BATEU O DESESPERO…

PT pede apuração sobre renda

com palestras de Marina Silva

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O comitê da candidata Dilma Rousseff (PT) pedirá que o Ministério Público Eleitoral abra uma investigação para apurar eventual omissão da presidenciável do PSB, Marina Silva, sobre os ganhos que obteve com palestras proferidas a diversas instituições, entre elas bancos, empresas e seguradoras.

Conforme a Folha revelou no último domingo (31), a empresa de Marina faturou R$ 1,6 milhão desde que foi criada, em março de 2011, até junho deste ano. Nos últimos 39 meses, ela celebrou 65 contratos para participar de 72 apresentações remuneradas.

Segundo a campanha petista, o patrimônio declarado por Marina Silva ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não parece compatível com os seus rendimentos brutos, levando em conta o faturamento de sua companhia, da qual ela figura como única dona.

Isso porque a candidata declarou à justiça eleitoral um patrimônio de R$ 135 mil e listou, ainda, a empresa M.O.M. da S.V. de Lima com um capital social de R$ 5.000. Os rendimentos da empresa de Marina somaram, somente no ano passado, R$ 584,1 mil. Quando disputou a eleição presidencial em 2010, Marina estimava o valor de seus bens em R$ 149 mil.

A representação argumentará que a adversária de Dilma Rousseff declarou possuir apenas R$ 27.920,88 em sua conta-corrente, sem informar à Justiça Eleitoral a existência de uma poupança composta por recursos acumulados nos últimos anos.

O faturamento bruto da empresa de Marina lhe rende, em média, R$ 41 mil mensais. A ação será protocolada nesta quinta-feira (4).

No debate de segunda-feira promovido por Folha, UOL, SBT e Jovem Pan, Marina foi questionada sobre o sigilo de suas palestras. Na ocasião, respondeu que as cláusulas de confidencialidade eram impostas pelos contratantes, e não por ela, alegando não se opor à divulgação dos dados desde que as empresas assim o fizessem.

Na ação, porém, o PT cita uma outra reportagem da Folha, publicada em 3 de outubro de 2013, em que um de seus clientes afirmou que “a própria ex-senadora pediu para não ter seu cachê divulgado para a imprensa”.

Para assessores da presidente, a omissão patrimonial de Marina faz parte de uma estratégia eleitoral, com objetivo de trair a fé pública durante a corrida presidencial.

Folha procurou a assessoria de imprensa de Marina Silva por meio de ligação telefônica e mensagem de texto, mas não obteve resposta até o fechamento da edição.*

(*) NATUZA NERY  – ANDRÉIA SADI – FOLHA DE SÃO PAULO

HABEMOS PRESIDENTE

Ibope: Dilma tem 37%;

Marina, 33%; e Aécio, 15%

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Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (3) mostra que as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) estão tecnicamente empatadas em primeiro lugar na corrida presidencial. A presidente, que tenta a reeleição, tem 37% das intenções de voto; a ex-senadora está com 33%. O empate acontece porque a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

No outro cenário, Dilma lidera com 47%, contra 34% de Aécio, com 8% de indecisos e 11% de propensos a votar em branco ou nulo.

O instituto entrevistou 2.506 pessoas entre os dias 31 de agosto e 2 de setembro. Contratada pela “Rede Globo” e “O Estado de S.Paulo”, a pesquisa foi registrada no TSE com o número BR-00514/2014.

Rejeição e avaliação do governo

O Ibope também mediu a rejeição aos candidatos. A presidente Dilma é a mais rejeitada. A proporção de eleitores que dizem não votar na petista de jeito nenhum é de 31%, mas caiu em relação aos 36% da semana passada. Marina é rejeitada por 12% — contra 10% no último levantamento –; e a taxa de rejeição a Aécio se mantém em 18%.

De acordo com o instituto, a avaliação do governo Dilma melhorou. Para 36% dos entrevistados, a gestão é ótimo ou boa — contra 34% na última semana. Para 37%, a administração é regular – eram 36% na pesquisa divulgada no dia 26. E a proporção dos que a consideram ruim ou péssima é de 26% —  ante 27% no levantamento anterior.*

(*) Do UOL, em São Paulo

CARGA AO MAR…

Frutos do mar

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O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, preso em Curitiba, desistiu do pedido de habeas corpus que o advogado Nélio Machado havia impetrado no tribunal federal da 4.ª região, em Porto Alegre, antes de deixar a causa em decorrência da decisão de Costa de fazer acordo de delação premiada com o Ministério Público (MP).

A desistência é sinal claro de que as negociações com o MP estão em andamento, a despeito de a nova advogada da causa, Beatriz Catta Preta, ter dito que isso ainda dependia de uma decisão de seu cliente.

A negociação é delicada. Os procuradores querem nomes de políticos que se beneficiaram de contratos superfaturados com a Petrobrás. Não se contentarão com bagres. Estão atrás dos peixes grandes. De preferência, um tubarão.*

(*) Dora Kramer – Estadão.

IDIOTICE

AFINAL, POR QUE ROBERTO E ERASMO

VÃO PROCESSAR TIRIRICA?

 

Os cantores e compositores Roberto Carlos e Erasmo Carlos decidiram processar o palhaço Tiririca, deputado federal pelo PR-SP e candidato à reeleição. Em sua propaganda eleitoral, Tiririca veiculou uma paródia da música “O Portão”, composta pela dupla.

A letra original da música diz “Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar”. Na propaganda, a letra é alterada para “Eu votei, de novo eu vou votar. Tiririca, Brasília é o seu lugar”. O candidato aparece vestido de branco e repete a expressão “bicho”, usada com frequência por Roberto Carlos. O candidato também aparece segurando um bife, referência à propaganda da marca de carnes Friboi estrelada por Roberto.

Segundo José Diamantino Alvarez Abelenda, advogado da Sony Music, a petição inicial está sendo formulada por ele junto com representantes dos dois compositores. Será pedida indenização por uso da imagem e pelo uso da canção, além de indenização por danos morais pela conotação com que a música foi usada, com finalidade eleitoral.

O valor da indenização não será sugerido – os autores pedirão que o juiz arbitre a quantia que julgar adequada, caso Tiririca seja condenado. A ação deve ser proposta até o final desta semana, segundo o advogado.*

(*) Estadão

### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG DA TRIBUNA ONLINE – Depois de velho, Roberto Carlos está perdendo a inspiração e o senso de humor. É um homem riquíssimo, não precisa de nada material, convenceu Erasmo Carlos a entrar nessa empreitada de processar Titirica e pedir indenização financeira. Tiririca é apenas um palhaço, um homem do povo que conseguiu chegar a ser deputado. Todos somos um pouco palhaços. Tiririca é apenas uma pessoa como nós. (C.N.)

POBRE BRASIL…

A lei do chifre livre

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Como dizia Tancredo Neves, voto secreto é um perigo: dá uma vontade enorme de trair. Isso nos tempos de Tancredo. Hoje, com a subida de Marina, a traição é aberta, dispensa o sigilo. E a maior vítima é justo o neto de Tancredo.

Até o coordenador da campanha de Aécio, senador Agripino Maia, já jogou a toalha e propõe o apoio a Marina no segundo turno. O governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, favorito para a reeleição, é tão ligado a Aécio que nem se sente obrigado a confirmar essa amizade fazendo campanha. Em São Paulo, Alckmin e Serra, favoritos para o Governo e o Senado, são Aécio desde criancinhas. Lamentarão, tristonhos, a derrota de seu candidato. Tucano tem memória longa: os dois lembram do empenho de Aécio quando foram candidatos à Presidência, e o retribuem. Até em Minas, onde Aécio é rei, o PR liberou seus 18 prefeitos para apoiar o petista Fernando Pimentel, líder nas pesquisas contra o tucano Pimenta da Veiga. E em Minas a situação era especial: o PR nacional está com Dilma, mas os mineiros tinham acordo com Aécio e Pimenta da Veiga. A decolagem de Marina mudou tudo: agora, o PR volta a ser fiel, com Dilma, ou trai o governismo, com o PT para governador e Marina para a Presidência.

Aécio é a maior vítima, mas não a única. No Rio, os petistas de Lindbergh Farias e os peemedebistas de Pezão migram para Garotinho, do PR (que diz que está com Dilma). No Paraná, falta pouco para a petista Gleisi Hoffmann ter de carregar as próprias malas.

Em eleições, quem não recebe votos ganha chifres.

Tentando reagir

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Há sucessivas reuniões tucanas estudando uma eventual reação de Aécio Neves (desde 2002, esta é a primeira eleição em que o PSDB pode ficar fora do segundo turno). As pesquisas abalaram Aécio, que acabou indo mal no debate SBT-Folha-Jovem Pan; e ainda não se sabe o que tentará fazer para recuperar-se.

Há quem tema o pior: que, além de ficar fora da disputa, Aécio perca também em Minas, onde o petista Fernando Pimentel lidera com folga contra Pimenta da Veiga. Nesse caso, o PT teria abrigo em Minas para os companheiros, hoje regiamente pagos, eventualmente desalojados do poder federal (a ministra Miriam Belchior, por exemplo, além dos salários, ganha R$ 19 mil para participar de uma reunião por mês no Conselho da Petrobras). Alguns sugerem que Aécio esqueça o Brasil e se concentre em Minas, para garantir pelo menos sua base.

Medo pela culatra

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A campanha contra Marina vai dar efeito contrário, tal a prepotência dos adversários. Por que o país não pode ter um governante que acredita que o mundo foi criado em sete dias? Se isso não influir no caráter laico do Estado, qual o problema? Lembra os EUA, antes de Kennedy, quando se achava que eleger um católico minaria as bases do país. Ou o Califado Islâmico, que exige obediência total às leis muçulmanas. Compará-la a Collor? A Jânio? Por que não a Itamar, que também não tinha base partidária e mudou o Brasil? Ameaçá-la com um golpe, como o governador cearense Cid Gomes? Ele diz que não lhe dá dois anos de Governo: “será deposta”.

Com adversários assim, Marina vira ídolo.

O foguete

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Marina tem raiz no PT, foi devota de Lula e sua ministra, fez barbeiragens em nome do radicalismo ambientalista. Sua ascensão não pode ser explicada só pelo carisma (que existe) nem pela comoção (real) do acidente que matou Eduardo Campos. O fenômeno Marina tem a ver com a novidade de uma candidata que não escorrega na numeralha que nada significa (“fiz 85 mil hospitais, 120 milhões de km de estradas”, etc.) e com algo que atinge cada um de nós: a economia.

A inflação há anos beira o teto, os aposentados têm aumentos incapazes de acompanhar os preços e inferiores aos dos assalariados da ativa. Pela 14ª vez consecutiva, o relatório Focus, do Banco Central, reduziu a perspectiva de crescimento em 2014. As contas externas vão mal, com o pior saldo desde agosto de 2001.

Ninguém come contas externas, mas o mal-estar dá para sentir.

Preções

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E, enquanto o caro leitor enfrenta problemas para pagar as contas, o custo desta campanha eleitoral ultrapassa R$ 71 bilhões, conforme levantamento da revista Congresso em Foco. São pouco menos de 25 mil candidatos; e os gastos são 30% maiores que o da campanha anterior, com praticamente o mesmo número de disputantes.

Traduzindo: preços mais altos, mais disposição para gastar.

O preço da Justiça

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Com o aumento pedido pelo Supremo Tribunal Federal, cada ministro brasileiro receberá praticamente os mesmos vencimentos da Suprema Corte americana. Com três diferenças: a população americana é 50% maior que a brasileira, o país é bem mais rico e o pagamento ao ministro é tudo o que ele recebe. No Judiciário americano, só há carro oficial para uma pessoa: o presidente da Suprema Corte. Todos os demais ministros, desembargadores, juízes, cuidam do próprio transporte. No Brasil, a partir dos tribunais de Justiça, todos os desembargadores e juízes têm carro, motorista, gasolina, manutenção, seguros, tudo por conta do Estado generoso e rico. Só em São Paulo há cerca de 400 desembargadores.

(*)  Coluna Carlos Brickmann, na Internet

ELEIÇÕES 2014

Aécio Neves foi alertado

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O furacão Marina não é surpresa para Aécio. Um membro de sua campanha conta que ele foi aconselhado, ano passado, a mudar de atitude e de agenda. A ideia era tentar incorporar à sua candidatura o espírito dos protestos de junho. Mas Aécio não quis adotar a rebeldia no seu discurso. Apostou e aposta na mudança segura. Consta que essa divergência fez o cientista político Renato Pereira a deixar a campanha.

Será que vai colar?

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A falta de experiência e de apoio no Congresso da candidata Marina Silva (PSB), passou a ser o discurso central na nova fase das campanhas da presidente Dilma (PT) e do senador Aécio Neves (PSDB). Esse também foi o principal mote das campanhas de José Serra contra o ex-presidente Lula, em 2002, e também contra a presidente Dilma, em 2010. Na primeira eleição de Lula, no seu programa de TV, o petista entrava em cena andando no meio de uma equipe de especialistas, para vender ao eleitor a imagem de que traria os melhores técnicos para seu governo. Marina não tem tempo na TV para produzir cena semelhante, mas está fazendo agora essa mesma promessa.

Para lá e para cá

A Noite dos Palhaços Mudos - blog Marcius Machado

Um eleitor de Marina Silva divulga nas redes sociais um vídeo, de 2010, no qual o teólogo Leonardo Boff apoia sua candidatura à Presidência, e diz que ela é “a única pessoa à altura da humanidade”. Hoje Boff apoia a presidente Dilma. E diz que Marina é “o atraso do atraso” e que a autonomia do Banco Central é entregá-lo ao sistema “financeiro e especulativo”.

Na gangorra

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As campanhas da presidente Dilma, e do PT, decidiram parar com os ataques contra Aécio Neves. Explicam que querem que o tucano fique onde está. Avaliam que cada ponto que ele perder será um ponto a mais para Marina Silva.

Quem pesa mais?

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Os petistas debatem quem é o maior culpado pelo desempenho do partido em São Paulo. A elevada rejeição à presidente Dilma e a avaliação negativa da gestão do prefeito Fernando Haddad, em São Paulo, são vistos como elementos chave. Eles consideram que o candidato ao governo Alexandre Padilha é vítima dessas circunstâncias.*

(*) Blog do Ilimar Franco.

QUE FEIO, TIA DILMA!

Dilma falta a entrevista

e Globo exibe perguntas

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Com globofobia desde que foi imprensada no Jornal Nacional, Dilma Rousseff refugou convite para participar de uma nova série de entrevistas com presidenciáveis, dessa vez no Jornal da Globo. Sorteio feito com a participação de representante da campanha de Dilma definira que ela seria a segunda entrevistada —depois de Marina Silva, já ouvida na segunda-feira, e antes de Aécio Neves, que deve ir ao ar na noite desta quarta.

Em reação à ausência de Dilma, os apresentadores William Waack e Christiane Pelajo leram “algumas das perguntas que seriam feitas a ela.” Antes, realçaram que foi a primeira vez que um candidato à Presidência se recusou a conceder a entrevista desde que a série começou a ser realizada, na sucessão de 2002. Se Dilma ainda fosse a favorita, sua ausência seria apenas um erro. Com Marina Silva no seu encalço, foi burrice.

Vão abaixo as perguntas de Waack e Pelajo. Para demonstrar que Dilma não passaria aperto, o blog recolheu de declarações que ela tem feito nas últimas semanas esboços das respostas que ela provavelmente teria dado se não tivesse fugido das perguntas:

— Os últimos índices oficiais de crescimento indicam que o país entrou em recessão técnica. A senhora ainda insiste em culpar a crise internacional, mesmo diante do fato de que muitos países comparáveis ao nosso estão crescendo mais?



Meu querido, não há recessão no Brasil. O que há é uma redução momentânea da atividade econômica. Que só aconteceu porque tivemos uma seca histórica, menos dias úteis por causa da Copa e grande contração do mercado internacional. Nós estamos esperando que o segundo semestre seja melhor. No que se refere à crise internacinal, a Europa desempregou 60 milhões de pessoas. Nós criamos 5,5 milhões de empregos novos só no meu período de governo. É mais do que foi criado em todo o governo do Fernando Henrique.

— A senhora continuará a represar os preços da gasolina e do diesel artificialmente, para segurar a inflação, com prejuízo para a Petrobras?

A oposição diz que o preço da gasolina está defesado. Gostaria que mostrassem de quanto é a defasagem. No que se refere ao reajuste, ele pode acontecer a qualquer momento. Mas, vejam bem: não estou dizendo que haverá um aumento. Digo que pode haver. Não tenho competência para tomar decisão sobre isso.

— A forma como é feita a contabilidade dos gastos públicos no Brasil no seu governo tem sido criticada por economistas, dentro e fora do país, e apontada como fator de quebra de confiança. Como a senhora responde a isso?

Sugiro que a gente trate dessa questão sem as paixões político-eleitorais. Vivemos um momento de campanha eleitoral, e isso tende a politizar processos técnicos que sempre ocorreram e nunca foram politizados. A informação que tenho é a de que se trata de um processo similar ao que ocorre em outros momentos. Meu governo não esconde nada.

— A senhora prometeu investir R$ 34 bilhões em saneamento básico e abastecimento de água até o fim do mandato. No fim do ano passado, tinha investido menos da metade, segundo o Ministério das Cidades. O que deu errado?

Meu querido, nós deflagramos no início de maio a terceira das ações de saneamento básico do PAC 2. Tudo vem dando muito certo. No nosso governo, o meu e o do presidente Lula, o Brasil deu um salto no que se refere a investimento em saneamento. O total do investimento em saneamento no Brasil chega a R$ 37,8 bilhões para todos os municípios do país, pequenos médios ou grandes.

— Em 2002, o então candidato Lula prometeu erradicar o analfabetismo, mas não conseguiu. Em 2010, foi a vez da senhora, em campanha, fazer a mesma promessa. Mas foi durante o seu mandato que o índice aumentou pela primeira vez, depois de 15 anos. Por quê?



Vejam bem, William e Christiane, no que se refere à área de Educação eu tenho muito orgulho de tudo o que fizemos em 12 anos. Só pra citar um exemplo: no nosso governo, o meu e o do presidente Lula, alcançamos a marca 422 escolas técnicas federais. Isso é tres vezes mais do que tudo o que foi construído no Brasil em um século. E não posso deixar de mencionar que eu criei o Pronatec. São R$ 14 bilhões investidos e 6,8 milhões de matrículas. Ah, sim, também aprovamos a lei que destina 75% dos royalties e 50% do fundo social pré-sal para a Educação. E ainda tem gente por aí dizendo que não vai explorar o pré-sal. Isso é obscurantismo.

— A senhora considera correto dar dentes postiços para uma cidadã pobre um pouco antes de ser feita com ela uma gravação do seu programa eleitoral de televisão?

Achei lamentável. Isso aconteceu na cidade de Batatinha, na Bahia. Ali, bem pertinho, tem uma unidade do Brasil Sorridente, com um laboratório de prótese. Foi um erro ter dado pra ela só um dia antes da minha chegada. Tinha a obrigação de dar a prótese quando ela recebeu o Bolsa Família. É o que prevê a parceria. A propósito, no que se refere à saúde pública como um todo, não posso deixar de falar do Mais Médicos. Hoje, temos 13.462 médicos atuando no programa, beneficiando 50 milhões de brasileiros.

Autor de célebres entrevistas fantasiosas, Nelson Rodrigues dizia que nada é mais falso e cínico do que a entrevista verdadeira. Na definição do cronista, a entrevista verdadeira é uma sucessão de poses e de máscaras. Ao passo que a entrevista imaginária, justamente pelo fato de ser imaginária, não mente jamais. Por meio delas, o leitor fica sabendo de tudo o que o entrevistado pensa, sente e não diz de jeito nenhum.

No caso da entrevista que Dilma não deu ao Jornal da Globo, o blog teve o cuidado de manter nas respostas inventadas as mesmas poses que costumam estar presentes nas entrevistas supostamente verdadeiras de Dilma.*

(*) Blog do Josias de Souza

A UM PASSO DO PALÁCIO DO PLANALTO

Marina é a voz do brasileiro insatisfeito com a política

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Marina Silva, candidata à Presidência da República pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), nunca foi uma onda. É o que garante a socióloga Fátima Pacheco Jordão, especialista em análise de pesquisas eleitorais.

Pelo contrário. Substituta de Eduardo Campos na corrida presidencial, Marina representa a insatisfação do brasileiro, que invadiu em meados do ano passado as ruas do país em busca de melhores serviços públicos.

Aos 62 anos de idade, a socióloga afirma que Marina capitalizou os votos dos eleitores descrentes com a política por passar credibilidade no seu discurso.

A socióloga considera delicada a situação do candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o senador Aécio Neves, terceiro nas pesquisas de intenção de voto. E vê estacionada a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), a presidente Dilma Rousseff.

Segundo ela, Aécio e Dilma têm a missão de encontrar um “discurso que motive, que represente a vontade da sociedade”.

A candidatura de Marina vai manter o fôlego ou é apenas uma onda?

Não é uma onda, o que ficou claro desde a primeira pesquisa. Ela cresce horizontalmente, em vários segmentos. As ondas mexem apenas com pessoas mais sensíveis. O voto consolidado (espontâneo) de Marina subiu: passou para 22%. Ela ocupa um espaço de pessoas indecisas, que iriam votar em branco. Eram pessoas que tinham com clareza a expectativa que mudaria alguma coisa, com alguém que preenchesse as demandas da sociedade.

O que impulsionou o desejo de mudança da sociedade?

O desejo vem antes mesmo da morte de Eduardo Campos. Não havia um candidato que respondesse a essa demanda. A Marina falou com clareza e as pessoas acreditaram. A população queria mudança, que não represente apenas disputa de poder, mas uma possibilidade de contribuição. A Marina respondeu o saúde padrão Fifa com o programa padrão Brasil.

Por que apenas Marina conseguiu capitalizar os votos dos eleitores insatisfeitos?

O sistema político, os partidos e os candidatos não tinham mais credibilidade. Num primeiro momento, o eleitor desprezou os partidos. Num segundo, votou em candidatos gozadores do sistema, como Tiririca. O governo Lula consolidou uma mudança que vem desde o Plano Real: a inflação e o dinheiro começaram a ter consistência. Esse processo deu ao cidadão capacidade de compra. Mudou-se o padrão de exigência. A Marina passa credibilidade daquilo que está falando.

Por que o Aécio Neves não representou o nome da mudança?

Não foi problema de rede política ou de apoio de partido. Foi desempenho pessoal mesmo. Provavelmente, ele continha contradições em sua carreira profissional, ou não com a ênfase necessária. É provável que ele tenha feito gestos de mudança através de um código que a população não entende, como retornar padrões de macroeconomia mais confiáveis, com previsibilidade.

Quando foi que o cenário atual começou a se desenhar?

Houve um processo gradual, mas lógico de construção da cidadania. A redemocratização significou a dimensão do cidadão eleitor. O Plano Real, com a estabilidade da moeda, sinalizou para o eleitor questões mais profundas, como a inflação. No governo Lula, houve o consumo dentro de um padrão civilizado. Ele começa a adquirir a dimensão do contribuinte, daquele que paga imposto. Quando isso vem às ruas, sabe que um investimento pode ser feito com qualidade. Desde junho, o brasileiro percebeu que não houve resposta.

Há tempo suficiente para os candidatos Aécio e Dilma reverterem o crescimento acentuado de Marina?

Há. Agora, é muito mais difícil corrigir rumos de uma coisa perdida, no caso do Aécio. No de Dilma, ela está em um patamar cujo tempo é curto. Há meses não há mudança no seu estoque de votos. Dilma parece estacionada. As viradas políticas e eleitorais se dão no momento em que a população sente o colapso do fim do ciclo. Ou ela vai para a rua e grita, ou ela vota de uma maneira inesperada.

Terá efeito a estratégia de desconstrução da imagem de Marina, que começa a ser adotada por Dilma e Aécio?

Precisamos entender que argumentos os candidatos usam. O argumento do avião é paradoxal e contraditório. A população não acreditou. É um caso em que a população associa a Eduardo Campos. Não é um problema da Marina, que dava apenas um apoio a Eduardo Campos. Tal paradoxo pareceu bastante frágil. Se os adversários encontrarem uma formulação verdadeira, evidente que pode abalar.

Quais são as maiores inquietações que as pesquisas das últimas semanas trouxeram para os candidatos?

A nova qualidade do eleitor. A inquietação é encontrar, tanto da parte de Dilma quanto da parte de Aécio, um discurso que motive, que represente a vontade da sociedade. Aumentar o seu espaço eleitoral não está em ataque a adversários. A crítica convencional, como a Marina é incoerente, a Marina não tem partido, a Marina é sonhadora, é vista como não esclarecedora.

Temas religiosos, como aborto, estiveram presentes nas eleições passadas. Como será na eleição atual?

Tenho impressão que este tema está voltando não mais contra as mulheres, mas a favor das mulheres. É uma questão de foro íntimo, mas que não pode criminalizar mulheres que façam aborto. Essa questão não terá a mesma função da eleição passada, de desmontar candidatos.

Em 2010, os institutos de pesquisa não previram o crescimento de Marina na reta final. Por que ainda verificamos divergências nos números apresentados por institutos?

Aconteceu na eleição passada uma mudança como está ocorrendo agora. Os institutos apontaram esse crescimento (da Marina) que aconteceu nas três semanas que antecederam as eleições, o que está associado ao perfil das pessoas que esperam até o último momento para decidir. Trata-se de uma parcela de 10% a 15% de eleitores.*

(*) Gabriel Garcia – no blog do Noblat.