ONDE HÁ FOGO, HÁ FUMAÇA…

‘Noivinha do Aristides’: de onde surgiu o termo homofóbico que virou meme

É provável que quem entrou no Twitter na manhã de hoje tenha visto o termo homofóbico “noivinha do Aristides” entre os assuntos mais comentados da rede social, associado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Mas, afinal, quem é Aristides?

Bolsonaro mandou PF [Polícia Federal] prender mulher que gritou ‘noivinha do Aristides’!

Segundo O Antagonista, o termo foi usado por uma mulher para xingar Bolsonaro enquanto o presidente acenava para motoristas na Via Dutra, no sábado (27). Ela foi detida, mas o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Rodoviária Federal diz apenas que a mulher “gritou palavras de baixo calão”.

Aristides, ainda de acordo com O Antagonista, foi instrutor de judô de Bolsonaro na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras). O termo “noivinha”, então, é uma maneira de sugerir — de forma pejorativa — que o presidente tinha uma relação amorosa com Aristides. Em resumo: um xingamento homofóbico.

Tem vários vídeos de carros xingando Bolsonaro de tudo quanto é nome enquanto ele acenava na Via Dutra, mas apenas a mulher que o chamou de ‘noivinha do Aristides’ foi presa. Não chamem Bolsonaro de ‘noivinha do Aristides, ele não gosta!

Usuários chegaram até a compartilhar uma foto de 1982 que supostamente mostrava Bolsonaro e Aristides. Mas, como mostrou o UOL Confere, o rapaz (agachado) circulado na imagem, de mãos dadas com o presidente (de pé), era o ex-deputado federal Alberto Fraga (MDB-DF).

O teor homofóbico do termo, porém, não foi suficiente para impedir que virasse piada — especialmente entre opositores de Bolsonaro.

Eu não sei o que significa ‘noivinha do Aristides’, mas me disseram que se eu procurar a definição no dicionário ilustrado, vou encontrar a foto do Jair Bolsonaro.

“Não chamem Bolsonaro de ‘noivinha de Aristides’ porque dá prisão! Precisamos desvendar o crime embutido nesta colocação. Pelo que sabemos, Aristides foi instrutor de judô do Bolsonaro no Exército na época em que foi cadete. Onde está a ofensa?”, escreveu o senador Rogério Carvalho (PT-SE).

Segundo a Folha de S.Paulo, a mulher que ofendeu Bolsonaro foi levada para uma delegacia em Volta Redonda (RJ) e liberada ainda no sábado (27), após se comprometer a comparecer à Justiça. O presidente não comentou sobre o caso. *

(**) Anderson Riedel/PR
De Splash, em São Paulo

RESPEITÁVEL PÚBLICO!

Largada de Moro surpreendeu demais candidatos

Arnaldo Branco on Twitter: "Vendo o circo pegar fogo (por dentro)"

A onze meses da eleição presidencial, Lula festeja a liderança nas pesquisas. E Bolsonaro, na segunda colocação, celebra o excesso de candidatos que se aglomeram na região do centro e nos seus arredores oferecendo ao eleitorado a mesma mercadoria: o fim da polarização. Há cartas demais no baralho da sucessão. E nenhum candidato conseguiu vestir, por enquanto, o figurino de um curinga, com potencial para alterar a dinâmica do jogo. Lula e Bolsonaro continuam ostentando a condição cabos eleitorais um do outro.

A vitória de João Doria nas prévias do PSDB consolidou o quadro de pretendentes ao trono. Além do governador de São Paulo, foram à pista Simone Tebet, do MDB; e Rodrigo Pacheco, do PSD. Mas ambos são vistos não como cabeças de chapa, mas como opções de vice. A julgar pelas reações que provocou desde que se filiou ao Podemos, Sergio Moro foi o único dos neopresidenciáveis que surpreendeu na largada. Entrou instantaneamente na alça de mira de Bolsonaro. Recebeu estocadas de Ciro Gomes. Foi afagado por João Doria.

Moro oscila nas pesquisas no intervalo de 9% a 11%. Se cair, vira assunto de pé de página. Se chegar a 15% até março, inibe a chance de crescimento de Ciro, com quem disputa a terceira posição. E torna ainda mais difícil a pretensão de Doria de saltar da sua atual condição de microcandidato para um posto de fenômeno eleitoral que nem a vacina do Butantan foi capaz de lhe proporcionar.

Se Moro oscilar em direção aos 29% até até maio, passa a ser a principal ameaça à presença de Bolsonaro no segundo turno.

Outubro de 2022 ainda é um ponto longínquo na folhinha. Quem se aventurar a fazer prognósticos sobre o resultado da sucessão se arrisca a produzir quiromancia, e não análise política. Quando não é possível definir bem as coisas, é melhor não dizer coisas definitivas. Mas algo já pode ser dito: se Moro virar um presidenciável competitivo, vai animar a disputa.

Será divertido e didático assistir aos embates do ex-preso com o ex-juiz que o Supremo tachou de parcial. Ou do ex-paladino da nova política com o ex-ministro da Justiça que conviveu por mais de dois anos com uma família de imagem bem rachadinha.*

(**) Josias de Souza
Colunista do UOL

CRESCE COMO RABO DE GADO, PRA BAIXO

Avaliação positiva do governo Bolsonaro despenca, aponta pesquisa

Segundo pesquisa do Instituto Atlas, a avaliação ótima e boa do presidente está abaixo de 20%

A aprovação do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) despencou cinco pontos percentuais, de acordo com pesquisa publicada nesta segunda-feira (29/11) pelo Instituto Atlas.

Nos números divulgados pelo levantamento, o governo Bolsonaro aparece abaixo de 20% pela primeira vez na série temporal.

Realizada entre 23 e 26 de novembro, a pesquisa registra que 19% dos entrevistados avaliaram o governo do atual presidente entre ótimo e bom, enquanto 20% consideraram a atual administração regular.

Em contrapartida, 60% qualificaram o governo como ruim/péssimo. Enquanto 1% não soube opinar sobre o assunto.*

(**) Estado de Minas

“TODO BANDIDO MORA NA PERIFERIA”, É?

Choramos por quedas de avião, mas não lamentamos chacinas na periferia

Em nossa sociedade, apenas algumas vidas são passíveis de luto, enquanto outras parecem descartáveis. Cabe à humanidade ter um outro entendimento da própria humanidade

 

Artigo | Chacinas em SP: de crimes de bandido a crimes de polícia - Ponte  Jornalismo

 

Uma das perguntas que precisamos fazer enquanto humanidade é por que lamentamos algumas tragédias, como a queda de uma aeronave, um acidente fatal com uma celebridade ou o ataque ao World Trade Center, e não nos comovemos quando ocorre uma chacina na periferia, quando um motoboy morre no meio da cidade ou quando há um bombardeio na Síria.

As primeiras acontecem pontualmente, as derradeiras acontecem todos os dias. No pensamento de Judith Butler, existem vidas passíveis de luto e outras não. A filósofa norte-americana assevera que “uma vida não passível de luto é aquela cuja perda não é lamentada porque ela nunca foi vivida, isto é, nunca contou de verdade como vida. ”

Esse entendimento, por mais estarrecedor que possa parecer, considerando que vai de encontro aos discursos das instituições e poderes, se amálgama à realidade cotidiana de toda e qualquer sociedade. Vemos diariamente alguns países, comunidades, grupos, povos e pessoas se considerarem mais importantes do que outras, tentando justificar essa diferença de forma cínica para atender as conveniências, e com isso, aprofundam mais ainda o fosso das diferenças produtoras de desigualdades.

Existem pessoas que não lhe é facultado o direito de sofrer o luto pela morte de um ente, considerando as sentenças que são realizadas antes mesmo de se entender as tragédias. Outras mortes, no entanto, são açambarcadas de uma comoção tão intensa deixam claro que existem vidas que não são consideradas vidas, e por isso, descartáveis.

A escolha entre o deixar viver e fazer morrer acontece todos os dias em diversos cantos, e em muitos casos justificada pelo princípio da reserva do possível, que tenta a todo custo enquadrar a vida, esquecendo-se que a vida não cabe em caixinhas, e com isso acabam por violar direitos e reduzir a existência humana. Mas somente algumas vidas, pois outras vidas são garantidas, a despeito da perda de outras vidas, e isso não causa nenhuma comoção ou estranhamento.

A perda de qualquer vida precisa ser lamentada e enlutada, considerando a sua essência e a dor que causa nas pessoas ao seu entorno, e ainda, pela interrupção de projetos e sonhos. As pessoas sentem as perdas de forma diferente, mas isso não é determinante para se chancelar a diferença quanto a definição de que vidas merecem ser salvas ou protegidas. Todas as vidas são passíveis de cuidado e proteção, e não estamos diante de uma escolha de Sofia, mas de garantir as condições necessárias para que a vida de todas e todos sejam consideradas vidas passíveis de serem vividas e não tenhamos mais vidas consideradas descartáveis.

Caberá à humanidade ter um outro entendimento da própria humanidade. Enxergar no outro não só um semelhante, mas um sujeito de direitos, e respeitar essa condição. Despertar para o fato de que a saída para toda essa crise, além de ser coletiva, passa pelo agir diferenciado e possibilidades a serem construídas para que exista futuro.*

(**) Verônica Bezerra
Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV-ES) e especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

HUMOR NA TV

Bolsonaro derruba audiência da RedeTV!

Edição do “Agora com Lacombe” dedicada ao presidente registrou apenas 0,2 ponto de média em São Paulo

Capa da notícia

Reprodução Rede TV

A entrevista que Jair Bolsonaro concedeu a Luis Ernesto Lacombe derrubou a audiência da RedeTV! na Grande São Paulo.

De acordo com a Kantar Ibope Media, o encontro registrou apenas 0,2 ponto de média na região –– o mesmo índice da TV Cultura. A Globo, líder na faixa, consolidou 11 pontos.

Antes do show presidencial, a RedeTV! obteve 0,7 ponto com a transmissão do “Sensacional”, programa apresentado por Daniela Albuquerque.

Um ponto de audiência, nessa pesquisa, corresponde a 205,377 telespectadores.*

(**) O ANTAGONISTA

O QUÊ PODE ATRAIR OUTRO RAIO?

Empresariado conservador troca Bolsonaro por Sergio Moro

Pode ser um desenho animado de uma ou mais pessoas e texto

“Espelho, espelho meu, existe um Jair Bolsonaro melhor do que eu?”, costumava se perguntar o presidente da República sempre que trancava a porta do banheiro para se barbear. Mas o espelho nada respondia, e deixava o autoproclamado monarca satisfeito. Eis, no entanto, que nos últimos tempos o espelho tornou-se mágico. E resolveu falar. Saiu com a seguinte resposta: “Sim, presidente, seu ex-ministro da Justiça Sergio Moro tornou-se um Bolsonaro melhor, mais arrumadinho do que o senhor”.

Talvez tenha sido depois dessa afirmação do espelho que Bolsonaro começou a chorar escondido no banheiro, como ele próprio revelou um dia desses que costuma fazer.

O espelho mágico dos presidentes são as pesquisas de opinião que suas equipes encomendam. Especialmente as qualitativas. Elas apontam como pensa cada setor da sociedade a respeito de cada assunto envolvendo o presidente da República.

E essas pesquisas qualitativas do Planalto estão apontando que Bolsonaro perdeu pontos não só no eleitorado em geral. O presidente tem perdido pontos, dia a dia, junto a um setor que foi decisivo para sua eleição em 2018: o empresariado conservador do Brasil.

É verdade. Fique sabendo que uma grande parcela do empresariado brasileiro não tem nada de progressista. São empresários conservadores. Alguns menos, outros mais espalhafatosos, como o dono da Havan, por exemplo.

Essa turma tinha certa vergonha de se expor, até descobrir que havia um “Patinho Feio”, como ele, na política. E conquistando espaços junto ao eleitorado com alguma chance de chegar lá. Aí os empresários conservadores começaram a aparecer mais e mais. E a contribuir para o fortalecimento da campanha de Bolsonaro — ao vivo ou nas redes sociais.

Juntaram-se ao empresariado conservador os grupos descontentes com o PT e os adeptos da Operação Lava Jato —boa parte deles também conservadores. E Bolsonaro acabou eleito em 2018 como Salvador da Pátria, ou melhor, como presidente da República.

Vale lembrar que, quando apareceu no Irã o aiatolá Khomeini, o cineasta Glauber Rocha surpreendeu a esquerda avisando que algo assim poderia surgir por aqui, pois o brasileiro, segundo ele, tem um espírito messiânico, adora criar um mito.

Juntaram-se o espírito messiânico do brasileiro, os antipetistas, a Lava Jato e o empresariado conservador… e deu no que deu. Temos aí o Bolsonaro, o Mito. O problema é que, no governo, ele cometeu erros demais.

Mas, se você acha que os conservadores desistiram, está enganado. Estão desistindo do Bolsonaro, mas já acharam um novo candidato. Sim, é ele, o ex-juiz Sergio Moro, redivivo das hostes bolsonaristas, mas num figurino menos caricato. Até o “Velho da Havan”, em entrevista recente, deu um passo atrás no seu bolsonarismo e declarou amor por Sergio Moro.

Exceto pela voz de pato e uma certa falta de cultura que o faz chamar cônjuge de conge, Moro tem atributos para reaglutinar em torno dos conservadores o empresariado em geral e aquela parcela do eleitorado que estava irritada com o PT. Sem os desgastes na imagem que os erros do governo trouxeram ao presidente Jair Bolsonaro.

Trata-se de um Bolsonaro melhor para os bolsonaristas, que estavam ficando órfãos. Na filiação do general Santos Cruz a seu partido, o Podemos, nesta quinta-feira, Moro começou a seduzir outro grupo que andava abraçado a Bolsonaro, os militares.

Pois é. Parece que o presidente da República ainda vai chorar muito, daqui pra frente, quando se olhar no espelho mágico do banheiro.

Resta saber se o novo Bolsonaro vai se eleger. E se nós também não vamos chorar.*

(**) Tales Faria
Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

CASA DE TOLERÂNCIA A R$1,99

A Black Friday do Senado

 

30 ideias de Charge politica | humor político, rir pra não chorar, politica

Em negociações conduzidas discretamente, senadores, lobistas e empresários estão discutindo nos últimos dias os nomes que devem compor as vagas abertas nas agências reguladoras. Há reuniões hoje. Também se prevê conversas no fim de semana. É uma espécie de Black Friday do Senado.

A Casa deve votar a partir de terça uma longa lista de cargos que precisam passar pelo crivo do Congresso.

Enquanto as atenções se voltam para a sabatina de André Mendonça, alguns dos senadores da base e do centrão aceleram as tratativas para emplacar nomes amistosos aos respectivos mercados nas agências reguladoras.

Há vaga em todo tipo de sigla regulatória: ANS, ANP, ANTT, Antaq, ANA e por aí vai.

A estratégia dos senadores e empresários interessados nas posições é aprovar todos os nomes de uma só vez e rapidamente, para evitar o escrutínio público e diluir a atenção ao currículo – ou ausência de currículo – de alguns dos indicados. *

(**) Diego Escosteguy

CARNAVAL? – NEM PENSAR!

Há possibilidade de variante Ômicron já estar no Brasil, diz diretor da Anvisa

Anvisa recomendou nesta sexta-feira medidas de restrição para voos procedentes da África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue

Anna Gabriela Costa – Layane Serrano da CNN – SP

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, afirmou à CNN nesta sexta-feira (26) que há a possibilidade de a variante Ômicron já estar circulando no Brasil, embora, não tenha ocorrido a detecção efetiva de nenhum infectado.

“Realmente a possibilidade existe, não temos como dizer que é zero chance de já estar no Brasil, que não é possível. A possibilidade de termos algum caso que não tenha sido identificado existe, é uma possibilidade, mas até o momento não existe.”, afirma Barra Torres.

A Anvisa recomendou nesta sexta-feira medidas de restrição para voos, a decisão vale para viajantes procedentes da África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue.

“Nossas equipes de portos, aeroportos e fronteiras estavam acompanhando a evolução das notícias, na manhã de hoje oficializamos à Casa Civil com nota técnica orientando sobre a restrição – por enquanto temporária – de voos desses países do Sul da África ou  passageiros que fizeram escalas nesses voos. Esperamos que essa medida seja acatada ainda hoje pelos ministérios da Casa Civil, da Justiça, da Saúde e Infraestrutura, que são os ministérios que assinam as portarias de fronteiras”, afirmou Barra Torres.

O presidente da Anvisa explica que a medida de restrição também foi adotada em outros países e a tendência é que seja aplicada por demais nações.

“Países como Itália, Alemanha e Japão adotaram a mesma medida, principalmente nesse momento inicial quando temos mais incertezas do que certezas. O que temos é que no local onde foi descoberta essa variante houve um aumento exponencial de casos”, disse.

Segundo Barra Torres, a medida de restrição de voos provenientes de países africanos visa “mitigar ou atrasar ao máximo” a chegada da nova variante ao Brasil.

“É importante que a população se conscientize que a pandemia ainda não acabou, o apito final deste jogo ainda não foi dado. Nós temos sim uma cultura vacinal muito forte, temos milhões de pessoas aderindo voluntariamente à vacinação. Se a vacinação fosse um candidato e a eleição fosse hoje, a vacina venceria em primeiro turno, o candidato do momento é a vacina.Temos como evitar mantendo uma cultura de vacinação forte”, explicou o diretor da Anvisa.

Ômicron

A linhagem B.1.1.529 do novo coronavírus foi classificada como variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira (26). A decisão é fruto de uma reunião de urgência convocada pelo grupo de trabalho sobre a Covid-19 da OMS. No comunicado, a OMS também definiu o nome técnico da nova variante: Ômicron.

Atualmente, a OMS considera como variantes de preocupação cinco linhagens do novo coronavírus: a Alfa (B.1.1.7), do Reino Unido, a Beta (B.1.351), da África do Sul, a Delta (B.1.617.2), da Índia, a Gama (P.1), do Brasil, e a Ômicron (B.1.1.529), de diferentes países, segundo a OMS.

“O MUNDO RODA E A LUSITÂNIA GIRA”

Muito barulho por nada

Ruy Goiaba – O Antagonista

Eu geralmente não acredito em “lei do mínimo esforço”, mas — assim como o ateu quando o avião dele sacoleja no meio de uma turbulência — passo a ser crente quando estou escrevendo esta coluna. Essa lei me ajuda um bocado: é só pegar o acontecimento mais “piada pronta” da semana que passou no Bananão e descrevê-lo basicamente como é, sem nem precisar comentar muito. O texto de Ruy Goiaba se escreve sozinho, e eu quase só tenho o trabalho de assinar.

E não houve melhor assunto para sacanear nos últimos dias do que as prévias do PSDB, o Partido da Social-Democracia de Brancaleone (“Branca, Branca, Branca/ Leon, Leon, Leon”). Uma votação organizada pela Suate dos Trapalhões com o aplicativo das Organizações Tabajara teria dado mais certo: no momento em que escrevo — hoje é quinta (25), e o fiasco das prévias foi no domingo (21) —, a tucanada ainda não conseguiu arranjar um app que funcione minimamente. Quem sabe daqui a alguns dias cheguem à conclusão de que é melhor fazer com papelzinho mesmo; depois os perdedores judicializam o resultado e, com sorte, o partido define por volta de 2028 seu candidato à Presidência na eleição de 2022.

O pior é que, desta vez, não há nem “cenas lamentáveis” divertidas como as das prévias do PSDB paulistano em 2016, que tiveram socos, tentativa de roubo de urna e militante flagrado com as calças arriadas no meio da rua (sigla phyna é outra coisa). Não: é uma briga de comadres soltando notinhas para a imprensa, falando cobras e lagartos e puxando o tapete umas das outras, com estridência cada vez mais proporcional à sua irrelevância — mas o partido está unido! Se fossem como o PT, não teriam esse problema: lá não existe essa frescura de fazer prévia, e candidato é quem o dedazo do Lula apontar (no caso, ele mesmo).

E tudo isso para o candidato tucano, seja quem for (João Doria, Eduardo Leite ou, menos provavelmente, Arthur Virgílio), chegar à eleição com uns 5% dos votos e olhe lá, a julgar pelas pesquisas recentes: é um partido shakespeariano, mas só no sentido da “Comédia dos Erros”, uma espécie de “Muito Barulho por Nada” 2.0. A legenda que fez o Plano Real, algumas eras geológicas atrás, agora torra 1,3 milhão de reais do fundo partidário — sim, é você que paga pela lambança — para não conseguir pôr de pé nem uma votação interna. Está certo que o sarrafo, digamos, intelectual da gestão Jair Bolsonaro é o mais baixo possível, mas é essa turma de trapalhões que quer colocar ordem no Bananão a partir de 2023?

Minha sugestão, que obviamente não será seguida, é que os caciques tucanos parem de fingir que são civilizados e façam logo um “triello”, como naquela cena de Três Homens em Conflito em que Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach apontam os revólveres uns para os outros. Ponham logo Calça Apertada Kid, o Guri de Pelotas e o Fofão de Manaus para sacar suas armas, com a trilha do Ennio Morricone de fundo. Ou, se preferirem algo menos sangrento, façam uma banheira do Gugu reloaded, joguem os três lá dentro e quem pegar primeiro o sabonete ganha a candidatura do PSDB à Presidência. Meritocracia é isso aí.

***

A GOIABICE DA SEMANA

JOSÉ PEDRIALI: Salles ganha o apelido de "Maria Veneno"

 

E o glorioso Ricardo Salles conseguiu ir à Jovem Klan chamar Sergio Moro, esse notório agente bolchevique, de “comunista”É oficial: comunista é quem não gosta do Bolsonaro, nazista é quem não vota no PT — procurem pela internet, que vocês acham charges petistas retratando Geraldo Alckmin com uma suástica; nem são tão antigas assim — e qualquer palavra pode ser usada para xingar qualquer pessoa sem a MENOR consideração pelo seu significado. Basta você escolher a sua versão daquele meme do livro infantil (infelizmente fake) Todo Mundo de que Eu Não Gosto É Hitler: troca por “Stálin” e estamos conversados.