INVERSÃO DE VALORES

DEPUTADO DO PSOL ALVO DE BO DE FLÁVIO REAGE: ‘NÃO TENHO MEDO DE MILICIANO’

‘Flávio Bolsonaro precisa abrir boletim de ocorrência contra o MP’, diz Ivan Valente

PEGADINHA do rato - YouTube

O deputado Ivan Valente, do PSOL de São Paulo, afirmou nesta terça-feira que Flávio Bolsonaro precisa abrir um boletim de ocorrência contra o MP do Distrito Federal, e não contra ele.

Nesta terça-feira, Flávio registrou um boletim de ocorrência contra o parlamentar na Polícia Civil do Distrito Federal, por suposta denunciação caluniosa.

Flávio alegou aos policiais que é “vítima” de perseguição política de Valente e outros integrantes da Oposição, e que o MP do Distrito Federal abriu uma investigação contra ele apenas por causa de um requerimento do deputado.

“Flávio tem de fazer um boletim de ocorrência contra o MP, porque achou a denúncia consistente e abriu uma investigação. Ele dizer que é vítima de perseguição política é ridículo, indecente. Não tenho medo de miliciano”, afirmou Valente.

Os investigadores apuram a concessão de um empréstimo do Banco de Brasília a Flávio e sua mulher, na compra de uma mansão de R$ 6 milhões na capital federal no início do ano.

“O papel do agente público é pedir para investigar. Flávio tem uma longa lista de transações imobiliárias suspeitas, além do esquema das rachadinhas. É uma ação de quem se acha impune, e mostra que os Bolsonaro estão cada dia mais nervosos com o acúmulo de dinheiro não explicado”, acrescentou Ivan Valente.

(**) Por Eduardo Barretto – Época

PSICOPATAS & GENOCIDAS

Matem-se por mim, diz Bolsonaro

Um dia ele terá de responder por tentar induzir o povo brasileiro ao suicídio em massa

Numa coluna há meses (“Saída para Trump: matar-se”, 10/1), sugeri a Donald Trump, ainda presidente dos EUA, que, diante de sua derrota para Joe Biden e pelo fracasso em tornar-se o novo Hitler, desse um tiro no peito e se convertesse em mártir. E a Jair Bolsonaro, seu obsceno papagaio, que o imitasse no tresloucado gesto. Bastou para que um advogado particular de Bolsonaro, então dando expediente como ministro da Justiça, anunciasse a abertura de inquérito pela PF para apurar por que eu escrevera aquilo.

Há uma lei, com que concordo, segundo a qual induzir alguém ao suicídio é crime. Mas duvido que se aplique a um colunista de província que recomenda isso ao homem mais poderoso do mundo e a um sujeito eleito com 57 milhões de votos. Imagine Trump e Bolsonaro, mesmo por um segundo, avaliando minha sugestão! A ideia era deliciosa, mas nunca esperei que a seguissem. A Casa Branca, claro, me ignorou, mas o dito ministro, atracado aos baixos meridianos do chefe, ameaçou uma investigação. Os anais da lei ainda tentam descobrir como se investiga uma opinião.

Se induzir uma pessoa ao suicídio é crime, eu me pergunto como Jair Bolsonaro responderá um dia à acusação de induzir o povo brasileiro ao suicídio em massa, estimulando-o a aglomerar-se em multidões, sem máscara, desprezar a vacina e, depois de contraída a Covid, tratar-se com xaropes e cloroquinas, sabe-se agora, letais.

E não responderá sozinho. Para implantar tal política suicida, Bolsonaro escora-se em médicos que põem a ideologia acima da ciência, no “seu” Exército e, hoje, num juiz do STF. Como explicar que as maiores taxas de contágio do vírus no país estejam justamente nos municípios e regiões que mais votaram em Bolsonaro?

Ao fazer com que seus seguidores se exponham a tal risco, é como se Bolsonaro lhes dissesse: “Todos vamos morrer. Aproveitem e matem-se por mim”.*

(*) Ruy Castro – Folha de S.Paulo

ASSINO EMBAIXO

Ainda não me convenci de que existam generais democratas no Brasil

É preciso falar sobre o puxa-saquismo dos civis em relação aos militares ao longo da história do país

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Conheci um bom pedaço da ditadura (já estava grandinho no governo Geisel).

Nem vou falar dos horrores, das violências, dos desastres e das injustiças do período. Trato de uma coisa menor, mas que me deixa bem irritado ao ver repetida agora: o puxa-saquismo dos civis em relação aos militares.

Apareceu por toda parte nestes dias. “O general Fulano se recusa a participar de um golpe”: parabéns ao general Fulano. “Como nunca, os militares estão conscientes de suas funções constitucionais.” Que bom. Ainda bem. “O comandante Beltrano reafirma seu compromisso com a ordem vigente.” Nossa. Muito obrigado.

Quando chegamos a esse ponto, ponho as mãos na cabeça. É sinal de que nós, os civis, vamos deixando de ser sujeitos do processo político —e que depende deles, militares, a decisão de aderir ou rejeitar um projeto golpista.

“Não há clima para uma intervenção”, diz o general A; mas e se houvesse? Aí, imagino que não haveria declaração nenhuma —os tanques já estariam nas ruas. Parece evidente que, se não todos, muitos militares trabalham com essa hipótese. “Se tiver que haver, haverá”, disse o general Mourão em 2017.

Em 2018, o general Villas-Boas postou seu famoso tuíte alertando, por assim dizer, contra uma possível decisão do Supremo Tribunal Federal, o STF, em favor de Lula, falando de “repúdio à impunidade” e de um Exército “atento às suas missões institucionais”.

Dois anos depois, o general Augusto Heleno esbravejava contra outra decisão do STF, que possibilitava que Bolsonaro tivesse seu celular apreendido para investigações: haveria “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

Ainda em 2020, o general Luiz Eduardo Ramos descartava um movimento militar: declarou que os comandantes militares achavam “ultrajante” essa hipótese. Mas logo acrescentou: “Agora o outro lado tem de entender também o seguinte: não estica a corda”.

Não são militares da ativa, certo. Pertencem à cúpula do bolsonarismo —ironicamente, à vertente “moderada” de um “freak show” de milicianos, malucos da conspiração, videntes e incendiários.

Não quero cometer injustiças com os três militares demitidos por Bolsonaro. Tudo indica que não quiseram aderir à demência presidencial.

Mas até hoje não tive notícia de chefe militar brasileiro visceralmente democrático. Só mudarei de ideia quando algum criticar o golpe de 1964.

Ao contrário, todo ano, no dia 31 de março, vemos pronunciamentos celebrando o movimento. Por quê? Afinal, não é feriado nacional, não é data religiosa, não é Dia Internacional da Mulher, Dia da Consciência Negra, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Em 1964, os militares puseram tanques nas ruas sem que nenhum poder constitucional requisitasse a sua intervenção. Diante do fato consumado, a maioria do Congresso se curvou. O nome disso é golpe.

Passaram-se mais de 50 anos, e não sei de nenhum militar que tenha feito a autocrítica dessa violência, ponto de partida para todas aquelas que se seguiram.

É o que disse Janio de Freitas, na Folha de domingo passado: “Enquanto faltar a coragem moral de reconhecer que antecessores seus cometeram crimes bárbaros e estrangularam as liberdades e demais direitos universais, os militares não estarão a serviço legítimo da sua função de Estado”.

Mas o que mais se vê é um movimento de reverência aos militares supostamente democratas. É a mesma auto-hipnose de quem repete que “as instituições estão sólidas”.

Estivessem sólidas, não estaríamos dando graças a Deus pelo fato de haver militares sem disposição para dar o golpe. Estivessem sólidas, não estariam parados os processos investigando o golpismo do presidente. Um dia acordaremos percebendo que as instituições que “eram sólidas” deixaram de ser.

Muita coisa diferencia o momento atual do que acontecia em 1964. Naquela época, o golpe não foi feito em favor de um projeto individual. As Forças Armadas, como um todo, tomaram o poder; não é a mesma coisa do que entregar o comando a um psicopata.

Além disso, não estamos vivendo um momento de agitação social, de “caos”, de “baderna”, como os militares gostavam de classificar os movimentos de esquerda.

Esses dois fatores correspondem, creio, à “falta de clima” para uma intervenção agora. Mas nada me convence de que os militares descartam a hipótese. Provavelmente, quem os elogia agora também irá elogiá-los nessa ocasião.*

(**) Marcelo Coelho – Folha de S.Paulo

OUTRO NEGACIONISTA

Liberar cultos, missas e aglomerações equivale a mandar o gado para o matadouro

Em meio ao caos, o bolsonarista do Supremo, Kassio Nunes Marques, passa por cima de decisões do plenário

O Brasil vive duas tragédias simultâneas, em meio a um negacionismo criminoso que tenta garantir até aglomerações em igrejas e cultos: o número de infectados e mortos pela covid-19 só dispara, enquanto as previsões de doses de vacinas só caem. A boca do jacaré aumenta e vai devorando vidas, a economia, os empregos, a comida na mesa. E não está se falando de jacaré que tomou vacina…

Como advertiam desesperadamente os epidemiologistas, março de 2021 foi o mês mais macabro da pandemia, com o dobro das mortes registradas em julho de 2020, até então o pior mês em mortes e infecções. E a nova má notícia é que a escalada da carnificina deve continuar em abril.

Quanto mais brasileiros morrem, mais a previsão de vacinas cai, em sentido inverso. No dia 17 de fevereiro, quando o Brasil atingiu 242.178 mortos, o então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, anunciou 46 milhões de novas doses em março. O número de mortes disparou desde então, mas o de doses minguou. Março fechou com menos de 10% dos brasileiros vacinados.

Em 28 de fevereiro, os mortos haviam subido para 255.018 e a previsão de vacinas caía para 39,1 milhões. Em 3 de março, 259.042 mortos contra 38 milhões. Em 6 de março, 264.446 e 30 milhões. Em 8 de março, 266.614 e de 25 milhões a 28 milhões de doses. Em 10 de março, 270.917 e de 22 milhões a 25 milhões. O gato comeu milhões de doses. Gato guloso, Ministério da Saúde pouco confiável.

Para abril, as previsões de mortes são aterrorizantes e, num estalar de dedos, a expectativa de novas doses já caiu de 40 milhões para 25 milhões. O nosso Estadão revelou a realidade: a vacinação dos grupos prioritários – atenção, não da população toda, apenas dos prioritários – só deve ser concluída em setembro. Deus nos livre!

A situação é caótica, com o sistema de saúde super pressionado, os profissionais do setor esgotados, risco de falta de oxigênio e medicamentos, milhões de pessoas passando fome e vans escolares já sendo usadas para transportar corpos em São Paulo, o Estado mais rico do País.

O presidente Jair Bolsonaro, porém, só pensa no seu marketing pessoal. Os filhos jogam na internet o slogan “nossa arma é a vacina”, o Planalto sedia reuniões inúteis da frente contra a covid e todo o governo corre para dar ao presidente o discurso mentiroso, a propaganda enganosa, de que ele, imaginem, lidera o esforço por vacinas. Nenhuma fake news poderia ser mais absurda, depois de tudo o que Bolsonaro disse e não disse, fez e não fez na pandemia.

Não atuou a favor e guerreou contra as vacinas, não atuou a favor e guerreou contra o isolamento social, não atuou a favor e guerreou contra as máscaras e, em vez de guerrear contra, atuou a favor da cloroquina – os efeitos já começam a aparecer… E seus seguidores vão atrás. Que tal a comparação das vacinas com a talidomida nas redes, quando Bolsonaro dizia que a Coronavac “matava e mutilava”?

Em meio ao caos, o bolsonarista do Supremo, Kassio Nunes Marques, passa por cima de decisões do plenário e libera cultos e missas durante a pandemia. Equivale a mandar o gado para o matadouro. Com a suspeita de que o ministro segue as máximas do presidente: “aos aliados tudo” e “um manda, outro obedece”. Mesmo não devendo obediência nenhuma.

O ex-juiz Sérgio Moro foi expelido por resistir à ingerência política na Polícia Federal. O general Fernando Azevedo e Silva foi demitido por evitar a ingerência política no Exército. Como impedir a ingerência negacionista no Supremo? Em 5 de julho, Marco Aurélio Mello se aposenta, Bolsonaro nomeia o “seu” segundo ministro e os dois, juntos, mudam o equilíbrio do plenário. Para melhor, não será. E a pandemia estará correndo solta.*

(**) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

A HISTÓRIA É IMPLACÁVEL

Três meses depois daquele banho de mar

Presidente Jair Bolsonaro em Praia Grande (SP), em janeiro deste ano. FOTO: JAIR BOLSONARO/INSTAGRAM

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, as fotos de Jair Bolsonaro provocando aglomerações em Praia Grande (SP) nas suas férias de R$ 2,4 milhões são a síntese da conduta do presidente na tragédia das 331 mil mortes por covid-19. “Já dava para saber que chegaríamos a este ponto. Desde janeiro a gente está avisando: o que aconteceu em Manaus acontecerá no resto do Brasil”, diz a epidemiologista Ethel Maciel. Três meses depois do mergulho, a Baixada Santista conta seus mortos, e as projeções para o abril da pandemia no País são péssimas.

Vale… A ocupação de leitos de covid-19 nos municípios da Baixada Santista está em torno de 80% e, em leitos de UTI, beirando os 90%, segundo dados oficiais. Na virada do ano, enquanto a ciência pedia restrições, Bolsonaro dizia que a pandemia estava no fim.

…lembrar. Em Praia Grande, onde Bolsonaro tomou o banho de mar, havia, até sexta-feira passada, 2, quase 12,5 mil casos confirmados de covid-19. Desde o dia 1.º de janeiro, foram ao menos 119 mortes pela covid-19 na cidade, ante 313 de todo o ano passado.

Tristeza. O vídeo do prefeito de Mongaguá, Márcio Melo Gomes (Republicanos), chorando a morte de familiares e defendendo medidas à restrição de circulação comoveu o País. As duas cidades são vizinhas.

CLICK. Jair Bolsonaro na Praia Grande: enquanto presidente provocava aglomeração, banhistas gritavam “mito” e atacavam o governador de São Paulo, João Doria.

FOTO: JAIR BOLSONARO/INSTAGRAM

Conta alta. Nas mesmas férias de R$ 2,4 milhões, segundo dados obtidos oficialmente pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO), Jair Bolsonaro também provocou aglomerações no litoral de Santa Catarina. Sempre sem máscara, obviamente.

Conta outra. E a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência agora quer convencer o País de que o presidente sempre adotou atitude responsável.*

(**) COLUNA ESTADÃO

OS 11 MANDAMENTOS, POR ENQUANTO

TV Brasil paga R$ 3,2 milhões à Record por novela ‘Os Dez Mandamentos’

Capa da notícia

Reprodução/TV Record

A novela Os Dez Mandamentos estreia na próxima segunda-feira (5) na TV Brasil.

EBC vai pagar R$ 3,2 milhões à TV Record pelos direitos de exibição. O valor está em extrato de contrato publicado na terça (30) no Diário Oficial.

Reprodução/Diário Oficial da União

Os Dez Mandamentos estreou na Record em 2015. Uma versão adaptada chegou aos cinemas em 2016.

 

A PROPÓSITO

Justiça dá 72 horas para EBC explicar compra de novela da Record

JOSÉ PEDRIALI: Não, a mamata não acabou!

A juíza federal Kátia Balbino Ferreira deu à EBC 72 horas para explicar a compra, por R$ 3,2 milhões, dos direitos de exibição da novela “Os Dez Mandamentos”, produzida e já veiculada pela Record.

Além de contestar o gasto, em plena pandemia, a ação popular, apresentada por um advogado de Brasília, argumenta que emissoras estatais como a TV Brasil “não podem privilegiar o cristianismo em detrimento das outras religiões exibindo a sua doutrina em horário nobre”.

O autor da ação, José Moura Neto, pede a suspensão do pagamento e a proibição de exibição da novela na TV Brasil.*

(**) O Antagonista

TERRAPLANISTA JURAMENTADO

Militante do MDB interpelado por Osmar Terra o desafia a provar suas ‘teses’

ASSASSINOS PALACIANOS – Contra o Vento

Omilitante do MDB Bruno Tramujas Kafka, que recebeu uma notificação extrajudicial de Osmar Terra após chamá-lo de “escroque” em um grupo de filiados do partido, dobrou a aposta.

Instado a fazer um pedido de desculpas, Kafka quer que Terra prove a veracidade de suas teses sobre a pandemia de Covid-19. O ex-ministro se notabilizou por minimizar o impacto do vírus, defendendo a estratégia da “imunidade de rebanho” como forma de vencer a doença, que já vitimou mais de 330 mil brasileiros.

“Está devidamente comprovado que a utilização do adjetivo ‘escroque’ e seus derivados ‘patife’, ‘pilantra’, ‘traiçoeiro’ e ‘embusteiro’ são perfeitamente cabíveis para o senhor Osmar Terra. Não foi uma intenção de desqualificar, ofender ou injuriar o deputado, mas sim defini-lo como realmente agiu em meio à pandemia”, argumenta Kafka.

O militante diz que o parlamentar é considerado o “rei das fake news”  da pandemia e o notifica para que “comprove que suas afirmações são verdadeiras, que suas previsões se realizaram”, sob pena de “validar a utilização do termo ‘escroque’ para qualificá-lo”.

Kafka foi notificado por Osmar Terra no sábado, 3. Além de exigir um pedido de desculpas, o parlamentar ameaça processar o militante do MDB pelos crimes de calúnia, injúria e difamação.*

(**) ANDRÉ SPIGARIOL – CRUSOÉ