INCOMPETÊNCIA INFINITA

Dívidas do sistema Eletrobras com a Petrobras chegam a R$ 7,2 bilhões

Valor é referente ao fornecimento de combustível para usinas térmicas


Linhas de transmissão de Itaipu – Adriano Machado / Adriano Machado/Bloomberg News

RIO – O diretor Financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse nesta terça-feira que as dívidas acumuladas das empresas do sistema Eletrobras com a Petrobras Distribuidora (BR) somam R$ 7,2 bilhões.

Segundo Barbassa, essas dívidas se devem ao fornecimento de combustível pela BR para a geração de energia na Região Norte por usinas térmicas operadas por distribuidoras da Eletrobras. Ele explicou que os R$ 7 bilhões são a dívida neste momento.

— É como se fosse uma conta-corrente. Depende do fluxo, pois a gente tem contas a receber e, ao mesmo tempo, menos recursos entram — disse Barbassa.

No início do mês, a BR chegou a suspender por dois dias o fornecimento de combustível para a Manaus Energia, dizendo que só retornaria o serviço com o pagamento à vista. Mas, logo em seguida, a estatal voltou a regularizar as entregas do produto.

As negociações entre a Petrobras e a Eletrobras continuam em andamento. A Eletrobras está esperando receber um empréstimo de R$ 6,5 bilhões do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para pagar R$ 850 milhões do total da dívida.

O ganho da Petrobras no segundo trimestre ficou bem abaixo do esperado pelo mercado. O lucro líquido foi de R$ 4,959 bilhões no segundo trimestre, representando queda de 8% em relação aos R$ 5,393 bilhões registrados no trimestre anterior.

Em relação ao lucro de R$ 6,201 bilhões, em igual período do ano passado, a queda foi ainda maior: 20,6%. Segundo a companhia, o resultado se deveu ao menor resultado financeiro e da maior alíquota efetiva do Imposto de Renda, porque no primeiro trimestre houve o reconhecimento de créditos fiscais.

A Petrobras continuou também com a defasagem dos preços da gasolina e do óleo diesel. No segundo trimestre a defasagem da gasolina foi de 16,4% em relação ao mercado internacional enquanto que a defasagem do diesel ficou em 9,8%.

Barbassa voltou a garantir que a questão da convergência de preços dos combustíveis com os preços internacionais é um tema constante em toda reunião do conselho da companhia. Questionado por analistas sobre essa questão, Barbassa foi sucinto em sua resposta;

— Essa é uma questão constante em toda reunião do board ( conselho de administração) — destacou o diretor.

Ele voltou a enfatizar que a Petrobras voltará a ter um fluxo de caixa positivo até fins de 2015. Na apresentação a analistas, Barbassa destacou que o desempenho operacional com aumento da produção, produtividade e redução de custos permitirá o fluxo positivo no próximo ano.

Segundo Barbassa, os programas de redução de custos da Petrobras tiveram um efeito positivo no resultado de R$ 3,1 bilhões no segundo trimestre do ano. Não fosse esse programa o lucro teria sido bem inferior. A previsão para este ano é de uma redução de custos de R$ 7,5 bilhões no ano.*

(*) RAMONA ORDOÑEZ – O GLOBO

É MUITA BANDALHEIRA…

DENÚNCIAS QUE DILMA CLASSIFICA DE “FACTÓIDES” NA VERDADE SÃO GRAVÍSSIMAS E BALANÇAM A PETROBRAS

Os jornais publicaram que a presidente Dilma Rousseff (PT) classifica as denúncias envolvendo a Petrobras como um “factóide político”, estrategicamente esquecida de que já existe decisão judicial a respeito e diversos envolvidos estão com os bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União.

Na tentativa de minimizar a importância das irregularidades que estão sendo denunciadas em profusão, a chefe do governo disse que não se deve “misturar eleição com a maior empresa de petróleo do país”.

“Isso não é correto. Não mostra nenhuma maturidade”, comentou, acrescentando: “Acho fundamental que, na eleição, haja a maior e mais livre discussão. Agora, utilizar qualquer factóide político para comprometer uma grande empresa e sua direção é muito perigoso”.

Bem, esta é a versão palaciana. Mas na verdade não se trata de factóide e sim de fatos, mais do que comprovados, envolvendo a Petrobras numa série de negociatas, com ex-diretor Paulo Roberto Costa preso há vários meses.

Tudo isso é público e notório. Ninguém pode ser preso ou ter bens bloqueados apenas por estar envolvido em factóide. Se isso tivesse acontecido, significaria que não existe Justiça no país.

“SEGREDOS DE ESTADO”

Se as denúncias não passam de um factóide, por que o Planalto e a Petrobras não respondem a essas singelas perguntas, que estamos sempre a repetir neste Blog:

1) Quantos barris são refinados por dia em Pasadena?

2) Qual são os resultados contábeis da refinaria? Dá lucro ou prejuízo?

3) Por que a Petrobras transformou essas informações em “segredos de estado” e não as revelam de forma alguma?

A verdade é que a compra da refinaria de Pasadena é injustificável. Trata-se de uma unidade sucateada, construída há 80 anos para refinar óleo leve americano. Para justificar o “bom negócio”,  a Petrobras alegou que iria fazer com que a unidade passasse a processar o óleo pesado extraído no Campo de Marlim, no Brasil, que fica a quase 20 mil quilômetros de distância da cidade texana, fato (e não factóide) que praticamente eliminaria a lucratividade da refinaria.

JUSTIFICATIVA RIDÍCULA

A argumentação usada para comprar Pasadena é patética para quem entende de indústria petrolífera. Fato (não factóide): não é nada fácil fazer com que uma refinaria de óleo leve passe a refinar óleo pesado. Até hoje, 40 anos depois da descoberta do abundante petróleo pesado em Campos, a Petrobras ainda não adaptou nenhuma de suas refinarias para processá-lo. Resultado: exporta óleo pesado (que é barato) e tem de importar óleo leve (que é mais caro), para misturá-los e conseguir refinar o petróleo extraído aqui no Brasil.

Pasadena nunca refinou óleo pesado e nunca irá refinar. Do jeito como está sucateada, se estiver refinando 25 mil barris dia de óleo leve, já será uma vitória. Mas o ex-presidente Sergio Gabrielli e a atual presidente Maria da Graça Foster seguem afirmando que a refinaria processa 100 mil por dia (esta era a capacidade máxima da época em que foi instalada, em 1934).

Para destruir de vez esse factóide de Gabrielli e Foster, basta dizer que, se a refinaria de Pasadena realmente estivesse processando 100 mil barris/dia, o lucro da Petrobras seria tamanho que os dois farsantes já teriam esfregado na cara dos parlamentares da CPI os resultados contábeis da unidade. Não haveria motivos para se discutir o assunto e muito menos para convocar duas CPIs simultâneas, jogando recursos públicos no lixo, como Gabrielli e Foster costumam fazer.

Para concluir, é sempre bom lembrar que Gabrielli é aquele presidente da Petrobras que ia a Brasília para “despachar” com o consultor José Dirceu no “escritório” do Hotel Naoum, e Graça Foster é aquela presidente da Petrobras cujo marido tem uma empresa que presta serviços à estatal sem licitação. E tudo isso não pode ser negado – são fatos e não factóides.*

(*) Carlos Newton – Tribuna da Imprensa Online

CRESCE COMO RABO DE MULA, PARA BAIXO

Mercado prevê PIB fraco e

inflação alta até o final de 2018

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Durante os próximos quatro anos, o Brasil deve crescer abaixo da média da última década, com inflação superior à meta de 4,5% e juros acima de 10%. O próximo presidente terminará o período de governo, no entanto, com números melhores do que os verificados em 2014.

Essas previsões fazem parte da pesquisa semanal Focus, do Banco Central, que reúne as projeções para a economia de cerca de cem analistas de instituições do setor público e privado.

Essas previsões olham, desde 2001, para um cenário de até quatro anos. Em seu relatório mais conhecido, o BC só divulga estimativa para o ano atual e o seguinte, mas as projeções de longo prazo podem ser obtidas no site da instituição.

Nesta segunda-feira (11), as projeções de crescimento para 2014 e 2015 foram reduzidas novamente, para 0,81% e 1,2% -uma semana antes, elas eram de, respectivamente, 0,86% e 1,50%.

Editoria de Arte

No cenário traçado pela pesquisa, o próximo governo começa com algumas medidas impopulares que não constam no discurso dos principais candidatos.

Haveria forte reajuste de tarifas e preços controlados, de 7% no ano, e pequeno aumento da taxa básica de juros, dos atuais 11% para 12%.

Esses ajustes, segundo as previsões, não representam um choque capaz de derrubar rapidamente a inflação, com efeito recessivo sobre a atividade econômica.

Pelo contrário. A previsão é que a inflação fique em 2015 praticamente no mesmo patamar de 2014, ou seja, próxima do limite de 6,5%. o IPCA encerraria 2018 no meio do caminho entre esse teto e a meta de 4,5%, com a taxa básica de juros em 10%.

Os resultados sobre o crescimento da economia só apareceriam a partir de 2016, com números próximos de 3% até 2018. Esse valor é superior à média do governo atual (cerca de 2%), mas abaixo do verificado nos governos Lula (aproximadamente 4%).

“O próximo presidente terá de trabalhar com esse equilíbrio. Não almejar crescimento imediato, o que não é viável. E equilibrar ajustes para melhorar as perspectivas, mas sem jogar o país na recessão”, diz Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil.

O economista, que está entre os que mais acertaram previsões no Focus em 2013, prevê aumento “moderado” de desemprego nos próximos anos, mas afirma que isso se deverá mais ao baixo crescimento dos últimos anos do que aos ajustes de 2015.

Walter Maciel, sócio-diretor da gestora de recursos Quest Investimentos, diz que as estimativas da empresa (similares à da média do Focus) consideram tanto uma política econômica que traga de volta a confiança e os investimentos como ações que continuem a levar o país para uma possível estagflação (inflação alta e PIB fraco).

Para ele, ajustes não tão grandes de juros e tarifas, como mostram as previsões, e a sinalização de uma política econômica de reformas para atrair investimentos são suficientes para acelerar o crescimento e reduzir a inflação.*

(*) EDUARDO CUCOLO – FOLHA DE SÃO PAULO

ABRINDO O BICO

Contadora ligada a Youssef diz que doleiro negociou propina com governo do Maranhão

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Em depoimento à PF, Meire Bonfim Poza relata encontro de Youssef em São Luís para pagamento de parte do valor

SÃO PAULO – A contadora Meire Bonfim Poza, suspeita de integrar o núcleo duro da quadrilha do doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF), segundo o “Jornal Nacional”, da TV Globo, que Youssef participou de um esquema de suborno envolvendo pagamentos judiciais, uma construtora e integrantes do governo do Maranhão. Segundo ela, a construtora Constran pediu que Youssef subornasse servidores públicos do estado oferecendo propina no valor de R$ 6 milhões. Em troca, segundo o depoimento, a construtora furaria a fila do pagamento de precatórios judiciais recebendo antecipadamente R$ 120 milhões. A comissão do doleiro seria de R$ 12 milhões.

Depois da suposta combinação, segundo o “Jornal Nacional”, o governo do Maranhão começou a liberar as parcelas do precatório, no valor de R$ 4,7 milhões, cada. Até o momento foram pagos R$ 33 milhões, com última parcela, segundo o portal da transparência do governo maranhense, paga no último dia 6.

A contadora disse à PF, na quinta-feira da semana passada, em Curitiba, que uma reunião foi combinada para acertar os detalhes da operação em setembro do ano passado, da qual participaram “João Guilherme, da Casa Civil”, um assessor identificado por Meire como “Bringel”, a presidente do Instituto de Previdência do estado, Maria da Graça Marques Cutrim, e uma procuradora do estado chamada Helena Maria Cavalcanti Haickel.

Meire contou à PF que o governo do Maranhão pressionava Youssef para receber a propina. Segundo Meire, o doleiro esteve na cidade no dia 17 de março deste ano para pagar propina para pessoas da alta administração do governo maranhense.

Um relatório da PF mostra fotos de Youssef em um hotel em São Luís com um homem identificado como Marco Antonio de Campos Ziegert. O doleiro chegou com duas malas ao local e Ziegert, com uma. os dois se hospedaram em andares diferentes. Durante a madrugada, o doleiro foi ao andar onde Ziegert estaria hospedado com uma mala. Logo depois, Youssef aparece sem a mala. De manhã, Ziegert deixa o hotel, segundo a PF, com a mala entregue pelo doleiro.

A contadora disse que Youssef, naquele dia, estava com parte da propina; R$ 1,4 milhão em dinheiro vivo. De acordo com a PF, Ziegert deixou na recepção do hotel uma caixa a ser entregue a Milton Braga Durans, assessor do governo Roseana Sarney. Milton esteve no local dias depois, segundo a PF.

A contadora, ainda no depoimento à PF, cita Adarico Negromonte, irmão do ex-ministro das Cidades Mario Negromonte. Ela disse que Adarico foi ao governo do Maranhão entregar R$ 300 mil que seriam parte do acordo, mas um assessor de Roseana teria dito que o valor era pouco e que iria consultar a governadora.

A Justiça Federal do Paraná vai encaminhar as informações do depoimento ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), incumbido de investigar denúncias envolvendo governadores.

Ao Jornal Nacional, o governo do Maranhão disse que apenas cumpriu o que foi definido pela Justiça do estado em relação aos precatórios envolvendo a construtora Cosntran. O governo do Maranhão disse, ainda, que João Guilherme Abreu não é mais da Casa Civil do estado.

A governadora Roseana Sarney declarou que jamais teve conhecimento de pagamento de propina a funcionários de seu governo.

Maria da Graça disse que foi a reunião citada como convidada e que os participantes fizeram uma proposta de criação de fundo de investimentos.

As demais partes citadas pela contadora não foram encontrados pela reportagem do Jornal Nacional para comentar o depoimento.*

(*) O Globo

AS “ZELITE BRANCA”

Com juros maiores, dona do Itaú lucra R$ 1,8 bi no trimestre, alta de 50%

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A Itaúsa (ITSA4), holding que controla o banco Itaú e outras empresas, teve lucro líquido consolidado (reúne todas as empresas do grupo) de R$ 1,794 bilhão no segundo trimestre, o que representa um avanço de 51,5% sobre o mesmo período do ano anterior.

O lucro líquido individual, que não considera o lucro atribuível a acionistas não controladores, ficou em R$ 1,757 bilhão, avanço de 57,6% na mesma base de comparação.

O resultado foi divulgado após o Itaú anunciar lucro recorde para o segundo trimestre,  de R$ 4,899 bilhões, alta de 36,7% sobre o segundo trimestre de 2013.

O lucro do Itaú cresceu devido a maiores taxas de juros nas operações de crédito, ao controle da inadimplência e a maiores receitas com serviços.

A Itaúsa, que também controla Duratex, Elekeiroz e Itautec, encerrou junho com patrimônio líquido consolidado de R$ 38,493 bilhões, contra R$ 34 bilhões um ano antes.

As receitas operacionais totalizaram R$ 5,8 bilhões no primeiro semestre do ano, avanço de 19% sobre os seis primeiros meses de 2013.

Com a divulgação do resultado, o Conselho de Administração da Itaúsa anunciou distribuição de juros sobre o capital próprio no valor líquido de R$ 0,0697 por ação, com base na posição acionária do 13 de agosto e com data da pagamento em 25 de agosto.*

(*) UOL Economia

QUANDO O GATO SAI, O RATO FAZ E DESFAZ

Genoino e Lamas deixam presídio e vão cumprir pena no regime aberto

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O ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do antigo PL (atual PR) Jacinto Lamas deixaram o presídio da Papuda na manhã desta terça-feira (12) e, após uma audiência na Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas, foram autorizados a cumprir o restante de suas penas em casa, no chamado regime aberto.

Condenado a 4 anos e 8 meses de prisão pelo crime de corrupção no processo do mensalão, Genoino poderia deixar o presídio e iniciar a pena em regime aberto após cumprir um sexta de sua pena, no dia 24 de agosto. Mas, como ele trabalhou na biblioteca da Papuda e fez cursos enquanto estava preso, abateu alguns dias de sua pena e pôde antecipar sua saída.

Lamas, por sua vez, condenado a 5 anos de prisão por lavagem de dinheiro, já estava trabalhando fora do presídio e conseguiu descontar 90 dias de sua pena, o que também permitiu sua saída antecipada.

Diferentemente de outras audiências realizadas na Vara de Execuções Penais com presos do mensalão, nesta terça não foi permitida a presença da imprensa no Fórum.

Folha apurou que, no encontro com o juiz, Genoino e Lamas foram informados sobre as condições do regime aberto de prisão e assinaram um termo se comprometendo a cumprir as regras. Caso os dois desobedeçam as orientações podem voltar para o regime semiaberto, quando o preso vive na Papuda com a possibilidade de sair durante o dia caso tenha um trabalho externo.

No regime aberto, os dois deverão se recolher aos seus domicílios entre 21h e 5h e terão que passar os fins de semana em casa. Se precisarem sair nestes períodos será necessária uma autorização da Justiça.

Fora da prisão, Genoino e Lamas não poderão se encontrar com outros condenados que cumpram pena, sejam eles do processo do mensalão ou não. Não poderão portar armas, entorpecentes e nem bebidas alcoólicas.

De acordo com informações destinadas aos presos em regime aberto no site da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, eles também não poderão “frequentar locais de prostituição, jogos, bares e similares”.

CASA

Genoino deixou a Vara de Execuções Penais por volta de 10h. Seus advogados não informaram onde ele cumprirá a pena, se numa casa alugada num bairro nobre de Brasília ou na residência de uma de suas filhas. *

(*) SEVERINO MOTTA – FOLHA DE SÃO PAULO

FALAR E ESCREVER BEM

 

000- a coluna do Joauca - 500

Os dicionários de língua ainda não  aportuguesaram algumas palavras estrangeiras de uso corrente,  contrariando ou ignorando as normas ortográficas em vigor. Nomes que em inglês se escrevem com sh no início, por exemplo, devem escrever-se com x, em português. Os dicionários registram xerife (sheriff) , xelim (shilling), xamã (shaman)  e xampu (shampoo), por exemplo, mas, não sei por quê,  continuam a registrar show e short, por xou e xorte. A correspondência do sh inglês com o x português se verifica até na palavra xah, persa, que deu shah, em inglês, e xá, em português. A única exceção é chutar (ing. shoot), já consagrada pela tradição.

Eis algumas palavras que devem  merecer especial atenção; muitas das que aqui estão entre parênteses, quando dicionarizadas, não têm a preferência dos dicionaristas, que as remetem às correspondentes adequadas:  atenazar (que se relaciona com tenaz; evite-se o verbo “atanazar” embora dicionarizado), tetravô (que se relaciona com tetra, quatro; evite-se o nome “tataravô”, embora dicionarizado), pasmado (adjetivo; pasmo é o substantivo; uma pessoa fica pasmada por causa do pasmo, do assombro, do espanto; não se diga pois “fiquei pasmo”, mas “fiquei pasmado”), mestria (que se relaciona com mestre; evite-se a forma “maestria”, embora dicionarizada, já que se relaciona morfologicamente com “maestro” e não com “mestre”), descarrilar (que se relaciona com “carril”; evite-se “descarrilhar”, brasileirismo de uso corrente, dicionarizado, mas inadequado), corar (pôr a roupa a secar; evite-se quarar, embora constante dos dicionários), coradouro (evite-se quaradouro, quarador ou corador, formas dicionarizadas, mas preteridas pelos dicionaristas), calidoscópio (e não “caleidoscópio”, forma registrada nos dicionários, mas preterida: o radical grego não é “kalei”, mas “kalos” (port.: calo, cal, cali) que significa “belo” e que aparece em calomania, caligrafia, calipígio, calicromo, caligrama, calistenia…).

Atenção redobrada deve dar-se às palavras proparoxítonas que, no plural, mudam a posição do acento tônico: sênior-seniores; júnior-juniores, Júpiter-Jupíteres, Lúcifer-Lucíferes. O substantivo paroxítono “caráter” forma “caracteres”, no plural. Assim, “mau-caráter” tem como plural “maus-caracteres”.

Também deve ser dada especial atenção aos nomes que têm o ditongo –ui em seu interior. A tendência popular é transformar o ditongo em hiato. Assim, tem acento tônico no U e não no I as palavras “gratuito” e  “fluido”.(Nesses vocábulos o acento tônico não é marcado graficamente.) O adjetivo “ruim” tem hiato e não ditongo: o acento tônico (não marcado graficamente)  é no –i-. Evite-se, portanto, a pronúncia  com a tônica no U e ainda menos a forma popular “runho”.

Com relação à pronúncia, diga: Ambrósia, arquétipo, avaro (paroxítono), batavo (paroxítono), bímano (proparoxítono),  quadrúmano (proparoxítono), díspar (paroxítono), dolo (com a vogal tônica aberta), cateter e ureter (oxítonos), filantropo (paroxítono), sânscrito (proparoxítono), ibero (paroxítono), ímprobo (proparoxítono), impudico e pudico (paroxítonos), ínterim (proparoxítono), necropsia (com acento no –i-, mas autópsia, com acento no –o), mister (oxítono; a palavra Mister, paroxítona, é inglesa; significa “senhor”, tratamento); monólito, recém (oxítono), xerox (forma preferível a xérox, embora ambas as pronúncias estejam corretas, mas as palavras que designam produtos industrializados ou comerciais têm sempre o acento na sílaba com o –x (à exceção de látex), como inox, pirex, gumex, durex,  eucatex, Sedex, Ajax, Jontex, memorex, etc.). Privilégio  relaciona-se com privar, e não com prévio; por isso deve ser evitada a grafia ou a pronúncia “previlégio”.

O verbo adentrar é transitivo direto e significa “pôr para dentro”, “fazer entrar”. Assim: o cão adentrou-se pela mata (ele pôs-se a si mesmo na mata), o homem adentrou-se no elevador, eu adentrei a cadeira na sala…  Dizer “eu adentrei o elevador” revela um esforço desnecessário: esforço,  porque é preciso ser forte para pôr um elevador para dentro; e desnecessário, porque o elevador já está dentro de algum lugar…

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)