ELE TEM MEDO DE QUÊ?

Bolsonaro assiste indiferente ao tiro que Michelle deu no próprio pé

Após novos detalhes do caso Queiroz, apelido 'Micheque' Bolsonaro ressurge  nas redes – #hashtag

O vídeo com a música “Micheque”, da banda de rock Detonautas, não parecia destinado a virar um campeão de audiência no Youtube quando ali foi postado no último dia 4.

De autoria de Tico Santa Cruz, vocalista da banda, a letra da música foi inspirada pela descoberta de que Fabrício Queiroz depositou 89 mil reais na conta de Michelle Bolsonaro.

Mas aí, na quinta-feira dia 25, a primeira-dama prestou queixa na Delegacia de Crimes Eletrônicos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em São Paulo.

Ela quer que sejam processados por calúnia, injúria e difamação todos os que passaram a chamá-la de “Micheque” nas redes sociais, inclusive os roqueiros da banda. Resultado?

Foi um tiro no pé. Até a quinta-feira, a sátira dos Detonautas somava quase 700 mil visualizações. No início desta madrugada, ultrapassou a marca de 1 milhão e 330 mil. Um sucesso!

Não foi a música que colou em Michelle o apelido de “Micheque”. O apelido foi replicado quase 9 milhões de vezes no Facebook, Twitter e Instagram entre 22 de agosto e 21 de setembro.

A banda apenas surfou na onda e se deu bem. O que espanta é que ninguém no governo, nem mesmo o presidente Jair Bolsonaro, tenha aconselhado Michelle a não fazer o que fez.

A ira da primeira-dama é justa. Ela nada teve a ver com o dinheiro depositado em sua conta. Foi usada. Ao que tudo indica, o dinheiro era um negócio particular entre Queiroz e seu marido.

Bolsonaro poderia ter poupado a mulher do constrangimento a que se vê exposta. Por que não se apressou em esclarecer o motivo pelo qual Queiroz depositou 89 mil reais na conta dela?

Que tipo de vantagem política imagina extrair da iniciativa que teve Michelle de procurar a polícia? Por que insiste em permanecer calado? Está com medo do quê?*

(*) Ricardo Noblat – veja.com

MORTE ANUNCIADA

A capital de Alagoas afunda

MACEIÓ PINHEIRO AFUNDANDO - MANIFESTAÇÃO E Mutange, Bebedouro e Farol - YouTube

Está em curso outra tragédia ambiental provocada pela mineração. Parte da cidade de Maceió está afundando à média de 1,7 centímetro por mês em relação ao nível do mar, constatou o Serviço Geológico do Brasil. Porém esse desastre não é prioridade para o Ministério do Meio Ambiente, mais preocupado em atender ao lobby para abolir normas de proteção às lagoas, rios, praias e mangues.

Na sexta-feira, a prefeitura de Maceió decretou calamidade em quatro bairros. Eles abrigam cerca de 60 mil pessoas numa área com o dobro do tamanho de Copacabana, de frente para a Lagoa de Mundaú, cuja margem corre o risco de ser rebaixada. A desestabilização do solo começou a ser percebida há dois anos, com efeitos visíveis em centenas de imóveis de Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto.

A capital de Alagoas afunda, segundo o serviço geológico federal, por causa do progressivo desmoronamento das minas de sal-gema da Braskem. A empresa atribui a catástrofe a um “fenômeno”, mas abandonou a extração de sal-gema. Agora tenta tampar suas 35 cavernas de 200 metros, cavadas por quatro décadas 900 metros abaixo do solo urbano.

Controlada pelos grupos Odebrecht e Petrobras, a Braskem é uma das petroquímicas mais inovadoras na reciclagem de plásticos. Fatura R$ 52 bilhões por ano e tem oito mil empregados. Azeitou sua margem de lucro no Brasil, na última década, pagando suborno a líderes políticos para garantir matéria-prima a preços camaradas da acionista Petrobras. Repetiu a fórmula no México, onde o governo diz haver “vícios de origem” no contrato de compra de etanol da estatal Pemex.

Maceió será mais afetada se houver “colapso” das minas, advertem os geólogos. Investidores da Braskem nos EUA já anunciam ações judiciais, alegando que ela “minimizou a seriedade de suas responsabilidades”. O cenário é catastrófico, mas não mobiliza o erradio e histriônico ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente.*

(*) José Casado – O Globo

UMA MEDIDA NOVA, PEDALADA!

Medidas populistas terão custo alto para o País, diz ex-secretário do Tesouro

Para Mansueto Almeida, se não houver ajuste fiscal, a inflação vai voltar e o juro vai subir

 


O economista cearense Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional, é um dos técnicos mais respeitados do País quando o que está em pauta é a questão fiscal. Em 15 de julho, depois de mais de vinte anos ocupando diferentes postos no serviço público, em Brasília, interrompidos apenas entre 2014 e 2016, quando pediu licença para atuar como consultor, ele deixou o governo para voltar à iniciativa privada. Vai se tornar sócio e economista-chefe do banco BTG Pactual, em São Paulo, assim que terminar a quarentena remunerada de seis meses imposta aos cargos mais altos do funcionalismo.

Em sua primeira entrevista desde a saída do Tesouro, Mansueto, que completa 53 anos nesta quarta-feira, 30, afirmou ao Estadão que todo mundo vai perder se as contas públicas saírem do trilho. “Se a gente esquecer o controle de gasto e aumentar a carga tributária, não vai crescer muito”, disse. “É um caminho que me assusta. Eu espero que a gente não vá por aí.”

Segundo ele, se o governo fizer alguma “tolice” do ponto de vista fiscal, a inflação vai voltar, os juros vão subir muito – não agora, em dois ou três meses, mas dentro de um ano a um ano e meio – e o País terá um problema muito sério para administrar mais à frente. “Se o debate político nos levar a adotar medidas populistas, já que os benefícios de curto prazo são maiores do que os danos, que vão aparecer aos poucos, o custo será muito alto”, afirma. “Os juros vão aumentar, a inflação vai voltar, os desequilíbrios setoriais vão se acentuar e o investimento vai cair.” (…) *

(*) José Fucs, O Estado de S.Paulo

CADÁVER INSEPULTO

Julgamento do afastamento de Witzel deve durar 120 dias

 

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Cláudio de Mello Tavares, afirmou na segunda, 28, que o julgamento do processo de impeachment do governador afastado do Rio, Wilson Witzel (PSC), deve durar 120 dias. Ontem, os cinco desembargadores do TJ-RJ que integrarão o tribunal misto, formado pela corte e pela Alerj, foram sorteados. Hoje, haverá votação no parlamento estadual dos cinco deputados que vão julgar o ex-magistrado.

“A partir do momento que o relator for escolhido (hoje), começa a valer os 120 dias. O nosso objetivo é dar uma resposta rápida para a sociedade. Daremos total publicidade por ser um processo histórico. Evidentemente, com toda a liberdade para a imprensa fazer o seu trabalho, o que é fundamental para o estado democrático de direito”, disse ele ao O Globo. A partir deste terça, 29, a defesa de Witzel terá 15 dias para se manifestar.

“É necessário sete votos para ser declarado o impeachment pela improbidade administrativa. Se der empate, cinco a cinco, darei o voto de minerva, mas será simbólico. Neste caso, ele voltaria ao cargo de governador”, acrescentou.*

(*) Equipe BR Político – Estadão

“CENTRÃO”, FILME ANTIGO

Miguel Reale Jr.: “Pedalada de Bolsonaro é crime de responsabilidade”

Gilmar Fraga: grande timoneiro | GZH

Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, disse a O Antagonista que usar precatórios e Fundeb para financiar programa assistencial, como propôs o governo Bolsonaro, será “pedalada” e “crime de responsabilidade”.

“É a contabilidade criativa de novo. A contabilidade criativa voltou junto com o Centrão. Está voltando o Ricardo Barros, está voltando o Fernando Bezerra, está voltando tudo.”

As propostas de financiamento do Renda Cidadã, afirmou Reale Jr., “são, sem dúvida, um calote e desvio de finalidade”.

“Estamos falando da apropriação de recursos que têm determinada finalidade.”

No caso dos precatórios, acrescentou o jurista, “o governo estará fazendo com que o Tesouro contraia uma dívida e a jogue para frente”.*

(*) O Antagonista – Redação

ONDE ESTÁ TUDO AZUL…

45% dos candidatos em Manaus não citam pandemia em plano de governo

Cinco dos onze candidatos à prefeitura de Manaus nas eleições municipais deste ano não fazem qualquer referência à pandemia em seus planos de governo. Entre os onze, não há nenhuma citação ao termo novo coronavírus. Nos últimos dias, Manaus tem registrado aumento no número de novos casos de pacientes com covid-19. A cidade é uma das capitais brasileiras mais atingidas pela crise sanitária e o desafio de pensar a cidade no pós-pandemia é um dos desafios implícitos neste pleito.

Nesta terça-feira, 29, em entrevista à Globo News, o prefeito da cidade, Arthur Virgílio (PSDB), afirmou que propôs ao governador, Wilson Lima (PSC), que seja decretado lockdown de duas semanas na capital.

Nos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alfredo Nascimento (PL), Amazonino Mendes (Podemos), Marcelo Amil (PCdoB), Romero Reis (Novo) e Zé Ricardo (PT) não fazem qualquer menção a qualquer um dos três termos.

Entre os demais, todos citam a pandemia e a covid-19 ao menos uma vez. Quem mais faz menções aos dois termos é o candidato Chico Preto (Democracia Cristã), com seis citações à pandemia e cinco à covid-19. Depois, o candidato do Republicanos, Capitão Alberto Neto, cita a pandemia cinco vezes e a covid-19, duas. E terceiro lugar, Gilberto Vasconcelos (PSTU) faz três menções à pandemia e uma à covid-19.

Ricardo Nicolau (PSD) faz uma única menção ao termo pandemia e duas à covid-19. O Coronel Menezes (PATRIOTAS) cita a pandemia em duas ocasiões e o candidato David Almeida (Avante) cita a covid-19 apenas em um trecho.*

(*) Cassia Miranda – Estadão

COM FOGO NO RABO

Marco Aurélio envia ao Plenário ação que cobra governo contra queimadas

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio remeteu ao Plenário da Corte a ação que pede que o Tribunal obrigue o governo federal a adotar um plano de prevenção e combate aos incêndios no Pantanal e na Amazônia. O despacho foi publicado nesta terça-feira, 29. A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 743 foi ajuizada pela Rede Sustentabilidade.

No pedido, que foi protocolado na sexta, 18, o partido defende que deve ser reconhecido o “estado de coisas inconstitucional” da gestão ambiental brasileira, decorrente de condutas comissivas e omissivas do Poder Público.

No despacho, Marco Aurélio deu prazo de 5 dias para colhida de informações e manifestação da Advocacia-Geral da União e parecer da Procuradoria-Geral da República.*

(*) Equipe BR Político – Estadão

DANDO NÓ EM PINGO DE ÉTER

Bolsonaro terceiriza maldades aos congressistas

Ulysses Guimarães gostava de dizer que “político é como cozinheiro: quem faz o melhor bocado nem sempre o come.” No caso do auxílio emergencial, Jair Bolsonaro saboreia a popularidade propiciada por um bolo que cresceu graças ao fermento adicionado pelo Congresso. Feliz no papel de benfeitor dos pobres, Bolsonaro quer colocar um novo programa social no lugar do socorro de emergência, que deixa de existir em janeiro.

A receita inclui um quê de maldade. Sem dinheiro, o governo precisa cortar gastos, impondo prejuízos a alguém. E Bolsonaro decidiu terceirizar aos cozinheiros do Congresso o pedaço impopular do novo prato. Os líderes partidários farejaram a esperteza. Alguns aceitam cozinhar —e até lavar os pratos— em troca de cargos e verbas. Outros exigem que o presidente defina quem vai pagar a conta do Renda Cidadã, versão vitaminada do Bolsa Família.

Soou como ciclismo orçamentário a ideia de retirar dinheiro da rubrica dos precatórios e do Fundeb, fundo que financia a educação básica. “Se é pedalada, não partiu do Planalto”, me disse um auxiliar de Bolsonaro, antes de realçar que não foi o presidente, mas o relator do Orçamento da União para 2021, senador Márcio Bittar, quem anunciou as fontes de financiamento. A movimentação de Bittar não tem o respaldo da maioria do Legislativo. Longe disso.

Precatórios são dívidas decorrentes de sentenças judiciais. O orçamento do próximo ano reserva quase R$ 55 bilhões para esses pagamentos. A fila inclui grandes credores e também a arraia-miúda: pensionistas idosos e portadores de deficiência, por exemplo. O Supremo Tribunal Federal já declarou inconstitucional uma tentativa de prorrogar prazos para que estados e municípios pagassem precatórios atrasados. Ou seja: o calote é uma urucubaca, não uma solução.

A mordida no Fundeb é outra ziriquizira de mau agouro. A verba do fundo educacional não entra na contabilidade do teto de gastos. Daí o olho grande. O problema é que o Congresso já barrou, há dois meses, uma tentativa do governo de beliscar 5% do Fundeb para financiar a versão bolsonarista do Bolsa Família.

Antes de tentar terceirizar as maldades ao Congresso, Bolsonaro ergueu o cartão vermelho para um par de ideias sugeridas pela turma do Posto Ipiranga. Liberal no trato com os ricos, a equipe econômica tentou socializar a pobreza. Numa fórmula os pobres do Renda Cidadã seriam financiados pelos paupérrimos do abono salarial, do BPC e do seguro-defeso. Noutra, a verba do programa social viria do congelamento das aposentadorias do INSS por dois anos.

No papel de presidente bonzinho, Bolsonaro especializou-se em dizer à sua equipe o que não deseja. Agora, o presidente volta os olhares para o Congresso mais ou menos como um freguês que entra no restaurante, senta-se à mesa, lê o menu e diz ao garçom o que não quer comer. Incomodados, os cozinheiros do Legislativo avaliam que Bolsonaro precisa assumir as responsabilidades de um presidente.*

(*) Josias de Souza
Colunista do UOL