanto o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e Jair Bolsonaro estão acompanhando o imbroglio e apoiam a decisão de saída da Febraban. Guedes, a propósito, está irritado com a possibilidade da publicação do manifesto. Avalia que é uma crítica à política econômica.

Em resumo, assim que o manifesto sair nos jornais, a Caixa e o BB darão bye bye à Febraban. *

(**)  Lauro Jardim – O Globo

OLHEM O NÍVEL DA BAIXARIA

Bolsonaro pega violão como se fosse fuzil: “Homem armado jamais será escravizado”

Em seu encontro com evangélicos, o presidente ganhou um violão do deputado federal Glaustin da Fokus

Capa da notícia

Foto: Reprodução

Um dia depois de dizer que todo mundo tem que comprar fuzil, Jair Bolsonaro voltou a estimular a população a se armar.

Neste sábado, após ser presenteado pelo deputado federal Glaustin da Fokus com um violão, o presidente segurou o instrumento como se estivesse empunhando uma arma e afirmou:

O CAC [colecionadores, atiradores e caçadores] está comprando fuzil, hein. Homem armado jamais será escravizado.”

Bolsonaro participou mais cedo do 1° Encontro Fraternal de Líderes Evangélicos de Goiás. Durante seu discurso, ele afirmou que tem três alternativas para seu futuro: ser preso, morto ou ter a vitória. *

(**) Redação – O Antagonista

RATAZANAS PULANDO DO TITANIC

Para preservar negócios, Carlos Wizard se afasta de Bolsonaro

Carlos Wizard decidiu submergir desde o seu depoimento à CPI da Pandemia. O empresário relatou a um interlocutor que resolveu se afastar da política a pedido de seus investidores e pelo bem dos seus negócios.

O empresário é dono da holding Sforza, gestora de investimentos por meio da qual controla as operações no Brasil das marcas de fast food Pizza Hut, KFC e Taco Bell. Controla também a rede de alimentos Mundo Verde e a franquia de escolas de inglês Wise Up.

A ordem, disse Wizard, é evitar a todo custo associar seu nome a política. Percebeu que seu apoio a Bolsonaro o expõe a “temas polêmicos”.

O empresário atuou como consultor não remunerado do Ministério da Saúde durante a fase aguda da pandemia. Integrou o que a CPI qualifica de gabinete paralelo de Bolsonaro e defendeu publicamente o uso de remédios ineficazes no tratamento do coronavírus. *

(**) Nonato Viegas

SEXTA-FEIRA, 27 DE AGOSTO DE 2021

 “I’ll Close My Eyes”, de Billy Reid com

Ken Fowser (sax tenor);

Josh Bruneau (trompete);

Rick Germanson (piano);

Paul Gill (baixo);

Jason Tiemann (bateria).

No Linda’s Jazz Nights, Bronx,

NYC, NY, EUA, 3/5/2017. *

(**) Acir Vidal, editor do blog.

 

E VIVA O BANANÃO

A GOIABICE DA SEMANA

O Caco Antibes de Miguel Falabella tem mais sensibilidade social que Paulo Guedes

Paulo Guedes parece mais decidido do que nunca a encarnar o estereótipo do economista que só conhece pobre de assistir às novelas do Manoel Carlos. As últimas do ministro da Economia, que as redes estão chamando de Chicago Antibes, foram dizer que a inflação — que neste ano deve ficar bem acima do teto da meta e ser a pior desde o governo Dilma Rousseff — está “dentro do jogo” e perguntar “qual o problema de a energia ficar um pouco mais cara?”.

Guedes se mudou de mala e cuia para o universo das vozes na cabeça dele. Quem dera nós outros pudéssemos morar na Guedeslândia, essa terra da qual jorram leite e mel, onde a economia está “bombando” (ou “furando as ondas”) e as empregadas domésticas conhecem o seu lugar e não ficam se metendo a querer ir para a Disney. (Dizem que essa terra já existe e se chama Leblon.) *

(**) Ruy Goiaba – Crusoé

GOVERNANDO PARA O CERCADINHO

Condições de reeleição se deterioram e só inflamar e botar bolsonaristas na rua não resolve

Na análise governista, o pior já teria passado até outubro de 2022. Não é bem assim

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Diferentemente do que imaginavam o Planalto, assessores, aliados e bolsonaristas resilientes, o tempo não está contando a favor, mas contra a reeleição do presidente Jair Bolsonaro. Quanto mais 2021 avança e 2022 se aproxima, mais as condições de Bolsonaro se deterioram na política, na economia, na confiança dos cidadãos. Se ele acha que basta incendiar a internet e botar sua turma na rua, pode estar redondamente enganado.

Na análise governista, o pior já teria passado até outubro de 2022. Fim da pandemia, maioria da população vacinada, mortos esquecidos e cada um se virando com suas sequelas. Economia reaquecida, PIB surpreendendo, investimentos a rodo, empresas produzindo, serviços voltando e empregos se multiplicando. Não é bem assim.

Bolsonaro jogou no lixo as bandeiras e o discurso de 2018 e não construiu nada sobre os escombros. Lá se foram o combate à corrupção, a defesa da Lava Jato, a “nova política” e a ojeriza ao Centrão, arrastando junto a balela de uma política econômica liberal, moderna e reformista. Nada foi colocado no lugar e, enquanto presidente, ele nunca deixou de ser candidato.

Concorrer à reeleição como paladino da moralidade, não dá. Como líder responsável e eficaz na pandemia, nem como piada de mau gosto. Como gestor e chefe do governo, impossível. Como salvador da Pátria, do ambiente, da Amazônia, da educação, da cultura, da política externa…, façam-me o favor!

Logo, Bolsonaro precisaria apostar todas as fichas na economia e no ministro Paulo Guedes, mas ele não dá a menor bola para uma nem para o outro. A previsão do PIB, modesta para 2021, mas animadora para 2022, cai mês a mês. Os investimentos recuam com as crises que Bolsonaro cria o tempo todo. A inflação assusta, os juros sobem a cada reunião do Copom.

Não adianta bater no IBGE, porque a realidade é que o desemprego tem uma recuperação lentíssima e joga famílias inteiras na rua, com pratos vazios. Não custa repetir que, além da questão social, até humanitária, o emprego é o mais político dos indicadores econômicos.

A isso somem-se três fatores que não são consequência direta do Executivo, mas têm peso extraordinário no humor da classe média, que por sua vez tem peso significativo nas eleições: gasolina (perto de R$ 7 o litro da comum), gás de cozinha (mais de R$ 100 o bujão) e conta de luz de lares e empresas (e a crise hídrica e energética ainda não chegou ao pico). “Não adianta ficar chorando”, ministro Guedes?!!

Exatamente por isso, como publicou nesta quinta-feira, 26 o repórter Lauriberto Pompeu, com fartura de depoimentos, o Centrão está ressabiado, trabalha com a perspectiva de derrota de Bolsonaro e reclama de Guedes. Ninguém ali está preocupado com macroeconomia, teto de gastos, responsabilidade fiscal, só com o próprio interesse eleitoral, que envolve o pacote clássico do populismo: gastança, programas sociais de ocasião, compra de votos.

Guedes que se cuide, enquanto o Centrão reabre os canais com o ex-presidente Lula, principalmente no Nordeste, única região em que Fernando Haddad venceu em 2018. Pouco importa se o PP abocanhou a “alma do governo”, com Ciro Nogueira na Casa Civil, e Câmara, com Arthur Lira na presidência. O futuro é muito mais apetitoso do que o presente.

Se o Centrão e o próprio PP já estão se cuidando, imaginem o resto da turma. O bolsonarismo se infiltrou em praticamente todos os partidos do centro à direita, mas todos têm equilíbrio delicado, que pode ser fugaz e depende sobretudo do próprio Bolsonaro. Ele vai de solenidade em solenidade militar, faz agrados às polícias, mantém a tropa bolsonarista unida atacando tudo e todos, mas não percebe o principal: só isso não ganha eleição.*

(**) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

ELES SE AMAM

Silêncio toma conta do PT quando o assunto é André Mendonça

Não há um senador petista que se arrisque a dizer como o partido se posicionará em relação ao indicado de Bolsonaro para o STF

O silêncio tomou conta da bancada do PT no Senado quando o assunto é a indicação do ex-AGU André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF). Senadores têm evitado a todo custo dizer como o partido se posicionará em relação ao escolhido por Jair Bolsonaro para integrar a Corte.

O nome de Mendonça é sinônimo de profundo desgaste na sigla. Como não participarão da votação, os petistas da Câmara dos Deputados se apressam a dizer que são contrários à indicação e que essa é a posição geral do partido.

O grau de beligerância nos atos do dia 7 de setembro também poderão influenciar os senadores petistas na votação. Há quem arrisque dizer que Jaques Wagner encabeça o grupo mais simpático à candidatura de Mendonça. Wagner recebeu o ex-AGU em Salvador, no final de julho, para uma conversa sobre a indicação.

A bancada do PT conta com seis senadores, e Mendonça precisa de 41 votos para ter a nomeação confirmada. O governo ainda busca os apoios necessários para convencer Davi Alcolumbre, o presidente da CCJ, a destravar o pleito, mas calcula já ter a simpatia da maioria das bancadas de PL, PSD e MDB. A votação é secreta. *

(**) Edoardo Ghirotto – Metrópoles