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E NO PAÍS DA PIADA PRONTA

NOTAS DO SEXTA-FEIRA *

Lula vai ganhar dinheiro com o tríplex

A reviravolta nos processos da Lava Jato não apenas deu a Lula a chance de repetir a cantilena – falsa, diga-se – de que é inocente, como muito em breve deverá render algum dinheiro a ele e a seus advogados. Há pouco mais de um mês, a Justiça de São Paulo ordenou que a OAS pagasse 662,5 mil reais ao espólio da ex-primeira-dama Marisa Letícia, a título de restituição dos valores das cotas da falida Bancoop pagas por ela no processo de aquisição do famoso tríplex do Guarujá. A Lava Jato mostrou que a empreiteira baiana, sob o comando de Léo Pinheiro, assumiu a obra e deu um belo upgrade no apartamento, incluindo a instalação de um elevador privativo – para os investigadores, o investimento feito pela companhia foi uma forma de repassar propina ao ex-presidente por favores prestados em contratos com a Petrobras. O caso do tríplex levou Lula a ficar 580 dias na cadeia. A fatura que ele cobra da OAS, e que a Justiça agora está mandando pagar, inclui 598,8 mil reais para a família Lula da Silva e 59,8 mil reais para o advogado Cristiano Zanin, por honorários de sucumbência. A OAS vai recorrer da decisão.

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O plano do presidente para eleger o ‘ministro sanfoneiro’

Jair Bolsonaro está decidido a eleger em 2022 seu sanfoneiro predileto, o hoje ministro do Turismo Gilson MachadoA ideia inicial era que Machado se candidatasse a senador por Pernambuco, onde nasceu e fez carreira como músico e produtor de eventos. Só que as conhecidas dificuldades eleitorais do bolsonarismo no Nordeste devem provocar uma mudança de planos: agora o presidente quer que o sanfoneiro concorra ao Senado por Tocantins, na chapa do senador Eduardo Gomes, líder do governo no Congresso, que deverá disputar o governo local. O ministro foi convidado a se filiar ao PL, mas ainda não bateu o martelo. Ele tem dito que ingressará “no partido que Bolsonaro mandar”.

(**) Crusoé

UM NÃO VIVE SEM O OUTRO

Lula x Bolsonaro será um grande confronto de mentirosos

Lula x Bolsonaro será um grande confronto de mentirosos, em que Lula leva vantagem. A terceira via não pode ser mais um mentiroso

A mentira nasceu com o homem, provavelmente quando Caim negou ter matado Abel, com medo da ira de Adão e Eva.

De lá para cá, mentir, todo mundo mente, mas quando alguém começa a mentir para si mesmo, e acreditar, é um caso perdido, dizem os psicanalistas.

Em 2005, durante o julgamento do Mensalão, diante do cinismo e das mentiras dos acusados, escrevi uma crônica com o título de “Minto, logo, existo”, o cartesianismo à brasileira, expressando aquele momento histórico. Santa ingenuidade. O que se mentiu de lá para cá superou de longe as previsões mais pessimistas. No Petrolão e na Lava-Jato a mentira dominou a cena, depois vieram os desmentidos das mentiras, as delações cheias de falsidades. “Eu não sabia” foi a campeã das mentiras.

A partir de Donald Trump, vindo do showbusiness, onde a ficção e a realidade se misturam, a mentira foi institucionalizada como linguagem e adotada pelos seus devotos espalhados pelo mundo. No início do governo, a porta-voz da Casa Branca ainda se saiu com a expressão “fatos alternativos” para tentar validar um inegável caô do chefe. Mas logo viu que era inútil. Os fatos falsos se misturavam aos verdadeiros, era esse o objetivo, e o que valia era a palavra de Trump no Twitter.

Até então, com presidentes democratas e republicanos, as mentiras públicas foram poucas —mas graves, como o Iraque ter armas de destruição em massa, de Bush II — e exceções fora da curva, como Richard Nixon, que mentiu tanto que teve que renunciar, num país que tem uma cultura protestante em que faltar com a verdade é ofensa grave, é crime de perjúrio nos tribunais e leva à cadeia. Bill Clinton não sofreu um impeachment porque teve um caso com a estagiária Monica Lewinski, mas porque mentiu para o Congresso. Foi condenado na Câmara, com os votos até de democratas, e escapou por um fio no Senado. Moralismo e hipocrisia também influíram, mas a mentira foi exemplarmente punida.

Trump acabou com isso tudo. Mentiroso vocacional, amoral e compulsivo, suas piores punições até agora foram a expulsão do Twitter e do Facebook, que o levaram a redes alternativas para falar direto a seus devotos, uma mistura de seita religiosa e movimento político. No Brasil, sua versão mais tosca é desmentida e tirada do ar no Facebook, no Twitter e no Instagram, e migra para o Telegram, aplicativo russo de origem obscura e sem representação no país. Se estiver interessado, Putin pode saber tudo que se conspira, se planeja e se mente, ali.

Mas até para mentir é preciso talento. Mentiras em que se percebe a falsidade, a canastrice, não colam: só mentiras sinceras interessam. Além de político, Lula x Bolsonaro será um grande confronto de mentirosos, em que Lula leva vantagem porque mente muito melhor, acredita em suas mentiras, se precisar até chora, enquanto Bolsonaro mente mal, e só seu gado acredita.

A terceira via não pode ser mais um mentiroso.*

(**) Nelson Motta – O Globo

EREÇÃO-22 NO RJ

Freixo é impulsionado por votos de Lula, e eleitor de Bolsonaro tem destino incerto para governo do Rio, mostra pesquisa

Mourão, que não definiu se disputa governo do Rio, é quem mais herdaria votos do presidente, segundo levantamento da Quaest

 

RIO — Pesquisa feita pela Quaest a pedido do GLOBO com cenários para a eleição ao governo do Rio em 2022 indica que, se por um lado o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) obtém a maioria de seus votos entre eleitores do ex-presidente Lula (PT), por outro lado o eleitorado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ainda não encontra destino definido. Nas intenções de voto gerais, divulgadas pelo GLOBO na quinta-feira, Freixo leva vantagem nos três cenários testados em relação ao atual governador Cláudio Castro (PL). Por ora, segundo a pesquisa, Castro não recebe de forma tão clara a preferência de eleitores de Bolsonaro na mesma medida em que Freixo atrai os votos lulistas.

Em relação à disputa presidencial, Lula lidera com 43% das intenções de voto em dois cenários distintos, enquanto Bolsonaro varia entre 29% e 30%. Ciro Gomes (PDT) aparece com 8% e 9%, desempenhos superiores ao do ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, do mesmo partido, mas que não herda os votos de Ciro até aqui.

A Quaest é um instituto de consultoria e pesquisas quantitativas e qualitativas, e um dos parceiros do Sonar, blog do GLOBO voltado para análise de discursos e conteúdos políticos nas redes sociais. A pesquisa, feita para o GLOBO, entrevistou 1.804 pessoas no estado do Rio de forma presencial entre os dias 22 e 26 de outubro. A margem de erro é de 2,1 pontos percentuais, e o índice de confiança é de 95%.

A Quaest fez o cruzamento entre as intenções de voto presidenciais com a preferência por candidatos ao governo do Rio. No cenário da pesquisa que considera as quatro pré-candidaturas já colocadas publicamente ao governo — Freixo, Castro, Rodrigo Neves e Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que deve se filiar ao PSD em janeiro —, a maior indefinição ocorre entre eleitores de Bolsonaro: 58% dos bolsonaristas não declaram voto em nenhum do quatro.

Nesse cenário, em que enfrenta apenas candidatos considerados de esquerda ou de centro-esquerda, Castro recebe a preferência de 26% dos bolsonaristas, o maior índice neste grupo, mas com menor impacto do que os 37% de eleitores de Lula que declaram voto em Freixo no mesmo cenário. A pesquisa aponta ainda que Castro mantém um piso de 10% dos votos de eleitores lulistas independentemente dos adversários que enfrenta.

No quadro geral, considerando a totalidade dos eleitores entrevistados na pesquisa, Freixo tem 25% de intenções de voto e Castro aparece com 16%, no cenário em que ambos polarizam a disputa.*

(**) Bernardo Mello – O Globo

 

PAU DE SEBO 22

PoderData: 12% dos eleitores não votam nem em Lula nem em Bolsonaro

 

Pesquisa divulgada hoje pelo site “Poder360” mostra que 12% dos eleitores não votariam de jeito nenhum no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou no atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No último levantamento, publicado no início de outubro, a taxa era de 9%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa foi realizada pelo “PoderData”, correspondente à divisão de estudos do site “Poder360”.

Segundo a publicação, no primeiro cenário, dentre os eleitores que não votariam em nenhum dos dois pré-candidatos, 16% preferem o ex-juiz Sérgio Moro. Outros 15% votariam em Ciro Gomes (PDT) e 10% em Alessandro Vieira (Cidadania).

Cenário 1

Sérgio Moro (sem partido) – 16%
Ciro Gomes (PDT) – 15%
Alessandro Vieira (Cidadania) – 10%
João Doria (PSDB) – 8%
Henrique Mandetta (DEM) – 8%
José Luiz Datena (PSL) – 3%
Rodrigo Pacheco (PSD) – 3%
branco/nulo – 28%
não sabem – 6%

No segundo cenário, o “PoderData” trocou o governador de São Paulo, João Doria, pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Os dois disputam prévias pelo PSDB para saber quem será o representante do partido nas eleições à Presidência da República no ano que vem.

Cenário 2

Ciro Gomes (PDT) – 16%
Sérgio Moro (sem partido) – 15%
Alessandro Vieira (Cidadania) – 11%
Henrique Mandetta (DEM) – 11%
Eduardo Leite (PSDB) – 3%
José Luiz Datena (PSL) – 3%
Rodrigo Pacheco (PSD) – 3%
branco/nulo – 30%
não sabem – 5%

A pesquisa foi realizada pelo “PoderData” entre os dias 25 e 27 de outubro. Foram feitas 2.500 entrevistas, por telefone, em 420 municípios nos 26 estados mais o Distrito Federal.

QUINTA-FEIRA, 28 DE OUTUBRO DE 2021

 

Café com pão (João Donato)

Brasilidade Geral e Hamilton de Holanda

—Brasilidade Geral—-

Bateria: Renato Rocha;

 Baixo elétrico: Hugo Maciel;

 Sax barítono: Daniel Freire;

 Trombone: Joabe Reis;

 Sax alto: Roger Rocha III;

 Sax tenor: Josue Lopez;

 Trompete: Bruno Santos;

 Trombone: Rafael Rocha

“QUANTO VALE UMA VAGA PRO STF?”

Aras abre investigação preliminar sobre Bolsonaro após indiciamento por CPI

Medida do PGR, que recebeu ontem senadores da comissão, abrange também 12 políticos com foro cujo indiciamento foi pedido no relatório final de Renan
Charge: Passando a mão. Por Aroeira

Augusto Aras (foto) determinou na noite desta quinta-feira, 28, a abertura de uma investigação preliminar, por meio da chamada “notícia de fato”, para apurar os crimes imputados pelos senadores da CPI da Covid a Jair Bolsonaro, registra o Estadão.

A investigação abrangerá também os outros 12 políticos com foro cujo indiciamento foi pedido no relatório final apresentado por Renan Calheiros.

A medida foi anunciada um dia após o “G7” da CPI comparecer presencialmente à sede da PGR para entregar o relatório a Aras, a quem cabe apresentar denúncias criminais contra autoridades com foro privilegiado.

Além da investigação, o procurador-geral da República determinou o compartilhamento das informações com todos os procuradores do MPF responsáveis por investigar casos relacionados à pandemia de Covid.

“MINHA GAROTA”!!!

Exército alega risco a Bolsonaro e impõe sigilo a processo de Laura até fim do mandato

Força nega acesso a documentos da autorização para que filha do presidente entre em Colégio Militar sem seleção

 

O Exército apontou risco à segurança de Jair Bolsonaro e da filha Laura, 11, para impor sigilo aos documentos que embasaram a autorização para matrícula excepcional da caçula do presidente no Colégio Militar de Brasília.

Ela ganhou uma vaga na escola sem passar pelo processo seletivo a que são submetidos meninos e meninas interessados no ensino militar das unidades do Exército.

A Folha pediu, por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação), cópias do pedido apresentado por Bolsonaro; do parecer favorável do Decex (Departamento de Educação e Cultura do Exército); e da decisão do comandante, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

A Força negou entregar os documentos e os classificou como reservados, com sigilo decretado até o término do mandato em exercício de Bolsonaro “ou do último mandato, em caso de reeleição”. A possibilidade está prevista na LAI.

“As informações solicitadas são classificadas como reservadas, em virtude da possibilidade de colocarem em risco a segurança do presidente da República e respectiva filha”, afirmou o Exército ao negar a entrega dos documentos, citando os incisos e artigos da lei.

A reportagem apresentou um recurso ao Estado-Maior do Exército para tentar obter os documentos relacionados ao pedido do presidente por tratamento especial à filha.

A postura de sigilo por parte do Exército repete o que foi feito em relação ao processo administrativo disciplinar que apurou transgressões por parte do general da ativa Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde. Em maio, ele subiu num palanque político com o presidente e acabou absolvido pelo comandante. Ao processo foi imposto um sigilo de até cem anos.

A Folha revelou tanto o pedido de Bolsonaro para que a filha fosse matriculada no Colégio Militar de Brasília sem processo seletivo, em reportagem publicada em 25 de agosto, quanto a decisão do comandante de autorizar a matrícula excepcional, em reportagem veiculada na quarta-feira (27).

Oliveira disse ter se baseado no regulamento dos colégios militares, o R-69, e no fato de o presidente da República ser comandante supremo das Forças Armadas.

O R-69 não prevê condições específicas para presidentes ou para militares como Bolsonaro, que é capitão reformado do Exército.

Vagas são abertas por processo seletivo e são preenchidas mediante um rigoroso concurso, que inclui provas de matemática, português e redação, além da necessidade de apresentação de uma bateria de exames médicos e de um histórico escolar.

Neste ano, o Colégio Militar de Brasília abriu para disputa apenas 15 vagas para o sexto ano do ensino fundamental. A concorrência costuma superar 50 meninos e meninas disputando uma vaga. A filha de Bolsonaro terá uma matrícula expressa. (…) *

(**) Vinicius Sassine – Brasília – Folha de São Paulo

SOLTEM OS BANDIDOS E PRENDAM O XERIFE

Delegado que denunciou crimes de Ricardo Salles responde a processos disciplinares

Após a denúncia contra o ministro bolsonarista, Alexandre Saraiva foi remanejado do cargo de superintendente da corporação no Amazonas e agora responde procedimentos diciplinares

247 – O delegado da Polícia Federal, Alexandre Saraiva, responsável pela denúncia contra o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles ao Supremo Tribunal Federal (STF), responde agora por procedimentos disciplinares abertos pela direção-geral da PF no Rio de Janeiro por conceder entrevistas a veículos de comunicação.

Após a denúncia contra o ministro bolsonarista, Saraiva foi remanejado do cargo de superintendente da corporação no Amazonas, para dar expediente, sem equipe, na delegacia de Volta Redonda, município do interior do Rio de Janeiro.

“Hoje (27) vou passar o dia escrevendo minhas defesas em procedimentos disciplinares em razão das entrevistas que concedi em defesa da Amazônia e da Polícia Federal. Ações injustas e ilegais não me calarão. Muito pior é ficar mudo porque o silêncio será lembrado”, escreveu Saraiva em seu perfil no Twitter.

E O “MITO”?

Assim como deputado cassado pelo TSE, Bolsonaro disse em 2018 que havia fraude nas eleições

O deputado estadual Fernando Francischini foi cassado hoje pelo TSE e ficará inelegível até 2026 porque divulgou acusações infundadas sobre fraude nas eleições. A decisão, da qual ainda cabe recurso, foi tomada porque o político afirmou, em 2018, que urnas eletrônicas foram alteradas para impedir a vitória do então candidato Jair Bolsonaro.

Apesar da punição ao seguidor, o capitão da “tropa” tem escapado ileso da Justiça Eleitoral. Até o momento, a medida mais grave adotada pelo TSE foi abrir inquérito administrativo contra Bolsonaro. A investigação foi pedida pelo presidente da corte, Luís Roberto Barroso, ao corregedor-geral do tribunal, Luis Felipe Salomão – que será substituído por Mauro Campbell a partir de amanhã.

Em 2018, Bolsonaro afirmou diversas vezes, inclusive em entrevista ao “Roda Viva”, que as urnas eletrônicas poderiam ser fraudadas para impedir sua chegada à Presidência da República.

“Eu lamento que a senhora Raquel Dodge tenha prestado um desserviço à sociedade há poucas semanas. Por intermédio de uma ação dela, o Supremo derrubou a possibilidade do voto impresso nessas eleições. Ou seja, vamos continuar sob a suspeição da fraude, e o voto é uma coisa sagrada da democracia”, disse Bolsonaro durante o programa da TV Cultura.

A campanha em prol do discurso da fraude eleitoral foi tamanha que o TSE removeu, até o segundo turno das eleições de 2018, 55 links compartilhados por Bolsonaro com mensagens colocando em xeque a lisura das eleições no Brasil.

Esse discurso era (e ainda é) somado ao suposto risco de retorno petista ao poder. Em setembro de 2018, enquanto se recuperava da facada que levou durante a campanha, Bolsonaro dizia que Haddad, se eleito, concederia indulto a Lula – à época preso por causa da Lava Jato.

“Você aceitaria passivamente, bovinamente, ir para a cadeia?”, questionou Jair à época.

Mas um retorno ao passado mostra como Bolsonaro tornou-se um especialista em confundir a opinião pública. Em 1993, o então deputado federal disse que era preciso implantar urnas eletrônicas para impedir fraudes contra miltares da reserva interessados em ingressar na política.

“Não querem informatizar as apurações pelo TRE. Sabe o que vai acontecer? Os militares terão 30 mil votos e só serão computados 3 mil”, afirmou o capitão reformado naquele ano.*

(**) Brenno Grillo