MISÓGINO E GENOCIDA

Oposição denuncia Bolsonaro à ONU por vetar distribuição de absorventes

“Desumano e ultrajante”, afirma carta do PSOL a autoridades da ONU

absorventes
A bancada do PSOL na Câmara apresentou nesta quinta-feira (7/10) uma denúncia à Organização das Nações Unidas (ONU) contra Jair Bolsonaro, que vetou a distribuição de absorventes para mulheres em situação de vulnerabilidade social. A carta classificou os vetos do presidente de “desumanos” e “ultrajantes”.

“Os vetos de Bolsonaro são desumanos. A falta de absorventes higiênicos leva garotas a perder aulas e a alternativas precárias e insalubres, que incluem o uso de papelão, sacolas plásticas e até pedaços de pão”, disse a carta assinada pela líder do PSOL na Casa, Talíria Petrone, com apoio do partido e de outras deputadas. “Até para os padrões mais baixos, é ultrajante”, seguiu o texto, que acusou Bolsonaro de violar compromissos internacionais e desmantelar políticas públicas para mulheres no Brasil.

O documento pediu que a ONU divulgue um posicionamento sobre o caso e cobre explicações do governo brasileiro. O documento foi endereçado a três autoridades das Nações Unidas: Michelle Bachelet, alta comissária para os Direitos Humanos; Reem Alsalem, relatora especial em Violência Contra a Mulher; e Tlaleng Mofokeng, relatora especial para o Direito à Saúde.

O projeto de lei com trechos vetados por Bolsonaro foi apresentado em 2019 pela deputada Marília Arraes, do PT de Pernambuco, e 34 colegas. Um estudo do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) apontou que cerca de 4 milhões de meninas brasileiras não têm acesso a itens básicos de cuidados menstruais nas escolas.

Segundo o projeto, a distribuição de absorventes seria feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a estudantes de baixa renda da rede pública, mulheres em situação de vulnerabilidade e mulheres detidas. O texto fixava ainda o absorvente como item essencial nas cestas básicas.*

(**) Eduardo Barretto – Metrópoles