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Estudo diz que Brasil avançou menos que outros emergentes

 

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Estudo elaborado por três economistas ataca os resultados obtidos pelo Brasil ao longo dos primeiros dez anos da administração petista no governo federal.

Intitulado “A Década Perdida: 2003-2012”, o trabalho aponta que indicadores econômicos e sociais do país apresentaram melhora no período, contudo, na maioria dos casos, o progresso obtido por países comparáveis ao Brasil foi maior.

O texto foi publicado pela PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio), berço da equipe que elaborou o Plano Real e conduziu a política econômica no governo de Fernando Henrique Cardoso.

“O Brasil avançou, mas poderia ter avançado muito mais. Nesse sentido, a década foi perdida”, escrevem Vinicius Carrasco e Isabela Duarte, da PUC-Rio, e João Manoel Pinho de Mello, do Insper (instituto de ensino e pesquisa em economia).

Para sustentar a tese, os autores examinaram a evolução de diferentes dados –como renda por habitante, produtividade, comércio exterior, infraestrutura, desemprego, escolaridade, gasto em saúde, desigualdade social e taxa de homicídios.

Cada resultado foi comparado com os obtidos por países emergentes cujo desempenho era semelhante ao brasileiro até 2002 –ou seja, antes de o PT chegar ao Palácio do Planalto. Assim, o grupo selecionado varia de indicador para indicador. No caso da inflação, por exemplo, a comparação é com China, Hungria, Peru, Turquia e África do Sul –e o Brasil sai perdendo.

É o que ocorre na grande maioria dos quadros expostos ao longo das 136 páginas do estudo, que pode servir como uma espécie de enciclopédia para as candidaturas de oposição. No texto, argumenta-se que, nos anos petistas, o país foi beneficiado por elevação aguda dos preços de seus produtos de exportação, mais favorável que a experimentada pelos países selecionados.

Também houve a ajuda decisiva das transformações demográficas do período, quando cresceu a proporção de adultos produtivos na população, com queda do número de crianças. Para os autores, o Brasil não aproveitou tanto quanto poderia essas duas vantagens transitórias, chamadas no trabalho de “manás”.

Os principais feitos do país no período estão no mercado de trabalho, com o aumento da população empregada e da participação dos salários na renda nacional, superando com folga os emergentes adotados para comparação.

“No entanto, concomitantemente à incorporação de mais pessoas à força de trabalho, a produtividade do trabalho se estagnou e a falta de mão de obra qualificada se acentuou”, diz o texto. Na área social, outro trunfo político petista, os cálculos apresentados no estudo apontam que a queda da pobreza foi inferior à do grupo de países selecionados –Honduras, Peru e Paraguai.

Procurada pela Folha, a Presidência da República não comentou os dados do estudo até a conclusão desta edição.

DÉCADA PETISTA (*)

Foi pior – Renda per capita – Produtividade (produção média por trabalhador) – Escolaridade – Segurança pública

Foi igual -Desenvolvimento Humano

Foi melhor – Mercado de trabalho – Produção de petróleo

(*) Na comparação do Brasil com outros países emergentes*

(*) GUSTAVO PATU – DE BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO

INACREDITÁVEL…

Estado aparelhado

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BRASÍLIA – Alguém usou a rede de internet do Palácio do Planalto para alterar verbetes de políticos e de jornalistas na Wikipédia, a enciclopédia colaborativa on-line cujos textos podem ser editados livremente.

Ontem (8), o repórter Paulo Celso Pereira revelou que os jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg foram alvo dessas alterações. Seus perfis foram enxertados com críticas, ataques e mentiras sobre o trabalho que exercem.

O vandalismo cibernético praticado dentro da Presidência é incompatível com os valores republicanos. Há algo de muito errado num ambiente estatal no qual alguém se sente à vontade para fazer ataques a jornalistas. A pessoa que teve a “ideia” de entrar na Wikipédia (se é que foi uma iniciativa isolada) sentia-se, com certeza, tranquila ao agir dessa forma.

Mas há outro ângulo menos político, porém não menos relevante: a incapacidade gerencial do governo. O Planalto soltou uma nota informando ser “tecnicamente impossível identificar os responsáveis”. Os conteúdos da rede de internet da Presidência, “até julho deste ano, eram arquivados por no máximo seis meses”. Como o vandalismo ocorreu em maio de 2013, nada poderia ser feito para achar o vândalo. Ponto final.

Essa explicação é raquítica perto da magnitude do fato. Como é possível a Presidência da República da 7ª (ou 6ª ou 8ª) economia do mundo não guardar registros de seus computadores por mais de seis meses? Se o perfil de Dilma Rousseff na Wikipédia fosse adulterado, a presidente aceitaria a desculpa do Planalto?

Arquivar tais dados custa quase nada. A incompetência dos responsáveis por apagar as informações será averiguada? No final do dia, o governo recuou e disse que iria investigar. Como, ninguém sabe.

Na sua nota, o Planalto diz que “a liberdade de imprensa é um dos pilares da nossa democracia”. Falar é fácil. Difícil é promover esse tipo de valor dentro da administração.*

(*) Fernando Rodrigues – Folha de São Paulo

LEGADO DA COPA

Apagão

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Agora vai ter Copa!… Só que em outro campo: no setor elétrico — diz-me fonte do setor elétrico sobre a manchete do GLOBO de ontem, que prevê um aumento de 24% nas tarifas.

O governo federal está praticamente pagando uma segunda Copa do Mundo, com o valor destinado às distribuidoras de energia para cobrir um rombo “padrão Fifa”.

Só este ano, o empréstimo feito a essas companhias já soma R$ 23,3 bilhões; valor um pouco menor do que teria sido gasto com a Copa.

O mercado comenta que isso pode ser para evitar a lembrança do “apagão” de 7×1.*

(*) Jorge Moreno, O Globo.

POBRE BRASIL…

OS EPISÓDIOS QUE SÓ CONFIRMAM A VOCAÇÃO AUTORITÁRIA DESTE GOVERNO

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Este governo não se emenda. Ele pode até tentar, mas não consegue esconder a sua vocação para o autoritarismo. Ele a revela periodicamente. Já não lhe satisfazem mais, apenas, o apoio, até mesmo financeiro (como ocorre por meio dos milhares de médicos cubanos), a regimes ditatoriais. Agora, faz questão de demonstrar essa vocação em episódios menos significativos, como o que envolveu a imagem do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro: a ministra Marta Suplicy teria ameaçado retirar da Igreja Católica a guarda (que só lhe dá despesas) da imagem se a polêmica proibição do seu uso (que, aliás, não precisava nunca ter acontecido) em filme do cineasta José Padilha sobre o Rio não fosse revogada.
Mas é, com certeza, o recente episódio do Santander a mais emblemática demonstração desse modelo de ditatorialismo, ao qual se alinham seus principais líderes, a começar pelo palavroso presidente do PT, Rui Falcão. Ele se nivela a tantos outros facilmente identificáveis. Basta um rápido olhar sobre sua história para se concluir que sua atuação, nas últimas três décadas, em diversas oportunidades, foi sempre contra o regime democrático e, portanto, contra – repito pela enésima vez – o nosso mais importante e precioso bem – a liberdade.
Ao tomarem conhecimento de um relatório do banco Santander, enviado aos seus clientes de alta renda, a presidente Dilma Rousseff e, também, o ex-presidente Lula da Silva, com o apoio da sua tropa de choque, de novo à frente o verboso Rui Falcão, saíram quase que de arma em punho exigindo a demissão da analista que teria sido sua autora. Mas, afinal, que dizia mesmo esse relatório? Absolutamente nada além do que o país já sabia de norte a sul: quando, nas intenções de votos, a presidente subia nas pesquisas de opinião, a bolsa caía, mas, ao contrário, quando ela caía nas intenções de votos, a bolsa subia. Para eles, o país acabara de ser vítima de uma conspiração estrangeira…
CASO PASADENA
Mas o grau de atrevimento do déspota jamais tem limites. Depois de Dilma Rousseff – que, na época, não era presidente da República, mas ministra de Estado e, ao mesmo tempo, presidente do Conselho Administrativo da Petrobras – ter sido excluída, injusta e ilegalmente, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), de qualquer responsabilidade na aquisição, pela estatal, da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos; depois de a presidente da Petrobras, Graça Foster, não ter sido incluída pelo despótico Tribunal, ao lado de outros diretores, como responsável pelo mau negócio; e, enfim, como se não bastasse tudo isso, surge, agora, de supetão, uma nova denúncia: os investigados pela CPI da Petrobras a cargo do nosso “excelso” Senado Federal, além de receberem com antecedência as perguntas previamente preparadas, foram treinados para respondê-las.
Segundo o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo S. Barrocas, as perguntas teriam sido formuladas pelo assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Paulo Argenta, pelo assessor da liderança do governo no Senado, Marcos Rogério de Souza, e pelo assessor da liderança do PT na mesma Casa, Carlos Hetzel.
No último programa “Roda Viva”, a atriz e autora teatral Jandira Martini perguntou ao ator e dramaturgo Juca de Oliveira sobre o motivo da ausência, hoje, nas peças de teatro, do assunto “política”. “A corrupção, atualmente, respondeu Juca, se tornou absolutamente vulgar. Teria que refazer o meu texto todo santo dia…”.
Para bom entendedor, um pingo é letra…*
(*) Acílio Lara Resende – Tribuna da Imprensa Online

TITANIC BRASIL

Inflação firme, indústria fraca,

país sem rumo

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Sem tarifaço, mas também sem crescimento econômico, o Brasil da presidente Dilma Rousseff acumulou de janeiro a julho inflação de 3,76%. Essa taxa é maior que a prevista para o ano inteiro em vários vizinhos mais dinâmicos – Chile, Colômbia, Equador e Peru. Até o fim do ano a inflação brasileira baterá também, se nenhuma grande surpresa ocorrer, a do Paraguai e a do México, segunda maior economia latino-americana. Por enquanto, o governo pode alardear mais um bom resultado parcial. No mês passado, a taxa caiu para 0,01%. A queda foi causada principalmente pelo recuo dos preços dos alimentos e pelo ajuste pós-Copa, observado, por exemplo, nas tarifas de transporte aéreo. A variação acumulada em 12 meses ficou em 6,5%, no limite da margem de tolerância.

O acumulado poderá diminuir até dezembro, mas continuará bem acima da meta, 4,5%. Para evitar um impulso maior o governo continuará contendo as tarifas de eletricidade. Poderá permitir ajustes limitados. Enquanto isso, as distribuidoras de energia, socorridas com novo empréstimo de R$ 6,6 bilhões, acumularão novas dívidas.

Haverá um repique da inflação, depois de alguns meses de recuo. Isso ocorreu em todos os anos a partir de 2010. No ano passado foi em agosto, quando a taxa passou de 0,03% para 0,24%. Neste ano, os economistas do mercado previram também para agosto o começo da nova aceleração. Poderão errar por um mês, dificilmente por dois. Os fatores inflacionários mais importantes continuam presentes. A gastança federal permanece, o crédito aumenta e o governo manteve os estímulos fiscais ao consumo. Ainda haverá muito alimento para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a referência oficial para a política anti-inflacionária. Falta saber se os juros básicos de 11% ao ano ainda produzirão efeitos e se a piora das condições de emprego assustará os consumidores e ajudará a frear os preços.

A queda de qualidade do emprego é indiscutível. A melhor empregadora, a indústria, continua demitindo. Além disso, as condições de ocupação nas fábricas estão mais precárias. No setor automobilístico, a adoção do lay-off – suspensão temporária de contratos – aumentou a insegurança. A criação de vagas tem ocorrido principalmente no comércio e nos serviços – mas a maior parte dos serviços, no Brasil, oferece condições de ocupação muito diferentes das observadas nos países desenvolvidos. O chamado emprego decente ainda é encontrado principalmente na indústria, na administração pública e no setor financeiro.

O emprego industrial aumentou 1% em 2011, diminuiu 1,4% em 2012 e encolheu mais 1,1% no ano seguinte. A redução continuou este ano. No primeiro semestre, o número de ocupados na indústria foi 2,3% menor que entre janeiro e junho do ano passado. Em junho, foi 0,5% menor que em maio e 3,1% inferior ao de um ano antes. Estes números foram divulgados na sexta-feira, pouco antes dos novos dados da inflação oficial, no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar disso, a folha de pagamento real da indústria, embora tenha diminuído em junho, ainda foi, no primeiro semestre, 1,3% maior que entre janeiro e junho do ano passado. O aumento do salário médio, portanto, superou a inflação, embora o pessoal empregado tenha diminuído. Isso se explica principalmente pela baixa oferta de mão de obra qualificada ou mesmo qualificável.

Mas o aumento real de salários e de outros custos continua afetando o poder de competição da maior parte da indústria. Apesar do forte estímulo ao consumo, a produção industrial ficou estagnada durante o atual governo. Aumentou 0,4% em 2011, diminuiu 2,3% em 2012 e cresceu apenas 2% em 2013, sem voltar ao nível de dois anos antes. No primeiro semestre deste ano ficou 2,6% abaixo do registrado até junho do ano passado.

Para a indústria a inflação alta dos últimos anos traduziu-se principalmente em custos cada vez maiores. O salário real cresceu mais que a produtividade. Os custos logísticos aumentaram, assim como o peso da burocracia estatal e dos encargos administrativos. O câmbio oscilou, mas a maior parte das fábricas foi incapaz de competir no mercado internacional mesmo nas fases de depreciação do real, quando os produtos brasileiros deveriam ficar mais baratos em dólares.

A inflação elevada atrapalhou duplamente. O efeito indireto foi a elevação de custos. O indireto ocorreu quando o Banco Central interveio no mercado para frear a valorização do dólar e atenuar os efeitos inflacionários do câmbio. Num país com inflação mais civilizada o desajuste cambial, para começar, seria menor ou nulo. Além disso, uma eventual valorização do dólar seria muito menos perigosa para a estabilidade de preços. No Brasil, o Banco Central foi criticado por intervir no câmbio para prevenir uma inflação maior. Os críticos podem ter alguma razão. Mas teriam sido mais eficientes se tivessem, há mais tempo, condenado a tolerância à inflação e cobrado medidas mais fortes e mais sérias contra o desajuste de preços.

O combate à inflação tem dependido só do Banco Central, enquanto o governo mantém o gasto excessivo e o uso ineficiente de recursos públicos. Além disso, a política industrial tem consistido, há muitos anos, de uma combinação ineficiente de protecionismo, favores a grupos e segmentos selecionados e estímulos ao consumo. Tudo isso se combinou com uma diplomacia econômica de centro acadêmico. Em 2002, as vendas de manufaturados corresponderam a 54,71% das exportações brasileiras. No ano passado essa fatia estava reduzida a 38,44%. Em parte por indução, em parte por simples comodismo, a indústria se ajustou ao papel de fornecedora do Mercosul e de mais uns poucos mercados. Consequência: hoje é incapaz de competir nessas áreas e até no mercado interno. Nada mais natural.

 (*) ROLF KUNTZ – O ESTADO DE S.PAULO

ROUBALHEIRAS E INCOMPETÊNCIA

Alvo de mais escândalos, Petrobras registra queda de 25% em seu lucro no semestre

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A Petrobras anunciou nesta sexta-feira um lucro de 4,96 bilhões de reais no segundo trimestre, queda de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado veio muito abaixo das estimativas de bancos de investimentos obtidas pela Reuters, que apontavam para lucro líquido de 7,04 bilhões de reais. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando o lucro foi de 5,39 bilhões de reais, houve queda de 8%. No semestre, a empresa lucrou 10,35 bilhões de reais, queda de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o endividamento cresceu 15% em relação ao final de 2013, para 307 bilhões de reais.

Assim como no primeiro trimestre, o anúncio acontece em meio a uma série de escândalos nos quais a empresa está envolvida. Conforme revelou VEJA, a estatal e o governo orquestraram um verdadeiro teatro para manipular a CPI da Petrobras, coletando as perguntas dos parlamentares e treinando os executivos sabatinados para respondê-las, deturpando a função investigativa da Comissão. Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) culpou os diretores da Petrobras pelas perdas acumuladas com a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, e determinou a indisponibilidade de seus bens para que haja ressarcimento ao estado. O TCU também tentou incluir a presidente Graça Foster no rol de culpados, mas foi impedido pelo Advogado Geral da União, Luís Inácio Adams.

A receita líquida trimestral atingiu 82,3 bilhões de reais, marca inédita para a companhia. O resultado superou o antigo recorde, de 81,54 bilhões de reais no primeiro trimestre deste ano devido, sobretudo, ao impacto da alta do dólar. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) ajustado da estatal, indicador que melhor dimensiona a capacidade de geração de caixa de uma empresa, ficou em 16,25 bilhões no trimestre, queda de 10,2% sobre o mesmo período do ano passado.

Um dos maiores impactos na queda do lucro da empresa veio da área de Abastecimento, cujo prejuízo ficou em 3,883 bilhões de reais no segundo trimestre — 55% maior na comparação com o mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta sexta-feira. A área é a principal prejudicada pela política do governo de controlar os reajustes do preço da gasolina, impondo perdas à estatal. Em comunicado, a presidente Graça Foster afirmou que os reajustes devem ser feitos o quanto antes para melhorar o nível de endividamento da empresa. “Em paralelo aos aumentos de produção e redução de custos, buscamos a convergência dos preços de derivados no Brasil com os preços internacionais”, disse. O ministro Guido Mantega sinalizou, no início da semana, que haverá reajuste ainda este ano.

A Petrobras informou ainda que a importação de derivados aumentou 55% e a de petróleo subiu 20% em relação ao mesmo período de 2013, enquanto a exportação de ambos os produtos caiu na mesma comparação. Segundo a empresa, a alta da importação ocorreu em grande parte em junho por conta “de oportunidade comercial e de maior utilização de óleo importado no refino”.

(*) Na VEJA.com

DILMA, A BEATA

A cada 4 anos, Deus

opera milagres em Dilma

Uma semana depois de prestigiar a inauguração do Templo de Salomão, da igreja Universal, Dilma Rousseff participou, nesta sexta, do encerramento de um congresso da Assembléia de Deus. Brindou os presentes com comentários como esse: “O Brasil é um Estado laico, mas, citando um salmo de Davi, eu queria dizer que feliz é a nação cujo Deus é o Senhor.”

Disse coisas assim: “Eu acredito naqueles que creem e no poder da oração. Na Bíblia, está escrito que a oração de um justo pode muito em seus efeitos. Não se esqueçam de orar por mim. Eu estarei contando muito com isso. Quero dizer também para vocês que todos os dirigentes desse país dependem do voto do povo e da graça de Deus. Eu também.”

Confirma-se em 2014 algo que os brasileiros haviam percebido em 2010: perto das urnas, a religiosidade de Dilma cresce. Surge no íntimo da ex-guerrilheira uma beatice insuspeitada. O velho materialismo dialético cede espaço ao redivivo poder divino. Depois de renovar seus laços com Lula, a ex-devota de Marx achega-se a Deus!

Certas conversões estimulam a suspeita. Há pessoas que falam em Deus com tal convicção que a plateia fica tentada a acreditar que Ele não existe. Ou não merece existir. Bobagem. Deus já não é full time. Mas aparece de quatro em quatro anos. Ele está em toda parte. Numa eleição em que o desempenho do pastor Everaldo pode provocar o segundo turno, Deus está até na alma de Dilma Rousseff.*

(*) Blog do Josias de Souza

“QUE PAÍS É ESTE?”

Cenas da vida política

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Cena 1. Em recente debate, na Associação Comercial de Brasília, os candidatos a governador Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR), amplamente favoritos nas pesquisas, acusaram-se mutuamente de corrupção. Ambos estavam certos.

Agnelo evocou a prisão de Arruda, por 60 dias, flagrado e filmado ao receber R$ 50 mil em dinheiro vivo. Arruda rebateu, lembrando das ligações de Agnelo com o bicheiro Cachoeira e das acusações de pagamento e recebimento de propinas ao tempo em que atuou na Anvisa e no Ministério dos Esportes, afirmando que, se vierem a condená-lo, purgará prisão perpétua.

Agnelo, irritado, levantou-se e foi embora. Detalhe: nenhum dos dois contestou as acusações. Reagiram apenas ao fato de terem sido trazidas ao debate, embora sejam de amplo conhecimento público. Mas o público os coloca em 1º (Arruda) e 2º (Agnelo) lugares nas pesquisas. Se aliados, venceriam no primeiro turno.

Cena 2. O líder do PT no Senado, Humberto Costa, indignou-se com a acusação de que o governo teria cometido ilícito, ao combinar com os depoentes da Petrobras e os senadores que o inquiriram as perguntas e respostas na CPI. Não se indignou com o fato em si – a farsa do depoimento -, que não contestou, mas com ter sido considerado ilícito. Dias depois, a presidente Dilma Roussef endossaria, com outras palavras, o ponto de vista de Costa.

Cena 3. Na sequência da aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa, o Supremo Tribunal Federal prossegue na desmontagem do julgamento do Mensalão. Autoriza tudo o que havia sido negado antes pelo presidente da Corte: que os presos, mesmo sem ter cumprido um sexto da pena, como manda a lei, trabalhem fora; e que José Genoíno cumpra prisão domiciliar, mesmo depois de duas juntas médicas terem atestado não haver gravidade em sua saúde que justifique tal privilégio.

Cena 4. Computador do Palácio do Planalto entra no site do Wikipédia e altera o perfil de dois jornalistas – Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg -, críticos à política econômica do governo, incluindo considerações negativas às suas respectivas biografias. Identificado o IP, o Palácio disse ser impossível identificar a máquina (e, portanto, o autor), já que corresponde à rede central, que reúne muitos aparelhos, o que qualquer hacker de quintal sabe ser falso. O que poderia ser o Watergate brasileiro ficou por isso.

Paro por aqui. Cenas análogas – e refiro-me somente as de um mês para cá – preencheriam um livro. O que se constata é que, não apenas os políticos, mas também o público vem perdendo a noção de valores elementares. Começa a selecionar os candidatos não por seus méritos, mas pela maior ou menor contundência de seus delitos. Dos males, o menor.

O “rouba, mas faz”, que até há pouco era objeto de piadas, hoje é uma realidade. A defesa veemente que intelectuais, artistas e acadêmicos fazem dos mensaleiros, mesmo sabendo que foram condenados – e por que o foram – pelo plenário da mais alta Corte de Justiça do país, com base em provas que compuseram dezenas de volumes dos autos, é um sinal de alarme moral.

É possível que, de tanto ver escândalos que não resultam em nada, o cidadão comum tenha se acostumado com eles, como uma espécie de fatalidade. A partir daí, com a maior naturalidade, passa a selecionar seus governantes em meio a uma atmosfera moral degradante, supondo não haver outra.

“Política é assim mesmo”, é o pensamento-síntese. Será? Não era, por exemplo, o que pensava Aristóteles, um dos maiores gênios da humanidade, para quem a política, bem ao contrário, era a “ciência maior”, à qual as demais deveriam estar subordinadas.

Mas a que política estava se referindo? Não era certamente a que está em curso há anos. Segundo sustenta, em “Ética a Nicômaco”, “o bem humano tem que ser a finalidade da ciência política”, e que “assegurar o bem de uma nação ou de um Estado é uma realização nobre e divina”.

Tais conceitos, é bem verdade, perderam vigência há séculos, desde que Maquiavel concebeu seu “Príncipe”, manual de esperteza que abole a ética em nome de resultados. Mas mesmo para Maquiavel e seus descendentes o que aí está é excessivo.

Em suas recomendações, não fala em associações com criminosos, em roubo descarado, em sumiço de bilhões, em devastação do Estado. A ideia, ao contrário, é preservá-lo (ao Estado) para servir o público. A manutenção do poder não excluía seu destinatário, que o sustentava com impostos.

O Brasil de hoje ruboriza Maquiavel e torna Aristóteles um ser incompreensível, oriundo de outro planeta.

 (*) Ruy Fabiano, jornalista, no blog do Noblat.