NOVIDADE?

Mein Got

cartinha ao ignaro

 

O ex-ministro do STF, Marco Aurélio Mello, declarou em entrevista que “Não imagino uma alternância para ter como presidente da República aquele que já foi durante oito anos presidente e praticamente deu as cartas durante seis anos no governo Dilma Rousseff (PT). Penso que potencializaria o que se mostrou no governo atual e votaria no presidente Bolsonaro, muito embora não seja bolsonarista.”.

Como é possível que uma pessoa que passou a vida lidando com Direito diga tal estultice? Como pôde dizer isso a respeito de uma pessoa que desconhece padrões éticos e morais? Equivale ao apoio que o ignaro ignóbil tem de “evangélicos”, turma que segue quem nega tudo que está nos livros que creem ser sagrados.

Mello fez o mesmo com os códigos, nega tudo o que está neles, pôs em dúvida todos os julgamentos de que participou. Não nega carregar o DNA da família, é primo de Fernando Collor de Mello e sobrinho de Arnon de Mello, o senador que matou um colega em pleno Congresso…*

(**)  Cacalo Kfouri  – Chumbo Gordo

ME ENGANA QUE EU GOSTO

Exclusivo: há um escândalo por trás da história do hacker

Walter Delgatti, que chegou a se reunir com Jair Bolsonaro, quer dinheiro para virar um “elemento-chave” da corrida presidencial

Pode ser um desenho animado

Em campanhas eleitorais é comum estourarem escândalos de dossiês, grupos clandestinos de espionagem e afins. O esforço dos comitês, claro, é sempre no sentido de reunir elementos capazes de desestabilizar adversários e, com isso, atrair votos. Mas quase sempre as coisas descambam para impropriedades ou para ilegalidades flagrantes.

Para ficar em apenas algumas confusões rumorosas da crônica política recente, vale lembrar dos aloprados ligados ao PT que tentaram comprar um dossiê na campanha paulista de 2006 para atingir o tucano José Serra, então candidato a governador. A trama virou caso de polícia. Quatro anos depois, em 2010, veio à tona a existência de um grupo de inteligência montado para servir à campanha de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto. A tropa era financiada por um empresário com contratos no governo.

Nesta semana, a jornalista Andréia Sadi, da TV Globo, revelou a aproximação da campanha de Jair Bolsonaro com o hacker Walter Delgatti, preso em 2019 e depois denunciado como o ponta de lança do roubo de mensagens do Telegram que expôs a força-tarefa da Operação Lava Jato e abriu caminho para as decisões judiciais que resultaram na reabilitação política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

É um escândalo, e o ponto crucial é o seguinte: o hacker quer dinheiro, e está se vendendo como um personagem capaz de interferir no jogo eleitoral.

Viagem de carro até Brasília

O ressurgimento de Delgatti no noticiário, com direito a reunião fora de agenda com o próprio Bolsonaro no Palácio da Alvorada, vem sendo tratada até aqui como algo insólito, curioso. Mas é muito mais do que isso. Trata-se do primeiro episódio conhecido de alopragem da atual campanha presidencial – e poucos se deram conta disso, talvez porque o entorno do presidente da República percebeu o potencial de dano e correu para interromper a maquinação. Só que pode ter sido tarde.

À coluna, fontes bem-posicionadas na campanha de Bolsonaro admitiram que o hacker se aproximou dizendo estar precisando de dinheiro e mostrando-se disposto a fazer o que fosse preciso desde que fosse bem remunerado.

A volta de Delgatti a Brasília começou a ser pavimentada a partir de um encontro que ele teve com a deputada bolsonarista Carla Zambelli em Ribeiro Preto, no interior de São Paulo. Na ocasião, o hacker disse que estava se sentindo abandonado pelo PT e se mostrou interessado em ajudar na campanha de Bolsonaro, a depender da “ajuda” que recebesse. Zambelli respondeu que poderia resolver a parada.

Ela pediu, depois, para Delgatti encontrá-la em Brasília nesta semana. Acompanhado de Ariovaldo Moreira, o advogado encarregado de defendê-lo desde a eclosão da chamada Vaza Jato, o hacker viajou de carro do interior de São Paulo até a capital federal. A viagem, feita por terra para ser mais discreta, foi providenciada por Zambelli. Um filho do advogado acompanhou a dupla.

Ao chegar, no domingo à noite, eles foram acomodados em um hotel modesto vizinho à sede nacional do PL, partido de Jair Bolsonaro e de Zambelli, na região central de Brasília. Assim como o carro usado na viagem, foi a deputada bolsonarista que se encarregou da hospedagem. Zambelli ficou de encontrá-los na segunda. Não conseguiu.

O real objetivo da “parceria”

Na terça, o hacker e o advogado foram chamados à sede do PL. Com Zambelli e o irmão dela, Bruno, candidato a deputado estadual em São Paulo, eles se reuniram com ninguém menos que Valdemar da Costa Neto, o chefão do PL. Participou ainda da reunião o marido da deputada, o coronel Antônio Aginaldo de Oliveira. Na sequência, o hacker falou com Duda Lima, marqueteiro da campanha de Bolsonaro.

A conversa girou em torno da contribuição que Walter Delgatti poderia dar à campanha de Bolsonaro. A parte da reunião que veio a público até agora é um tanto rósea, e tem sido tratada como algo quase banal: por seu suposto conhecimento sobre sistemas eletrônicos, ele daria impulso ao discurso de Bolsonaro contra as urnas. Balela, até porque quem conhece Delgatti de perto o define muito mais como estelionatário do que propriamente como um hacker habilidoso.

Além disso, circulou a versão de que ele teria mensagens ainda inéditas com potencial de atingir o PT e até ministros de tribunais superiores com os quais Bolsonaro vive em pé de guerra – essa versão é negada por pessoas próximas ao próprio Delgatti e por quem atuou na investigação do roubo de mensagens pelo hacker.

O verdadeiro interesse dos bolsonaristas, porém, estaria em uma terceira questão: a depender das garantias que lhe fossem dadas e do quanto a campanha de Bolsonaro se mostrasse disposta a socorrê-lo financeiramente, Delgatti poderia falar – sabe-se lá se com verdades ou mentiras – sobre como se tornou peça-chave da Vaza Jato.

As declarações teriam potencial de criar embaraços para Lula e para o PT, fazendo barulho em torno justamente da história que foi fundamental para colocar o petista em condições de disputar as eleições deste ano. Por exemplo, ele poderia dizer publicamente se foi bancado pelo partido de Lula ou por aliados. Criaria uma confusão monumental.

O rompimento com o advogado

Na incursão desta semana por Brasília, houve desentendimentos no caminho. O hacker e o advogado romperam por divergências relacionadas à parceria com a campanha de Bolsonaro. O motivo da discórdia é mantido em segredo pelo defensor. Ariovaldo Moreira e o filho retornaram a São Paulo. Delgatti ficou.

O plano avançou mesmo assim, e seguiu para um ponto inimaginável. Zambelli e os demais envolvidos colocaram o hacker frente a frente com Jair Bolsonaro, dentro do Alvorada, em um movimento que seria considerado temerário pelo staff de segurança presidencial de qualquer país minimamente sério – além de ser um condenado pela Justiça ainda cumprindo pena pelos crimes cometidos ao invadir o Telegram de dezenas de autoridades da República, Delgatti até outro dia era festejado pelos principais adversários de Bolsonaro. Como a avaliação reinante até então era a de que a aproximação valeria à pena do ponto de vista eleitoral, o esforço foi levada adiante.

O medo da campanha e a operação-abafa

A alopragem não avançou porque o núcleo da campanha de Bolsonaro se deu conta de que a história poderia se voltar contra o presidente e correu para colocar em marcha a operação-abafa – até agora bem-sucedida, porque as reais intenções da parceria com o hacker não haviam sido ainda expostas.

A favor da decisão de suspender o plano, pesou ainda a hipótese de o hacker estar fazendo jogo duplo, a serviço da campanha rival – por hipótese, ele bem que poderia ser um Cavalo de Tróia enviado para, depois, expor as ofertas recebidas do comitê bolsonarista.

Como parte da operação-abafa, Carla Zambelli foi orientada a submergir e a não falar sobre a trama. Agora, a campanha de Bolsonaro age para circunscrever a ela a iniciativa. “Temos uma aloprada”, diz em privado um integrante do comitê, a despeito de o hacker ter sido recebido por Valdemar da Costa Neto, o “dono”do PL, e pelo próprio Bolsonaro.

De um jeito ou de outro, Walter Delgatti saiu ganhando, e está em condições de conseguir o que queria. Ele agora é um homem-bomba que pode ser usado na campanha por um lado ou por outro. Pode explodir para beneficiar Bolsonaro, com a eventual retomada do plano interrompido, ou pode explodir para beneficiar Lula, se resolver falar sobre as conversas (e as propostas) que o trouxeram nesta semana a Brasília e o colocaram diante do presidente da República.

Atualização — Após a publicação da reportagem, a deputada Carla Zambelli afirmou que Walter Delgatti não lhe pediu dinheiro. A coluna mantém todas as informações publicadas.*

(**) Rodrigo Rangel – e  Fabio Leite – Metrópole

OS TIMES JÁ ESTÃO ESCALADOS

Dinheiro entra

Estelionato eleitoral é crime? Entenda tudo neste post do Politize!

A partir de agora, vale tudo para as eleições. O Auxílio Brasil de R$ 600, o vale-gás, o auxílio-caminhoneiro e o auxílio-taxista já entram na conta dos beneficiários. Na opinião dos governistas, os auxílios diversos ajudarão Bolsonaro a crescer nas pesquisas eleitorais.

Cartas em jogo

Charge Renato Peters - Socorro (Foto: Renato Peters)

Amanhã, três documentos em defesa da democracia e das eleições: a Carta aos Brasileiros; o documento da Fiesp; o manifesto pró-democracia e em defesa das urnas eletrônicas da OAB. Há também a carta de advogados bolsonaristas criticando o Supremo.

(**) Coluna Carlos Brickman, no   Chumbo Gordo

O MAIS SÓRDIDO DOS POLÍTICOS BRASILEIROS

Pode ser um desenho animado de texto que diz "BRASIL, 2023 FILHÃO, QUANTOS VIERAM PRA VIGÍLIA BOZO LIVRE? ATÉ AGORA NINGUÉM, PAI MINHA CONGE TÁ FAZENDO VIGÍLIA PRA MIM CALAA BOCA! FOI VOCÊ QUE ME CONVENCEU A FAZER 0 POWERPOINT ME METEU NESTA MERDA"

O ex-decano do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello disse à equipe da coluna que os atos em defesa da democracia e do Estado de Direito que serão realizados nesta quinta-feira (11) na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, marcarão “um dia glorioso na luta pela democracia, pela liberdade e contra o obscurantismo retrógrado de um ditador travestido de político”.

O evento deve reunir cerca de 8 mil pessoas e marcará o lançamento da “Carta aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito” que já reuniu mais de 865 mil assinaturas, entre elas a do próprio Celso de Mello e de outros nove ex-ministros do STF.

O presidente já disse que não precisa de “nenhuma cartinha” para defender a Constituição – ainda que ele mesmo tenha feito isso em 2018, para tentar apaziguar a relação com o STF, após o deputado federal Eduardo Bolsonaro (então no PSL) falar que bastavam um cabo e soldado para fechar o tribunal.

Em mensagem enviada à coluna, Celso de Mello também criticou uma declaração de Bolsonaro, que disse em uma live que, se Lula for eleito, o petista vai transformar clubes de tiro em bibliotecas.

“O presidente da República (que julga ser um monarca absolutista ou que pretende ser um contraditório ‘monarca presidencial’), ao sugerir que sua derrota no processo eleitoral importará, caso haja vitória de Lula, em substituição de clubes de tiro por bibliotecas , tornou-se, inequivocamente , com tal afirmação, o Sumo Sacerdote que desconhece tanto o valor e a primazia da vida, dos livros e da cultura em geral quanto o seu dever ético de celebrá-los incondicionalmente”, escreveu o ex-decano do STF.

Para Celso de Mello, a “absurda” e “horrenda” visão de mundo de Bolsonaro equivale à “repulsiva fala necrófila (“ Viva a morte; abaixo a inteligência ”) pronunciada no passado, em tempos ominosos, logo no início da Guerra Civil espanhola, em 1936, contra o grande escritor e intelectual espanhol Miguel de Unamuno, então Reitor da Universidade de Salamanca, pelo general Millán Astray, seguidor falangista fiel ao autocrata (e impiedoso) Francisco Franco”.

Na avaliação de Celso de Mello, a preferência de Bolsonaro por armas e clubes de tiro, em detrimento de bibliotecas, “demonstra que o presidente de nosso País revela supina ignorância quanto a antigo (e sábio) adágio, de formulação atribuída a diversos autores, segundo o qual “A pena é mais poderosa do que a espada .”

Mesmo aposentado, o ex-decano mantém forte influência sobre o STF, seja na forma de seus precedentes pró-democracia, minorias e direitos fundamentais, seja atuando como conselheiro de integrantes do tribunal, como a ministra Rosa Weber.*

(**) Por Rafael Moraes Moura — Brasília – O Globo

SEMPRE DESMORALIZANDO O PAÍS

Exército diz que não indicará novo membro para comitê de fiscalização do TSE

A Corte expulsou o coronel Ricardo Sant’Anna da equipe por disseminar, em suas redes sociais, desinformação sobre as urnas eletrônicas
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O Exército informou, em nota divulgada nesta quarta-feira (10), que não indicará um novo membro para compor o comitê de fiscalização do TSE para as eleições deste ano, após a expulsão do último indicado na semana passada.

O coronel Ricardo Sant’Anna foi removido do grupo por disseminar em suas redes sociais desinformação sobre as eleições, em especial a urna eletrônica.

Leia a nota na íntegra:

Em relação às notícias veiculadas a respeito do “descredenciamento” de um militar do Exército Brasileiro, integrante de equipe técnica do Ministério da Defesa (MD) junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Centro de Comunicação Social do Exército informa que:

1 – O trabalho da equipe das Forças Armadas, particularmente dos representantes do Exército Brasileiro, é eminentemente técnico e realizado de forma coletiva por seus integrantes, além de ser estritamente institucional, como se supõe que devam ser os trabalhos de todas as demais equipes participantes do processo.

2 – A participação de técnicos do Exército na equipe do MD segue rigorosamente as normas e as prerrogativas legais estabelecidas e legitimadas pela própria Resolução do TSE nº 23.673, de 14 de dezembro de 2021, que dispõe sobre os procedimentos de fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação. Assim, não há interferências das posições pessoais dos integrantes nas tarefas das equipes, sendo o trabalho realizado de forma profissional e isenta.

3 – Especificamente em relação ao oficial, cabe destacar que foi selecionado mercê de sua inequívoca capacitação técnico-científica e de seu desempenho profissional.

4 – Todavia, após tomar conhecimento das notícias veiculadas, já no final da semana passada, o Exército, como usualmente faz nesses casos, buscou esclarecer os fatos antes de tomar quaisquer providências, eventualmente precipitadas ou infundadas.

5 – Baseado em “apuração da imprensa” e de forma unilateral, sem qualquer pedido de esclarecimento ou consulta ao Ministério da Defesa ou ao Exército Brasileiro, o TSE “descredenciou” o militar. Dessa forma, o Exército não indicará substituto e continuará apoiando tecnicamente o MD nos trabalhos julgados pertinentes.

6 – O Exército tem consciência de suas atribuições e da isenta competência técnica, da dedicação e do comprometimento de seus profissionais.

7 – Por fim, cabe ressaltar que o Exército Brasileiro, Instituição Nacional e Permanente, sempre participou nas ações de Garantia de Votação e Apuração, seja em aspectos de segurança, seja no apoio logístico, particularmente, nos rincões mais distantes do País.*

(**) Redação O Antagonista

E VIVA O BANANÃO

BOÇALIDADE SEM LIMITE

Pode ser um desenho animado de texto que diz "A POLÍCIA DO PENSAMENTO É INADIMISSÍVEL QUE NO BRASIL DE HOJE AINDA EXISTA ESSE TIPO DE COISA POR ISSO QUE EU DIGO: PRECISAMOS DENUNCIAR ESSAS CHARGES DE MAU GOSTO LOVE LOVE æ JOTACAMELO"

“Por muito tempo, [o Palácio do Planalto] foi um lugar consagrado a demônios. Hoje, é consagrado ao senhor Jesus. Ali, eu sempre falo para ele [Bolsonaro], quando entro na sala dele: essa cadeira é do presidente maior, é do rei que governa essa nação”. (Michelle Bolsonaro)

PROVOCADORES JURAMENTADOS

Exército planejava substituição de coronel que teria divulgado fake news; Defesa viu decisão do TSE como ‘intempestiva’

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Autoridades que estão à par da movimentação disseram à CNN, em caráter reservado, que um novo nome seria encaminhado ao TSE ainda nesta segunda-feira (8)

O Exército estava planejando substituir o coronel Ricardo Sant’Anna do grupo de fiscalização do processo eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo relatos feitos à CNN. Os recados que chegaram à Corte foram o de que a atitude do militar – apontado por divulgar fake news – estaria envergonhando as Forças Armadas.

Autoridades que estão à par da movimentação disseram à CNN, em caráter reservado, que um novo nome seria encaminhado ao TSE ainda nesta segunda-feira (8) e, por esse motivo, o ofício encaminhado ao ministro Paulo Sérgio Nogueira foi visto como ‘intempestivo’ dentro do ministério da Defesa. Não há, no entanto, definição a respeito de quem será indicado ao tribunal.

No documento, assinado pelo presidente do TSE, Luiz Edson Fachin, e pelo vice-presidente do tribunal, Alexandre de Moraes, a Corte informa que o coronel será excluído do grupo por divulgar nas redes sociais fake news sobre as urnas eletrônicas.

CNN apurou que, embora não seja usual a assinatura conjunta, Moraes decidiu chancelar a decisão de Fachin para fortalecer o gesto do atual presidente da Corte. O ministro, que assumirá o TSE no próximo dia 16, quis mostrar que, embora tenha uma relação mais próxima com as Forças Armadas, não admitirá falta de respeito com a Justiça Eleitoral.

No TSE, a avaliação é a de que, cada vez mais, há um descompasso entre Paulo Sérgio Nogueira e as cúpulas das Forças Armadas.

“Cumprimentando-o, trago ao conhecimento de Vossa Excelência notícia veiculada a respeito de um dos militares designados como representante de fiscalização por esse Ministério, a saber, o Coronel do Exército Ricardo Sant’Anna, segundo a qual perfis por ele mantidos em redes sociais disseminaram informações falsas a fim de desacreditar o sistema eleitoral brasileiro”, diz o ofício.

Segundo militares disseram à CNN, a decisão do Exército de substituir Sant’Anna no grupo se deu com o propósito de manter uma boa relação com o TSE e evitar novos atritos. Um general afirmou, no entanto, que a recíproca do tribunal “não parece ser a mesma”.

A avaliação no Ministério da Defesa foi a de que, a decisão da Corte eleitoral não estaria seguindo os princípios do direito e do Estado democrático, uma vez que, de acordo com o entendimento de parte dos militares, o ideal seria ter havido uma investigação sobre as notícias a respeito da atuação de Sant’Anna nas redes.

No ofício desta segunda, o TSE menciona reportagem do portal Metrópoles, que na última sexta-feira (5) revelou “mensagens compartilhadas pelo coronel rotuladas como falsas e que se prestaram a fazer militância contra as mesmas urnas eletrônicas que, na qualidade de técnico, este solicitou credenciamento junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fiscalizar”.

Segundo a Corte, a resolução que trata das entidades fiscalizadoras prevê que “as entidades fiscalizadoras apresentarão as pessoas que as representam para credenciamento pela Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE (STI/TSE) no ato de seu primeiro comparecimento ao Tribunal”.

“Notadamente, a regra prevê o credenciamento daqueles que frequentarão as dependências do TSE para examinar a especificação e o desenvolvimento dos sistemas eleitorais, considerando a necessidade de segurança e de isenção dos que se arvoram como fiscalizadores”, explica a Corte.

O TSE também afirmou à Defesa que “a posição de avaliador da conformidade de sistemas e equipamentos não deve ser ocupada por aqueles que negam prima facie o sistema eleitoral brasileiro e circulam desinformação a seu respeito”.

“Tais condutas, para além de sofrer reprimendas normativas, têm sido coibidas pelo TSE através de reiterados precedentes jurisprudenciais”, diz o documento.

Segundo a reportagem do Metrópoles, um vídeo compartilhado pelo coronel compara o exercício do voto à compra de um bilhete de loteria. No esquete, um homem pede o comprovante impresso do seu jogo na loteria e se revolta ao ouvir do funcionário que ele precisa “confiar no sistema”.

“A elevada função de fiscalização do processo eleitoral há que ser exercida por aqueles que funcionam como terceiros capazes de gozar de confiança da Corte e da sociedade, mostrando-se publicamente imbuídos dos nobres propósitos de aperfeiçoamento do sistema eleitoral e de fortalecimento da democracia”, afirma o TSE.*

(**) Thais Arbex da CNN