PICARETEX JURAMENTADO

Após pegar verba da Copa, Eike não entrega hotel

e tenta sair do negócio

000 - eike aista - mamando sempre

Após pegar R$ 200 milhões de uma linha de crédito do governo federal com condições especiais para a Copa de 2014 com o intuito de reformar o Hotel Glória, no Rio de Janeiro, o Grupo EBX, do empresário Eike Batista, tenta agora se desfazer do empreendimento sem concluir a obra. Após sucessivos atrasos na previsão de inauguração do hotel, a REX, empresa imobiliária do grupo, afirma que busca uma empresa de hotelaria internacional para assumir a empreitada, e que ajustes no projeto podem atrasar mais uma vez o cronograma de entrega da obra financiada com dinheiro público.

De acordo com o Portal da Transparência do governo federal, a inauguração foi reprogramada para maio de 2015 e apenas 26% da obra estava concluída no início de julho. Do total, ao menos R$ 50 milhões da União já foram liberados para o projeto. Apesar do empréstimo do BNDES ter saído de uma linha de crédito chamada ProCopa Turismo, anunciada em 2010 “com o objetivo de ampliar e modernizar o parque hoteleiro nacional até a Copa do Mundo de 2014”, o banco afirma que o atraso da obra não influi no empréstimo já que, apesar do que o próprio banco disse anteriormente e tudo leva a crer, não há neste tipo de financiamento nenhuma obrigação da obra estar pronta para a Copa de 2014.

Em janeiro deste ano, o UOL Esporte mostrou que o Gloria Palace Hotel, como foi rebatizado o hotel, não estaria completamente pronto para a Copa de 2014, mas o Grupo EBX continuava a afirmar que seria inaugurado no primeiro semestre do ano que vem. Agora, com as obras visivelmente paralisadas, a história é diferente. “A REX vem mantendo conversas com uma bandeira hoteleira internacional de alto padrão para gerenciar o Gloria Palace Hotel”, diz a empresa em nota enviada à reportagem. “Após finalizada a negociação, a REX informará o operador escolhido e possíveis adaptações no cronograma”, diz a nota.

Para quem passa em frente ao hotel, inaugurado em 1922 na Marina na Glória e um dos cartões postais arquitetônicos do Rio de Janeiro, fica claro que os trabalhos ali estão parados. Na semana passada, o CAU-RJ (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro) enviou ofício à Secretaria Municipal de Urbanismo da cidade e à REX informem qual o prazo da obra, já que ela está visivelmente parada. “Precisamos saber o que acontece ali”, diz Sydnei Menezes, presidente do CAU-RJ. “É uma situação que se arrasta e envolve um dos edifícios que são ícones do Rio de Janeiro, é preciso haver mais clareza sobre o rumo daquilo ali”, afirma o arquiteto.

Ampliar

O hotel foi comprado pelo Grupo EBX por R$ 80 milhões em 2008, mas o empréstimo do BNDES foi contratado apenas em agosto de 2010, quando começou a reforma. A estimativa inicial era que o hotel estivesse funcionando até o final de 2011. Durante aquele ano, porém, a obra ficou parada por mais de dois meses. A REX, então, passou a anunciar que a obra seria concluída no primeiro semestre de 2013, ainda a tempo de o hotel estar funcionando durante a Copa das Confederações, em junho de 2013.

Meses depois, sem explicar o motivo, a REX passou a dizer que o hotel estaria pronto para a reinauguração no final de 2013. Já no ano passado, uma nova data foi anunciada: o Hotel Glória, rebatizado como Gloria Palace, teria suas obras concluídas “no primeiro semestre de 2014”. Agora, a REX não fala em nova data.

Dinheiro barato

O BNDES afirma que não pode informar quanto dos R$ 200 milhões foram efetivamente liberados para a reforma até o momento, mas diz que o repasse é condicionado ao progresso da obra, e que se ela for paralisada o repasse também é. Apesar disso, o banco diz que não foi informado pela REX da paralisação na obra, e sim da “adoção de um ritmo mais lento nas obras em função da possível entrada de um novo investidor, que deverá reavaliar as especificações do projeto para adequá-lo ao padrão de sua bandeira”.

O ProCopa Turismo do BNDES financia até 80% de obras de hotéis, seja para reforma ou para construção, não havendo um teto para o empréstimo. A reforma do Glória foi inicialmente orçada em R$ 200 milhões, e o BNDES financiou R$ 146 milhões. Posteriormente, o custo foi revisto, e o financiamento estatal passou a ser de R$ 200 milhões. As condições do financiamento são vantajosas para o tomador do empréstimo.

Os prazos de pagamento do financiamento vão de dez a 18 anos, dependendo do tipo de obra e do perfil do demandante. Os juros variam entre 6,9% e 8,8% (incluindo a taxa de risco), dependendo do porte da empresa e do grau de sustentabilidade e eficiência energética do empreendimento. É preciso apresentar garantias de pagamento no valor de até 130% do valor do financiamento.

De acordo com o BNDES, a carteira de empréstimos do ProCopa Turismo já soma R$ 1,46 bilhão: R$ 832,5 milhões já aprovados para empreendimentos e restante em análise.*

(*) Aiuri Rebello e Vinícius Konchinski – UOL

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E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

Para Lula, problema do Brasil é o seu sucesso

00rs0717a 0 o criador

Existem muitas teorias sobre o movimento que levou mais de 1 milhão de pessoas às ruas no outono brasileiro. Mas nenhuma explicação é tão extraordinária quanto a que Lula espôs em artigo distribuído pela agência de notícias do The New York Times. Para ele, o Brasil desceu ao asfalto porque é um país das maravilhas.

Lula atribuiu o tsunami de protestos ao “sucesso econômico, político e social” obtido nos dez anos de inquilinato do PT no Planalto. A pobreza e a desigualdade foram reduzidas, disse ele. Há mais jovens nas universidades. Famílias pobres compraram carro e passaram viajar de avião. E o brasileiro, tomado por uma sensação de incômoda felicidade, foi às ruas para pedir mais.

Lula teorizou: é natural que os jovens desejem mais, especialmente aqueles que têm coisas que seus pais nunca tiveram. Ele realçou: o Brasil não é o Egito nem a Tunísia. Aqui há democracia. O Brasil tampouco é a Espanha ou a Grécia. Aqui o desemprego é baixo. A expansão econômica e social não tem paralelos na história.

No Brasil das maravilhas de Lula, o número de estudantes universitários dobrou. Mas a rapaziada não aprendeu muita coisa. Os jovens não sabem o que foi a repressão da ditadura militar nos anos 60 e 70. Eles não sofreram com a inflação galopante dos anos 80. Não se lembram da estagnação e do desemprego que tisnaram os anos 90. Empunham faixas e cartazes porque o Brasil, antes de conhecer a extrema felicidade, já foi infeliz e eles não sabiam.

Políticos, cientistas e jornalistas torram os miolos em busca das explicações para o que se passou em junho. Com Lula a coisa é bem mais simples. Ele dispensa o estudo aprofundado. Dá de ombros para a exegese de coincidências e fatos obscuros. Lula manuseia verdades religiosas, quase dogmáticas. Além de chegar facilmente às explicações unificadoras, ele se autodispensa de pensar.

Lula contesta os especialistas que enxergam nas ruas uma rejeição à política. Dá-se justamente o contrário, ele acredita. Autoproclamado porta-voz do meio-fio, ele ensina que os manifestantes buscam aprofundar a democracia, incentivando as pessoas a participar do processo.

Até aqui, a participação mais efetiva da rapaziada foi a tomada das bandeiras vermelhas, a expulsão dos militantes partidários das passeatas, e a abertura do fosso que sorveu a popularidade de governantes como Dilma Rousseff. Mas Lula parece antever um futuro promissor e harmonioso.

Até porque, segundo diz, os partidos políticos não podem ser silenciados. Sempre que isso ocorreu, sobrevieram desastres: guerras, ditaduras e perseguições de minorias. Sem partidos, escreveu Lula, não há democracia verdadeira. Ele tem toda razão. Os detratores das legendas deveriam ser processados por atentado contra o regime democrático. O diabo é que os inimigos dos partidos encontram-se dentro deles. E nenhuma agremiação  se animou a processar seus filiados.

Lula não mencionou no artigo a aversão das ruas à corrupção. Natural. Além de não ornar com o excesso de felicidade, o tema mexe com os mortos. Entre eles o PT, defunto mais ilustre da era Lula. O atestado de óbito anota: “suicídio”. Daí, talvez, a dificuldade de Lula de fazer alguma coisa parecida com uma autocrítica.

Já no seu primeiro mandato, o PT adotou uma conduta estranha, algo psicótica. Perdeu a autoestima. Virou um Narciso às avessas. Cuspiu na própria imagem. No Planalto, na Esplanada, nos desvãos de autarquias e estatais, por onde passaram o PT e seus neoaliados fizeram pior o melhor que puderam.

Lula, como já ficou esclarecido, não sabia de nada daquilo que o PT fez. Aliás, coisas como o mensalão ele até hoje não acredita que tenham acontecido. É munido dessa inocência culpada -ou seria culpada inocência?- que o articulista defende a “renovação profunda” do PT. Citou no artigo a conveniência de recuperar a ligação com os movimentos sociais. Para quê? Para “oferecer novas soluções para novos problemas.”

No fundo, o que atrai no artigo de Lula não é a explicação pueril. O que encanta no texto é a simplicidade retórica. O mais extraordinário de tudo é a desobrigação de pensar. Ao falar em “novos problemas”, Lula se exclui da crise. Ele cita Dilma para dar uma “boa notícia”. Qual? Ela já “propôs um plebiscito para realizar a tão necessária reforma política”. Ah, sim, “ela também propôs um pacto para a educação, saúde e transporte público.”

O mundo pode dormir tranquilo, eis a mensagem de Lula. As ruas protestam por causa do excesso de prosperidade. O PT deixará de ser o partido do faturo para retomar saltar da sepultura como o partido do futuro. E o Congresso presidido pelo Renan Calheiros ajudará Dilma a colocar os seus pactos em pé.*

(*) Blog do Josias de Souza.

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NAU À DERIVA

Nova derrota à vista

00rs0716b - vamos que vamos...

A presidente Dilma queria um plebiscito. Em vez disso, a Câmara criou uma nova comissão sobre a reforma política. E, de acordo com levantamento da Consultoria FSB, novas derrotas aguardam o governo Dilma.

Informações baseadas em posições públicas dos integrantes da Comissão mostram que, dos 14 integrantes, oito defendem a manutenção do financiamento privado das eleições, nove são pela realização de um referendo, nove querem o fim da reeleição para cargos no Executivo e nove são pelo fim da coligação nas eleições para o Legislativo.

O governo pode ter retomado a iniciativa política. Mas no conteúdo está perdendo a batalha.*

(*) Ilimar Franco, O Globo

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CURTO-CIRCUITO NO POSTE

Em um mês, intenção de voto em Dilma cai 19 pontos,

diz pesquisa CNT/MDA

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A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou, nesta terça-feira (16), os resultados da 114ª pesquisa em parceria com o instituto MDA. Segundo a pesquisa, se as eleições presidenciais de 2014 fossem hoje, a presidente Dilma Rousseff teria 33,4% dos votos, contra 20,7% de Marina Silva (Rede Sustentabilidade); 15,2% do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e 7,4% do governador Eduardo Campos (PSB-PE). A queda de Dilma em relação à pesquisa anterior é de 19,4 pontos percentuais e a disputa iria para o segundo turno.

Na pesquisa anterior, de junho, a presidente venceria ainda no primeiro turno. No levantamento anterior, Dilma tinha 52,8% das intenções de voto, contra 17% de Aécio, que também caiu; 12,5% de Marina  e 3,7% de Eduardo Campos.

Os levantamentos das séries nº 112, 113 e 114 da Pesquisa CNT/MDA dão sequência às pesquisas anteriores: CNT/Vox Populi (1 a 28) e CNT/Sensus (29 a 111). Foram entrevistadas 2.002 pessoas, em 134 municípios de 20 Estados, das cinco regiões, entre os dias 7 e 10 de julho de 2013. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

Em pouco menos de três semanas, é a segunda pesquisa a detectar queda na popularidade e nas intenções de voto em Dilma. No final de junho, pesquisa Datafolha mostrou que a avaliação positiva do governo da petista caiu 27 pontos em três semanas.

Manifestações e popularidade

A pesquisa mostra que a avaliação do governo Dilma caiu de 54,2% em junho para 31,3% em julho. Os pesquisadores mostram que 38,7% consideram o governo Dilma regular (este índice era de 35,6% em junho) e 29,5% têm avaliação negativa (este percentual era de apenas 9% em junho).

Já a aprovação pessoal de Dilma caiu de 73,7% em junho para 49,3% em julho, segundo a pesquisa.

De acordo com a pesquisa, 84,3% da população aprova as manifestações que têm ocorrido no país desde junho. *

(*) UOL

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ERROS DOS DICIONÁRIOS (2)

000- a coluna do Joauca - 500

No verbete adequar, o Dicionário Aurélio informa que se trata de um verbo defectivo,  conjugável apenas nas formas arrizotônicas, isto é, nas formas em que a acentuação tônica recai nas desinências e não na raiz. Assim, o dicionário conjuga o verbo adequar apenas com duas formas no presente do indicativo: nós adequamos, vós adequais. O Dicionário Houaiss, contrariando bons manuais de conjugação e boas gramáticas, conjuga o verbo adequar em todos os tempos e pessoas: eu adéquo, tu adéquas, etc. Domingos Paschoal Cegalla, em seu Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996, s.v. adequar, adequar-se), ensina que, se adequar não fosse defectivo, sua conjugação deveria ser como a do verbo recuar, com a acentuação tônica no U. E conclui: “Não existem as formas adéqua, adéquam, com e tônico.”

O Aurélio registra o verbete afro como adjetivo, sem indicação de gênero, o que pressupõe tratar-se de adjetivo variável, ou como substantivo  apenas masculino. O Houaiss registra afro como adjetivo e substantivo apenas masculino, e exemplifica: moda afro, cabelo afro, comidas afro (apesar de registrar o plural afros, para designar antigo povo da África).  Essa é  a orientação espúria do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) que também registra afro como adjetivo e substantivo apenas masculino (portanto invariável). O Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa registra afro tanto como adjetivo quanto como substantivo variável (afro, afra). O Dicionário de Domingos Paschoal Cegalla, acima mencionado, registra o verbete afro também como adjetivo e substantivo, flexionado, com os seguintes exemplos: carnaval afro, ritos afros, músicas afras.

A propósito do Volp, somos todos reféns de suas imprecisões ou inadequações, sobretudo no que diz respeito ao emprego do hífen, que é um verdadeiro samba do crioulo doido. Nos pares abaixo, de formação idêntica, apenas o primeiro leva hífen; e o segundo, não. Vejamos: pé-de-meia, pé de moleque; para-choque, paraquedas; perde-ganha, vaivém; cachorro-quente, elefante branco (coisa incômoda); infantojuvenil, maníaco-depressivo; ano-novo, ano velho; norma-padrão, desvio padrão; bom-senso, bom gosto; pronto-socorro, pronto atendimento; carne-seca, carne viva… Qual é a lógica? Todas as gramáticas e o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, ensinam que azul-ferrete, como adjetivo, é invariável em gênero e número; como substantivo, só o primeiro elemento se flexiona: azuis-ferrete. Mas neste ponto o Volp inova ao admitir também o plural dos dois elementos, quando a palavra for empregada como substantivo: azuis-ferretes.

Siglas se leem sempre letra por letra e todas se escrevem com maiúsculas: PMDB, PTB, UFRJ, CPMF, etc. Acrônimos, ao contrário, se leem como verdadeiros substantivos da língua (neologismos): se o substantivo é próprio, apenas a primeira letra é maiúscula: Otan, Nasa, Vasp, Ufes, Bradesco, Petrobras, Volp, etc. Se o substantivo é comum, todas as letras são minúsculas: radar (radio detecting and ranging), sonar (sound navigating and ranging), laser (light amplification by stimulated emission of radiation), aids ou sida (síndrome da imunodeficiência adquirida), etc. Se o acrônimo tem três letras, todas se escrevem em versal, mesmo que não sejam nomes próprios: ONU, TAP (Transportes Aéreos Portugueses), ECA (Escola de Comunicação e Artes), LER (lesão por esforço repetido), etc.. Os dicionários definem adequadamente o que é sigla e o que é acrônimo, mas erram nos verbetes que representam acrônimos ou siglas. O Aurélio, embora registre aids, com minúsculas, registra SIDA e UFES; O Houaiss registra apenas sida, com minúsculas, mas, embora defina acrônimo e sigla adequadamente, no verbete sigla registra Petrobrás entre outros exemplos.

A expressão latina statu quo é parte da expressão maior in statu quo ante, que significa “no estado em que (estava) antes”. O correto é statu quo, sem o s final porque se trata do ablativo, como ensina Paulo Rónai no seu belo livro Não perca o seu latim (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980, com exemplo de Carlos Drummond de Andrade).. Os dicionários, contudo, só registram a forma inadequada “status quo”. O nominativo, status, com s final, só se usa isoladamente e significa a posição ou a situação de um indivíduo num grupo. Não é de estranhar essa lição esdrúxula, já que o latim é frequentemente mal-empregado na linguagem jurídica. Na literatura jurídica, “a expressão de cujus” é utilizada como sinônimo de  “testador”.O Houaiss e o Aurélio dão-na como sinônimo de “falecido”. Trata-se de parte da frase “de cujus successione agitur”, isto é, “(aquele) de cuja sucessão se trata”. Ora, em latim, cujus é genitivo do pronome relativo qui. Nunca foi substantivo comum. Infelizmente, já é expressão consagrada pela tradição e faz parte da metalinguagem jurídica…

 

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

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CASA DOS HORRORES

Renan Calheiros supera José Sarney no uso de jatos da FAB

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A cúpula do Congresso Nacional fez 91 viagens nos primeiros seis meses deste ano com aviões da FAB (Força Aérea Brasileira), média de um voo a cada dois dias.

Segundo dados da Aeronáutica obtidos pela Folha, quase um terço do total das viagens foi feito em junho, mês marcado por manifestações em todo o país.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), solicitou 27 voos desde que assumiu, em fevereiro, até junho. Além de Alagoas, seu reduto político, foi ao Rio, São Paulo, Ceará e Bahia. O antecessor de Renan, José Sarney (PMDB-AP), voou 18 vezes no mesmo período de 2012.

A Presidência da Câmara solicitou 61 voos até junho –47 pedidos pelo presidente, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que teve Natal como um dos principais destinos. Nove pedidos partiram do deputado André Vargas (PT-PR), que substituiu Alves em ao menos três ocasiões.

As outras cinco viagens foram feitas em janeiro pelo então presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), que voou 60 vezes de fevereiro a junho do ano passado.

Decreto em vigor estabelece que as autoridades só podem usar as aeronaves oficiais em casos de segurança e emergência médica, viagens a serviço ou deslocamentos para seus locais de residência permanente.

O Painel da Folha revelou no dia 4 de julho que o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), usou o avião da FAB para ir ao casamento da filha do líder do PMDB na Casa, Eduardo Braga (AM), que ocorreu em Trancoso (BA) e reuniu diversas autoridades.

Renan devolveu R$ 32 mil aos cofres públicos relativos ao uso da aeronave oficial no dia 15 de junho entre as cidades de Maceió, Porto Seguro e Brasília para participar do casamento.

No dia 5 de julho, a Folha também revelou que o ministro Garibaldi Alves Filho, da Previdência Social, viajou ao Rio em avião da FAB para ver o jogo do Brasil. No dia 28 de junho, Garibaldi foi a Fortaleza em agenda oficial. Em vez de voltar a Brasília, ele voou para o Rio, onde assistiu à partida no domingo. “Me senti no direito de o avião me deixar onde eu quisesse ficar”, afirmou o ministro.

Garibaldi é primo do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que usou outro avião da FAB para ver o jogo da seleção. A Folha revelou no dia 3 de julho que Alves levou sete convidados de Natal para o Rio. Glauber Gentil, que foi para o Rio com Garibaldi, pegou carona com Alves para voltar a Natal.

No mesmo dia, o presidente da Câmara disse que errou ao permitir que sete parentes pegassem carona em um avião da FAB para assistir ao jogo da seleção e devolveu à União R$ 9,7 mil, segundo ele, equivale em bilhetes comerciais à carona dada a parentes em avião oficial.

A Procuradoria da República no Distrito Federal apura se houve irregularidade.

(*) FERNANDA ODILLA, MÁRCIO FALCÃO e RENATA AGOSTINI – FOLHA DE SP

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TIRO NO PÉ

Investigação da PF contraria discurso do governo sobre ação orquestrada em boatos do Bolsa Família

00rs0712a - pesado penteado

A Polícia Federal finalizou o inquérito que investigou a onda de boatos sobre o Bolsa Família, após quase dois meses de trabalho, mas não identificou nenhum indício de crime. Por isso, nenhuma pessoa foi indiciada ou responsabilizada. A conclusão contraria o discurso oficial do governo federal explicitado logo após a onda de boatos, no sentido de que haveria uma ação orquestrada para difundir o boato sobre o fim do programa.

A PF concluiu que houve uma decisão de gestão da Caixa Econômica Federal, que antecipou parte dos pagamentos sem aviso prévio para os beneficiários. O inquérito constatou um aumento no volume de saques em Ipu (CE) e Cajazeiras (PB), cidade onde teve a primeira notícia do pagamento no Facebook. Também não foi identificado o uso de empresas contratadas ou rádios comunitárias. Cerca de 200 pessoas foram ouvidas.

Segundo o relatório final, foi um conjunto de “fatores desassociados” que levou à onda de boatos, que teriam sido espontâneos, sem intenção de causar qualquer dano ao governo. Por isso a PF afirma que não houve crime ou contravenção.

Em maio, milhares de pessoas correram até as agências da Caixa Econômica para sacar os benefícios, após a propagação do boato de que o programa iria acabar. Houve tumulto em alguns locais. Também foi difundida a informação de que o governo iria depositar um dinheiro extra por conta do Dia das Mães.*

(*) FERNANDA ODILLA – FERNANDO MELLO – FOLHA DE SÃO PAULO

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APARELHAMENTO DO LULOPETISMO

Aplicação em grupo de Eike traz

perda a fundo de pensão dos Correios

000 - eike aista - mamando sempre

 

A derrocada das empresas de Eike Batista é um dos motivos que colaboraram para um deficit milionário do fundo de pensão dos funcionários dos Correios.

OGX já sabia de inviabilidade de campos há seis meses

Nos últimos dois anos, o fundo Postalis teve deficit de R$ 985 milhões. O rombo será dividido entre os Correios e os participantes do fundo.

Desde abril, estão sendo descontados dos salários dos funcionários dos Correios o equivalente a 3,94% do valor do benefício que terão direito quando se aposentarem.

O Postalis é o 14º maior fundo de pensão do Brasil, com patrimônio de R$ 7,68 bilhões, e é o terceiro em número de participantes, com 130 mil pessoas.

Do deficit total, R$ 287 milhões são de origem técnica, como o aumento na expectativa de vida das pessoas, que passam a receber benefícios por mais tempo. O restante é financeiro.

Em gravação obtida pela Folha, Wanderley José de Freitas, presidente da Globalprev (consultoria contratada pelo Postalis), diz a um grupo de funcionários que o deficit “decorre da significativa redução dos juros e da diversificação que ocorreu na Bolsa, concentrada especialmente em ações das empresas de Eike Batista”.

Os fundos de pensão estão sendo prejudicados pela queda dos juros, que tornou mais difícil cumprir as metas de rentabilidade e forçou a diversificação dos investimentos. O Postalis teve rentabilidade de 7% em 2012, abaixo da meta (12,6%) e abaixo dos 15% da média do setor.

Também presente ao encontro, o presidente do Postalis, Antônio Carlos Conquista, foi questionado por um participante sobre o porquê de “colocar todos os ovos em uma cesta só”, referindo-se às empresas X.

Conquista respondeu que as ações do grupo EBX subiram muito em 2010 e 2011. “As escolhas do passado eram as melhores. Não tenho dúvidas de que vocês fariam o mesmo”, afirmou.

Ele disse acreditar na recuperação das empresas por causa da possibilidade de entrada de sócios estrangeiros ou até de uma ajuda do BNDES. “Seguramente vão subir de novo, porque está vindo uma série de ajustes. Está sendo vendida para grupo estrangeiro, entra BNDES no meio”, disse.

Essa reunião aconteceu no início do ano e estavam presentes cerca de cem pessoas. Na época, os executivos do Postalis foram até as regionais dos Correios explicar os motivos do deficit.

Procurado durante dois dias, o Postalis não esclareceu o quanto dos R$ 698 milhões de rombo foram provocados pela queda dos juros e quanto foram causados pelos investimentos no grupo EBX. Essa informação não está disponível em seu balanço na internet. A Globalprev não retornou as ligações.

O fundo informou que investe 7,98% do patrimônio em ações -o equivalente a R$ 613 milhões. E que as empresas X representam hoje 1,66% do total -ou R$ 127,5 milhões. A termelétrica MPX é a maior aposta (1,33%).

Ou seja, 20,8% dos investimentos em ações estão nas empresas de Eike. Esse porcentual pode ter sido mais alto, dada a queda das empresas X na Bolsa.

O Postalis diz que começou a investir no grupo EBX em setembro de 2011, mas não revelou quanto aplicou. Desse período até agora, a ação da MPX, a melhor empresa do grupo, caiu 27%, para R$ 7,11.

Os funcionários estão preocupados com o deficit do Postalis. “O fundo é o nosso futuro e não concordamos que seja investido em sonhos, como as empresas do Eike Batista”, disse Luiz Alberto Menezes Barreto, presidente da Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap).

A Adcap enviou carta ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, presidente do conselho de administração dos Correios, pedindo que “atue com urgência para corrigir os rumos” do Postalis.

Em nota, o ministério disse que “tomou conhecimento do assunto por meio de auditoria realizada pelos Correios” e determinou “o encaminhamento de informações” para “orientação sobre possíveis providências”.

Não há dados públicos sobre a performance dos investimentos do Postalis em 2013. O fundo informou que mantém ações do grupo EBX, porque “são investimentos de longo prazo”.*

(*) RAQUEL LANDIM –  FOLHA DE SÃO PAULO

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DA PROLONGADA INSÔNIA

000- a coluna do Joauca - 500

Eis a implicação dos ateus:

Se Deus fez tudo do nada,

O nada é a essência de Deus.

 

Algodão entre cristais,

A minha vida parada

Passa depressa demais.

 

Nascer, morrer – ida e chegada…

O homem é uma frágil ponte

Ligando um nada a outro nada.

 

O poder corrompe, a fama embriaga,

O amor constrói, Deus é fiel…

Todo chavão é praga.

 

Na disfarçada idolatria

A Igreja  inventa seus santos

E a eterna virgindade de Maria.

 

Desminto meus alfarrábios:

O amor existe e  há de estar

Na doçura dos teus lábios.

 

A saudade aprisionada:

Na caixa, a trança e uma foto

De uma filha assassinada.

 

Tem dois lados toda fama:

O sopro que aviva a brasa

Apaga também a chama.

 

O que mais dói no meu ser:

As coisas que não fiz bem

E as que não pude fazer.

 

Ir ao topo é uma ambição:

Quanto mais alto subimos,

Melhor é a nossa visão.

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

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A HORA DA ONÇA BEBER ÁGUA

A peleja da amadora contra os profissionais

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Brilham de forma mais intensa os olhos da maioria dos deputados federais e dos senadores de todos os partidos – alguns deles do próprio PT.

No final da tarde de ontem, um deputado do PMDB do Nordeste aproveitou uma roda de colegas na Câmara para cantar baixinho, feliz, o estribilho de antiga música da dupla Antonio Carlos e Jocafi:

“Você abusou / tirou partido de mim abusou / tirou partido de mim abusou / tirou partido de mim abusou…”

O alvo de tanta felicidade: a presidente Dilma Rousseff.

A hora do troco chegou!

Como Dilma imaginou enfrentar o ronco das ruas?

Jogando nas costas do Congresso o peso das reclamações.

De sua parte, fez pouco para conter a ira dos manifestantes. Disse que investirá R$ 50 bilhões em transporte, prometeu contratar milhares de médicos, até mesmo estrangeiros se necessário, e o que mais?

Em seguida, sacou da bolsinha de mão o que imaginava serem três poderosos trunfos: um plebiscito, uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva e a reforma política.

Por meio de um plebiscito, o povo diria sim ou não à convocação de uma Constituinte exclusiva para fazer a reforma política que o Congresso ignora.

O trunfo da Constituinte foi pelo ralo menos de 24 horas depois. “Para a solução atual, não se faz necessária uma Constituinte. Ou seja, não se faz necessária romper a ordem jurídica”, decretou Michel Temer, vice-presidente da República.

Juristas de peso deram razão a Temer.

O trunfo do plebiscito começou a perder seu valor quando Dilma encaminhou, ontem, ao Congresso sugestões para a reforma política.

O que ela e o PT querem é que os efeitos da reforma se façam sentir nas eleições gerais do próximo ano, o que poderia beneficiá-los.

Para isso o Congresso seria obrigado a aprovar a reforma até 5 de outubro – um ano antes das próximas eleições.

Se isso não for possível, as consequências da reforma só incidiriam sobre as eleições de 2016.

A Justiça Eleitoral deu a entender que dificilmente haverá tempo para realizar o plebiscito e aprovar a reforma no Congresso até o dia 5 de outubro.

O PSB, aliado do governo, defendeu que o plebiscito coincida com as eleições de 2014.

O PMDB da Câmara dos Deputados não quer ouvir falar em plebiscito para já. E se puder dará um jeito para que a reforma política acabe outra vez esquecida.

Em resumo: por tratá-los mal, Dilma abusou dos políticos.

Por terem sido abusados, e diante da queda dela nas pesquisas de intenção de voto, eles agem para enfraquece-la ainda mais.

Está em curso a peleja da amadora contra os profissionais. O resultado é previsível.*

(*) Blog do Noblat.

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