E NA CASA DA MÃE JOANA…

Ministro do STF reconsidera decisão e

mantém doleiro da Lava Jato na prisão

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O ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki reconsiderou decisão divulgada nesta segunda-feira (19) e manteve 11 presos pela PF na Operação Lava Jato que mandara soltar.

Com a mudança, segue preso o doleiro Alberto Youssef, acusado pela Polícia Federal de comandar um esquema de lavagem que movimentou R$ 10 bilhões e teria ramificações em partidos como o PT, PP, PMDB e SDD.

O ministro mandou que as oito ações penais que resultaram da Operação Lava Jato sejam enviadas para o Supremo.

A Folha obteve a decisão de Zavascki na manhã desta terça-feira (20).

O único preso que foi liberado pelo ministro foi o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ele deixou a superintendência da PF em Curitiba na tarde desta segunda-feira (19).

O ministro decidira soltar todos os 12 presos da operação em despacho deste domingo à noite (18) por considerar que o juiz federal Sérgio Moro havia invadido a competência do Supremo ao manter a investigação após aparecerem nas interceptações deputados federais como André Vargas (ex-PT) e Luiz Argôlo (SDD-BA).

Como deputados gozam de foro privilegiado, só o Supremo tem o poder de conduzir investigações criminais contra eles.

Moro, no entanto, mandou soltar só o ex-diretor da Petrobras e pediu explicações sobre o alcance da decisão, em despacho que enviou na tarde desta segunda-feira (19) ao Supremo.

No pedido, Moro fez duas ponderações: 1) Disse que os investigados poderiam fugir para o exterior onde tinham recursos para se sustentar por serem doleiros ou trabalharem para eles; e 2) Afirmou que alguns doleiros presos estava envolvido com tráfico internacional de drogas.

Um dos presos citados pelo juiz, Rene Luiz Pereira, é acusado de envolvimento com o tráfico de 750 quilos de cocaína para a Espanha e a lavagem do dinheiro resultante desse crime.

Youssef também é acusado de ter participado, indiretamente, dessa remessa de cocaína para a Espanha.

Moro é um dos juízes federais com melhor trânsito e prestígio dentro do Supremo Tribunal Federal por ter auxiliado no julgamento do mensalão, em 2012. Ele trabalhou com a ministra Rosa Weber, especialista em direito trabalhista e com pouca familiarizada com lavagem de dinheiro. A ministra convidou o juiz porque uma das questões centrais do mensalão era lavagem de dinheiro, tema sobre a qual Moro é considerado uma autoridade no país.

Um livro do juiz, “Crime de Lavagem de Dinheiro”, é um dos mais citados no acórdão do mensalão, tanto por ministros quanto pelos advogados de defesa.

O ministro, numa decisão raríssima, reviu a ordem de soltura que expedira na noite do último domingo (18): “Em face das razões e fatos destacados nas informações complementares, autorizo, cautelarmente, que se mantenham os atos decisórios, inclusive ao que se refere aos decretos de prisão”, escreveu o ministro na explicação que manteve as prisões.

Continuam presos, entre outros, a doleira Nelma Kodama, que tentou fugir para a Itália no meio de março com 200 mil euros escondidos na calcinha, e Carlos Habib Chater, que atuava em Brasília e mantinha negócios com Youssef.*

(*) MARIO CESAR CARVALHO – FOLHA DE SÃO PAULO

 

A PROPÓSITO

000 - vomitador

 É muita impunidade pra apenas um país.*

(*) Acir Vidal, editor do blog.

 

SEGUNDA-FEIRA, 19 DE MAIO DE 2014

A esquerda não sonha mais?

000 - o macaco pergunta

A esquerda brasileira repete os mesmos erros da direita, elaborando suas plataformas de forma autoritária e autocentrada. No caso da cultura, isso é patente

Há pouco acompanhei, aturdido, a polêmica em torno de uma proposta, que, por ser tão absurda, custei a levar a sério: de “traduzir” clássicos da literatura brasileira para torná-los mais acessíveis aos leitores. “Quero livros nas casas dos mais simples”, argumentou a autora do projeto, que, com dinheiro captado por meio de renúncia fiscal, em junho distribuirá gratuitamente 600 mil exemplares, em linguagem facilitada, de O alienista, de Machado de Assis, e de A pata da gazela, de José de Alencar. Aguardei a poeira baixar um pouco para fugir da armadilha de criticar a ideia de Patrícia Secco sob o argumento corrente de que não se pode mexer no texto dos autores porque isso é por demais óbvio.

O que me preocupa, na verdade, é a visão distópica que alicerça a convicção de Patrícia Secco e de seus apoiadores, e que alimenta o discurso da esquerda brasileira (aqui incluo petistas e tucanos e todos os assemelhados). Ela afirma que, por causa do vocabulário, considerado difícil, os jovens não gostam de Machado de Assis, o que é fato. Então, ao invés de sugerir mudanças no sistema educacional, visando à melhoria do nível dos alunos, Patrícia e seus apoiadores propõem “descomplicar” o texto do autor. Ou seja, o problema não está no nosso péssimo sistema de ensino, que historicamente vem sendo o instrumento mais eficaz de manutenção das desigualdades sociais, mas no escritor que utiliza palavras por demais sofisticadas.

Certa feita, um jornalista de um grande diário de São Paulo escreveu uma resenha sobre um romance nacional e, após pespegar inúmeros elogios ao livro, encerrou o texto afirmando que, para além de todos os outros méritos, o que sobressaía era a capacidade ímpar do autor de mimetizar a linguagem errada e o vocabulário pobre do povo. Naquela mesma noite, o noticiário televisivo exibiu uma matéria sobre o assassinato de um jovem numa comunidade do Rio de Janeiro. A repórter, segurando burocrática o microfone, perguntou à mãe da vítima: O que a senhora está sentindo? E a mulher respondeu, cabisbaixa: O que me deixa triste é que meu filho não teve tempo de frutificar. Uma sentença que certamente nem a repórter, nem o resenhista e nem o autor do livro elogiado teriam capacidade de formular.

Em 1931, Oswald de Andrade, que teve muitos defeitos, mas não o de ser sincero em suas crenças, filiou-se ao Partido Comunista. Já autor de um dos romances basilares da literatura brasileira, Memórias sentimentais de João Miramar, foi convocado pelo comitê central, que, tomando Jorge Amado como exemplo, instou-o a escrever livros para consumo em grande escala, utilizando vocabulário fácil, psicologia rasa e estrutura simples, que pudessem ser compreendidos pelo povo e, portanto, servissem como ferramenta de disseminação ideológica. Oswald então, negando-se a compactuar com tamanha estupidez, cunhou uma de suas mais célebres frases: Um dia, a massa ainda comerá o biscoito fino que fabrico.

No poder, ou mesmo fora dele, a esquerda brasileira repete os mesmos erros da direita – sim, eu insisto que há diferenças abismais entre as visões de esquerda e direita –, elaborando suas plataformas de forma autoritária e autocentrada. No caso da cultura, isso é patente. Intelectuais de gabinete, investidos de um saber delegado sabe-se lá por quem, acreditam sinceramente que entendem o que é o melhor para o povo, essa entidade mítica e amorfa. Assim, estabelecem políticas públicas demagógicas e populistas, visando muito mais à coleta de votos ao fim do mandato que propriamente a elevação espiritual da população.

Seguir o caminho indicado por Patrícia Secco e seus apoiadores é contribuir, de forma consciente, para aprofundar o fosso existente entre ricos (brancos) e pobres (brancos, negros, mestiços e índios) no Brasil. Ao invés de darmos chances iguais a todos os cidadãos, por meio de uma educação pública de qualidade, para que possamos construir uma sociedade menos injusta, estaremos ajudando a erguer ainda mais alto o muro já existente de exclusão social. Como Patrícia Secco, também quero os livros de Machado de Assis e José de Alencar em todas as casas, até nas mais simples. A diferença é que nutro uma utopia: a de ver as pessoas lendo Machado de Assis e José de Alencar no original, e não na versão de Patrícia Secco.*

(*) Luiz Ruffato, consagrado escritor mundo afora,

mineiro de Cataguases, no El Pais

PAU QUE DÁ EM CHICO…

INTERNAUTAS CRIAM VERSÃO RESPOSTA AO “VÍDEO DO MEDO” DO PT

http://youtu.be/7p8QzLdMCnI

A propaganda do Partido dos Trabalhadores (PT), que foi ao ar na semana passada, ganhou uma releitura na internet. O vídeo original mostra, por exemplo, cenas cotidianas de pessoas (atores) indo à escola e comprando remédios. A propaganda passa a impressão que o acesso a saúde e educação foi uma conquista do governo petista e sugere que uma mudança de governo não seria positiva.
Circula na internet uma versão alternativa (acima) à propaganda petista. No vídeo-resposta, as imagens foram mantidas, mas a narração foi alterada. Nos comentários, internautas mandam o PT “ir para Cuba” e afirmam que a propaganda original é uma ameaça ao povo brasileiro.(DP)

PAÍS DO FATURO

Chamar de CPI uma farsa não faz da farsa CPI

000 - a herança maldita

Depois que o bloco governista chamou de Comissão Parlamentar de Inquérito o ajuntamento de senadores indicados para não investigar a sujeira que se acumula na Petrobras, todo brasileiro ficou desobrigado de fazer sentido. A suposta CPI começa a executar nos próximos dias o roteiro consentido pela lealdade ao governo.

Nesta terça, a CPI ouvirá o ex-presidente petista da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Na quinta, escutará o ex-diretor Internacional da estatal, Nestor Cerveró. E na terça da semana que vem, dará ouvidos à atual presidente da petroleira, Graça Foster. Uma particularidade une os três depoentes: todo mundo sabe o que eles dirão.

De tão repetida, “Pasadena era um bom negócio no ano em que foi fechado” vai acabar se tornando uma frase-lema para qualquer transação ruinosa no âmbito do Estado. Se a crise transformar um bom negócio num prejuízo bilionário no intervalo de dois anos, nenhum gestor público ou membro de conselho de estatal ficará devendo nada. Muito menos explicação.

Nem só de dèjá vu é feita a pseudo-CPI da Petrobras. O relator José Pimentel (PT-CE) incluiu no seu roteiro a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Não lhe ocorreu sugerir a convocação do ex-diretor preso da Petrobras, Paulo Roberto Costa, elo entre a refinaria, as empreiteiras e as arcas partidárias. Porém…

Pimentel enfiou no roteiro uma interligação da refinaria superfaturada com o porto de Suape, gerido pelo governo de Pernambuco. Foi a forma que encontrou de dar mais atenção ao ex-aliado PSB, do presidenciável Eduardo Campos, do que ao PT e aos ainda aliados PP e PMDB, os partidos que patrocinaram a gestão do ex-diretor preso.

Pimentel, o relator que o Planalto autorizou, escreveu no seu plano de trabalho que a alegada CPI irá “fundo nas investigações”. Num passado remoto, quando as palavras ainda faziam sentido, ir fundo significava investigar rigorosamente. Mas Pimentel esclarece noutra frase que sua lealdade ao governo só permite alcançar a profundidade de uma poça. Que uma formiga atravessaria com água pelas canelas.

Nas palavras do relator, a hipotética CPI não pode servir “de aríete de interesses escusos, capitaneados pelas mesmas forças políticas que nunca acreditaram no potencial do Brasil, na altivez de seu povo e na capacidade da Petrobras.”

No futuro, quando a história puder falar do presente com mais ironia do que cinismo, as pessoas talvez se envergonhem da época em que lealdade virou submissão e a fidelidade política deixou de ser compromisso com o eleitor para se tornar cumplicidade com o poder.

Pimentel anotou no roteiro que os outros 12 governistas aprovaram:  a apuração não pode “enveredar para as disputas políticas de natureza eleitoral, tão comuns em anos de eleições gerais.” O Planalto talvez devesse sugerir aos seus protetores que maneirassem na proteção.

O estrume que já vazou da Polícia Federal e do Ministério Público é tão volumoso que não há tapete capaz de escondê-lo. De resto, convém levar em conta que o moralismo político, embora não seja bom conselheiro, pode render dividendos eleitorais quando os que prometem combater a corrupção são os mesmos que deixaram o melado escorrer além do suportável.

Chamar de CPI uma comissão inteiramente isenta de curiosidade apenas agrava o problema. É o mesmo que chamar de focinho a pata de um cachorro. Batizar de focinho a pata do cachorro não confere à pata o faro do focinho. Do mesmo modo, apelidar de CPI uma farsa não faz da farsa uma CPI. Só no Senado as patas e as CPIs são qualquer coisa que o poder mandar.*

(*) Blog do Josias de Souza

VAI DE JUMENTO OU DE METRÔ?

Mudança e medo

000 - torcedor

Na última quinta-feira, ao receber para jantar no Palácio da Alvorada 10 jornalistas esportivos, Dilma pôs um ponto final na discussão sobre se será ela ou Lula o candidato a presidente na eleição de outubro próximo.

Disse em resposta a uma pergunta: “É a minha hora. E vou até o fim. Perdendo ou ganhando”. Lembrou que em 2006, por essa mesma época, Lula tinha índices piores do que ela nas pesquisas.

Menos, Dilma, menos. Em maio de 2006, Lula tinha 45% das intenções de voto, segundo o instituto Datafolha. Sua tendência era de alta.

Pesquisa Datafolha aplicada este mês conferiu a Dilma 37% com tendência de queda. Os mesmos 37% que ela alcançou em maio de 2010, ano em que se elegeu. Naquela ocasião estava crescendo.

O desejo de mudança em 2006 e 2010 não foi medido por pesquisas tornadas públicas. Deveria ser baixo, do contrário Lula não se reelegeria com tanta folga nem elegeria Dilma.

Este mês, o desejo de mudança atingiu 72% no Datafolha. Noutras palavras: pouco mais de sete em cada dez eleitores querem que o futuro presidente governe em parte ou de forma totalmente diferente de Dilma.

A de outubro será a sétima eleição presidencial pelo voto popular desde o fim da ditadura militar de 1964, que durou 21 anos.

A primeira eleição foi em dezembro de 1989. Apresentaram-se 22 candidatos. O brasileiro votou apenas para presidente.

Fernando Collor e Lula, que encarnaram a mudança em relação “a tudo”, disputaram o segundo turno. Collor ganhou apertado.

Fernando Henrique se elegeu em 1994 como o candidato da continuidade. Havia sido ministro da Fazenda de Itamar Franco, o vice que substituíra Collor, cassado pelo Congresso sob a suspeita de ser corrupto.

Deveu a eleição ao Plano Real que levou sua assinatura. O plano introduziu uma nova moeda, reduziu ao mínimo a inflação que chegara a mais de 80% ao mês, e estabilizou a economia.

A continuidade voltou a triunfar em 1998 quando o Real ainda teve fôlego para reeleger Fernando Henrique.

Em 2002, com o desemprego subindo, venceu a mudança: elegeu-se Lula.

Nas eleições seguintes de 2006 e 2010, sustentada pelos resultados dos programas sociais e de uma melhor distribuição de renda, a continuidade venceu com Lula e Dilma. “A mulher de Lula”, como Dilma se tornou conhecida, jamais disputara uma eleição.

Empenhado, agora, em interromper a queda de Dilma nas pesquisas, o PT sacou de uma velha arma comum às campanhas de todos os partidos e candidatos que se veem em clara desvantagem: o medo.

A arma foi usada em um comercial do PT na televisão. Atores representaram pessoas bem de vida confrontadas com o risco de se tornarem miseráveis. Dará certo?

Deu para Collor em 1989, que assustou eleitores dizendo que Lula ameaçava a democracia e à economia de mercado.

O medo ficou de fora da eleição de 1994, mas ajudou Fernando Henrique a bater Lula quatro anos mais tarde. Foi dito que o Plano Real naufragaria se Lula vencesse.

A “esperança venceu o medo” em 2002 e elegeu Lula. Que se valeu do medo para derrotar Geraldo Alckmin na eleição de 2006. Foi dito que as empresas estatais seriam privatizadas se Alckmin vencesse.

O medo perdeu o gás na eleição de 2010.

Dá-se como verdade que o distinto público detesta pancadaria em campanha. Prefere a exposição elegante de boas ideias de governo. Não é assim.

A pancadaria costuma funcionar. A arte está em saber calibrar o medo com promessas de felicidade.*

(*) Blog do Noblat.

Ele é o rei do tergiversamento

O LOBO DE TRILUSSA

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Vendo-se a fala de Lula propondo que o PT recupere “o orgulho” no combate à corrupção, sai da tumba do poeta italiano Trilussa (1871-1950) uma de sua fábulas:

“Um lobo disse a Deus:

-Algumas ovelhas dizem que eu roubo muito. Precisamos acabar com essa maledicência.

E Deus respondeu:

-Roube menos.”

(A fábula vale para qualquer cacique que venha com o mesmo discurso.)*

(*) Elio Gaspari, Folha de São Paulo

AFRONTA À CONSTITUIÇÃO

CNJ deve investigar juiz que nega status de religião à umbanda

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Líderes do movimento negro e parlamentares pedirão ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que investigue o juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal do Rio. Ele causou revolta ao afirmar que a umbanda e o candomblé não são religiões.

Em decisão do último dia 28, o magistrado considerou que as crenças afro-brasileiras “não contêm os traços necessários de uma religião”. De acordo com ele, as características essenciais de uma religião seriam a existência de um texto base (como a Bíblia ou Alcorão), de uma estrutura hierárquica e de um Deus a ser venerado.

Com base nesses argumentos, o juiz rejeitou pedido do MPF (Ministério Público Federal) para obrigar o Youtube a tirar do ar uma série de vídeos com ofensas à umbanda e ao candomblé. A Procuradoria da República já recorreu da decisão.

O deputado Edson Santos (PT-RJ), ex-ministro da Igualdade Racial, acusou o juiz de estimular o preconceito contra os cultos afro-brasileiros e defendeu que ele seja alvo de representação no CNJ.

“A decisão foi absurda e lamentável, porque fere a Constituição. Na prática, o juiz pode dificultar que as religiões de origem africana tenham acesso aos mesmos direitos das outras, como o cristianismo e o judaísmo”, disse.

O petista também quer que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara convide o juiz a se explicar. No Rio, entidades do movimento negro organizam um protesto contra a decisão judicial para a próxima quarta (21), em local a definir.

O babalaô Ivanir dos Santos, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, também afirmou que o juiz incentivou o preconceito. “Ele usou a opinião pessoal, que não é esclarecida, e fez uso de um argumento preconceituoso na negativa do nosso pedido, que era justamente combater esse crime.”

Segundo Santos, o juiz federal não agiu conforme a legislação determina. “A lei visa a combater o preconceito. Ele, na decisão, fez exatamente o contrário: fomentou o preconceito”, disse.

Nos vídeos publicados no YouTube, pastores evangélicos associam praticantes da umbanda a uma legião de demônios. Também fazem comparação semelhante com o culto aos orixás característico do candomblé.

PROCURADOR

“Se o juiz tivesse simplesmente negado que havia ofensa nos vídeos, já seria lamentável, mas ele foi além. Resolveu ditar o que seria ou não uma religião, o que nos pareceu um absurdo”, afirmou o procurador Jaime Mitropoulos. Procurado, o juiz Eugênio Rosa de Araújo preferiu não comentar sua decisão. *

(*) UOL

NO PAÍS DOS POLÍTICOS BABACAS

QUEM PARIU A COPA QUE A EMBALE

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De vez em quando me vem à lembrança a figura do Lula oferecendo o Brasil para sediar a Copa de 2014 com aquele ar de Moisés malandro levando o povo à terra prometida. Entre os anos de 2003 e 2007, o governo brasileiro suou o topete para alcançar o espetacular objetivo. Sempre fui contra.

Antes da Copa da África do Sul, a propósito do “Let it be! (Pois que seja!)” com que o bispo Desmond Tutu respondeu aos jornalistas que lhe perguntaram se os estádios sul-africanos não se transformariam em elefantes brancos, eu escrevi: “A FIFA impõe aos países eleitos para acolher seu empreendimento exigências que só se cumprem despejando bilhões de dólares nos seus cofres, nas betoneiras das construtoras e nos altos fornos das siderúrgicas. Se fosse bom negócio, não faltariam empreendedores interessados em bancar a festa porque sobra no mundo dinheiro com tesão para o crescei e multiplicai-vos”.

Contudo, os delírios de grandeza e a notória imprudência do líder máximo do petismo nacional mobilizaram a opinião pública que aceitou a Copa como um dos símbolos símbolos do Brasil potência emergente. A maior parte do povo brasileiro, do mesmo modo como espera o último dia de qualquer prazo para fazer o que deve, esperou o último ano anterior ao evento para perceber o descompasso entre o oneroso Brasil da FIFA, para inglês ver, e o carente Brasil dos brasileiros. E aí, alguns pularam, irresponsavelmente, do oito para os oitocentos: “Não vai ter Copa!”. Como não vai ter Copa? Vai ter, sim, e não serão alguns milhares de meliantes presunçosos que vão impedir a realização do evento. A estas alturas, com o pouco de vergonha que nos reste na cara, faremos a Copa.

RISCOS NA MÍDIA

O que me traz novamente ao tema é o fato de que Lula quis fazer uma borboleta e produziu um morcego. Os espaços que nestes dias a mídia do resto do mundo dedica ao Brasil, em vez de exibir as maravilhas nacionais como sonhava o Lula, estão tomados por severas admoestações aos viajantes sobre os riscos de vir ao nosso país. Nosso cotidiano, descobrem, é assustador.

A potência emergente foi tomada de assalto pelo crime organizado, tanto nos últimos andares do poder, no grande mundo, quanto no submundo. (Não por acaso, A Tomada do Brasil é o título do meu próximo livro). Basta-nos assistir os noticiosos do horário noturno para nos depararmos com cenas que ora lembram ocorrências de países em guerra, ora nos nivelam com as mais atrasadas republiquetas da África Subsaariana.

MARKETING PESSOAL

Se Lula, se Dilma, se o petismo dominante pretenderam transformar a Copa numa excelente oportunidade para o marketing pessoal, político e – até mesmo – nacional, seus burros empacaram dentro d’água. Foi mal, para dizer como a gurizada destes tempos. A atualidade brasileira, a violência e a insegurança de nossas ruas fazem lembrar o que Eça de Queirós escreveu numa crônica de 1871 quando se falava, em Lisboa, sobre os turistas que viriam à terrinha com a construção de uma ferrovia ligando Portugal à Espanha. Escreveu então o mestre lusitano: “A companhia dos caminhos de ferro, com intenções amáveis e civilizadoras, nos coloca em embaraços terríveis: nós não estamos em condições de receber visitas”.

Não estamos, mesmo. Mas agora, quem pariu a Copa que a embale. Que apresente e justifique ao mundo, aos nossos visitantes, o Brasil real, a insegurança das nossas ruas, a violência do cotidiano nacional, nossa incapacidade de cumprir prazos, a limitação monoglota de nossos aeroportos, hotéis, restaurantes e táxis e as muitas tentativas de passar-lhes a perna a que estarão sujeitos. É o lamentável Brasil de 2014.*

(*) Percival Puggina – Tribuna da Imprensa Online