COM O SEU DINHEIRO, BABACA!

Quanto você pagou para Lula visitar o papa em Roma – e viajar livremente pelo Brasil

Nos primeiros 100 dias de liberdade, após 580 dias de prisão em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou uma despesa de R$ 100 mil com o pagamento de 248 diárias e passagens aéreas para servidores públicos que integram sua equipe de assessoramento. Considerando as demais despesas, como salários, combustível e carros oficiais, a gastança supera os R$ 300 mil. Tudo pago pelo contribuinte.

Só na recente viagem de Lula para se encontrar com o papa Francisco, o custo total com diárias de assessores e seguranças chegou a R$ 21,5 mil. O ex-presidente levou a Roma, na viagem de 10 a 15 deste mês, três integrantes da equipe cedida pela Presidência da República. Dois deles receberam cinco diárias cada, no valor total de R$ 16 mil. Um terceiro servidor recebeu três diárias no total de R$ 5,5 mil. Na prestação de contas à Secretaria-Geral da Presidência, não há registro de gastos com passagens aéreas.

As despesas do petista com diárias começaram já no momento da soltura de Lula, em 8 de novembro do ano passado. Um dia antes, quatro integrantes da equipe seguiram de São Bernardo do Campo (SP) para Curitiba em veículo do ex-presidente. Retornaram no dia 9, um deles de avião. As quatro diárias custaram R$ 2,2 mil.

Mas logo começaram as maiores despesas. No dia 14 de novembro, em reunião da Executiva Nacional do PT, num hotel em Salvador, ele defendeu que o partido não precisa fazer autocrítica. “Quem quiser que o partido faça autocrítica que faça a crítica”, afirmou. O custo da viagem com 21 diárias mais passagens aéreas para seus assessores ficou em R$ 14 mil.

Três dias depois, Lula foi recebido por cerca de 200 mil pessoas em Recife, no Festival Lula Livre, segundo a organização do evento. O ex-presidente seguiu na linha de polarização com o governo Bolsonaro: “Na lógica desses canalhas, pobres e negros não podem ter acesso à universidade. Cultura pra eles é coisa de comunista”. A viagem custou R$ 9,5 mil em passagens e diárias.

A viagem mais cara foi para o Rio de Janeiro, de 28 de novembro a 8 de dezembro, acompanhado de cinco seguranças e assessores, em veículo próprio. Foram pagas 53 diárias, no valor total de R$ 12,8 mil. A prestação de contas não informa o motivo da viagem, mas o site do Instituto Lula registrou, em 9 de dezembro, o que ele fazia afinal: “O ex-presidente Lula passou parte da semana passada em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro. Neste domingo (8), publicou em suas redes sociais um vídeo que traz uma espécie de balanço da semana”.

Vestindo camiseta, chapéu praiano, em frente a uma das tradicionais janelas coloridas de Paraty, Lula comentou em vídeo a recusa do chamado excludente de ilicitude no pacote anticrime do ministro Sergio Moro, que teria como objetivo, segundo ele, dar “quase que uma ordem para matar”, especialmente “preto, jovem e pobre”.

A maioria das viagens de Lula foi para o Rio. Elas renderam 108 diárias para seus assessores e seguranças, num total de R$ 26,4 mil. Com mais algumas passagens aéreas, as despesas somaram R$ 29 mil.

Em 23 de janeiro, Lula esteve no Encontro de Amigos e Amigas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Sarzedo (MG), que reuniu cerca de 400 pessoas. As despesas com o deslocamento da equipe, incluindo 25 diárias, ficaram em R$ 10 mil.

No evento, o ex-presidente criticou duramente o sistema capitalista. Segundo ele, o sistema provou ser “muito bom para acumular dinheiro para poucos e muito ruim para garantir o direito de muitos. O resultado do desenvolvimento capitalista é que os capitalistas ficaram muito mais ricos e os pobres estão ficando mais pobres”.

Em eventos públicos, entrevistas e manifestações em redes sociais, Lula busca sempre radicalizar o discurso, falando para os militantes e apresentando-se como contraponto ao governo Bolsonaro. Logo no seu primeiro ato público, o petista defendeu que o partido tenha o máximo possível de candidatos a prefeitos neste ano. “Nosso partido tem que sair mais forte, mais disposto a brigar. O PT não nasceu para ser um partido de apoio”, afirmou, em Salvador.

Documentos da Presidência da República mostram que, após deixar a prisão, Lula gastou apenas R$ 23,3 mil com passagens aéreas – a maior parte das viagens foi em veículo próprio – e R$ 76,6 mil com diárias.

Em 2019, o total das despesas da Presidência da República com Lula foi de R$ 765 mil. Como a sua equipe de assessores, seguranças e até motorista foi mantida, mesmo no período da prisão, o gasto com pessoal somou R$ 694 mil.

As despesas com diárias e passagens em novembro e dezembro de 2019 ficaram em R$ 69 mil. A manutenção dos veículos oficiais custou uma merreca no ano passado, pouco mais que um salário mínimo – R$ 1.082. Mas, afinal, o ex-presidente não podia usar o carro até 8 de novembro. A assessoria do ex-presidente não explicou o que faziam os seguranças e motoristas.

Previsão legal

A legislação brasileira (Lei 7.474/1986) estabelece que ex-presidentes têm direito aos serviços de assessores, seguranças, motorista, passagens aéreas, diárias, cartão corporativo, carro oficial e combustível. As despesas são custeadas pela Secretaria-Geral da Presidência da República, ou seja, com dinheiro público.

No caso de Lula, a Justiça chegou a suspender o custeamento das despesas dele quando foi preso, em abril de 2018. Mas essa decisão foi cassada em segunda instância e as mordomias foram restabelecidas. A liminar foi derrubada porque não há na legislação a previsão de corte dos direitos no caso de o ex-presidente ser condenado e preso.*

(*) Lucio Vaz – Gazeta do Povo

 

… NO VENTILADOR

Governador da Bahia afirma que vídeo de autópsia de Adriano divulgado por Flávio é falso

Rui Costa afirmou que corpo do ex-capitão tinha ‘uma saída na bala nas costas’ diferentemente do que aparece nas imagens compartilhadas pelo senador

BRASÍLIA – O governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou nesta quarta-feira que o vídeo compartilhado pelo senador Flávio Bolsonaro (Sem partido-RJ) afirmando ser da autópsia do ex-capitão Adriano da Nóbrega, é falso. Na tarde de ontem, o senador divulgou em suas redes um vídeo que afirmava ser do corpo do ex-capitão da PM do Rio, morto em uma operação policial na Bahia após passar um ano foragido da Justiça.

Na gravação divulgada pelo senador sem aviso de conteúdo sensível, o cadáver aparece de costas e em determinado momento, é filmada a etiqueta com a identificação do corpo utilizada pela perícia da Bahia. Na postagem, o parlamentar afirmou que peritos não conseguiram concluir se Adriano foi ou não torturado antes de ser morto em uma operação policial realizada pela polícia militar da Bahia.

Rui Costa garantiu que as imagens não são das autoridades baianas ou fluminenses, mas que não deve haver investigação sobre a autenticidade do vídeo.

— Posso lhe garantir que aquilo não é nem do IML da Bahia, nem do IML do Rio. Imagem, hoje, edita do jeito que quiser…. Nas imagens (verdadeiras) do corpo tem uma saída de bala nas costas, e as costas aí estão lisas — disse o governador após sair de uma reunião no Senado.

Leia:  Justiça determina que polícia forneça gravações de rádios usados por PMs na morte de Adriano

Ontem, o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, e o diretor do Instituto Médico Legal responsável, Mário Câmara, também tinham questionado a autenticidade do vídeo jogou dúvidas sobre a autenticidade do vídeo.

“Não sabemos se foi adulterado, onde foi feito, não sabemos se o corpo é realmente do senhor Adriano”, disse o diretor do IML, que reforçou confiar no laudo médico que tinha descartado tortura.

O governador baiano também apontou que o Ministério Público de ambos os estados estão em contato nas investigações.

— Deixa concluir a apuração. O Ministério Público da Bahia está cuidando, o Ministério Público do Rio continuará apurando, todos os telefones foram enviados ao Rio com chip ao Ministério Público, na íntegra, sem serem vistos. Portanto, quem vai investigar é o MP do Rio. Vai ser feita uma nova perícia amanhã no Rio de Janeiro, pelo IML do Rio, e agora está entregue às autoridades. Eu, como um democrata que sou, acredito nas instituições. Acredito no Ministério Público da Bahia, acredito no Ministério Público do Rio, e eles serão capazes, espero, de reafirmar e deixar claro para a sociedade toda essa situação — concluiu o governador.*

(*) Isabella Macedo – O Globo

ANCHE PER ME SONO TUTTI UGUALI

As PMs recrutaram os governadores

Amotinados foram socorridos por anistias votadas pelas Assembleias Legislativas e pelo Congresso

O manifesto dos 20 governadores dizendo-se confrontados por Jair Bolsonaro porque, entre outras coisas, ele se “antecipou a investigações policiais para atribuir fatos graves à conduta das polícias” foi um monumento à dissimulação da cumplicidade corporativa dos signatários. Os governadores decidiram sentar praça nas suas polícias militares.

Bolsonaro lançou suspeitas sobre a conduta da polícia baiana no episódio da morte do miliciano Adriano da Nóbrega. O presidente não foi a única pessoa a sentir cheiro de queimado naqueles tiros. Ademais, essa não foi a primeira batatada de Bolsonaro, com sua vulgar loquacidade.

O governador Wilson Witzel (Harvard fake ’15) assinou o manifesto. Em matéria de “fatos graves”, a PM do Rio tem uma galeria de troféus. O capitão Adriano pertenceu ao seu Bope. Na PM esteve o subtenente Fabrício Queiroz, chevalier servant dos Bolsonaro, que empregou familiares de Adriano nos gabinetes parlamentares da família. Aos dois somam-se o sargento reformado Ronnie Lessa (ex-guarda-costas de bicheiros) e o ex-PM Elcio Queiroz (ex-segurança de cassinos), ambos presos, acusados de terem matado a vereadora Marielle Franco.

Fala-se muito da militarização do governo Bolsonaro porque há três generais de quatro estrelas no Planalto. Essa é uma questão real, mas eles comandam mesas e dois estão na reserva. Quem comanda tropa são os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Há 30 anos as Forças Armadas brasileiras mantêm-se dentro da disciplina e nelas os casos de corrupção foram pontuais. Conhece-se o episódio escabroso do sargento da FAB apanhado com 37 quilos de cocaína. Não se conhece o resultado da investigação, mas até agora não se pode dizer que existisse uma quadrilha de traficantes dentro da Força.

O manifesto de solidariedade dos governadores às suas Polícias Militares acende a luz noutra direção. Somadas, essas corporações têm cerca de 500 mil homens e mulheres. Esse número supera o efetivo da Forças Armadas e, ao contrário do que acontece no Exército com os conscritos, seus soldados são profissionais.

Nos últimos 20 anos deram-se pelo menos 12 motins e seis greves de policiais militares. Só na Bahia, cujo Bope matou o miliciano Adriano, as rebeliões foram três, numa das quais foi necessária a intervenção do Exército, como sucedeu também no Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais, Tocantins e Espírito Santo. Em todos os casos, os amotinados foram socorridos por anistias votadas pelas Assembleias Legislativas e pelo Congresso. O último perdão beneficiou os amotinados do Espírito Santo, e o anterior afagou indisciplinados de 19 estados. Vetado por Dilma Rousseff , durante a presidência de Michel Temer o Legislativo derrubou o veto e promulgou a anistia. Ninguém deu um pio. Quase sempre, tiveram no deputado Jair Bolsonaro um aliado.

Governadores não gostam de atritos com suas polícias, muito menos com as PMs. Tanto é assim que o mineiro Romeu Zema, signatário do manifesto, pediu um aumento de 41,7% para os policiais civis e militares. O doutor gosta de expor a situação falimentar em que recebeu o governo mineiro e intitula-se, como seu partido, o Novo na política. Põe velho nisso.*

(*) Elio Gaspari – O Globo

VEM CHUMBO GROSSO POR AÍ

Milagres de Adriano

Abatido há dez dias, o miliciano Adriano da Nóbrega começou a produzir milagres. Depois de morto, fez Jair Bolsonaro defender os direitos humanos e criticar a brutalidade policial.

O presidente passou a vida repetindo que “bandido bom é bandido morto”. Subitamente, pôs-se a protestar contra o passamento de um pistoleiro de aluguel.

No sábado, ele reclamou que a polícia baiana “não procurou preservar a vida de um foragido, e sim sua provável execução sumária”. O autor da frase é o mesmo político que, anos atrás, subiu à tribuna da Câmara para elogiar um grupo de extermínio da… Bahia.

O capitão também disse que a morte de Adriano “não pode deixar de ser esclarecida”. A polícia do Rio matou 1.810 pessoas no ano passado, mas ele não manifestou interesse em apurar um único caso.

Além de converter Bolsonaro ao pacifismo, a morte de Adriano fez nascer um novo defensor da presunção de inocência. No domingo, o presidente disse que não havia “nenhuma sentença tramitada e julgada” contra o miliciano. Pode ser, mas ele acumulava três passagens pela cadeia e estava em fuga para não ser preso pela quarta vez.

O capitão também disse que Adriano era “um herói” quando seu filho Flávio resolveu condecorá-lo com a Medalha Tiradentes. O discurso poderia colar se a honraria não tivesse sido entregue na cadeia.

Num lapso de memória, Bolsonaro se esqueceu de explicar por que o gabinete do Zero Um empregava a mãe e a mulher do miliciano. Na época, ele já havia sido expulso da PM por envolvimento com bicheiros.

Ontem o presidente sugeriu que Adriano foi vítima de queima de arquivo, mas fez questão de dizer que não tinha interesse em seu silêncio. “O que ele teria para falar? Contra mim é que não era nada”, jurou.

Bolsonaro também se mostrou preocupado com os 13 celulares apreendidos no esconderijo do milagreiro. “Quem fará a perícia nos telefones do Adriano? Poderiam forjar trocas de mensagens e áudios recebidos? Inocentes seriam acusados do crime?”, questionou.

Pelo tom das perguntas, parece que ele já sabe o que vem por aí.*

(*) Bernardo Mello Franco – O Globo

TÁ DIFÍCIL, HEIN?!

Prisão após 2ª instância: grupo de senadores pedirá a Alcolumbre para pautar projeto


Um grupo de senadores entregará nesta quarta-feira (19) ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), um manifesto para pedir a ele que paute em plenário o projeto de lei que muda o Código de Processo Penal e permite a prisão após condenação em segunda instância.

Ao todo, 43 assinaturas foram colhidas pelo senador Major Olímpio (PSL-SP). Ou seja, mais da metade dos senadores assinou o manifesto.

No ano passado, Alcolumbre informou que iria esperar a votação sobre o tema na Câmara dos Deputados para, então, o Senado discutir a proposta.

A Câmara discute uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim do recurso extraordinário, apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), e do recurso especial, apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Pela proposta, o réu só poderá recorrer até a segunda instância e, depois disso, o processo transitará em julgado.

“A PEC não tem andado, e a gente tem sido muito cobrado a aprovar a prisão após condenação em segunda instância. Quero ver agora com 43 assinaturas se o presidente Davi Alcolumbre vai pautar a matéria”, afirmou ao blog o senador Major Olímpio.*

(*) Gérson Camarotti – G1 – Brasília

BOTANDO AS ASINHAS DE FORA

Heleno afirma que parlamentares fazem ‘chantagem’; Maia diz que ministro virou ‘radical ideológico’

Fala do ministro do Gabinete de Segurança Institucional foi feita em uma transmissão ao vivo realizada pelo perfil do presidente Jair Bolsonaro em uma rede social.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou nesta quarta-feira (19) uma declaração do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, na qual ele reclama de “chantagem” de parlamentares.

A fala do ministro foi transmitida na terça-feira (18) ao vivo, via internet, pelo perfil do presidente Jair Bolsonaro em uma rede social. A transmissão mostrava o evento de hasteamento da bandeira em frente ao Palácio da Alvorada. Heleno estava conversando com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. No diálogo, Heleno diz que o governo não pode “aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo”.

Nesta quarta, em uma rede social, Heleno disse que na conversa com os ministros estava expondo sua visão sobre “insaciáveis reivindicações de alguns parlamentares por fatias do orçamento impositivo”. O Congresso deve discutir nos próximos dias vetos do presidente às regras, aprovadas pelos parlamentares, que dão a deputados e senadores maior controle sobre o Orçamento.

Ao chegar ao Congresso nesta quarta, Maia disse que a frase do ministro foi “infeliz” e que Heleno se tornou um “radical ideológico”.

“Geralmente na vida, quando a gente vai ficando mais velho a gente vai ganhando equilíbrio, experiência e paciência. O ministro pelo jeito está ficando mais velho e está falando como um jovem estudante no auge da sua idade, da sua juventude”, disse Maia.

“É uma pena que o ministro com tantos títulos tenha se transformado em um radical ideológico contra a democracia, contra o parlamento”, completou o presidente da Câmara.
Maia citou ainda aprovação do projeto de lei que reformou a aposentadoria de militares das Forças Armadas e disse não ter ouvido nenhum tipo de ataque do ministro quando o texto estava em tramitação.

“Eu não ouvi da parte dele nenhum tipo de ataque ao parlamento quando a gente estava votando o aumento do salário dele como militar da reserva”, disse Maia

“Talvez ele tivesse melhor em um gabinete de rede social, tuitando, agredindo como muitos fazem, como ele tem feito ao parlamento nos últimos meses”, concluiu o presidente da Câmara.

Por meio de nota, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também se manifestou sobre a fala de Heleno. O senador disse que “nenhum ataque à democracia será tolerado pelo parlamento”.

“O momento, mais do que nunca, é de defesa da democracia, independência e harmonia dos poderes para trabalhar pelo país”, completou o presidente do Senado.*

(*) Luiz Felipe Barbiéri, G1 — Brasília

BRUCRUTU DESQUALIFICADO

Não podendo elevar sua estatura, Bolsonaro rebaixa o teto da Presidência

 

O tratamento dispensado por Jair Bolsonaro à imprensa evolui aceleradamente do desrespeito para a indignidade. O presidente já não compromete apenas o que resta da sua reputação. Incapaz de elevar a sua estatura, Bolsonaro rebaixa o teto da Presidência. Ao insultar a jornalista Patricia Campos Mello, difundindo em tom jocoso insinuações sexuais, Bolsonaro associou à figura da autoridade máxima da República um comportamento asqueroso.

Bolsonaro se consolida como um presidente sui generis num regime supostamente democrático, do tipo que jamais nega à imprensa o direito inalienável de concordar inteiramente com ele. Para Bolsonaro, as entrevistas são sempre bem-vindas. E elas se tornam melhores quando o presidente consegue dialogar com os repórteres à sua maneira. Para ele, o melhor diálogo é aquele em que o presidente obriga o interlocutor a calar a boca. Se o repórter insiste na pergunta, Bolsonaro interrompe a entrevista.

Bolsonaro sempre perde a linha quando não acha resposta para uma pergunta incômoda. Antes de dar as costas, ele questiona a sexualidade de um repórter, ofende a mãe de outro, faz gracejos sexistas em relação a uma jornalista que fez reportagem que não saiu ao seu gosto. Isso não é normal. É absurdo. Como os males sob Bolsonaro sempre vêm para pior, o absurdo tem método. É ensaiado. É executado de forma teatral, de modo a saciar a fome de controvérsia dos seus súditos nas redes sociais.

Bolsonaro acha que desmerece a imprensa com seus ataques. É um engano. Na verdade, o presidente oferece aos repórteres que agride diariamente a oportunidade de se engrandecer. O único engajamento político que um jornalista que acompanha o poder deve ter é o seu compromisso de expor os desvios e a estupidez dos que exercem o poder em nome da sociedade. Se não fosse pelos jornalistas, a indignidade não deixaria vestígios. Bolsonaro vai deixando para a posteridade um rastro de incivilidade.*

(*) Blog do Josias de Souza

 

“EU JÁ SABIA”

Comissão de Ética da Presidência arquiva denúncia sobre Fábio Wajngarten

Colegiado analisou o fato de secretário de Comunicação ser acionista de empresa que presta serviço a veículos de comunicação que mantêm contratos com o governo.

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu não abrir investigação sobre Fábio Wajngarten, chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom). Ele foi denunciado por ser acionista de uma empresa que presta serviços a algumas emissoras e agências que mantêm contratos com governo, como revelou reportagem do jornal “Folha de S. Paulo”.

O relator do caso, o conselheiro Gustavo Rocha, votou pelo arquivamento. Ele foi acompanhado por outros três integrantes da comissão. O placar final foi de 4 a 2 pelo arquivamento. De acordo com o presidente do colegiado, Paulo Henrique dos Santos Lucon, a comissão pode voltar a discutir a questão caso surjam novas evidências.

“Foi feita a análise da legislação cabível e a comissão entendeu que não havia indícios para o prosseguimento do processo”, afirmou.

O presidente da comissão afirmou ainda que o fato de Fábio não exercer funções de gestão na empresa foi levado em consideração pela comissão.

Desde janeiro, a “Folha” vem publicando reportagens sobre o caso. Wajngarten, segundo o jornal, é acionista de uma empresa de pesquisa e auditoria de mídia que presta serviços a algumas emissoras de TV e agências de publicidade que mantêm contrato com a Secom, comandada pelo secretário.

Após o arquivamento da denúncia, a Secom divulgou nota na qual disse que “ficou comprovado” que “não há conflito de interesses entre a atuação do secretário e a sua empresa” (veja a íntegra da nota no final desta reportagem).

A defesa de Wajngarten também se manifestou e disse que o secretário “como servidor, se submeteu respeitosamente à Comissão de Ética Pública, como advogados, magistrados, promotores em seus órgãos de controle” e que “a Comissão de Ética atuou com a independência que engrandece sua instituição permanente”.

A legislação sobre conflitos de interesses do Brasil proíbe membros do comando dos governos de terem negócios com pessoas físicas ou jurídicas que possam ser afetadas por suas decisões. O conflito de interesses pode configurar ato de improbidade administrativa, se comprovado benefício indevido. A demissão é uma das penalidades previstas.

PF abre inquérito para investigar secretário de Comunicação de Bolsonaro, Fábio Wajngarten

No dia 31 de janeiro, a Polícia Federal abriu inquérito, que tramita em sigilo, para investigar supostas irregularidades cometidas pelo secretário.

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República fiscaliza a conduta de ministros, dirigentes de estatais e ocupantes de cargos de natureza especial, como Wajngarten. Os demais servidores federais são fiscalizados pela CGU (Controladoria-Geral da União).

Nota da Secom
Veja a íntegra da nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência:

A decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência da República é um marco na defesa do Secretário de Comunicação Fábio Wajngarten.

Reduz a insidiosa campanha promovida por um jornal ao seu lugar, apenas um permanente acinte de calúnias e difamações que se revelaram infrutíferas, apesar da implacável campanha diária.

Ficou comprovado, com a decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, de que não há conflito de interesses entre a atuação do Secretário e a sua empresa. E que nenhum grupo econômico do setor foi favorecido pelos atos administrativos do Secretário de Comunicação.

Prevaleceu a verdade e o bom senso. Não há nada de aético ou ilegal na atuação do Secretário Fábio Wajngarten, à frente da Secretaria de Comunicação. A denúncia arquivada é um atestado de idoneidade a ele.

O Secretário de Comunicação continua confiante de que em outros fóruns aonde as supostas denúncias são objeto de apuração, a conclusão será a mesma porque elas não encontram respaldo na realidade.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.*

(*) Pedro Henrique Gomes, G1 — Brasília

BOLSONARO, O MAIS ABJETO DO PAÍS

Bolsonaro desrespeita a presidência ao repetir calúnia contra jornalista

É repugnante que o presidente desrespeite o cargo público que ocupa e a democracia. Jair Bolsonaro ofendeu uma jornalista ao dar razão a uma calúnia sexista. O objetivo é claro: intimidar a imprensa.

A sensação é de repúdio completo. Uma pessoa que comete o crime de calúnia, como fez Hans River do Nascimento, certamente vai responder na Justiça como um cidadão. Mas o filho do presidente, um deputado federal, repetiu a calúnia na Câmara. E agora foi o próprio Jair Bolsonaro quem repetiu a calúnia contra a jornalista Patrícia Campos Mello. Como está no cargo, ele não pode ser processado enquanto estiver no mandato. Essa prerrogativa é dada para proteger a Presidência da República, essa mesma que ele desrespeita ao caluniar a jornalista.

Patrícia é uma excelente jornalista com um grande currículo. Ela foi atacada e precisou publicar os diálogos com Hans e mostrar os caminhos da apuração da reportagem sobre a empresa que vendia disparo de fakenews. Essa prática é ilegal e manipula o desejo do eleitor. A matéria contribui para que nas próximas eleições esse tipo de prática possa ser reprimido. Na CPI, Hans caluniou a jornalista ao dizer que ela se insinuou sexualmente para conseguir a matéria. Hans cometeu um crime dentro da Câmara dos Deputados.

Bolsonaro passou de todos os limites. A democracia brasileira não pode aceitar esse tipo de comportamento do presidente da República. Em 48 anos de profissão, já vivi sem a liberdade de imprensa e sem o respeito de autoridades ao papel institucional do jornalismo. É preciso repudiar imediatamente e de forma rigorosa e veemente o que fez hoje o presidente Jair Bolsonaro. O cargo que ocupa lhe dá poderes, mas também traz obrigações, e ele as têm descumprido frequentemente. Aconteceu no conflito sobre a tributação dos estados, em que ele ameaça a Federação. Ocorreu de novo agora, com a quebra de decoro por calúnias sexistas. Todos precisam ter noção da gravidade do que está acontecendo. A perda de respeito pelas instituições é o começo do fim do projeto de uma democracia. Os outros poderes precisam reagir para que o presidente entenda os seus limites.*

(*) Míriam leitão – O Globo