A PONTA DO ICEBERG

Bolsonaro só me deu alegrias esta semana

Deixe aqui a sua risada, que eu dei a minha

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Quando você acha que sextou, dá de cara com um tuíte do Bolsonaro praguejando contra o aborto de uma criança de 11 anos. Eu sei o que ele quer. Que todo mundo faça textão para mostrar como ele é um desgraçado, insensível, que usa uma história que tem umas 200 camadas de tristeza para desviar o foco de que ele é um desgraçado corrupto e que vai perder a eleição.

Não queria escrever sobre o Bolsonaro, hoje, mas como é raro ele me deixar feliz, farei o sacrifício. Que delícia acordar no meio da semana e ver seu ex-ministro e seus amigos pastores presos. Fiz até um café mais caprichado para saborear as notícias em uma manhã deliciosa de inverno carioca. O sol queimando lá fora mais do que a cara do desgraçado que rifou a educação brasileira para evangélico fazer negociata. Que gostoso ver o desgraçado tentando explicar que essa corrupção é “diferente” da dos outros governos. “Foi história de tráfico de influência, é comum”, disse numa live. Deixe aqui a sua risada, que eu dei a minha.

Estou martelando o teclado com raiva do desgraçado, mas juro que estou feliz. Se o Bolsonaro está desesperado, então, tá tudo bem. Faz arminha com a mão que passa, presida. Na semana passada, eu estava feito um pano de chão velho, como escrevi, numa deprê horrível, mas desde quarta é só alegria.

O desgraçado golpista grita aborto, aborto, faz ameaças aos que “promoveram essa barbárie”, intimida procuradora que apenas garantiu que leis sejam respeitadas. Grita mais alto, desgraçado, daqui só consigo ouvir sua ligação para avisar o ex-ministro que a casa caiu. O meu “pressentimento” é de que a casa vai cair para todo mundo dessa familícia.

Pelo “pressentimento” do Datafolha é só esperar outubro chegar. Pelo jeito, não adianta gritar. O fantasma do comunismo não vai te pegar, vai ser a PF mesmo. Adeus, cartão corporativo! Adeus, foro privilegiado! Pode dar tchauzinho para mamata, desgraçado.

Um indigenista e um jornalista somem e são assassinados, as únicas coisas que o desgraçado consegue é chamá-los de “aventureiros”, vítimas de uma “maldade”. Em uma semana, conseguiu a façanha de ampliar o vocabulário. Falou em tragédia umas três vezes, abusos, violação e aproveitou para desprezar a legislação. Pois eu acho que impeachment é uma palavra que poderia voltar à moda.

O bolsonarismo que vibrou com o vazamento da ligação para o Bessias, agora grita que não pode. Se os minions estão nervosos, eu tô puro namastê. Faz motociata que passa. Grita mais alto, desgraçado, porque a PF só consegue ouvir os 1.800 grampos de ligações entre o ex-ministro e aliados. Quem mais tá louco para ouvir esse podcast? Eu vou abrir uma cerveja. O desgraçado do presidente só me deu alegrias esta semana. Mito.*

(**) Mariliz Pereira Jorge é jornalista e roteirista de TV. (Folha de SP)