OS MESMOS…

É fácil criticar Lula

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Para recuperar a simpatia que um dia teve de camadas maiores da população brasileira, o partido precisa fazer um mea-culpa correto e amplo

Foram cometidos inúmeros erros, equívocos e alguns crimes nos oito anos de mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. É muito fácil criticar o ex-presidente. Pelo mensalão, por exemplo, crime pelo qual quase foi cassado e que começou a ser gestado ainda antes da sua posse. Quando o escândalo eclodiu, Lula alegou nada saber e demitiu o então ministro José Dirceu, articulador da troca de votos no Congresso por mesadas a parlamentares e partidos políticos. Pode-se criticá-lo também por ter sido em seu governo que o petrolão germinou, com a lotação de diretorias da Petrobras entre os partidos aliados.

No plano pessoal, Lula também pode ser desaprovado pelo tríplex do Guarujá e o sítio de Atibaia. Da mesma forma é condenável ter permitido que seu filho Fábio Luís assinasse um contrato com a Telemar, empresa na qual o governo tinha participação acionária. Pode-se também censurar Lula por algumas das escolhas políticas que fez. A pior delas talvez seja a aliança com o Centrão. Um líder de partido de esquerda, que assumira o governo prometendo mudar a forma de fazer política, cometeu o mesmo erro de seus antecessores e dos que viriam depois dele. A escolha solitária de Dilma para sucedê-lo também provou-se um equívoco.

Mas há também muitos acertos, alguns extraordinários, que devem ser elogiados e atribuídos a Lula. O mais importante, sem dúvida, foi o processo de inclusão social promovido pelo seu governo através de diversas políticas importantes, destacando-se o Bolsa Família e a valorização do salário-mínimo. Num país pobre como o Brasil, foram e ainda são fundamentais medidas que transfiram renda. Lula, ajudado pela conjuntura global, mas ainda assim sem lhe retirar o mérito, conseguiu melhorar a vida dos mais pobres sem reduzir os lucros de empresários e banqueiros.

Deve-se elogiá-lo também pelo combate ao desemprego. Ao final do seu segundo mandato, o país havia criado 22 milhões de postos formais de trabalho. A taxa de desempregados estava em 5,7% quando ele transferiu o governo para Dilma. Hoje situa-se em 9,8% e já chegou a 13,5% em 2020. Com emprego e salário melhor, houve uma migração forte da classe D e E para C e B. Por isso, aliás, os aeroportos viviam lotados, como o ex-presidente não se cansa de repetir. Nos dias turbulentos de hoje, o ministro da Economia reclama quando empregada doméstica quer ir para a Disney nas férias.

Não se pode negar o caráter democrático de Lula. Apesar da tentativa de instituir um certo controle externo da mídia, apelido para censura à imprensa inventado pelo ex-ministro e ex-jornalista Franklin Martins, o governo do petista foi pautado pelo respeito às instituições. Você pode dizer que isto não é mérito algum, que trata-se de obrigação constitucional de todo governante. Não há como discordar, claro. Mas, depois de três anos e meio desse governo abusivo, desrespeitoso e antidemocrático de Bolsonaro, vale salientar o oposto.

Lula pode ganhar a eleição no primeiro turno, como mostrou a pesquisa Datafolha desta semana, com o petista obtendo o equivalente a 51% dos votos válidos. Para assegurar a vitória, contudo, o candidato terá de se certificar que os eleitores entenderão que ele acertou mais do que errou. Lula sabe que na campanha seus adversários, sobretudo Bolsonaro, vão lembrar cada um dos seus pontos fracos.

Até aqui, apenas os petistas e seus aliados elogiam Lula. Difícil encontrar fora desse segmento quem faça as concessões corretas ao ex-presidente pelos muitos acertos de suas gestões. Não estou falando em esquecer os equívocos, mas em recordar os seus êxitos. Essa é a principal tarefa do petismo, não apenas para ganhar a eleição, mas recuperar a simpatia que um dia teve de camadas maiores da população brasileira. Para tanto, é necessário fazer um mea-culpa correto e amplo. Ou isso, ou o PT pode virar um instrumento político e ganhar apenas um único mandato. O da transição.

Bons candidatos

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Muito boas as entrevistas da GloboNews com os candidatos a presidente. Excelente espaço para cada um mostrar o que pretende para o país, sem armadilhas, francas, com bastante tempo para todas as respostas. Os entrevistadores mandaram muito bem. E os três entrevistados também. Destaque para Ciro Gomes, o mais preparado para a função. Pelas pesquisas, contudo, não vai para o segundo turno. Mas, como ele mesmo lembrou, outros bons candidatos nunca foram presidente. A saber: José Serra, Mario Covas, Ulysses Guimarães, Aureliano Chaves, Leonel Brizola.

O machão

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Jair Bolsonaro disse às empresárias (quase todas brancas, quase todas loiras) com as quais se reuniu esta semana em São Paulo que o seu governo “foi o que mais encarcerou machão”. Referia-se a prisão de feminicídas e outros agressores de mulheres. Foi aplaudido pelas senhoras. Esqueceu de dizer que nunca como nestes anos de seu governo houve tantos crimes contra mulheres. Será por que, presidente?

Surpresa

Mico" de Bolsonaro: EUA manifestam confiança nas eleições - TIJOLAÇO

Surpresa em Brasília: embaixadores de alguns dos países não convidados para o encontro com Bolsonaro na semana passada fizeram chegar ao Itamaraty sua contrariedade por terem sido esquecidos pela chancelaria brasileira. Bobagem. Na verdade, estes embaixadores deveriam agradecer por não terem participado do mico histórico.

Sem surpresa 1

Pergunta: aqueles que achavam que Jair Bolsonaro já estava bem representado na PGR foram surpreendidos por mais uma valiosa contribuição de Lindôra Araújo (que mandou arquivar as denúncias da CPI da Covid apesar da tonelada de evidências que exigiam investigação)? Claro que não. Entre os procuradores, a senhora já é conhecida como “Dona Gavetinha”.

Sem surpresa 2

Pode ser uma imagem de texto que diz "CONSTITUIÇÃO REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL 1988 Art. 2° São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, Legislativo, Executivo Judiciário. ah! AH! TRON Ho1で sponfolz-arg-br sponpolz"

O ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, disse que o Brasil respeita o compromisso da OEA em favor da democracia. Surpresa? Nenhuma. Queriam o quê? Que o general não assinasse a Carta Democrática Interamericana? Ele pode não ser o suprassumo da inteligência, mas bobo também não é.

Setúbal e Stédile

TRIBUNA DA INTERNET | Grande imprensa tenta “apagar” as ofensas de Lula aos  empresários e aos banqueiros

O já falecido banqueiro e ex-chanceler Olavo Setúbal ligou certa vez para Frei Betto, com quem conversava eventualmente “para ouvir gente que pensava de forma diferente” da dele, e perguntou se ele podia levar o João Pedro Stédile para bater um papo. Duas semanas depois se deu o encontro, um almoço na sala do dono do Itaú. O banqueiro perguntou ao líder dos sem terra o que ele achava de Lula. Stédile fez algumas ponderações, reclamando que Lula não cumpria algumas de suas promessas, sobretudo as fundiárias. No que Setúbal emendou: “Lula foi uma decepção. Uma decepção para quem esperava algo dele. Como eu não esperava nada, admito que ele é um gênio”. Com lucros estratosféricos, nenhum banqueiro àquela altura podia mesmo reclamar qualquer coisa de Lula.

E o pato?

Diretor da Fiesp deve R$6,9 bi ao governo

Depois do importante manifesto de empresários e banqueiros em favor da democracia, espera-se finalmente que o pato da Fiesp ganhe a Avenida Paulista portando um cartaz com os dizeres: “Ditadura nunca mais!”.*

(**) Por Ascânio Seleme — Rio – O Globo

SÁBADO, 30 DE JULHO DE 2022

 Who’s Sorry Now

 de Ted Snyder, Bert Kalmar e Harry Ruby

 

Engelbert Wrobel – klarinét, szaxofon/clarinet, saxophone,

Rolf Marx – gitár/guitar,

 Kuno Kürner – zongora/piano,

 Henning Gailing – bőgő/string bass,

Bernard Flegar – dob/drums Vendég/special guest:

Scott Robinson (USA)

HAJA CADEIA

SÓ GENTE FINA

Ato em SP reúne Bolsonaro, Daniel Silveira e Eduardo Cunha no mesmo palanque

Convenção do Republicanos oficializou candidato de Tarcísio de Freitas ao Governo de São Paulo

Pode ser um desenho animado de 2 pessoas e texto que diz "GRANDES EXPOENTES DA FAUNA BRASILEIRA PGR ARAS BICHOPREVARICADOR"

Em abril, após o Supremo condenar Silveira a 8 anos e 9 meses de prisão por ofender e ameaçar ministros da corte, Bolsonaro concedeu o benefício da graça ao deputado, livrando-o do cumprimento da sentença.

Silveira compareceu ao evento com uma camiseta com os nomes de bolsonaristas investigados pelo STF por propagação de fake news e de atos antidemocráticos como Roberto Jefferson, Otoni de Paula e Sérgio Reis, formando a palavra liberdade ao centro.

No mesmo palco, bem mais discreto e perto de Silveira, estava Cunha. Cassado em 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), do qual foi pivô, ele é hoje apoiador de Bolsonaro e poderá buscar um novo mandato como deputado por São Paulo.

Naquele mesmo ano, ele foi preso preventivamente e obteve a liberdade no primeiro semestre de 2021.

A candidatura agora se tornou possível após uma decisão liminar do juiz Carlos Augusto Pires do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) de suspender os efeitos de uma resolução da Câmara que o tornava inelegível até 2027 sob acusação de mentir sobre ter “qualquer tipo de conta” no exterior.*

(**) UOL – SÃO PAULO

QUEM TEM… TEM MEDO

Até onde os industriais paulistas admitem ir em defesa da democracia

Com medo de Bolsonaro

FELIPE RAU/AE
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) preparou para encaminhar aos candidatos a presidente da República uma lista de diretrizes para o próximo governo.

No documento, a entidade menciona a estabilidade democrática e o respeito ao Estado de Direito como “condições indispensáveis para o Brasil superar seus principais desafios”.

Está no texto que ficou pronto nesta semana: “O compromisso com a segurança jurídica é premissa essencial para o futuro de qualquer país na contemporaneidade”.

O que ali está dito não foi consenso dentro da Fiesp. Muitos industriais acham que o governo pode não gostar logo no momento em que Bolsonaro voltou a atacar o sistema eleitoral.

À Folha de S. Paulo, um industrial informou que não existe consenso de que a democracia está ameaçada. Ao saber da reação, o presidente da entidade, Josué Gomes da Silva, espantou-se.

Mandou sua assessoria dizer ao jornal que ficou assustado com a possibilidade de alguém ser contra pedido de democracia e Estado de Direito. Josué é filho de José de Alencar, que foi vice de Lula.*

(**) Ricardo Noblat – Metrópoles

O CANALHA DOS CANALHAS

Sertanejos do jingle de Bolsonaro captaram R$ 1,9 mi pela Lei Rouanet

A lei de incentivo à cultura é criticada pelo próprio presidente e por seus apoiadores. Dupla vai se apresentar na convenção de domingo

Dupla Mateus & Cristiano com Jair Bolsonaro
Reprodução/YouTube
A dupla sertaneja que gravou um jingle para a campanha de Jair Bolsonaro e estará na convenção do PL neste domingo já captou R$ 1,9 milhão por meio da Lei Rouanet, o mecanismo oficial de incentivo à cultura que é duramente criticado pelos bolsonaristas e pelo próprio presidente da República.

Mateus e Cristiano apresentaram a música “Capitão do Povo” a Bolsonaro pela primeira vez no almoço que o presidente teve com o bilionário Elon Musk e outros empresários, em maio. A canção caiu nas graças da militância bolsonarista e já foi usada em um clipe distribuído pela campanha.

Neste domingo, a dupla cantará o jingle na convenção do PL que vai homologar a chapa à reeleição de Bolsonaro com o general Walter Braga Netto como vice, no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.

Apoiadores do presidente, os cantores sertanejos já foram contemplados duas vezes pela Lei Rouanet, que dá isenção fiscal a patrocinadores de iniciativas culturais aprovadas pela Secretaria Nacional de Cultura.

No fim de 2017, ainda no governo de Michel Temer, foi autorizada a captação de R$ 1,7 milhão para a gravação de um DVD da dupla a partir de um show ao vivo e uma turnê com seis apresentações gratuitas. O prazo para captar o dinheiro foi prorrogado duas vezes, a última delas em 2019, já no governo Bolsonaro.

Em 2020, Mateus & Cristiano voltaram a buscar o incentivo da Lei Rouanet para gravar um novo DVD ao vivo, com compilação de canções inéditas e clássicos sertanejos. O valor inicial aprovado pela Secretaria da Cultura, na gestão do então secretário de Cultura Mário Frias, foi de R$ 199 mil.

No início deste ano, a dupla conseguiu um aumento de R$ 25,2 mil no valor de patrocínio para o show, além de prorrogar o prazo de captação do recursos até dezembro.*

(**) Rodrigo Rangel e Fabio Leite – Metrópoles

ALGUÉM ACREDITA NELE?

PT aposta em sociedade civil para conter estratégia de Bolsonaro com urnas

Pode ser um desenho animado de texto que diz "DIA DO JUÍZO FINAL TÁTUDO AQUI ANOTADINHO. VOCÊ NÃO VOTOU NO AMOÊDO อง JOTA JOTACAMELO"

Avaliação é de que a questão extrapola o debate eleitoral entre Lula e o presidente e virou algo suprapartidário

Coordenadores da campanha de Lula com que a CNN conversou apontam que a mobilização da sociedade civil para que haja respeito aos resultados das eleições é o melhor caminho para conter a estratégia do presidente Jair Bolsonaro de contestar uma eventual derrota nas urnas.

A avaliação é de que a questão extrapola o debate eleitoral entre Lula e Bolsonaro e virou algo suprapartidário em que cabe principalmente a sociedade civil se mobilizar para defender seu processo eleitoral.

“A questão do respeito ao resultado não é apenas uma disputa entre Bolsonaro e Lula mas uma questão que envolve um patrimônio da sociedade civil. E já houve nesses dias uma mobilização por parte da sociedade civil nesse sentido que é o caminho ideal. Quem tem de estar à frente não são os partidos nem os candidatos, mas a sociedade civil”, afirmou à CNN o deputado federal Alexandre Padilha.

Para o ex-governador Wellington Dias, um dos coordenadores políticos da campanha, a posição do Congresso nesses dias também é relevante uma vez que parlamentares são eleitos pelo atual modelo.

“Há um movimento em defesa da democracia que engloba líderes dos vários poderes e níveis de governos e ainda uma articulação com o setor privado. Mas uma das referências na linha de frente é o presidente do Congresso”, disse.

Sob reserva, outras lideranças do partido também afirmaram que o caminho ideal é deixar que a própria sociedade civil se mobilize em defesa do modelo, o que de fato vem acontecendo desde a reunião de Bolsonaro com embaixadores na segunda-feira.

Mais de 70 entidades em diversas áreas reafirmaram a confiança no processo eleitoral e a necessidade do respeito às urnas. Além disso, como revelou a CNN, a principal entidade empresarial do país também incluiu em seu documento com propostas aos presidenciáveis a necessidade de compromisso com a democracia e o resultado eleitoral.

CNN também mostrou que um ato, que envolve empresários, entidades civis e jurídicas, está sendo organizado para o dia 11 de agosto da Faculdade de Direito da USP.

O comando da campanha petista avalia que a fala de Bolsonaro acabou gerando uma coalizão informal que de certo modo acabou sendo positiva para Lula, uma vez que fez com que o setor privado, que tem resistência a um novo governo do petista, posicionou-se claramente em favor do respeito ao resultado eleitoral. Na visão de lideranças petistas, o movimento acabou por afastar empresários de Bolsonaro.

Petistas, contudo, avaliam que ainda é preciso trabalhar a campanha como se fosse uma eleição perdida, o que significa ampliar a mobilização nas ruas, inclusive do próprio Lula. Até para se contrapor às manifestações que estão sendo organizadas pelos bolsonaristas, agendadas para o dia 31 de julho e para o dia 7 de setembro.

Debate

CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.*

(**) Caio Junqueira da CNN

TÁ TUDO DOMINADO

Exército cancela autorização para membro do PCC comprar fuzil

Criminoso havia obtido certificado de registro de CAC mesmo com 16 processos nas costas, incluindo homicídio qualificado e tráfico de drogas

Capa da notícia

O Exército anunciou nesta sexta (22) ter cancelado o certificado de registro de CAC (caçador, atirador e colecionador) do integrante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) que conseguiu, depois de obter o documento, comprar um fuzil (foto) e outras seis armas, informa a Folha.

O criminoso conseguiu o certificado de registro para adquirir as armas mesmo sendo alvo de 16 processos criminais, incluindo indiciamentos por homicídio qualificado e tráfico de drogas.

“Em consonância ao normativo legal que regula o assunto, o CR foi imediatamente suspenso após o recebimento das informações sobre o caso e, posteriormente, definitivamente cancelado”, declarou a Força na nota divulgada hoje.

O caso foi descoberto pela Polícia Federal, que apreendeu as armas em Uberaba (MG) na quinta-feira da semana passada (14). Antes de anunciar o cancelamento do registro de CAC, o Exército alegou que a responsabilidade pela documentação era do “interessado”. (*)

(*) O Antagonista