TERRIVELMENTE EVANGÉLICO, ORA…ORA

Kassio Nunes Marques dificulta chegada de André Mendonça ao STF

 

Freixo diz que André Mendonça foi capanga de Bolsonaro e será "extremamente  golpista" - O CORRESPONDENTE

O sonho de Jair Bolsonaro é ver no STF (Supremo Tribunal Federal) seu quinhão de 20% — na verdade, 18%, segundo a matemática — atuar como um time. A esperada dobradinha frustrou já de início. Horas depois de André Mendonça ser empossado ministro da Corte, na quinta-feira (16), Kassio Nunes Marques fez um movimento que coloca o novato em situação desconfortável.

Nunes Marques interrompeu o julgamento sobre a obrigatoriedade de passaporte vacinal a viajantes que ingressarem no Brasil. O processo estava sendo deliberado no plenário virtual, um sistema no qual os ministros não se encontram, apenas postam seus votos. Ao fim de uma semana, o resultado é divulgado.

O julgamento já tinha começado quando Mendonça tomou posse. Portanto, se o caso permanecesse no plenário virtual, o novo ministro não votaria. Mas, pela regra do Supremo, quando há pedido de destaque no plenário virtual, o caso é interrompido para ser reiniciado do zero no plenário físico.

O STF está em recesso até 31 de janeiro. Quando as atividades forem retomadas, o processo será analisado no plenário físico, com a presença dos 11 ministros — André Mendonça inclusive. A sessão está prevista para 9 de fevereiro. Reservadamente, ministros do STF avaliam que Nunes Marques, o primeiro escolhido por Bolsonaro para ocupar uma cadeira no STF, colocou seu novo colega em maus lençóis.

Votar nesse processo é desconfortável para Mendonça. Qualquer que seja a posição adotada, ele ficará exposto a críticas. Se votar contra o passaporte da vacina, a oposição apontará o dedo para o ministro e dirá que, de fato, Bolsonaro colocou no Supremo um aliado ideológico para defende-lo a qualquer custo.

Se Mendonça votar a favor do passaporte da vacina, vai se indispor com o Palácio do Planalto em um momento delicado da relação entre o STF e o governo — momento que, aliás, dura mais de um ano.

Mendonça tem uma terceira alternativa, igualmente desconfortável: dizer que está impedido de votar porque, quando era advogado-geral da União, participou de discussões sobre o tema. Ministros da Corte apostam que ele tomará essa atitude. Seria uma forma de lavar as mãos. No entanto, poderia ensejar comentários de que o novo ministro não teria coragem suficiente para enfrentar processos polêmicos.

Quando Nunes Marques interrompeu o julgamento, o placar estava definido: 9 dos então 10 ministros do STF tinham votado. Faltava apenas o voto do próprio Nunes Marques. Entre os ministros do STF, a avaliação é que ele não queria ficar isolado na votação. Com Mendonça em plenário, haveria a chance de apoio de ao menos um colega — na esperança de transformar o quinhão de Bolsonaro em um time de verdade.*

(**) Carolina Brígido
Colunista do UOL

CHUPA, GLAUBER ROCHA!

Cineclube de Michelle Bolsonaro tem filmes sobre Deus e fascismo

O Cinevalores já exibiu “Cartas para Deus”, “Uma mente brilhante” e “A onda”, entre outras obras cinematográficas

A primeira-dama Michelle Bolsonaro tem um cineclube com a ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, e o ministro do TST, Ives Gandra Martins Filho, o Cinevalores. A última reunião do clube foi neste domingo, na sala de cinema do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente.

Além dos três, também fazem parte do grupo o presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Marco Vinicius Carvalho Brasil, e sua mulher, Fabiana Koch.

Carvalho Brasil chegou a ser investigado na Justiça por ter vazado para Koch e sua irmão o edital de um concurso de Taió, em Santa Catarina, quando trabalhava na prefeitura. O caso aconteceu em 2018 e ele foi considerado inocente pela justiça estadual.

Todos os participantes são evangélicos, com exceção de Gandra, que é da Opus Dei, uma denominação católica. A religião é o tema de parte dos filmes que já foram assistidos no Cinevalores, como “Cartas para Deus”, sobre um menino com câncer que conversa com Deus através de cartas, e “As Cruzadas”, clássico da década de 30 dirigido por Cecil B. DeMille retratando as guerras santas de cristãos contra muçulmanos pelo controle de Jerusalém.

Há também opções não diretamente ligadas ao assunto, como o filme alemão “A Onda”, que mostra como surgem sistemas autoritários, e o vencedor do Oscar “Uma Mente Brilhante”. *

(**) Lucas Marchesini – Metrópoles

SÓ BOLA NAS COSTAS E TIRO NO PÉ!

Bolsonaro ateou num grupo de evangélicos sentimentos terrivelmente lulistas

Bolsonaro costuma tratar os evangélicos como um rebanho uniforme de bolsonaristas. Como se não houvesse diferença, por exemplo, entre protestantes históricos e tardios. Ou entre os adeptos do movimento pentecostal e os restauracionistas. O Datafolha traduz em números o que o senso comum já intuía: Bolsonaro fala em Deus com tal convicção que desperta em parte da comunidade evangélica sentimentos terrivelmente lulistas.

Para 43% dos evangélicos, Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve, contra 19% que avaliam Bolsonaro como superior. Invertendo-se a pergunta, 35% dos evangélicos acham que o capitão é o pior presidente da história. O título ruinoso é atribuído a Lula por 25%.

Segundo o Datafolha, a imagem de Bolsonaro entre os evangélicos já foi melhor. No início do ano, reprovavam o atual governo 30% desse nicho do eleitorado. Hoje, 39% consideram a administração Bolsonaro ruim ou péssima. A taxa de aprovação do governo entre os evangélicos caiu oito pontos, de 40% para 32%.

A Bíblia ensina que para tudo existe um tempo —um tempo para construir, um tempo para colher, um tempo para semear. E um tempo para curar. Bolsonaro não notou. Mas passou da hora de curar o Brasil.

O ensinamento está no livro de Eclesiastes (3:1-8). Anota que há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu. Tempo de matar e tempo de curar. Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las. Tempo de rasgar e tempo de costurar. Tempo de odiar e tempo de amar. Tempo de lutar e tempo de viver em paz.

O Brasil amarga duas patologias: a Covid e o ódio. Contra a primeira, o remédio é a vacina. O número de mortes declina na proporção direta do avanço da vacinação. Contra a segunda, há dois velhos imunizantes à disposição: sensatez e moderação. Bolsonaro não dispõe de nenhum dos dois.

Sempre que uma oportunidade de baixar a temperatura política bate à porta de Bolsonaro, ele reclama do barulho. E eleva a fervura. Estimula divisões. Submetidos à sua dinâmica, cidadãos não se enxergam, não se ouvem. Tratam-se como inimigos. Muitos começam a se dar conta de que não são rivais. São brasileiros.

O lógico seria que, depois de eleito, Bolsonaro virasse um presidente de todos, inclusive dos que não votaram nele. Mas sempre fez questão de governar para um terço da população. Espalhou raiva e desinformação. Perdeu apoio.

Sem enxergar nada de muito atraente à sua frente, um pedaço do eleitorado observa o retrovisor. Materializa-se na política brasileira um fenômeno descrito no mesmo livro de Eclesiastes, no capítulo 1, versículo 9. Diz o seguinte: “O que foi tornará a ser; o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do Sol.”

Ao apostar na divisão, Bolsonaro como que convidou o eleitorado reviver 2018 no ano de 2022, só que com o sinal trocado. O antipetismo ficou menor do que o antibolsonarismo. Beneficiado pela anulação de sentenças por questões processuais, Lula fala, estalando de pureza moral, em ressurreição.

(**) Josias de Souza
Colunista do UOL

TCHAU, NEGACIONISTA!

Diante dos índices das pesquisas eleitorais mais recentes sobre a candidatura de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição, o grupo de sustentação do presidente, o Centrão, sentiu os reflexos da alta da rejeição, que está em torno de 55% — aponta o colunista Lauro Jardim do jornal “O Globo”.

Nos bastidores, informa a coluna, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, passou a defender o aumento do Auxílio Brasil dos consensuais R$ 400 para R$ 600.

A medida é trabalhada pelos aliados como a única saída para fazer o presidente voltar a se colocar no páreo de forma competitiva, revela Lauro Jardim.Segundo colunista de “O Globo”, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, passou a defender o aumento do Auxílio Brasil dos consensuais R$ 400 para R$ 600 — Foto: Facebook/CUT

“A alternativa encontrada pelo Centrão, naturalmente, cai como uma bomba no colo de Paulo Guedes. O ministro ameaçou deixar o governo em meados de outubro, quando, durante sua viagem a Washington, ministros convenceram Bolsonaro a elevar o valor do Auxílio Brasil para R$ 400”.

A coluna lembra que o episódio provocou uma debandada na equipe econômica, mas Guedes permaneceu sob a promessa de que não se aumentaria novamente o valor. *

(**) Por Valor, Valor — São Paulo

O PIT BULL VIROU POODLE

De bola baixa, Carluxo agora reclama de não ser ouvido pelo pai

O filho mais exaltado do presidente brigou menos nas redes sociais e mudou o tom em relação a alvos que em 2019 e 2020 volta e meia atacava

 

Miguel Paiva - Miguel Paiva - Brasil 247

Carlos Bolsonaro foi bem menos Carlos Bolsonaro em 2021. O filho mais exaltado do presidente baixou a bola este ano, brigando menos nas redes sociais e mudando o tom em relação a alvos que em 2019 e 2020 volta e meia atacava, como o STF e jornalistas. Agora, sua nova toada é reclamar que o pai não lhe dá mais tanto ouvido.

Escreveu Carluxo na quinta-feira (16/12), depois da live do pai:

“Bem, gostaria de deixar bem claro que insisto há mais de um ano para mudanças de layout e outras maneiras para qualificar as apresentações do Presidente. Lamentavelmente, sozinho, perco todas. Meu trabalho, aonde alcanço continuo fazendo! Boa noite a todos!”.

O pano de fundo do tom menos radical é que Carluxo está com medo há tempos de ser preso. Passou boa parte do ano com esse temor.*

(**) Guilherme Amado – Metrópole

ELEIÇÕES 2022

Várias pontas soltas ameaçam eleição de Bolsonaro em 2022

Com as pesquisas eleitorais prevendo derrota ainda no primeiro turno, presidente tem um horizonte de problemas para a reeleição

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O presidente Jair Bolsonaro deu um passo importante no projeto de reeleição ao ingressar no Partido Liberal (PL), uma sigla com ramificações pelo país, caixa forte e estrutura política adequada para o tamanho da disputa. Daqui em diante, o principal desafio do mandatário será demonstrar que merece a confiança do eleitor para exercer um novo mandato no Planalto. A caminhada, porém, não será nada fácil, com adversários competitivos, poucos resultados governamentais a mostrar e um quadro econômico e social cada vez mais deteriorado.

A pouco menos de um ano das eleições de outubro de 2022, o presidente amarga os piores índices de popularidade desde que tomou posse — entre 20% e 23%, dependendo do instituto que realiza a pesquisa, perdendo apoio entre grupos importantes, como evangélicos. Isso, ao mesmo tempo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue como favorito na preferência do eleitorado, e o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos) tem sido visto como uma ameaça à ida de Bolsonaro ao segundo turno do pleito.

Para quem acompanha o atual cenário político, porém, ainda é muito cedo para dizer que o presidente chegará enfraquecido no pleito, já que contará com os palanques do PL nos estados, o apoio de outros partidos do centrão e, o mais importante, o controle da máquina pública. Mas, permanentemente, Bolsonaro vem deixando pontas soltas que podem prejudicá-lo na campanha.

Dificuldades

A mais recente foi a confissão que fez, em um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na última quarta-feira, de que interferiu na administração do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para favorecer o empresário Luciano Hang, que o apóia. Além disso, a inabilidade na articulação política dentro do Congresso tem tudo para trazer problemas a longo prazo.

Tal como a saída de Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) da liderança do governo no Senado. Postulante à vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), foi abandonado pelo Palácio do Planalto com parcos sete votos — e viu o senador Antonio Anastasia (PSD-MG) levar a vaga, com 52 votos, em eficiente articulação feita pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), provável adversário de Bolsonaro nas urnas.

Na corrida eleitoral, o presidente tem um flanco aberto que, certamente, será explorado pelos rivais: a animosidade com o Supremo Tribunal Federal (STF). Também na semana passada, Bolsonaro voltou a colidir com os ministros da Corte — dessa vez, porém, não foi com seus alvos preferenciais, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Classificou Edson Fachin como “trotskista e leninista” — aliás, correntes do antigo comunismo soviético que entraram em confronto — por ter votado pela atualização do novo marco temporal de demarcação de terras indígenas.

Se a nova crítica excitou a fiel base bolsonarista, a resposta institucional veio no mesmo diapasão. A menção a Fachin fez com que o ministro Luiz Fux, presidente do STF, mandasse um duro recado ao presidente, na última sexta-feira, no fechamento do ano para o Poder Judiciário. “Ao longo do último ano, esta Suprema Corte e o Poder Judiciário como um todo enfrentaram ameaças retóricas, que foram combatidas com a união e a coesão de seus ministros, e ameaças reais, enfrentadas com posições firmes e decisões corajosas desta Corte. Acima de tudo, o ano de 2021 demonstrou que o Supremo Tribunal Federal não consiste em ‘onze ilhas’, como alguns insistem em dizer”, destacou.

O analista político do portal Inteligência Política, Melillo Dinis, não acredita em uma vitória em primeiro turno de nenhum dos candidatos nas eleições presidenciais de 2022. “Mais que ‘eleitores’, teremos ‘rejeitores’, que pensarão mais em derrotar um candidato do que eleger o seu preferido. Vai depender também dos demais concorrentes, especialmente da trinca que forma hoje o núcleo das terceiras vias: (Sergio) Moro, Ciro (Gomes) e (João) Doria”, observa.

Legados

Danilo Morais dos Santos, professor da pós-graduação do Ibmec-DF, ressalta que uma candidatura presidencial custa caro e que Bolsonaro terá que achar outras fontes de custeio para sua candidatura, já que uma parcela significativa dos recursos partidários do PL serão destacados para as campanhas ao Legislativo. Além disso, para ele, a disputa de 2022 será entre legados, já que os dois candidatos favoritos já ocuparam ou ocupam a presidência.

“Lula e Bolsonaro se viram às voltas com escândalos de corrupção e esse tema tende a não ter a força que teve em 2018. De um lado, o governo Lula, com redução da pobreza e o aumento do bem-estar a reboque do crescimento econômico. De outro, o descalabro econômico, fiscal, sanitário e humano do atual governo. A eleição se resolve pelo eleitor mediano, que é pragmático: na disputa entre esses legados, a inclinação é francamente favorável a Lula”, salienta.*

(**) Ingrid Soares – Jorge Vasconcellos – Correio Braziliense

SEXTA-FEIRA, 17 DE DEZEMBRO DE 2021

Endea Owens & The Cookout live at Dizzy’s Club

JAZZ NIGHT IN AMERICA

SET LIST:

“Feel Good” (Endea Owens)

“Moanin'” (Bobby Timmons)

 “Cycles” (Endea Owens)

MÚSICOS

 Endea Owens: bandleader, baixo;

 Irwin Hall, sax alto;

 John Davis, bacteria;

 Jeffery Miller, trombone;

 Keith Brown, piano;

 Kalí Rodriguez, trompete.

GOVERNO DE INÚTEIS…

Governo sofre para recuperar dados de sites hackeados

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O governo federal sofre há uma semana com ataques sistemáticos a sites de seus órgãos e ministérios. Como se não bastasse, também tem encontrado dificuldades para recuperar essas dados sem se submeter aos hackers – se é que conseguirá. A informação foi passada ao Bastidor por uma fonte próxima às investigações.

“Vários órgãos tiveram os dados apagados e estão com dificuldade para restabelecê-los, muita dificuldade”, disse esse agente, sem detalhar quais situações são as mais sérias.

Ele afirmou ainda que “todos que usam o provedor estarão sob risco” e que “quem já foi atacado, deve ter perdido os dados”. “Quem não foi atacado, corre o risco de ser”, complementou.

Bastidor mostrou o estrago nas estrutura digital do governo foi muito grande porque os hackers obtiveram um repositório de senhas que permite o acesso ao broker da Claro/Embratel. A lambança foi motivo de chacota em fóruns na deep web.

Na Polícia Federal, a regra é o silêncio, para evitar pânico na população. Foram invadidos até o momento, além do Ministério da Saúde, PF, PRF, CGU e mais de 20 órgãos do governo (incluindo ministérios). *

(**) Brenno Grillo