O CHEFE DA ERA DA BOÇALIDADE

Ex-porta-voz diz que falta ‘amadurecimento intelectual’ a Bolsonaro

Comparar Bolsonaro a burros, jumentos, antas e asnos passa a ser  considerado crime de maus-tratos aos animais ⋆ A!político

Ex-porta-voz de Jair Bolsonaro, o general Otávio Rêgo Barros divulgou nesta quarta-feira (31) mais um artigo com fortes críticas ao presidente.

No artigo, Rêgo Barros —sem citar nominalmente Bolsonaro— diz que o presidente “não é mais um militar” e que “o amadurecimento intelectual — característica marcante na formação dos atuais chefes— não esteve presente em sua trajetória”.

“Permaneceu como aluno, cadete e oficial cerca de 15 anos. Como político, mais de 30 anos”, escreveu o ex-porta-voz.

Rêgo Barros também comentou a crise que culminou na saída de Fernando Azevedo e Silva da defesa e na troca dos comandantes das Forças Armadas.

“Seu aparente desejo de transformar essa centenária instituição, detentora dos mais altos índices de confiabilidade, em uma estrutura de apoio político afronta tudo o que defendem as Forças Armadas em sua atitude profissional. Buscar adentrar as cantinas dos quartéis com a política partidária é caminho impensado para as Forças Armadas. Elas já estão vacinadas contra esse vírus.”

Não deixa de ser uma maneira elegante de chamar alguém de burro.*

(**) O Antagonista

A VELHA E EXECRÁVEL SENHORA VIVE

Novo ministro da Defesa afirma que golpe de 1964 pacificou o país

Braga Netto assinou texto para comemorar “movimento de 31 de março de 1964”. Ele afirma que as Forças Armadas garantem as liberdades

O novo ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto, assinou uma Ordem do Dia elogiosa ao “movimento de 31 de março de 1964”, data em que militares tomaram o poder através de um golpe de estado. O texto, publicado no portal do ministério na noite desta terça-feira (30/3), afirma que, na ocasião, as Forças Armadas assumiram a responsabilidade de pacificar e reorganizar o país para garantir as liberdades democráticas atuais.

“Eventos ocorridos há 57 anos, assim como todo acontecimento histórico, só podem ser compreendidos a partir do contexto da época”, inicia o texto.

Na sequência, a nota assinada por Braga Netto alega que “os brasileiros perceberam a emergência e se movimentaram nas ruas, com amplo apoio da imprensa, de lideranças políticas, das igrejas, do segmento empresarial, de diversos setores da sociedade organizada e das Forças Armadas”.

“As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País, enfrentando os desgastes para reorganizá-lo e garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos.” *

(**) Flávia Said – Metrópoles

QUANDO FICAREM ENCURRALADOS, ELE CAI

A natureza da crise com as Forças Armadas vai ficar; leia análise

‘Generais da ativa são fiéis seguidores da máxima que o general Castelo Branco estabeleceu, a despolitização dos quartéis’, explica especialista em Segurança Nacional

Chargistas denunciam tentativas de censura: "Como nos piores | Geral

A demissão do ministro da Defesa, general Azevedo e Silva, é mais uma escalada da tensão nas relações entre o presidente Jair Bolsonaro e as três Forças singulares, Marinha, Exército e Aeronáutica. Portanto, não é uma crise entre ele e o general, nem somente com o Exército, e sim, com as Forças Armadas.

As indicações são de que tenha havido um apoio de oficiais generais do Exército à candidatura do ex-capitão Jair Bolsonaro à Presidência, refletida no número inicial de militares nos ministérios. Mas é notório que a relação entre estes e o presidente deteriorou-se rapidamente pela ação de outro círculo mais íntimo de Bolsonaro, de seus filhos e seguidores digitais.

Para se poder compreender melhor esse afastamento, há que se separar as declarações de militares da ativa e da reserva. O pessoal da reserva, na grande maioria com visão de mundo arraigada à Guerra Fria, vê a fala dos bolsonaristas como a concretização de suas aspirações. Esta não é a realidade dos oficiais da ativa, com perfil de carreira mais profissional, principalmente daqueles que chegam aos postos mais altos. Além dos cursos muito mais especializados que antigamente, frequentam mestrados e doutorados, tanto das Forças, quanto em instituições civis, no Brasil e no exterior.

Além disso, são fiéis seguidores da máxima que o general Castelo Branco estabeleceu, a despolitização dos quartéis. A total despolitização se tornou impossível com a realidade das redes sociais, mas a grande maioria daqueles que galgam na hierarquia são defensores desta tradição que está estabelecida nos códigos disciplinares.

A nomeação do general Braga Netto não pode ser interpretada como uma intervenção direta do presidente nas Forças Armadas, pois esta é uma prerrogativa do presidente. Até mesmo porque a estrutura e prática é de independência dos comandantes diante do ministro da Defesa. Assim, a substituição dos comandantes é o tema mais delicado neste momento.

A saída dos três comandantes, em especial do general Pujol, se deu não só pelos desentendimentos entre ele e o presidente, como por antiguidade. Já é notório a não aceitação da politização por parte de Pujol como queria Bolsonaro. E, como ele é mais antigo na Força do que Braga Netto, hierarquicamente, torna impossível ele se subordinar ao mais novo.

Troca nos comandos das Forças Armadas

Hoje, os generais que compõem o alto comando do Exército têm o mesmo perfil, ou seja, de não politização das tropas. Essa postura não mudará quem quer que seja escolhido. Assim, pode haver uma mudança na forma na relação entre o novo comandante e o presidente, mas não na essência.

Por isto, a tensão deve diminuir, mas não desaparecerá. Principalmente porque o apoio que muitos dos seguidores do presidente, inclusive no Congresso, dão aos movimentos de insubordinação de policiais militares, vai frontalmente contra os interesses das Forças Armadas. Os altos comandos sabem que, em situações extremas na segurança pública, a atuação deles em mais uma operação de Garantia da Lei e da Ordem não é bem vista.*

(**) Gunther Rudzit é professor de relações internacionais da ESPM, especialista em Segurança Nacional, e ex-assessor do Ministro da Defesa (2001-02) – Estadão

REBOBINANDO

O artigo de Araújo, a campanha do 03 e o discurso de Bolsonaro na ONU

Teórico do trumpismo, Ernesto Araújo evidenciou sua devoção quase religiosa ao então presidente dos Estados Unidos em seu artigo “Trump e o Ocidente”. No ensaio, Trump é tratado como o único ser capaz de recuperar um passado simbólico, histórico e cultural das nações ocidentais, tendo como eixos o nacionalismo e “o anseio por Deus, o Deus que age na história”. “Somente um Deus poderia ainda salvar o Ocidente, um Deus operando pela nação – inclusive e talvez principalmente a nação americana”.

Bom lembrar também que Eduardo Bolsonaro, outro leitor e “discípulo” do “professor” Olavo de Carvalho, por pouco não virou embaixador do Brasil em Washington, sem as mínimas credenciais para isso, o que teria sido o cúmulo do avacalhamento do Itamaraty. O 03 fez campanha aberta pela reeleição de Trump, com direito a bonezinho na cabeça em viagem pelos Estados Unidos.

Quanto ao “antiglobalismo” incorporado por Jair Bolsonaro, emblemático foi o seu discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro de 2019, quando desdenhou da própria ONU e chegou a ofender a organização: “Não estamos aqui para apagar nacionalidades e soberanias em nome de um ‘interesse global’ abstrato. Esta não é a Organização do Interesse Global! É a Organização das Nações Unidas. Assim deve permanecer”. Palavras escritas com a tinta de Araújo. Em seguida discursou Donald Trump, “ecoando” as palavras do seu fã brasileiro: “O futuro é dos patriotas, não dos globalistas”.

Está se vendo.*

 (**) Vitor Vogas – A Gazeta

GOL PISTA, EU?

Alto Comando manda recado a Bolsonaro de que não cederá ao golpismo

Bolsonaro com o ex-ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, na ocasião em que apresentou os três chefes das Forças Armadas que estão deixando os cargosBolsonaro com o ex-ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, na ocasião em que apresentou os três chefes das Forças Armadas que estão deixando os cargos | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Alto Comando do Exército decidiu em reuniões ontem e hoje que não vai ceder ao impulso golpista de Jair Bolsonaro. Os generais estão contrariados com a demissão do ministro da Defesa. Avaliam que o presidente quer usar a força militar para “uma aventura”, e dizem que vão resistir.

Os 16 generais de quatro estrelas que formam a instância máxima da força militar discutiram ontem a substituição do comandante do Exército Edson Leal Pujol, que deve deixar o cargo, e resolveram enviar um recado claro ao presidente de que o Exército não vai aderir às tentativas de Bolsonaro de pedir apoio ao governo contra o STF e a ações que vêm sendo cogitadas no interior do governo, como a decretação de um estado de Defesa ou estado de sítio.

A saída dos três chefes das Forças Armadas, decidida agora há pouco, faz parte desse movimento. O mais cotado para assumir o comando do Exército é o general Marco Antônio Freire Gomes, Comandante Militar do Nordeste. Na Marinha, deve assumir o Almirante Almir Garnier, hoje Secretário-Geral do Ministério da Defesa.

Entre os generais do Alto Comando o que se diz é que, embora a indicação de Freire Gomes seja a que mais agrada Bolsonaro, “ele não será dócil” ao presidente. O general, considerado um moderado, é o quinto mais antigo da carreira. A tradição é que o comandante do Exército seja escolhido entre os três mais antigos. Mas o Alto Comando não vai se opor a que Freire Gomes seja indicado por Bolsonaro.

Leia também: Azevedo diz que saiu da Defesa porque não queria reviver maio passado

Nesta segunda-feira, o ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, deixou o cargo por não concordar com a demissão de Pujol do comando do Exército e por não querer ceder a pressões do presidente da República. A aliados, Azevedo disse que saiu porque não queria repetir o que viveu em maio passado.

Maio de 2020 foi o mês em que bolsonaristas realizaram diversas manifestações pedindo intervenção militar e atacando o Supremo Tribunal Federal.

O mês começou com Bolsonaro recebendo e cumprimentando manifestantes na rampa do Palácio do Planalto e afirmando que “chegou ao limite”, que não iria “admitir mais interferência” e que “não tem mais conversa” com o Supremo. O presidente vivia então uma crise com a corte, porque o ministro Alexandre de Morais havia anulado em decisão monocrática a nomeação de Alexandre Ramagem para dirigir a Polícia Federal. Na ocasião, o presidente chegou a afirmar que “as Forças Armadas estão ao nosso lado”.*

(**) Malu Gaspar – O Globo

DITADURA; A VOLTA DA VELHA SENHORA?

Emparedado, Bolsonaro quer mostrar quem manda: o significado das mudanças no governo

NINGUÉM MERECE ESSE CANDIDATO – Contra o Vento

Fernando Azevedo e Silva chegou ao Ministério da Defesa com uma missão: funcionar como uma espécie de “garante” de que o governo de Jair Bolsonaro não atravessaria a linha vermelha, lançando-se em aventuras autoritárias. Antes de assumir o gabinete na Esplanada, o general era assessor de Dias Toffoli na presidência do Supremo Tribunal Federal. No governo de Bolsonaro, ele assumiu o papel de elo confiável entre os poderes.

Discreto, o general resistia a embarcar no perigoso jogo de usar o poder do Exército, da Marinha e da Aeronáutica de acordo com conveniências políticas de momento. Bolsonaro, por seu turno, insistia no desejo de ver sinais eloquentes de apoio das Forças Armadas. Nos comandos das três forças, não havia disposição para isso, e Azevedo virou uma espécie de anteparo para as pretensões presidenciais.

Bolsonaro implicava, em especial, com o comandante do Exército, Edson Pujol, que já fez declarações públicas sobre a necessidade de manter a distância regulamentar entre os quartéis e a política. O presidente, volta e meia, insistia em ver Pujol fora. Azevedo resistia, sempre, porque entendia que era preciso manter sua condição de anteparo intacta.

À frente do Ministério da Defesa, ele havia conseguido um feito. Alinhou como nunca antes as três forças, e criou um ambiente de confiança mútua – a existência de um ministério acima dos comandantes era malvista nos quartéis desde os tempos em que a pasta foi criada e entregue a civis.

Até por esse papel de liderança, o presidente cobrava do ministro um alinhamento maior dos quartéis com ele próprio e com o governo. A pressão pela cabeça de Pujol prosseguiu. Bolsonaro e Azevedo chegaram, então, ao limite da relação. O general não manifestou qualquer interesse em ficar. Chamado ao palácio, ouviu o chefe dizer que queria a cadeira. Respondeu que, se o presidente estava descontente com o trabalho, a troca era absolutamente natural.

Azevedo voltou para seu gabinete, reuniu os auxiliares mais próximos e deu a notícia de que estava de saída. Nesse momento, ele já tinha à mão uma carta manuscrita que, logo depois, seria transformada na nota oficial em que comunicou sua saída. No fim da tarde, ainda havia dúvidas se os três comandantes seguirão nos cargos. Logo após o anúncio da demissão de Azevedo, o trio se reuniu para decidir o que fazer. Se seria o caso de sair já ou esperar a chegada do novo ministro para tomar a decisão.

A troca no Ministério da Defesa acabou por antecipar um movimento de Jair Bolsonaro para exibir poder. Há algo em comum em algumas das alterações anunciadas nesta segunda-feira no primeiro time do governo. Embora tenha feito uma concessão ao Centrão e a Arthur Lira entregando o comando do gabinete que atende às demandas de parlamentares, ele quer se cercar de aliados fiéis, que não questionem suas vontades. Quer se mostrar forte.

Emparedado pelo agravamento da pandemia, pelos desacertos na economia, pela popularidade em queda e pelo acirramento dos ânimos no Congresso, que já não trata mais como algo distante a possibilidade de apeá-lo do cargo caso o país siga perdido em meio à tragédia, o capitão da reserva quer mostrar que ainda pode – e pode muito. E quer manter no canto da sala o fantasma, sempre temido, de que o governo é capaz de endurecer. É um péssimo sinal.*

(**) RODRIGO RANGELCRUSOÉ

TRUCO ENTRE CANALHAS

PICARETA MARKETEIRO

“(…) O exemplo mais recente foi o anúncio feito por Doria na sexta-feira (26) de que o Instituto Butantan pediria autorização à Anvisa para testar uma vacina “100% nacional”. “É a 1ª vacina 100% nacional, integralmente desenvolvida e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan”, disse Doria. Logo, porém, descobriu-se que a tecnologia da vacina foi desenvolvida pelo Instituto Mount Sinais, dos Estados Unidos.

Já era bom o suficiente anunciar uma parceria com uma respeitada instituição americana para a testagem e a produção de uma nova vacina. Precisava omitir essa informação, apenas para amplificar o impacto do anúncio? É o excesso de marketing de Doria resultando em um tiro no próprio pé.(…)

(…) Para o governador de São Paulo, tudo é marketing. Até a aproximação com Bolsonaro em 2018 foi um jogada de marketing de Doria para se eleger governador.

Doria tem mérito indiscutível na questão da vacina. Se não fosse pelo governo paulista, a vacinação contra covid-19 mal teria começado no Brasil. Ele pode se vangloriar disso, mas tudo tem um limite.

Nada de errado em vender bem o peixe. Desde que o que está sendo vendido seja peixe, mesmo”.*

(**) Diogo Shelp – Gazeta do Povo

DO ITAMARATY PARA O BUEIRO

Ernesto quis ‘simular saída honrosa para seu grupo extremista’, diz Kátia Abreu

Em entrevista ao EstadãoKátia Abreu disse que Ernesto Araújo usou o Senado para tentar evitar sua demissão, ao ressuscitar uma discussão já vencida no governo sobre o aval à participação de chineses no leilão do 5G.

“[Ele] sabia que a tese de veto à China, que ele defendia, já estava vencida, que o presidente Jair Bolsonaro já havia formado convicção sobre o assunto, mas mesmo assim usou o assunto para se proteger covardemente. Esse é o nível de desonestidade dele”, afirmou a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

O leilão do 5G está previsto para agosto, e o edital já está sob análise do TCU. Não houve nenhum veto à participação da Huawei, líder na tecnologia. O governo, porém, exigiu também que as teles construam uma rede exclusiva para uso do setor público, com critérios que impeçam a participação da tele chinesa.

Para Kátia, o chanceler demissionário quis “esconder os verdadeiros motivos de sua saída, que são a incompetência diplomática interna e externa”.

“Ernesto já deveria ter sido avisado de sua demissão e quis simular uma saída honrosa para seu grupo extremista.”