BAIXOU A CRISTA

Bolsonaro muda tom de pronunciamento, volta a citar OMS e é alvo de panelaço

Na TV, presidente diz que doença não pode causar mais desemprego, mas não fala em fim de isolamento; discurso é acompanhado por protestos

VEJA
BRASÍLIA – Em mais uma tentativa de sair do isolamento político, o presidente Jair Bolsonaro fez nesta terça-feira, 31, novo pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV e disse que o efeito colateral do coronavírus não pode ser pior do que a própria doença. O discurso do presidente foi novamente acompanhado por panelaços em vários pontos do País. *

(*) Redação, O Estado de S.Paulo

PULANDO DO TITANIC

Sergio Moro e Paulo Guedes se aproximam de Mandetta e Bolsonaro se isola cada vez mais politicamente

Iotti: Titanic | GaúchaZH

Os ministros Sergio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Economia) uniram-se nos bastidores no apoio ao colega Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e na defesa da manutenção das medidas de distanciamento social e isolamento da população no combate à pandemia do coronavírus.

O trio formou uma espécie de bloco antagônico, com o apoio de setores militares, criando um movimento oposto ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro, contrário ao confinamento das pessoas, incluindo o fechamento do comércio.

ISOLAMENTO POLÍTICO – Com isso, o isolamento político do chefe da República aumenta diante do apoio que Mandetta já tem da cúpula do Legislativo e do Judiciário —nesta segunda-feira, dia 30, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, destacou a necessidade do isolamento social.

Nos últimos dias, Moro deixou claro a pessoas próximas e a colegas de Esplanada a sua insatisfação com as recentes atitudes do presidente, como um passeio a pontos de comércio de Brasília no domingo, dia 29.

INDIGNAÇÃO – Segundo aliados, Moro se disse “indignado” com a decisão de Bolsonaro de romper o acordo feito, no sábado, dia 28, com ele e com outros membros do primeiro escalão do governo no sentido de buscar um discurso afinado sobre a pandemia.

O ministro ficou incomodado, por exemplo, por não ter sido chamado para participar de um encontro, também no sábado, com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e outros ministros do governo para discutir a judicialização das ações federais.

DESCONTROLE – A posição do ex-juiz da Lava Jato sobre a pandemia se tornou pública por meio de suas redes sociais. Ele disse estar em “auto isolamento” no último fim de semana. A avaliação feita por Moro a aliados é a de que o presidente está descontrolado, deixando aflorar sentimentos de raiva de supostos inimigos.

Moro não reza a cartilha do presidente sobre a pandemia. Ele tem defendido, além do isolamento, saídas técnicas para enfrentá-la. Exatamente o contrário das falas de seu chefe. Em uma reunião, por exemplo, o ministro disse que a Presidência não pode ser tratada como um “patrimônio pessoal”.

PRESSÃO – Em entrevista recente à Folha, Moro se irritou ao ser questionado sobre o comportamento de Bolsonaro. A aliados o ministro disse que não colocaria o cargo à disposição do presidente e que não era o momento de abandonar o barco, apesar da pressão que tem sofrido de pessoas próximas para sair.

Além de Moro, Guedes, considerado fiador econômico do governo, manifestou seu apoio às ações de Mandetta em conversas reservadas com políticos no fim de semana. Publicamente, disse em duas ocasiões que não vê motivos para que o país coloque fim ao isolamento, sempre sinalizando em aceno ao titular da Saúde.

Em conversas com prefeitos e investidores, o chefe da economia disse que, como pessoa, preferiria ficar em casa. A declaração dele enfraquece a tese defendida por Bolsonaro de que é necessário retomar o funcionamento do país para que a crise econômica não se torne mais aguda.*

(*) Redação da Folha de São Paulo

O BICHO TÁ PEGANDO

“Vou ouvir o ministro Mandetta”, diz o procurador Aras sobre postura de Bolsonaro

O procurador-geral da República, Augusto Aras, rebateu nesta terça-feira, dia 31, críticas de que estaria omisso durante a pandemia do coronavírus. Perguntado sobre qual decisão tomará caso o presidente Bolsonaro cumpra o que aventou e baixe um decreto pelo isolamento vertical, no qual somente pessoas de grupos de risco devem ficar isoladas, Aras respondeu: “Vou ouvir o ministro Mandetta. Quem determina política de Saúde no Brasil é o ministro Mandetta”.

Aras, que tem 61 anos, disse à reportagem que está trabalhando de seu gabinete mesmo sendo considerado do grupo de risco, pois tem muito trabalho e não pode adiar assuntos.

Hoje o procurador-geral acredita que estará às voltas com um pedido de impeachment do presidente Bolsonaro que circula nas redes sociais e que, segundo Aras, deve chegar à PGR para sua manifestação. Até agora, Aras disse que não recebeu nenhum documento.*

(*) Blog da Andréia Sadi
G1

BOLSONARO MENTE DESCARADAMENTE

Mandetta nega que OMS tenha pedido fim do isolamento e defende quarentena dos Estados
Bolsonaro havia destacado trecho de um discurso do diretor-geral do órgão, omitindo contexto da declaração, para justificar por que algumas pessoas devem voltar ao trabalho

BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, negou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha defendido o retorno imediato das pessoas ao trabalho, conforme fez crer o presidente Jair Bolsonaro, em afirmações dadas na manhã desta terça-feira, 31. Mais do que isso, Mandetta defendeu ainda “o máximo de distanciamento social” e a manutenção das quarentenas definidas pelos Estados no combate ao novo coronavírus.*

(*) André Borges Julia Lindner e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

INVEJA BRANCA, HEIN?

Ditador do Turcomenistão proíbe uso da palavra coronavírus no país
Regime, na Ásia Central, um dos mais fechados do planeta, afirma não ter registrado casos de Covid-19

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A atual pandemia de coronavírus já contaminou mais de 800 mil pessoas no mundo e deixou 39 mil mortos, mas no Turcomenistão o problema não existe —pelo menos, segundo a versão oficial.

Nesta terça-feira (31), o ditador Gurbanguly Berdymukhamedov baniu o uso da palavra coronavírus no país.

A proibição vale tanto para publicações oficiais quanto para a imprensa independente —que quase não existe no país— e até mesmo para indivíduos.*

(*) Folha de São Paulo

O PAI DO FAKE NEWS

OMS responde a Bolsonaro e nega que seja contra políticas de isolamento

A Organização Mundial da Saúde (OMS) rejeitou insinuações por parte do governo de Jair Bolsonaro de que tenha apoiado a ideia de que políticas de isolamento não devam ser aplicadas.

Na segunda-feira, o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, usou sua coletiva de imprensa em Genebra para convocar os países a também lidar com os mais pobres. Bolsonaro usou a frase para justificar sua política de rejeição de medidas de isolamento.

Tedros, porém, não se referia a isso. Mas sim à necessidade de que instrumentos sejam criados para garantir o sustento dessas pessoas, por medidas sociais e transferência de recursos.

Diante da polêmica gerada no Brasil e o temor de que o discurso de Tedros fosse manipulado, a OMS decidiu ir de maneira deliberada às redes sociais nesta terça-feira. Ainda que não cite expressamente o nome do brasileiro, a entidade decidiu esclarecer seu posicionamento em duas mensagens.

“Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS”, disse o direto-geral da OMS.

“Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da covid-19. Solidariedade”, completou.

Pela manhã, Bolsonaro tentou manipular as declarações do africano para justificar sua política. “Vocês viram o presidente da OMS ontem?”, perguntou. “O que ele disse, praticamente… Em especial, com os informais, têm que trabalhar. O que acontece? Nós temos dois problemas: o vírus e o desemprego. Não pode ser dissociados, temos que atacar juntos”, disse.

Tedros, porém, não falou em trabalho. Mas na garantia de renda, conforme ele mesmo escreveu hoje em suas redes sociais.

Nas redes sociais, Bolsonaro e seus filhos tem usado um trecho cortado da fala de Tedros para justificar seu posicionamento, deixando de fora outras partes em que o africano fala da importância do isolamento.

Essa não é a primeira vez que a OMS responde ao presidente brasileiro. Na semana passada, Tedros foi questionado pela coluna sobre a atitude de Bolsonaro de minimizar a doença. “As UTIs estão lotadas em muitos países”, alertou o africano, em resposta. “É uma doença muito séria”, insistiu.

Na OMS, uma parcela dos técnicos acredita que Bolsonaro poderia ser uma ameaça ao combate ao vírus, com posições que questionam a ciência e confundem os cidadãos.*

(*) Blog do Jamil Chade – UOL

PIADISTAS JURAMENTADOS

Pode parar? Faz tempo que parou

 

Brasil não é mais a sétima economia do mundo - ISTOÉ DINHEIRO
A propaganda do Governo Federal diz que o Brasil não pode parar. Mas, onde deveria estar andando, já que não depende de quarentena, não anda. O Estado de S. Paulo levantou os dados e mostra que 64% dos recursos que o Governo Federal anunciou para combater a pandemia são apenas anúncios. Em muitos casos, o Governo nem enviou as medidas ao Congresso. Em outros, sem articulação, não conseguiu encaminhar a votação.

Dos R$ 308,9 bilhões prometidos, R$ 197,5 bilhões são só da boca para fora. Não estão em nenhuma proposta. O que foi feito é o que ajuda empresas: flexibilização de normas trabalhistas, crédito, adiamento de tributos. Medidas de proteção às famílias de baixa renda não existem de fato. São pura fantasia. Houve também auxílio a Estados e municípios. A única medida de auxílio à baixa renda foi iniciativa do Congresso: um vale mensal temporário de R$ 600,00 a trabalhadores informais. O Governo tinha falado em R$ 200,00 – só falado. O Congresso aprovou R$ 500,00 e, com base numa frase de Bolsonaro, de que R$ 600,00 seriam aceitáveis, ampliou o vale.

E o superministro Paulo Guedes, do superministério da Economia, saiu de Brasília (o serviço do hotel estava ruim, explicou) e foi para sua casa no Rio, onde, segundo disse, trabalha o tempo inteiro, em ligação total com sua equipe (a que deveria redigir os projetos).

Mas ninguém é de ferro: na quinta, às 17h30, Sua Excelência foi fotografado passeando na orla marítima.*

(*) Coluna Carlos Brickmann

O POVO QUER SABER

Falta saber qual é o plano antiepidemia de Bolsonaro

É preciso tratar Jair Bolsonaro como presidente da República, não como um político exótico. Sabe-se que ele não deseja o isolamento social. Resta agora descobrir o que sugere Bolsonaro para combater o coronavírus. Do contrário, prevalecerá a impressão de que o principal problema do Brasil no enfrentamento da doença é o fato de que o presidente imagina que o problema não é dele.

Quais são os parâmetros científicos em que se escora o presidente para sugerir o fim do isolamento?, eis a primeira pergunta a ser respondida. O Ministério da Saúde receia que uma explosão de contágios simultâneos produza no Brasil um colapso do sistema hospitalar, como ocorre em outros países. O presidente precisa informar se ele se responsabiliza por arrumar vagas nas UTIs.

O modelo de funcionamento do SUS, Sistema Único de Saúde, impõe responsabilidades aos governadores e aos prefeitos. Considerando-se que Bolsonaro acha que todos estão errados e ele é quem está com a razão, é preciso que o presidente informe se planeja federalizar o SUS, assumindo toda a responsabilidade pelo excesso de cadáveres que a suspensão do isolamento pode produzir.

Nesta segunda-feira, Bolsonaro perguntou na frente do Alvorada: “Vamos enfrentar o problema ou o problema é o presidente?” A indagação sugere um incômodo de Bolsonaro com as críticas. Esperar que o mundo o trate bem porque ele se considera uma boa pessoa é como esperar que um leão faminto não ataque alguém que se diz vegetariano.

No domingo, após afrontar todas as orientações técnicas num tour pela periferia de Brasília, o presidente declarou: “O vírus tá aí, vamos ter de enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, pô, não como moleque.” Bolsonaro precisa explicar por que considera que seu ministro da Saúde, a cúpula da OMS, cientistas e chefes de Estado do mundo inteiro seriam moleques. De resto, falta definir o comportamento de um homem, sobretudo do homem que ocupa a Presidência do país.*

(*) Blog do Josias de Souza – UOL

PANDEMIA

Quantas vidas vamos perder para o coronavírus?

Covid-19

Mais de 30 caixões de vítimas da Covid-19 foram armazenados antes de serem transportados para outra região para cremação, na Lombardia, Itália| Foto: Piero CRUCIATTI/AFP

São as imagens mais fortes da pandemia do novo coronavírus até agora, divulgadas na sexta-feira (27) pelo jornal americano New York Times. A reportagem, com o título “Nós carregamos os mortos de manhã até de noite”, mostra o colapso no sistema de saúde na cidade de Bergamo, na Itália, a mais afetada pela Covid-19, com mais de 1.300 mortes e contando. Macas enfileiradas em corredores dos hospitais, doentes sendo socorridos em casa por funcionários com equipamentos de proteção individual (EPIs, em falta nas unidades públicas de saúde brasileiras) dignos de filmes de guerra biológica e crianças se despedindo à distância — talvez para sempre — de pais sendo levados para dentro de ambulâncias.

A Itália segue tendo recordes diários de mortes pela Covid-19 e, assim como a Espanha, já superou a China, onde o surto viral começou, em números absolutos. Não que se possa acreditar nos dados que o governo chinês tem divulgado. Há relatos vindos da imprensa em Hong Kong, mais livre do que na China continental, de que Pequim está escondendo pelo menos um terço dos novos casos.

Ora, mas o Brasil é um país mais jovem e mais quente do que a Itália. Verdade para as duas afirmações. Mas isso é o suficiente para assegurar que os brasileiros estão protegidos de um desastre, de cenas espantosas como as que podem ser vistas na reportagem acima citada?

O cientista americano Dennis Carroll, que nos últimos quinze anos comandou o Programa de Ameaças de Doenças Infecciosas da Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID), disse-me que há dois fatores a serem levados em conta em relação ao argumento climático (“moro num país tropical”) e ao demográfico (“somos tão jovens”).

O primeiro é que ninguém sabe, ainda, se o coronavírus terá um comportamento sazonal, ou seja, se vai dar uma trégua conforme as temperaturas aumentam no hemisfério norte, para voltar apenas no início do inverno.

O segundo é que, apesar de jovem, o Brasil tem uma grande população e, se nossos idosos forem contaminados, isso seria o suficiente para esgotar os recursos e as capacidades do nosso sistema de saúde.

O que se pode concluir a partir das ponderações feitas por Carroll? Quantas vidas vamos perder para o coronavírus?

Na questão climática, além da incerteza sobre se as temperaturas mais elevadas são mesmo uma barreira para o vírus, há de se considerar que o Brasil está justamente entrando em uma estação mais fria.

Segundo uma análise do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, a maioria das infecções do coronavírus até agora ocorreu em regiões do mundo com temperaturas entre 3°C e 17°C. Em São Paulo, por exemplo, a média climatológica começa a entrar nessa faixa em maio e ali permanece até agosto. Como o vírus vai se comportar no outono brasileiro? Não se sabe.

Quanto à questão demográfica, ainda que apenas os mais velhos tivessem a vida ameaçada pelo Covid-19 (o que não é verdade, como mostra o levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde na sexta-feira, 27, segundo o qual 11% dos mortos têm 60 anos ou menos), é preciso lembrar que o Brasil tem uma população de idosos significativa.

Segundo estimativa do IBGE, perto de 10% dos brasileiros têm 65 anos ou mais. Isso representa algo como 20 milhões de pessoas.

Segundo a revista britânica The Economist, estima-se que o coronavírus pode infectar, nos próximos meses, entre 25% e 80% da população dos países emergentes ao sul da linha do Equador.

Com base nessas estimativas, na hipótese mais conservadora — se temperaturas mais altas retardarem a disseminação do vírus, se apenas os idosos se contaminarem e se a infecção só atingir 25% deles — a Covid-19 atingiria 5 milhões de brasileiros.

Quantos desses 5 milhões perderiam a vida é difícil de projetar porque a taxa de letalidade do vírus verificada no Brasil pode estar distorcida por falta de diagnóstico. (A orientação no estado de São Paulo, por exemplo, é a de fazer o teste apenas em pacientes em estado grave ou que morreram.) Mas, levando-se em conta a taxa de letalidade da Covid-19 na China, nos primeiros meses de epidemia, que foi de cerca de 3%, isso significaria que 150.000 brasileiros poderiam morrer — lembrando que estamos falando aqui apenas de idosos, sem considerar os riscos para outras faixas etárias.

Essa é uma estimativa conservadora no caso de que nada fosse feito — nenhuma medida de isolamento social, por exemplo. Um estudo recente do Imperial College de Londres é menos otimista: projeta 1,15 milhão de mortos pela Covid-19 no Brasil, se nada for feito. O mesmo trabalho estima que 44.000 brasileiros perderiam a vida por causa da doença em um cenário em que medidas drásticas de restrição fossem tomadas.

Pode-se, também, citar um estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que projetou em 478.000 o número de mortos pela Covid-19 no Brasil, em um cenário em que 40% da população se visse infectada pelo vírus. O estudo levou em consideração as características etárias da população brasileira e fatores como a estrutura do nosso sistema de saúde.

É bem possível que outros vetores façam com que o número não chegue nem perto disso. Mas e se forem 10% ou mesmo 1% do que os pesquisadores projetaram: 47.800 mortos? 4.780 mortos? O Brasil não pode parar para salvar essas vidas? *

(*) Diogo Schelp – Diário do Povo