CANALHICE PARA O ‘CERCADINHO’

Bolsonaro desmente fake news dele mesmo

Putin e seu ‘cachorrinho’

Jair Bolsonaro usou as redes sociais para “desmentir” a notícia de que teria conversado no domingo, 27, com o presidente russo Vladimir Putin sobre a guerra da Ucrânia. O chefe de estado brasileiro voltou a acusar a mídia de espalhar fake news, mas quem se enrolou foi ele próprio.

Na tarde de domingo, Bolsonaro concedeu uma entrevista coletiva para vários veículos. O presidente afirmou – e isso está gravado – que havia conversado “há pouco” com Putin sobre a Ucrânia.

“Estive há pouco conversando com o presidente Putin, mais de duas horas de conversa. Tratamos de muita coisa. A questão dos fertilizantes foi uma das mais importantes. Tratamos do nosso governo e, obviamente, ele falou alguma coisa sobre a Ucrânia, que eu me reservo aí como segredo de não entrar em detalhes da forma como vocês [jornalistas] gostariam”, disse no domingo Bolsonaro.

Nesta segunda-feira, após desmentido do Itamaraty, ele garantiu que a informação de que conversou com Putin não procedia. “Não procede a informação que eu teria falado com o Presidente Putin no dia de ontem. Conversei com ele apenas por ocasião da minha visita à Rússia em 16 de fevereiro. A imprensa se supera nas fakenews (sic) a cada dia passado!”

Bolsonaro tem uma clara dificuldade de se expressar em público. Declarações controversas e contraditórias são comuns no discurso do presidente, o que dificulta leituras claras sobre o que ele pensa.

Nesse caso específico, ele só perdeu. O vídeo da entrevista coletiva foi usado por seguidores do presidente para mostrar que ele é que não foi claro ao se expressar aos jornalistas. *

(**) Redação – O Bastidor

A GUERRA VAI SER BOA, NÃO FOI?

A Guerra do Fim do Mundo: quem vai apertar o botão primeiro?

 

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Deu branco total. Desde que Putin invadiu a Ucrânia com as “tropas de paz”, há dias não consigo escrever uma única linha. É muito raro isso acontecer comigo. Eu sempre preciso ter alguma coisa para contar. Afinal, vivo disso há quase 60 anos.

Descendente de russos, por parte de pai, e de alemães, por parte de mãe, não posso nem ouvir falar em guerra. Passei minha infância ouvindo as histórias dos meus pais e avós contando os horrores da Segunda Guerra Mundial.

A família paterna dos Kotscho foi perseguida pelos comunistas e se refugiou na Romênia, onde meu pai nasceu, enquanto a família materna, dos Rebholz-Heinz, perseguida pelos nazistas, veio se refugiar aqui no Brasil, onde eu nasci. De guerra, eu entendo.

Tenho dormido mal e acordado com pesadelos. Até me esqueci que por aqui estamos em pleno carnaval. Aliás, não estamos, pelo segundo ano seguido, porque os folguedos foram cancelados pela pandemia, não pela guerra, as duas pragas que assolam a humanidade nesse início de século de 21. Os sambódromos estão em silêncio, enquanto as bombas explodem do outro lado do mundo.

No domingo, depois de passar o dia vendo futebol e guerra na TV, fui dormir com a notícia de que Putin mandou colocar de prontidão seu arsenal nuclear, em resposta à Otan, que está mandando armamento pesado para a Ucrânia e ameaçando varrer a Rússia do mapa com sanções econômicas.

Até a Alemanha materna, que fugia de uma guerra como o diabo da cruz, desde o grande trauma de 1939-1945, que dizimou e espalhou pelo mundo parte da minha família, resolveu ontem triplicar o orçamento para reequipar suas Forças Armadas, que estavam em desuso. E já prometeu mandar caças e armamentos pesados para a Ucrânia, assim como outros países da Otan.

O mundo enlouqueceu, de novo. Não importa quem sejam os contendores desta vez, mas numa guerra ninguém costuma ter razão, perdem todos, principalmente as populações civis, que correm para os bunkers com suas crianças. Só quem sempre ganha com isso são as indústrias bélicas, que elegem presidentes dos dois lados em conflito.

Deixam pelo caminho milhares, por vezes milhões de mortos e feridos, além de legiões de refugiados, como está acontecendo novamente agora, famílias separadas e destruídas em busca da sobrevivência.

Na parte que nos toca, é assustador saber que no Brasil já temos mais de 500 grupos organizados de neo-nazistas, como mostrou reportagem do Globo neste final de semana.

Por todo o mundo, inclusive na Rússia, na Alemanha e na Ucrânia eles se multiplicam, sob os mais diferentes disfarces, fazendo das mortes dos outros a sua razão de viver.

Estamos outra vez sob a ameaça de uma Guerra do Fim do Mundo, em que basta um maluco apertar o botão para fazer este planeta explodir e não sobrar ninguém para contar a história. Russos e ucranianos se acusam mutuamente de ser governados por nazistas, e temo que ambos tenham razão.

Não tem santos nessa história, mas sabemos quem são as vítimas dessa insanidade que volta a ameaçar o mundo, 77 anos após o final da “Segunda Guerra”, as duas palavras que voltaram à manchete da Folha esta semana, e me deixaram bem assustado.

Nesse momento, oficiais da Rússia e da Ucrânia estão reunidos na Belarus, na fronteira entre os três países, para encontrar uma saída. Não dá para confiar em nenhum deles. Quem faz a guerra não vai para a frente de batalha. Quem morre são sempre pessoas inocentes que só querem ter direito à vida.

No caso da minha família, na Segunda Guerra, uma parte morreu, outra se perdeu e outra se espalhou pelo mundo. A guerra nos tirou o direito à convivência com tios, primos, avós. Até hoje tentamos juntar os cacos e resgatar nossas origens.*

Vida que recomeça.*

(**) Ricardo Kotscho
Colunista do UOL

VOU CONTAR ATÉ TRÊS …

Prazo de validade

Ucrânia posta charge de Putin acariciado por Hitler

De quem já viu de tudo:

Putin tem no máximo uma semana para se livrar do peso de suas operações militares e iniciar conversações diplomáticas, mesmo que as conduza em segredo.

Em 1962, a crise dos mísseis soviéticos instalados em Cuba começou no dia 22 de outubro com o presidente americano John Kennedy anunciando o bloqueio naval de Cuba.

O mundo passou dias à beira de uma guerra e parte da liderança soviética deixou Moscou.

No dia 27, o embaixador soviético Anatoly Dobrynin encontrou-se com Robert Kennedy, irmão do presidente. O diplomata ofereceu a retirada dos mísseis e pediu que os americanos tirassem seus foguetes da Turquia (eram 15). Fecharam negócio, mas o lado turco do acerto deveria ficar em segredo, pois o país era membro da Otan.

No dia seguinte Moscou anunciou a retirada dos mísseis.

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Aqui canta o sabiá

Ministro de Bolsonaro, em delírio, acredita em "comunavírus" - Vermelho

O presidente Joe Biden ameaça transformar Putin num “pária”.

Na terra das palmeiras, onde canta o sabiá, o chanceler Ernesto Araújo orgulhava-se dessa condição. *

 

(**) Elio Gaspari – O Globo

O BANANÃO DE PERNAS PRO AR

Ambos acham que sabem o que falam

Os limites da rebeldia de Hamilton Mourão | bloglimpinhoecheiroso

O presidente Bolsonaro atravessou metade do mundo para se solidarizar com o indefensável Putin. O vice-presidente Mourão se opôs: ele, general de quatro estrelas, acha que a Rússia tem de ser contida à força.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, que inclui os EUA, tem poder para derrotar a Rússia. Só há um problema: o poderio russo, que inclui foguetes intercontinentais e bombas de hidrogênio, não é suficiente para ganhar a guerra, mas pode destruir seus inimigos. A Rússia, como os Estados Unidos, tem uma quantidade de armas capaz de destruir o mundo mais de uma vez – o nome militar disso é “overkill”, exagero de mortes. Como disse Albert Einstein, a Terceira Guerra Mundial seria travada com as armas nucleares. Já a Quarta Guerra seria travada com paus e pedras, tudo o que teria restado no mundo após o conflito atômico.

Bolsonaro falou besteira: ao se solidarizar com Putin, pôs o Brasil no mesmo balaio de China, Venezuela e Cuba, regimes que odeia. Para agradar a Putin, seu tipo inesquecível, autoritário, metido a machão, que consegue mandar no Parlamento e na Justiça, afastou-se politicamente do Ocidente e hoje não conseguiria nem badalar seu também ídolo Donald Trump. Mourão, que há tempos se desentendeu com Bolsonaro, não aproveitou a chance de defender a única saída viável, a de busca da paz. Não explicou, também, como conter a Rússia à força.

Quem colocaria o guizo no pescoço do gato?

No dia de hoje

TikTok das nações - Renato Aroeira - Brasil 247

Putin, por enquanto, dá um baile nos líderes ocidentais. Preparou-se com calma para a crise, reforçando as reservas russas de divisas e fazendo da Rússia um dos maiores fornecedores de gás natural e petróleo para a Europa. Já a OTAN acompanhou por quatro meses a concentração de tropas e nada fez. Mas, caso a guerra se prolongue, as sanções ocidentais talvez tenham efeito: bloqueio de operações financeiras, apreensão de navios nos portos, proibição de vendas essenciais às empresas russas. Nada decisivo, mas obriga os agressores a desviar a atenção da guerra e a cuidar da própria vida.

Por que se luta

Renato Aroeira | Humor Político – Rir pra não chorar

Além de problemas políticos e ideológicos, há motivos econômicos para ocupar a Ucrânia. O país tem grandes reservas de urânio, titânio, manganês, ferro, mercúrio, xisto (do qual se extrai petróleo e gás), carvão. Suas terras são extremamente férteis – estima-se que possam garantir alimentação a 600 milhões de pessoas. A capacidade industrial é grande, até mesmo para lançar satélites. Se o motivo da invasão for econômico, o prêmio é grande.

O retrato de agora

TRIBUNA DA INTERNET | Após o dia 15, pesquisas não podem simular cenários  com Haddad e sem Lula?

Faltam dez meses para as eleições, e isso é muito tempo. Até uma semana antes das eleições de 1988 em São Paulo, Maluf era favorito, João Mellão era o segundo, Erundina estava em quarto. Ela se elegeu. Tancredo ganhou, na véspera da posse precisou ser operado e Sarney foi o presidente. Enfim, a fotografia de hoje mostra Lula muito próximo de ser eleito no primeiro turno, com mais votos do que todos os adversários somados. A pesquisa é do Ipespe e mostra Lula com 43%, contra 26% de Bolsonaro, 8% de Moro, 7% de Ciro e os outros bem abaixo. Há outras indicações ruins para Bolsonaro: quase 70% acham que a política econômica está errada; no segundo turno, perderia para Ciro, Moro e até Doria – no caso, um empate técnico, mas a contagem é Doria 39 x Bolsonaro 36.

E, antes que resolvam implicar, sei que houve muitas pesquisas erradas na história. Truman iria perder de Thomas Dewey, por exemplo, e ganhou. Mas, se pesquisa não serve para nada, por que empresas privadas gastam tanto pesquisando a aceitação de seus produtos?

Ruim para Bolsonaro 1

charge] Queda livre · Jornal Midiamax

O Instituto Brasileiro de Mineração, Ibram, que reúne as treze maiores mineradoras do país, inclusive a Vale, passa agora a ser dirigido por Raul Jungmann, que foi ministro da Reforma Agrária de Fernando Henrique e, com Michel Temer, ministro da Defesa e ministro extraordinário da Segurança Pública. Bolsonaro não gosta dele, embora tenha sido seu colega na Câmara Federal. E, ao que se saiba, é correspondido.

Ruim para Bolsonaro 2

Cotado para vice em 2022, Tarcísio é o ministro mais ativo nas lives de  Bolsonaro

Tarcísio de Freitas, ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, que o aprecia a ponto de querer transformá-lo em governador de São Paulo (ele pretende se candidatar, assim que descobrir onde fica o estado), foi apanhado numa gravação constrangedora: diz a caminhoneiros que iria “dar um tempo em fiscalizações desnecessárias”. Entre elas, aquele perigosíssimo monstrengo que é o caminhão arqueado, em que a traseira fica muito mais alta que a dianteira e que é inseguro a qualquer velocidade.

Tarcísio, depois de contar que vai compor um grupo de trabalho com Silvinei Vasques, diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, “para eliminar o que está enchendo o saco, gerando autuação e não contribui para a segurança”, revela que a fiscalização será seletiva. O Ministério Público Federal já abriu inquérito sobre o caso.*

(**) Coluna Carlos Brickmann

UM MAR DE LAMAS

A Rússia invade a Ucrânia, o mundo reage e Bolsonaro está em outro planeta

No dia da invasão, o presidente deu duas entrevistas, mas falou de futebol e não deu uma palavra sobre o conflito
Motociata e os velhos valores sobre duas rodas - Disparada

Enquanto a Bahia afundava em dor, lama e mortes, o presidente Jair Bolsonaro gastava R$ 900 mil para andar de jet ski no lindo mar azul de Santa Catarina. Enquanto o mundo afunda em ameaças e incertezas com a guerra na Ucrânia, Bolsonaro faz motociatas por aí. Para que serve um presidente? Para curtir a vida e fazer campanha?

Na definição do ex-chanceler Celso Amorim, a posição brasileira é “esquizofrênica”. Bolsonaro lava as mãos, como quem não tem nada a ver com isso, o vice Hamilton Mourão radicaliza, defendendo o “uso da força” contra a Rússia, e o Itamaraty faz contorcionismos em busca de racionalidade.

Essa “esquizofrenia” tem origem na incapacidade de Bolsonaro de presidir o País e na certeza de que Vladimir Putin não invadiria a Ucrânia. Por isso, Bolsonaro manteve a ida a Moscou quando o mundo já dava a guerra como certa e o Itamaraty não orientou os brasileiros que vivem na Ucrânia a deixarem o país, a exemplo de vários outros.

A guerra pegou o Brasil de calças curtas. No dia da invasão, Bolsonaro deu duas entrevistas, mas falou de futebol e não deu uma palavra sobre Rússia e Ucrânia. À noite, desautorizou Mourão. No meio-tempo, disse num post que estava “totalmente empenhado” em proteger os 500 brasileiros na Ucrânia.

O Itamaraty corrigiu: não era bem assim. E, na live com Bolsonaro, o chanceler Carlos França disse que: (1) “já estamos elaborando um plano”. Como assim? Elaborando? Já deviam ter um há muito tempo e já começado a tirar as pessoas; (2) esperavam “condições ideais de segurança”. Durante a guerra? Não era melhor antes?; (3) por fim, pediu “paciência”. Não é pedir demais a quem está sob bombardeio?

Os EUA advertiram contra a ida de Bolsonaro a Moscou, reclamaram da “solidariedade” à Rússia e pediram o voto na ONU. Em entrevista inédita, embaixadores ou encarregados de negócios do G7 (países mais industrializados), da União Europeia e da Ucrânia cobraram uma posição firme do Brasil.

Apesar dos temores e de Bolsonaro, venceram os diplomatas, os militares e a pressão internacional, e o Brasil votou contra a Rússia no Conselho de Segurança da ONU. Depois, registrou que tentara amenizar o texto, mas só para inglês ver. Ou melhor, para russo ver. Durante todo o tempo e toda a tensão, o grande ausente foi… Jair Bolsonaro, que disputa a reeleição a uma Presidência que nunca ocupou.

(**) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

COM O ADVENTO DO BOLSONARISMO…

ELES PASSARAM

Quando figuras como Bruno Aiub, o Monark, defendem aberta e publicamente o nazismo — no caso específico do YouTuber, a criação de um partido nazista no Brasil —, elas falam para um público que vem se expandindo de forma expressiva nos últimos anos.

Dados da ONG Anti-Defamation League (ADL) mostram que hoje o Brasil é o país no mundo onde mais cresce o número de grupos de extrema direita, concentrados, de acordo com monitoramento do Observatório da Extrema Direita (formado por acadêmicos de mais de dez universidades brasileiras e de outros países) e de pesquisa da professora Adriana Dias, da Universidade de Campinas (Unicamp), nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os últimos dados em mãos dos pesquisadores consultados, passados com exclusividade para O GLOBO, confirmam que São Paulo é o estado com maior presença de grupos, chegando a um total de 137, dos quais 51 estão na capital. Saiba mais no link da bio.*

(**) O Globo

MAIS UMA PALHAÇADA DO PÁRIA

Auxiliares de Bolsonaro acreditam que Putin não irá garantir envio de fertilizantes

Auxiliares presidenciais afirmam que cresce sentimento de que ficará inviável a Putin o envio de fertilizantes e que outras pautas da ida de Bolsonaro a Moscou também naufragaram

Charge do Amarildo

 

Com o aumento das sanções à Rússia, o Palácio do Planalto passou a admitir internamente que as pautas discutidas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) com o presidente russo Vladimir Putin, na viagem a Moscou, uma semana antes da invasão à Ucrânia, estão naufragando.

Dois exemplos principais disso, de acordo com assessores presidenciais ouvidos pela CNN, são a articulação do governo para garantir o envio de fertilizantes ao Brasil e a preocupação com o preço da gasolina. Para o governo, a guerra promovida por Putin impacta nos compromissos desenhados na viagem.

No dia da invasão, o preço dos fertilizantes dispararam. A tonelada passou de US$ 320 para US$ 850. A conta está na ponta do lápis em conversas no Planalto. O pessimismo é sintoma também do que ocorreu neste sábado: a exclusão da Rússia do sistema Swift, sistema de transferências internacionais que conecta bancos ao redor do mundo.

Isso pode inviabilizar a própria transação financeira para efetivar a importação de fertilizantes, calculam fontes do governo.Outro indicador negativo mostra que o início da invasão russa levou o preço do barril de petróleo a superar 100 dólares pela primeira vez em mais de sete anos. Uma das preocupações do Brasil na viagem de Bolsonaro a Moscou era com os efeitos de uma guerra no preço do barril de petróleo.

Auxiliares do presidente defendem que a posição é de cautela. Até o momento, Bolsonaro não criticou a Rússia diretamente, tampouco condenou os ataques à Ucrânia, apesar do Brasil ter votado a favor do repúdio aos ataques no Conselho de Segurança da ONU.

No lugar de uma declaração, porém, Bolsonaro curtiu publicações do perfil internacional do governo brasileiro no Twitter que fala da condenação aos atos.

A conta oficial Government of Brazil, em que o governo se comunica em inglês na rede social, publicou um vídeo do embaixador Ronaldo Costa, representante do Brasil na ONU, com a descrição dizendo que o Brasil condena fortemente a violação da soberania e da integridade territorial da Ucrânia pela Rússia. Bolsonaro, por meio de seu perfil pessoal, curtiu a publicação – sem compartilhá-la.

Para assessores presidenciais, o like representa a posição do presidente, ainda que a comunicação não seja das mais diretas.

A CNN procurou Planalto e ainda não teve resposta.*

(**) Basília Rodrigues da CNN em Brasília

TÁ TUDO APARELHADO

Bolsonaro estilhaçou imagem da Polícia Federal

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Em Brasília, quase tudo o que se vê, se sente e se respira conspira. Quem viu o vídeo da fatídica reunião ministerial de 22 de abril de 2020 sentiu que a Polícia Federal corria perigo. Bastou respirar o cheiro de queimado que emanava dos comentários de Bolsonaro. “Vai trocar”, disse o presidente. “Se não puder trocar, troca o chefe dele. Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira.”

Decorridos quase dois anos, Bolsonaro demonstrou que não estava mesmo para brinquedo. Trocou o “traidor” Sergio Moro por um amigo dos seus filhos, Anderson Torres, no Ministério da Justiça. Substituiu o diretor-geral da Polícia Federal cinco vezes. E autorizou duas dezenas de remoções em postos de chefia nas superintendências estaduais do órgão. Houve mais do que mero aparelhamento político. Bolsonaro estilhaçou a imagem da PF.

Bolsonaro parecia menos ambicioso quando olhou para Moro naquela reunião de dois anos atrás para avisar que não esperaria “foder minha família toda de sacanagem ou amigo meu” para interferir na “segurança” do Rio de Janeiro. Num instante em que se imaginava que o presidente estivesse satisfeito com o trabalho de Paulo Maiurino, a Casa Civil da Presidência mandou publicar a exoneração do diretor-geral da PF numa edição extraordinária do Diário Oficial.

Maiurino faria aniversário de um ano no posto em abril. Foi substituído pelo delegado Márcio Nunes de Oliveira, o número Dois do Ministério da Justiça. Atribuiu-se a decisão ao ministro Anderson Torres. Conversa mole. Quem tem calos como os de Bolsonaro, protagonista de meia dúzia de investigações criminais, não terceiriza a escolha de um subordinado que pode metê-lo em apertos.

A saída de Maiurino causou certa estupefação, pois generalizou-se a percepção de que o delegado se esmerava nas adulações ao presidente e seus filhos. Por exemplo: afastou a delegada Dominique de Castro Oliveira da Interpol depois que ela colocou para andar o pedido de extradição de Allan dos Santos, o blogueiro bolsonarista que foge nos Estados Unidos de uma ordem de prisão emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo.

Ao promover uma dança de cadeiras nas superintendências estaduais da PF, Maiurino exportou pelo menos quatro delegados do Rio de Janeiro, berço eleitoral de Bolsonaro, para outras praças. No Distrito Federal, por exemplo, acomodou Victor Cesar Carvalho dos Santos. O personagem assumiu no lugar de Hugo de Barros Correia, que se recusara a compartilhar informações sobre inquéritos em andamento. Um dos processos envolve Jair Renan, o filho Zero Quatro do mito.

Mais recentemente, Maiurino empurrou a PF para dentro da campanha eleitoral ao divulgar nota oficial intitulada “Moro Mente.” No texto, contraditou Sergio Moro, desafeto do chefe, que dissera não haver “ninguém no Brasil sendo investigado e preso por grande corrupção.”

Maiurino não havia demonstrado a mesma preocupação em defender a corporação quando outro presidenciável, Ciro Gomes, classificara uma batida de busca e apreensão dos rapazes da PF em sua casa de ação do “braço do Estado policialesco de Bolsonaro.”

Um dos inquéritos que correm no Supremo contra Bolsonaro nasceu da acusação feita por Moro de que seu ex-chefe estaria transformando a PF num aparelho político para proteger amigos e perseguir adversários. Depois que Moro deixou o Ministério da Justiça chutando a porta, Bolsonaro instalou na pasta uma porta giratória.

O delegado Maurício Valeixo saiu junto com Moro. Após a sua exoneração, foram nomeados: Alexandre Ramagem, que teve a posse barrada pelo Supremo, Rolando de Souza, Paulo Maiurino e, agora, Márcio de Oliveira. A alta rotatividade não impede o Planalto de sustentar que nada de anormal acontece na PF. Entretanto, não há força no universo capaz de eliminar a maledicência segundo a qual, sob Bolsonaro, nada tornou-se uma palavra que ultrapassa tudo.

Alexandre Saraiva, delegado que acusou o então ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) de favorecer madeireiros ilegais, foi afastado da chefia da PF no Amazonas. O delegado William Tito adquiriu prestígio depois de concluir que Bolsonaro não prevaricou ao ignorar as denúncias de irregularidades que lhe chegaram sobre o contrato de compra da vacina indiana Covaxin.

Noutro processo, Bolsonaro recusou-se a prestar depoimento à delegada Denisse Ribeiro. Ela reuniu sólidos indícios de que o presidente vazou e deturpou dados de um inquérito sigiloso para mentir sobre vulnerabilidades inexistentes nas urnas eletrônicas.

Três das coisas mais perigosas para um governo são a imprensa livre, a Procuradoria ativa e a Polícia Federal autônoma. Bolsonaro se contrapõe à imprensa profissional difundindo notícias falsas. Acomodou na Procuradoria um procurador sem vocação para procurar. E conduz com sucesso a demolição da PF. Conseguiu avacalhar um órgão que já foi respeitado.*

(**) Josias de Souza
Colunista do UOL

ELE NUNCA PULAM NO BURACO…

Governo Bolsonaro cria atritos sérios com Silas Malafaia e Edir Macedo

 

Apesar de serem líderes importantes para os evangélicos, um dos principais segmentos de apoio ao governo de Jair Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia e o bispo Edir Macedo têm atualmente motivos de insatisfação com o presidente. Malafaia é um dos mais ferrenhos opositores do projeto que libera jogos de azar, cassinos e jogo do bicho no Brasil, que tem como um dos autores Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil. O motivo de irritação de Macedo é outro: o movimento de distanciamento que Bolsonaro tem feito em relação ao Republicanos, legenda que concentra políticos ligados à Igreja Universal.

O projeto que libera os jogos de azar foi votado há poucos dias na Câmara por iniciativa do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Os evangélicos esperavam que o líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR), orientasse voto contrário, mas ele acabou por liberar a bancada. O texto seguiu para votação dos senadores.

Coordenador da frente parlamentar evangélica e braço direito do pastor Silas Malafaia, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) disse à coluna que o grupo “vai se entrincheirar no Senado” para a evitar a aprovação. “Vamos dialogar com o Rodrigo Pacheco, que é equilibrado e não é do Progressistas, o partido mais interessado na legalização dos jogos do Congresso Nacional”, disse Sóstenes à coluna, citando um dos principais partidos de apoio ao governo.

Para o deputado, os ministros Ciro Nogueira, Paulo Guedes e Gilson Machado são os principais interessados em votar a liberação dos jogos de azar. Por enquanto, tanto Sóstenes quanto Malafaia evitam fazer críticas diretas ao presidente Bolsonaro. Mas diante da importância que o assunto tem para os evangélicos, esse confronto não está descartado.

Já o bispo Edir Macedo e seus apoiadores estão descontentes com o acelerado afastamento que Bolsonaro está adotando em relação ao Republicanos, enquanto encaminha para o PL nomes importantes para puxar votos na próxima eleição. O último caso é o do ministro Tarcísio Freitas, que deve lançar candidatura ao governo de São Paulo.

O presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira, do Rio de Janeiro, já manifestou publicamente sua insatisfação e outros integrantes da legenda reclamam que sempre apoiaram o governo em tudo que foi necessário e esperavam ser tratados com respeito.

Diante disso, a executiva do Republicanos vai se reunir para discutir o assunto depois do Carnaval. Em debate, a possibilidade de o partido deixar de apoiar o governo Bolsonaro.*

(**) Chico Alves
Colunista do UOL