E SEGUE O BAILE

Quando Bolsonaro considera bem-vindo o apoio do PT

Jair Bolsonaro, que sempre se apresentou como adversário visceral da esquerda, celebrou, ontem, o apoio do PT a Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato a suceder Davi Alcolumbre (DEM-AP) na presidência do Senado.

No mesmo dia, disse que gostava muito de Baleia Rossi (MDB-SP), candidato à vaga de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara, mas que jamais o apoiaria porque os partidos de esquerda decidiram votar nele.

Quer dizer: desde que seja ao seu candidato, Bolsonaro não rejeita apoio da esquerda. Para os que possam se espantar com isso, não há razão para tanto. Bolsonaro criou um personagem, o do político ultrarradical de direita, e foi bem sucedido.

De direita ele é, mas de fato pouco acredita no que diz e em suas consequências. Acima de tudo está seu desejo de se dar bem e de beneficiar a sua família. Seu compromisso é com ela. O resto é uma simples questão de oportunidade, e de mercado.

O apoio do PT a Pacheco for selado em troca de cargos na direção do Senado e em comissões técnicas. O MDB de Rossi na Câmara deverá lançar candidato para enfrentar Pacheco.*

(*) Ricardo Noblat – veja.com

EX-MILICO ABJETO

“Ex-soldado, ex-atleta e ex-humano”

Renato Aroeira | Brasil 247 Renato Aroeira | Brasil 247

Ruy Castro, na Folha de São Paulo, debochou do mimimi dos bolsonaristas, que querem enquadrá-lo por uma tirada sobre o suicídio de Getúlio Vargas:

“Quando se pensava que o mimimi não teria lugar no universo da macheza e do triunfalismo, eis que a menção a um inesperado cídio — o suicídio — acusa uma brecha nessa carapaça de invencíveis e inexpugnáveis.

Um colunista sugeriu candidamente a Jair Bolsonaro que, para o bem do Brasil, se matasse. Mera ironia, sabendo-se que é o que Bolsonaro sugere todo dia ao povo brasileiro, ao induzi-lo a contrair o coronavírus desprezando a máscara, o álcool gel, o distanciamento, a vacina. É claro que, sendo Bolsonaro um macho full-time, ex-soldado, ex-atleta e ex-humano, a dita sugestão nem o abalou. Mas abalou seus apoiadores. ‘É um crime!’, gritaram. ‘Uma covardia!’. ‘Não se induz um homem ao suicídio!’. ‘E se ele aceitar a sugestão??’”.

A ESCÓRIA POLÍTICA DO BANANÃO

Doria fica mal na foto e dá munição a opositores alucinados da vacina

Maquiagem de dados sobre a Coronavac mostra que o showman engoliu o governador

“Doria prestou um desserviço ao país ao dar munição para os alucinados opositores da vacina”

“Sedento pelos dividendos políticos da guerra de imunização travada com Jair Bolsonaro, João Doria decidiu maquiar os dados de uma boa vacina para que ela parecesse ainda melhor”, diz Bruno Boghossian.

“Não funcionou: Doria ficou mal na foto e prestou um desserviço ao país ao dar munição para os alucinados opositores da vacina.” *

(*) Bruno Boghossian – Folha de São Paulo

O CANALHA DOS CANALHAS

Youtube restringe conta de Trump

Após ter sua conta suspensa em algumas redes sociais e ser banido do Twitter, Donald Trump perdeu também o direito de publicar vídeos em seu canal do Youtube. O motivo, segundo a plataforma, foi o “potencial contínuo de violência”. O site removeu o último vídeo postado por Trump por “violação das diretrizes” e suspendeu o ainda presidente americano por sete dias. A preocupação de uma escalada de violência também fez a empresa restringir os comentários publicados na página de Trump. Ele deixa o cargo em exatamente uma semana, no próximo dia 20.*

(*) Equipe BR Político – Estadão

O REI DO GADO

Bolsonaro já está em redes sociais alternativas

Pin de Adnael Silva em Charges | Memes políticos, Cães divertidos, Piadas

Diante das restrições impostas por diversas redes sociais a Donald Trump, Jair Bolsonaro parece ter ficado preocupado. O presidente brasileiro, bastante ativo na internet desde antes de sua campanha vitoriosa em 2018, criou e está divulgando seus canais no Telegram e no Parler, duas plataformas alternativas e com “menos restrições”. Ambos os canais estão sendo apontados por influenciadores de extrema-direta como uma “escapatória” das grandes empresas de tecnologias e suas regras que levaram Trump a ser banido do Twitter.

Outros membros da família, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), também já estão na plataforma. Não é a primeira vez que o clã e sua militância tentam “migrar” de rede social. No início de 2019, a moda era ir para o “Gab”, que recebeu todo tipo de apoiador de Bolsonaro. Como falar apenas para quem já é “convertido” não dá voto, a plataforma acabou esquecida e os bolsonaristas continuaram no trio formado por Facebook, Twitter e Instagram.*

(*) Gustavo Zucchi – BR Político – Estadão

DOIDIVANAS GOLPISTAS

Bolsonaro sonha com um problema na eleição presidencial

As instituições brasileiras não têm a força das americanas e nos próximos dois anos elas passarão por um teste de stress

Na sua entrevista aos repórteres Renan Truffi e Vandson Lima, o senador Tasso Jereissati deu um aviso, coisa de quem conhece a política brasileira: “As instituições precisarão ser fortes, trincar os dentes”. Há uma semana vê-se o espetáculo da partida de Donald Trump num país de instituições fortes. Depois de um sobressalto inédito, Joe Biden assumirá a Presidência dos Estados Unidos. As instituições brasileiras não têm a força das americanas e nos próximos dois anos elas passarão por um teste de stress.

Jair Bolsonaro, com sua opção preferencial pelo apocalipse, já deu a pista: “Se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos”. O inesquecível Chacrinha dizia que “não vim aqui para explicar, eu vim aqui para confundir”.*

(*) Elio Gaspari – Folha de São Paulo

A ERA DA BOÇALIDADE

Epifania bolsonarista

Num átimo entendi a essência deste governo

Foi lendo o artigo do secretário de Comunicação Social do Ministério das Comunicações, Fábio Wajngarten, em que ele procura explicar as razões de o Brasil estar tão atrás de Israel na vacinação contra a Covid-19, que tive a epifania. Num átimo, entendi a essência do governo Bolsonaro: ocupam os cargos mais estratégicos aqueles que não têm qualificação para exercê-los.

No caso do secretário, isso fica evidente na própria peça, que incorre em erros lógicos e retóricos, além dos factuais. Como tenho pouco espaço, limito-me a apontar o que me pareceu o sofisma maior. Para Wajngarten, não se pode afirmar que o Brasil esteja atrasado na vacinação porque foi só agora que os laboratórios entraram com a papelada na Anvisa.

Não é preciso ser gênio para entender que o que permitiu a Israel ter imunizado cerca de 20% da população foi justamente ter-se antecipado às dificuldades, em vez de esperar que fabricantes, já abarrotados de pedidos, se mexessem. Israel pagou à Pfizer mais do que os europeus para ter acesso rápido a um estoque suficiente de vacinas e ainda ofereceu os dados do sistema de saúde local para a farmacêutica monitorar os efeitos da vacinação em massa.

O artigo de Wajngarten é uma tentativa incompetente de esconder a incompetência de outro auxiliar de Bolsonaro, Eduardo Pazzuello, o general que não sabia o que era SUS, mas comanda o Ministério da Saúde.

Outro ministro que não pode ser esquecido é André Mendonça, o titular da Justiça, que parece ter cabulado todas as aulas de direito penal, já que é incapaz de distinguir um crime de um artigo de opinião. Ele agora quer processar o Ruy Castro e o Ricardo Noblat por instigação ao suicídio devido a uma crônica de que não gostou.

É verdade que Wajngarten, Pazzuello e Mendonça são amadores perto do chefe, de longe o mais inepto de uma extensa galeria de figuras deploráveis que já passaram pela Presidência.*

(*) Hélio Schwartsman – Folha de São Paulo

O SABOTADOR

Bolsonaro ironiza CoronaVac, mas eficácia de 50,38% está acima da exigida

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comentou hoje, em conversa com apoiadores, a eficácia da CoronaVac, vacina de origem chinesa e que está sendo desenvolvida e fabricada pelo Instituto Butantan (SP) no combate à pandemia do coronavírus. Em tom irônico, o governante perguntou a um seguidor: “Essa de 50% é uma boa?”.

Em seguida, o chefe do Executivo federal reclama que há quatro meses estaria “apanhando por causa da vacina” (isto é, recebendo críticas) e reforça a independência da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no processo de aprovação do imunizante.

De acordo com as informações divulgadas ontem pelo governo de São Paulo, a CoronaVac tem eficácia geral de 50,38%. O resultado engloba todos os grupos analisados nos testes clínicos, e o percentual está acima do mínimo exigido pela Anvisa (50%). Além disso, os 50,38% atendem aos padrões da OMS (Organização Mundial de Saúde).

Hoje, Bolsonaro disse que “agora estão vendo a verdade” — o presidente não expôs o raciocínio com clareza. “O que eu apanhei por causa disso…”, destacou. “Estou há quatro meses apanhando por causa da vacina. Entre eu e a vacina tem a Anvisa. Eu não sou irresponsável. Eu não estou a fim de agradar quem quer que seja.”

De acordo com o governante, o governo utilizará a vacina que “passar pela Anvisa”, “seja qual for”. “Já temos um crédito de R$ 20 bilhões”, completou ele, em referência à medida provisória assinada pelo Executivo para investir na aquisição de imunizantes.

Há meses, Bolsonaro vem levantando dúvidas sobre os estudos com a CoronaVac, que foi concebida pelo laboratório chinês Sinovac. O mandatário brasileiro, aliado de primeira hora de Donald Trump, tem acumulado atritos com os chineses desde o início do governo, em especial no que diz respeito a supostas divergências ideológicas.

Um dos episódios de maior repercussão ocorreu quando um dos filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), atribuiu ao governo chinês a responsabilidade pela pandemia.

Em novembro do ano passado, Bolsonaro usou uma decisão da Anvisa, que havia paralisado os testes da CoronaVac depois da morte de um voluntário — posteriormente, comprovou-se que o óbito não teve relação com os estudos —, para atacar o governador de SP e adversário político, João Doria (PSDB).

“Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la [em referência à CoronaVac]. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, escreveu o presidente no Facebook em resposta a um seguidor.

Críticas a prefeito de BH
Pelo terceiro dia consecutivo, Bolsonaro fez críticas ao prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), e o usou como um exemplo do que ele condena em relação ao posicionamento de governadores e prefeitos frente à pandemia do coronavírus.

O chefe do Executivo federal é contrário às medidas de restrição, como o isolamento social e a paralisação de atividades comerciais.

“Quem vota nos parlamentares é o povo. Por exemplo, eu pedi voto para candidato a prefeito de BH. Perdi. É natural. O cara lá está fazendo barbaridade agora, fechando tudo… E já tinha fechado tudo anteriormente.” *

(*) Hanrrikson de Andrade
Do UOL, em Brasília

UM MILITAR EXEMPLAR , VIRGEM MARIA!

Dia D, Hora H, ou não

A frase mais estranha do general da Saúde é que a vacinação no Brasil começará no Dia D, Hora H. Dia D. Hora H era o momento da invasão da Normandia pelos Aliados, na Segunda Guerra Mundial. Se esperassem uma decisão do general da Saúde, até hoje estaríamos aguardando o desembarque.*

(*) Coluna do Carlos Brickmann