MILICOS DO “CERCADINHO”

Homem ao mar!

Assim como Bento Albuquerque diz ‘não’ ao ‘centrãoduto’, os generais deveriam dizer ‘nunca’ aos ataques ao TSE e às eleições


Ao demitir o almirante Bento Albuquerque do Ministério de Minas e Energia, o presidente da República deixa uma dúvida no ar, na terra e no mar: até quando a cúpula das Forças Armadas vai aceitar desaforos e se render aos caprichos ideológicos e interesses eleitorais do capitão insubordinado Jair Bolsonaro?

O presidente já demitiu os generais Fernando Azevedo e Silva, Edson Pujol, Joaquim Silva e Luna, Carlos Alberto Santos Cruz e Otávio Rego Barros, entre outros, enquanto se agarra ao general Intendente Eduardo Pazuello, aquele do “um manda, o outro obedece”, e manipula escancaradamente o Ministério da Defesa.

De quebra, Bolsonaro também demitiu os comandantes da Marinha, almirante de esquadra Ilques Barbosa, e da Aeronáutica, brigadeiro-do-ar Antônio Carlos Bermudez. Entre generais, almirante e brigadeiros demitidos, estamos falando da elite militar, os mais respeitados, mais preparados. É o caso de Bento Albuquerque.

O consolo é que foram jogados pela janela, por terra ou ao mar não por seus defeitos, mas por suas qualidades, por estarem do lado certo da história, contra atos golpistas, conspirações, interferência dos filhos na gestão pública, ingerência política na Petrobras e, agora, também pela recusa de endossar o mais novo jabuti eleitoral.

Vamos a esse jabuti, descoberto pelo repórter André Borges, do nosso Estadão: a articulação do Centrão, com aval do Planalto, para despejar a bagatela de R$ 100 bilhões (R$ 100 bi!) de verbas públicas num projeto de construção de gasodutos do “Rei do Gás”, o empresário Carlos Suarez, o S da empreiteira OAS.

Depois do petrolão do PT, chegamos ao ‘centrãoduto’ da era Bolsonaro. O almirante Bento Albuquerque está fora, assim como os generais da Defesa deveriam pular rapidamente do barco de ataques ao TSE, às urnas eletrônicas e às eleições, acabando com as marolas e a espuma sobre golpes. A história está de olho, os Estados Unidos e as democracias mundo afora, também.*

(**) Eliane Cantanhêde – Estadão