PRESIDENTA INCOMPETENTA

Dilma e seus fantasmas

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Presidente volta a culpar ‘pessimistas’ por economia ruim, mas não dá nome a bois nem trata de motivos

“ESTÁ HAVENDO o mesmo pessimismo que aconteceu com a Copa com a economia brasileira. E com a economia é mais grave, porque economia é feita com expectativa”, disse a presidente na sabatina promovida por esta Folha.

Quem é pessimista? Falta um sujeito na afirmação. Dilma Rousseff jamais deu nome aos bois ou a seus fantasmas desde que essa sua queixa se tornou recorrente, no ano passado.

O que é pessimismo? No discurso de final de ano de 2013, a presidente insinuou que pessimistas promovem “guerra psicológica”, “instilam desconfiança, especialmente desconfiança injustificada” no país.

Desde o final do ano passado, cerca de 60% dos eleitores entrevistados pelo Datafolha estimam que a inflação vai aumentar. São “pessimistas”, acreditam que o futuro será pior do que é razoável esperar?

Caso se aceite a hipótese do “pessimismo”, o eleitorado teria sido influenciado por campanhas de “setores” que promovem “guerra psicológica”?

Os principais disseminadores de estimativas são economistas de consultorias e bancos, uma centena deles ouvidos semanalmente pelo Banco Central (aliás, precisam acertar seus chutes informados a fim de ganhar a vida). A previsão mediana deles é de ligeira queda da inflação em 2015. É verdade que, desde o início do ano, o pessoal cortou a estimativa de crescimento pela metade, perto de 1%, neste 2014.

De certo modo, pode-se dizer que, na mediana, os economistas estavam mais “otimistas” em janei- ro. Aliás, é o que ocorreu nos anos Dilma, a cada início de ano: os economistas subestimaram a infla- ção e superestimaram o crescimento do PIB.

Pode-se não gostar desses economistas “do mercado” por motivos teóricos, políticos, estéticos ou sabe-se lá. Mas está difícil de dizer que suas estimativas difundam pessimismo. Sim, a maioria deles, os mais vocais, atribui parte dos maus resultados a Dilma. Essa, porém, é outra história (a “culpa”). O fato é que a realidade é ruim.

O grosso do eleitorado ficou inseguro com a economia, temendo mais inflação, depois de anos de alta do nível de preços de comida e bebida, em especial depois do pico de 14% de inflação desses itens, em abril de 2013. É mais fácil acreditar que o brasileiro sentiu na carne o efeito da carestia do que imaginá-lo deprimido com o noticiário econômico.

Redução da expectativa de lucro (devido a alta de custos) e tabelamentos de preços e ameaças de fazê-lo, fatos do Brasil dos últimos três anos, são assombrações para empresários. Baixo crescimento, fatos de 2011 e 2012, quando não havia “pessimismo” (ou queixas da presidente a respeito), também assustam.

Quando o Brasil crescia a 4%, anos Lula, mesmo a elite que detesta o PT (larga maioria) sorria ou ficava quieta em relação ao governo do partido. Dinheiro (quase) não tem cheiro. Aliás, mesmo nas internas do “empresariado”, pouco se ouvia falar mal de Dilma até fins de 2012. O humor azedou em 2013.

Obviamente, muita gente quer aproveitar a má ocasião para dar cabo político do PT. Mas acreditar que houve surto de histeria coletiva ou conspiração é desprezar as durezas da vida e a inteligência da maioria da população.*

(*) VINICIUS TORRES FREIRE – FOLHA DE SÃO PAULO

LEGADO DA COPA

‘Pessimismo que antecedeu a Copa
agora afeta economia’

000 - Pessimismo é inadmissível.

A presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou que o mesmo clima de ‘pessimismo inadmissível’ que antecedeu a Copa também afeta hoje a economia. ‘Isso é muito grave. É uma especulação contra o país’, afirmou a petista durante sabatina da Folha, UOL, SBT e rádio Jovem Pan.

 

A presidente Dilma Rousseff apresentou o conjunto de argumentos que deverá usar ao longo de sua campanha pela reeleição para se defender das críticas em relação à inflação e ao fraco desempenho da economia brasileira nos últimos anos.Aos jornalistas que a entrevistaram no Palácio do Alvorada, Dilma deu muita ênfase à ideia de que o mundo passa por uma grave crise internacional ­-uma dificuldade até maior que a inicialmente imaginada-, mas que o Brasil a enfrenta “de forma corajosa”, sem produzir desemprego e sem descontrole da inflação.

Dilma chegou a admitir que o ex-presidente Lula cometeu um equívoco ao dizer que a crise internacional iniciada em 2008 chegaria no Brasil como uma “marolinha”. Ao jornalista que perguntou se seu antecessor havia errado, ela respondeu: “Todos nós erramos. Sabe por que? Porque [ninguém] tinha ideia do grau de descontrole que o sistema financeiro internacional tinha atingido”, disse. “Não fomos só nós que erramos, o mundo errou”, completou.

Lembrando que a inflação é tradicionalmente mais alta no primeiro semestre do que no segundo, a presidente afirmou ainda o índice deste ano deverá ficar no teto do intervalo estabelecido no programa de meta.

E, mais de uma vez, reclamou do que chamou de “jogo de pessimismo” no país, criticando as previsões não confirmadas de uma grande crise cambial, do risco de descontrole inflacionário e da possibilidade de racionamento de energia. Chegou a comparar essas análises com as previsões pessimistas que alguns faziam antes em relação à organização da Copa do Mundo no Brasil.

“O mesmo pessimismo que tinha em relação à Copa está havendo em relação á economia brasileira. E no caso da economia é mais grave, porque a economia é feira de expectativa”, disse.

Dilma classificou como “lamentável” o conteúdo de um texto do banco Santander enviado recentemente aos seus clientes com renda mensal superior a R$ 10 mil. No documento, um informe anexado ao extrato bancário, a instituição afirmou que, se Dilma subir nas pesquisas de intenção de voto, os juros tendem a subir, o cambio a se desvalorizar e a bolsa a cair.Lembrando das especulações em relação à vitória de Lula em 2002, Dilma disse que é “inadmissível” aceitar qualquer tipo de interferência de instituições financeiras no processo eleitoral. Ela confirmou que recebeu um pedido de desculpa do banco em relação ao episódio, mas deu a entender que não ficou satisfeita com isso pois a retratação era apenas “protocolar”.

Repetindo não saber quem foi a pessoa que escreveu o documento, afirmou que irá tomar uma atitude “bastante clara” sobre o assunto. Não quis antecipar, porém, se estuda ou se já decidiu processar a instituição financeira. Afirmou que conhece bem o CEO do banco e que, se tiver agenda, pretende falar com ele sobre esse assunto.

No domingo, o presidente mundial do Santander, Emilio Botín, disse que o referido informe não foi feito pelo banco, mas por um analista que o tomou a iniciativa sem consultar. Sem especificar prazo, a direção do banco no Brasil chegou a dizer que todos os envolvidos com a elaboração e a aprovação do texto serão demitidos.

Para a presidente Dilma houve discrepância da investigação entre o caso do mensalão do PT, que resultou na condenação de 25 réus por parte do STF (Supremo Tribunal Federal), e o mensalão tucano, que foi remetido para a Justiça de Minas Gerais, onde aguarda julgamento.“Nessa história da relação [do tema corrupção] com o PT tem dois pesos e umas 19 medidas”, afirmou. “Por que? Porque o mensalão [petista] foi investigado. Agora, o mensalão mineiro [do PSDB], não”, completou.

Quando o jornalista Josias de Souza a corrigiu, lembrando que o mensalão tucano foi investigado, sim, mas a diferença era o fato de ter sido remetido à primeira instância e ainda não ter sido julgado, Dilma respondeu com uma pergunta em tom de ironia, insinuando que haverá engavetamento: “E o que vai acontecer, hein Josias? O que vai acontecer?”

Em outro trecho sobre o tema corrupção, Dilma defendeu a recente substituição de César Borges por Sérgio Passos no ministério dos Transportes a pedido do PR, operação que no meio político foi interpretada como condição para o apoio da sigla à sua campanha. “Só aceito ministros que eu tenho em alta conta”, afirmou ela. “Não tem nenhum fato que desabone o Paulo Sérgio. Pelo contrário: ele foi um grande ajudante [quando ocupou o mesmo ministério pela primeira vez]”.

A presidente também falou da crise envolvendo a compra da refinaria de Passadena (EUA) por parte da Petrobras em 2006, quando ela era do Conselho de Administração da estatal. Para alguns, foi um mal negócio, que gerou prejuízos ao país. Dilma entende que não sofreu desgaste com isso. “Pelo contrário, eu acho que Pasadena mostra que sempre tive uma conduta muito decente nos cargos públicos”, afirmou, lembrando que acabou excluída do processo do TCU (Tribunal de Contas da União), que cobra ressarcimento de US$ 792 milhões.

A presidente lembrou que, entre seus colegas no conselho da Petrobras, estavam experientes empresários, que também aprovaram o negócio. Citou Jorge Gerdau (Gerdau), Fábio Barbosa (Editora Abril) e Cláudio Haddad (Insper). “Não tivemos todos os dados”, repetiu.

Para Dilma, não é correto afirmar que os recentes ataques de Israel aos palestinos na Faixa de Gaza são um “genocídio”. No seu entendimento, trata-se de “um massacre”.

A expressão foi usada por ele depois de afirmar que tem grande apreço por Israel e lembrar que o Brasil foi o primeiro país a reconhecê-lo como Estado.

“Não á genocídio, mas ação desproporcional”, reforçou. “Tem de acabar com aquela história de matar os três jovens israelenses. Mas não é possível matar crianças e mulheres [palestinas] de jeito nenhum.”

Na semana passada, o Brasil divulgou um documento oficial condenando a violência promovida por militares israelenses na Faixa de Gaza e, num gesto diplomático de reprovação, chamou de volta o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Henrique Pinto. Em resposta, uma autoridade diplomática israelense afirmou que o Brasil é um “anão diplomático”.

Apesar de lamentar as palavras do porta-voz de Israel (“elas produzem um clima muito ruim”), Dilma acenou com um abrandamento da relação. Garantiu que não há ruptura e que o embaixador brasileiro “oportunamente” voltará para seu posto original.

Para Dilma, as críticas do senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG) em relação ao emprego de cubanos no programa Mais Médicos é um “despropósito”, fruto de uma visão “fundamentalista” sobre a ilha.

Na sabatina com Aécio no último dia 17, o tucano afirmou que, caso seja eleito, fará alterações no sistema de remuneração e nas regras para ingresso de profissionais no programa. Defendeu que é preciso rever o acordo do governo com a OPAS (Organização Panamericana da Saúde) para a contratação de cubanos, que hoje são cerca de 80% dos participantes, lembrando que o governo cubano retém a maior parte da remuneração desses profissionais.

Depois de lembrar que todos os países da América Latina condenam o bloqueio econômicos promovido pelos Estados Unidos contra Cuba, Dilma defendeu o programa e a parceria com os cubanos citando estatísticas a respeito do déficit de médicos no Norte e no Nordeste, em regiões do interior e na periferia dos grandes centros.

A presidente afirmou que os cubanos recebem R$ 3 mil por mês no Brasil, auxílio-alimentação, auxílio-moradia e, nos lugares mais distantes, auxílio-transporte. E que uma outra parte da remuneração é depositada para eles em Cuba. Profissionais brasileiros e de outras nacionalidades recebem R$ 10 mil no Brasil.*

(*) Folha de São Paulo

LULA ENCERRA CONTA

Analista do Santander não

entende nada de Brasil, diz Lula

000 - Lula encerra conta bancária.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira (28) o informe produzido pelo Banco Santander que prevê um cenário econômico negativo para o país caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita. Segundo ele, a responsável pelo texto enviado a clientes da instituição “não entende porra nenhuma de Brasil”.

Em discurso na 14º plenária da Central Única dos Trabalhadores, ele ressaltou que não há outro país em que o Santander lucre tanto como no Brasil e questionou ainda o fato da funcionária que escreveu o informe ter chegado a um cargo de chefia.

“Essa moça que falou [isso] não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma Rousseff. Manter uma mulher dessas em cargo de chefia é sinceramente… Pode mandar embora e dar o bônus dela pra mim, que eu sei como é que eu falo”, criticou.

Para o petista, o governo federal não “vai jogar fora a confiança” que o país conquistou nos últimos anos. No discurso, no qual fez críticas ao mercado financeiro, o ex-presidente afirmou que há investidores que falam mal do governo federal para terem lucro e “inventam mentiras contra outras pessoas”.

O petista lembrou a oposição feita a Getúlio Vargas e disse que as pessoas que ofendem Dilma não admitem o “compromisso ideológico” dela e “sabem que ela tem lado”: “Foi possível fazer tudo? Não foi, mas não é possível fazer tudo em dez ou 12 anos”.

Na avaliação do petista, a eleição deste ano irá decidir se haverá a continuidade das conquistas sociais dos últimos anos ou o retrocesso. Em uma crítica aos adversários da presidente, afirmou que eles foram feitos para governar “para o andar de cima”.

“Eu não imagino eles se reunindo com catadores de papel ou com trabalhadores rurais.” O petista disse que o seu governo criou mais mecanismos de combate à corrupção que os governos anteriores e ressaltou que a esquerda tem a obrigação de ser mais honesta que qualquer outro grupo: “Se tiver entre nós alguém que roube, que pague”, disse.*

(*) GUSTAVO URIBE – FOLHA DE SÃO PAULO

DE PONTA CABEÇA…

DILMA E A ECONOMIA

000 - a inflação

Na última semana pesquisas diversas constataram: o desempenho da economia piorou e vai piorar mais, caem os índices de avaliação do governo e de intenção de votos na presidente Dilma e cresce sua rejeição entre os eleitores, alcançando 35%, a taxa mais alta entre todos os candidatos. Cenário áspero, cada dia mais difícil para uma disputa eleitoral que há seis meses dava como certo um segundo mandato para a petista.

Desde o primeiro ano, 2011, a fragilidade do governo Dilma tem sido desordenadamente construída pelo vazio de um projeto para o País e por uma sucessão de erros na gestão econômica, que têm nas medíocres taxas de crescimento do PIB a inescapável resposta. Entre 2011 e 2013, a taxa média do PIB foi de 1,97% e, se conseguir alcançar 1% em 2014 (há apostas abaixo disso), Dilma terminará seu mandato com 1,7% – o terceiro pior desempenho econômico da história do País, depois dos presidentes Collor (-1,3%) e Floriano Peixoto (-7,5%).

Diferentemente de seu antecessor e padrinho: em oito anos de Lula, a expansão média do PIB ficou em 4%. Em 2010 a taxa subiu para 7,5% e ajudou (muito) a eleger Dilma. A situação agora se inverte e ela não consegue ajudar a si própria.É certo que Lula contou com a sorte de uma economia mundial próspera em seu primeiro mandato. E, no segundo, o País abalado com a crise financeira do mundo rico, Lula usou de artifícios para acelerar a economia e vencer a eleição em 2010, fez a sucessora, mas lhe entregou uma herança pesada que ela não soube desfazer e até aprofundou. Exemplo: o represamento de tarifas públicas e a preocupante situação financeira da Petrobras.

SEM SURPRESAS

Pesquisas recentes (retração de 0,18% na economia, medida pelo Banco Central, o BC; estagnação das vendas do comércio e serviços; desaceleração na geração de empregos) e outras antigas e renitentes (inflação colada no teto da meta; juros nas alturas; queda da produção industrial) não são surpresa para o governo Dilma. Elas têm sido captadas pelo Banco Central, para monitorar suas ações e decisões, e explicitadas em cada relatório trimestral da inflação que a diretoria do banco apresenta ao Senado. No último deles, no fim de junho, o BC manifestou preocupação com o baixo crescimento de todos os setores da economia e previu: em 2014 a agricultura vai despencar de 7% para 2,8%, a indústria retrocede 0,4% e serviços crescem só 2%. Depois das últimas pesquisas, certamente o BC está refazendo essas projeções.

Portanto, surpresa não é. Mas, a cada pesquisa de maus resultados, a equipe da presidente Dilma reage como avestruz: viu antes, mas finge que não viu, surpreende-se e descreve um mundo cor-de-rosa (e desacreditado) para o futuro, garantindo que o quadro será revertido nos meses seguintes. Na arte da ilusão o ministro Guido Mantega é campeão, mas a última foi do ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT): ao divulgar que a geração de 25,4 mil empregos em junho foi a pior desde 1998, ele reagiu: “Nos próximos meses vai expandir mais porque a presidente vai anunciar medidas de estímulo para as pequenas e médias empresas”.

TAPANDO BURACOS

E tem sido assim. Se o emprego vai mal, se a indústria se retrai, se o consumo recua, o governo corre para tapar buracos. Desde 2006, quando Dilma venceu a disputa pelo comando da economia com o ex-ministro Palocci e a ordem passou a ser gastar mais, imediatamente surgiu a operação “tapa-buraco” em rodovias. Não se pensou em construir novas e carentes estradas, mas em queimar dinheiro cobrindo buracos nas existentes, que as chuvas e o desgaste do asfalto tratam de refazer.

A “mãe do PAC” fez um plano para o País acelerar o crescimento no presente e vencer disputas eleitorais, mas não se preocupou em desenhar estratégias e construir projetos para o futuro. E assim tem sido nestes quatro anos. Junte-se aí uma sucessão de erros de gestão (o represamento de tarifas de combustíveis e energia elétrica e os truques e mágicas nas contas públicas são os mais graves), e Dilma Rousseff colhe agora a descrença de quem pretende e tem potencial para investir, mas acaba adiando investimentos. E o mau desempenho da economia reflete isso.*

(*) Suely Caldas, O Estado de S. Paulo

VIVA A VAIA

DEUS É FIEL

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Tem gente de todas as religiões – e até ateus – em São Paulo prometendo prestigiar a inauguração na próxima quinta-feira do Templo de Salomão, o maior espaço de orações do País construído no Brás pela Igreja Universal do Reino de Deus.

Não é todo dia que se tem a oportunidade de vaiar a Dilma, o Lula, o Alckmin e o Fernando Haddad, não necessariamente nessa ordem, entre outras autoridades convidadas para a celebração evangélica.*

(*) Tutty Vasquez, no Estadão.

É DANDO QUE SE RECEBE…

Sete dos dez maiores doadores de campanha são suspeitos de corrupção

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Levantamento feito pelo UOL constatou que sete das dez maiores empresas doadoras de campanha nas eleições de 2010 foram ou estão sob investigação devido a indícios de corrupção envolvendo contratos públicos ou por conta dos seus relacionamentos com partidos e políticos.

Para especialistas em direito eleitoral e em contas públicas, os altos valores doados por empresas a candidatos criam uma relação de “promiscuidade” na políticaque favorece a corrupção no Brasil. Segundo eles, os casos de corrupção investigados ou constatados são, segundo os especialistas, um “efeito colateral” desse relacionamento e as doações são, na realidade, um “investimento” feito pelas empresas. Empresas doadoras e partidos e políticos que receberam as verbas rebatem o argumento e alegam que doações foram feitas dentro da lei.

A pesquisa tem como base dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e aponta que, juntas, essas empresas doaram aproximadamente R$ 496 milhões para candidatos e partidos (veja gráfico detalhando os destinatários do dinheiro ao final do texto).

Entre as doadoras há cinco empreiteiras, um banco e um frigorífico. Parte das investigações sobre os envolvimentos dessas companhias em crimes de corrupção ainda está em curso, mas já há casos de condenações.

A maioria dos crimes investigados envolve o desvio de recursos públicos, superfaturamento de obras contratadas por governos ou empresas públicas e a não contabilização de recursos utilizados em campanhas eleitorais, o chamado caixa dois (veja os principais casos envolvendo cada doador).

As sete maiores doadoras de campanha em 2010 suspeitas de corrupção são: Construções e Comércio Camargo Correa S.A, Construtora Andrade Gutierrez S.A, JBS S.A , Construtora Queiroz Galvão S.A, Construtora OAS S.A, Banco BMG e Galvão Engenharia S.A.

Entre políticos e partidos, apenas a direção nacional do PSC (Partido Social Cristão) e o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato ao governo de São Paulo em 2010, responderam. Os dois disseram que as doações recebidas pelo partido em 2010 seguiram a legislação eleitoral.

Para o secretário-geral e fundador da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco, as doações de campanhas no Brasil criam uma relação de promiscuidade entre as doadoras, partidos e políticos. “Não é doação, é investimento. Existem estudos que indicam que, de cada R$ 1 doado em campanha, as empresas conseguem outros R$ 8,5 em contratos públicos”, diz Castelo Branco.

Para Marlon Reis, que atuou por dez anos como juiz eleitoral e é autor do livro “Nobre Deputado”, as doações de grandes empresas colocam partidos e políticos em situação de “dívida” para com os doadores.

“Entrevistei vários políticos que me explicaram como as doações são feitas. Um deles me disse que essas doações são, na realidade, um adiantamento por futuros contratos públicos que as empresas esperam ganhar. É o que eles chamam de bate-pronto”, explica.

Outro lado

UOL entrou em contato com todas as empresas, partidos e políticos citados nesta reportagem. A Camargo Corrêa S.A e a JBS S.A não retornaram aos e-mails e às ligações. A Galvão Engenharia informou que não iria se manifestar sobre o assunto. O Banco BMG respondeu dizendo que não iria comentar sua política de doações.

A Queiroz Galvão S.A, a OAS S.A e a Construtora Andrade Gutierrez S.A responderam alegando que todas as suas doações foram feitas de acordo com a lei brasileira. A Andrade Gutierrez S.A justificou suas doações com base na representatividade política de cada beneficiado.

A legislação eleitoral brasileira permite que empresas privadas façam doações a candidatos e partidos políticos. O limite imposto pela lei é de 2% do faturamento das empresas. As principais exceções são empresas concessionárias de serviços públicos como operadoras de telefonia, rodovias e de serviços de saneamento básico.

Uma ação movida pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no STF (Supremo Tribunal Federal) pediu a proibição das doações de empresas para campanhas e, apesar a ação ter os votos da maioria dos ministros do STF, a restrição não vai vigorar neste ano. *

(*) Leandro Prazeres –  Do UOL, em São Paulo

MÃO DE GATO

Computador do Planalto pôs elogios a Padilha em página da Wikipédia

Onze computadores do governo federal foram usados para alterar páginas da Wikipédia, enciclopédia on-line cujos textos podem ser editados livremente, como as do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT), do Movimento Passe Livre e do ex-governador José Serra (PSDB-SP).

Levantamento da Folha com os endereços de IP registrados em nome do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e da Presidência da República mostra que artigos sofreram mudanças tanto para a inclusão de elogios e a retirada de críticas como para o inverso.

As edições, feitas entre 2008 e 2014, acabaram desfeitas por outros usuários, por infringirem regras de uso.

IPs são como uma “impressão digital” na internet, o que permite identificar ao menos a organização responsável pelo acesso. A Wikipédia registra todos os endereços do tipo que fazem alterações.

O caso mais relevante de edição ocorreu em dezembro de 2013, quando uma conexão de internet da Presidência foi usada para retirar trecho sobre suspeitas de corrupção na Funasa (Fundação Nacional da Saúde) quando Alexandre Padilha era diretor do órgão, e incluir elogio ao programa Mais Médicos.

“Com o sucesso do Mais Médicos Padilha se torna um dos pré-candidatos petistas à disputa pelo governo de São Paulo em 2014”, dizia o texto.

Em 10 de junho de 2013, em meio aos protestos de rua liderados pelo MPL (Movimento Passe Livre), um IP do Serpro foi usado para alterar a página do grupo na Wikipédia.

A edição dizia que o MPL “se utiliza de protestos e, não raramente, depredação e violência para alavancar” reivindicações. Também afirmava que a tarifa zero ignora que “todo aumento de gasto público implica menos orçamento” para saúde e educação.

Em março de 2010, ano em que o ex-governador paulista José Serra (PSDB) concorreu à Presidência contra Dilma Rousseff (PT), um computador do governo federal foi usado para incluir críticas ao político na enciclopédia.

O trecho dizia que “se eleito presidente, [Serra] pretende, como uma de suas metas, acabar com todas as empresas estatais e sucatear todas as empresas públicas” -durante a campanha, o tucano negou ter esse objetivo.

Outras edições foram feitas em páginas como as da Lei Rouanet e do Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), mas não tinham informações incorretas -foram retiradas por não seguir normas de padronização.

Editoria de arte/Folhapress

OUTRO LADO

A reportagem forneceu endereços de IP, datas e horários de acesso ao Serpro, junto a um pedido de identificação dos locais físicos em que esses IPs estão alocados.

O órgão disse que não poderia comentar o assunto por motivos legais, uma vez que a lei 5.615/70, que criou o Serpro, determina que a empresa e seus servidores “são obrigados a guardar sigilo quanto a elementos manipulados”.

“A própria identificação e divulgação de órgão usuário do IP implicaria quebra de sigilo contratual, já que a empresa se compromete em garantir tratamento sigiloso para os dados e informações dos contratantes”, disse a companhia federal em nota.

Questionada sobre o caso da página de Alexandre Padilha, a Presidência afirmou que não poderia se posicionar a tempo; sugeriu que o pedido fosse feito pela Lei de Acesso à Informação.*

(*) ALEXANDRE ARAGÃO, DE SÃO PAULO, ALEXANDRE ORRICO EDITOR-ASSISTENTE DE “MERCADO/TEC” – FOLHA DE SÃO PAULO

QUEM DÁ MAIS?

A República por um minuto

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No tempo de Ricardo III, um cavalo valia o reino. Hoje, nacos da República valem tempo de TV

No tempo em que os nobres cavalgavam pelo campo de batalha e matavam os oponentes a golpes de espadas, o cavalo era tudo. Sem o auxílio daquelas quatro patas, um rei estava frito e maldito. Estava a pé. No final do século XVI, William Shakespeare tornou eterno o clamor de Ricardo III, miseravelmente pedestre em pleno combate. “Um cavalo!”, brada o homem. “Um cavalo! Meu reino por um cavalo!” Pobre rei. Além dos cascos, perde também o trono e a vida – mas sua fala teatral entrou para a história: “Meu reino por um cavalo!”.

Naquela época, o poder se decidia na faca. Em lugar de eleições, valiam as disputas físicas. Sem cavalo, nada de império. Os equinos eram o trono andante, galopante e mortífero. A coroa hipotecava seu brilho às baias e às cocheiras. Um relincho, o poder e a glória para sempre.
As coisas mudaram? Nem tanto. Hoje, os poderosos deste país não poderiam entrar no palco e propor a troca do reino por um cavalo. Reino por aqui já não existe e, se existisse, não seria propriedade exclusiva deles. Quanto aos quadrúpedes, já não têm a mesma utilidade. Os atuais donos do poder mercadejam nacos da República em troca de um minuto de televisão – ou mesmo menos: 42 segundos, 36, 25. Sem esse ouro cronometrado, sem espaço na TV, estariam fritos e malditos. Estariam a pé.

Consta que Dilma Rousseff permutou algo assim. Deu, segundo relatos, um ministério a um sujeito, e o partido do tal sujeito lhe deu de volta uns instantes a mais no horário eleitoral que vem aí. Nada de novo sob o sol do sul. Governadores fazem a mesma coisa, assim como fizeram os antecessores de Dilma. Ela, porém, soube assumir a dianteira, com uma dose cavalar de minutos. Deverá entrar na TV com nove minutos e 41 segundos diários de palanque eletrônico. Seus rivais trotarão em pangarés: Aécio Neves terá três minutos e dez segundos; Eduardo Campos, um minuto e 46 segundos. Qual dos três você acha que tem mais chances de cruzar em primeiro lugar a linha de chegada desse páreo?

O preço do tempo na televisão está pela hora da morte. Para você ter uma ideia, o preço da inserção de um comercial de 30 segundos em horário nobre numa única rede nacional pode passar dos R$ 600 mil. Imagine agora quanto custaria esse tantão de minutos diários por semanas a fio, em todos os canais de TV aberta e em todas as emissoras de rádio do país.

Se o valor econômico é altíssimo, o valor político é ainda maior. Um candidato sem TV é um não candidato. Um candidato que tem um tempo muito menor que os adversários fica prejudicado logo na largada. Pode até chegar lá, mas correrá como azarão. Tanto é assim que as alianças partidárias não são firmadas com base em princípios, em plataformas programáticas. O que conta hoje são os segundos de TV que cada um pode oferecer.

Isso significa que vivemos um barateamento da política? Em boa parte, sim. O escritor Mario Vargas Llosa comenta essa degradação num livro recente, A civilização do espetáculo: “A política passou por uma banalização talvez tão pronunciada quanto a literatura, o cinema e as artes plásticas, o que significa que nela a publicidade e seus slogans, lugares-comuns, frivolidades, modas e manias ocupam quase inteiramente a atividade antes dedicada a razões, programas, ideais e doutrinas. O político de nossos dias, se quiser conservar a popularidade, será obrigado a dar atenção primordial ao gesto e à forma, que importam mais que valores, convicções e princípios”.

Para um político desses aí, providenciar um implante capilar vale mais que cultivar o que vai do lado de dentro da cabeça. Turbinar artificialmente o branco dos dentes vale mais do que ter boa saúde bucal. Nos candidatos que sorriem na tela eletrônica, a dentadura costuma ser tão falsa quanto o discurso.

O curioso é que sabemos disso tudo – e não ligamos a mínima. Nesse jogo, está um dos segredos mais fascinantes da civilização do espetáculo: a grande mentira nos seduz, nos agrada e nos faz dar de ombros para o que poderia ter sido a verdade. Cientes do jogo, os candidatos vão à TV não para nos propor um diálogo racional. Eles estão lá para estreitar os laços de familiaridade e de identificação com os olhos que os veem. A televisão funciona como o lugar que potencializa os sentimentos (bons e maus). Isso será ainda mais intenso após a Copa do Mundo, essa longa jornada de pura emoção. É para amar (ou odiar) que os eleitores olharão a TV – e o destino da República será selado por esses minutos.*

(*) EUGÊNIO BUCCI – Época.