VANGUARDA DA BOÇALIDADE EM AÇÃO

Queiroga orientou suspender vacinação em adolescentes sem ouvir Anvisa e técnicos da Saúde

 

Discursos afinados | A Gazeta

O Ministério da Saúde orientou suspender a vacinação em adolescentes de 12 a 17 anos sem ouvir Anvisa e técnicos da pasta. A paralisação da imunização foi sugerida em nota técnica publicada ontem (15). Há pouco, ao conceder coletiva para tentar explicar a decisão, Marcelo Queiroga confundiu a plateia, misturou fatos com ilações – e disseminou ampla e instantaneamente desconfiança sobre as vacinas entre pais e gestores de saúde.

Antes, a vacinação do grupo havia sido permitida pela Agência de Vigilância Sanitária com o imunizante da Pfizer. A decisão repentina de Queiroga é considerada temerária por gestores estaduais, municipais e técnicos da Saúde. “O ministro acaba de instalar o caos no país”, disse ao Bastidor uma alta autoridade sanitária.

Hoje, Queiroga não explicou devidamente os motivos da sugestão pela suspensão. Em coletiva de imprensa, o ministro não justificou devidamente as razões que embasaram a nota técnica e ainda criticou estados e municípios por usarem vacinas não autorizadas nos adolescentes.

“O governo não pode se responsabilizar por esses riscos”, disse o ministro sobre a aplicação de vacinas não autorizadas pela Anvisa. Queiroga também pediu às mães desses adolescentes que não os imunizem. Misturou a aplicação de vacinas não aprovadas para adolescentes com possíveis eventos adversos decorrentes de todos os imunizantes.

Chamou a atenção de especialistas o fato de o ministro citar como entraves a questão logística e eventos adversos que são estatisticamente irrelevantes. À imprensa, Queiroga afirmou que 1,5 mil adolescentes, num universo de 3, 5 milhões de pessoas entre 12 e 17 anos, apresentaram efeitos adversos. Frisou que houve uma morte, mas, sem fornecer detalhes ou maiores explicações, causou pânico imediato em pais.*

(**) Diego Escosteguy