DE PONTA CABEÇA…

Economia recua 1,48% em junho e tem queda de 1,2% no trimestre, diz BC

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A economia brasileira recuou 1,48% em junho na comparação com maio, de acordo com informações divulgadas pelo Banco Central nesta sexta-feira (15). No segundo trimestre, a queda acumulada foi de 1,2% em relação ao primeiro trimestre do ano.

Analistas consultados pela agência de notícias Reuters esperavam uma retração de 1,3% em junho.

Em maio, o resultado da economia tinha sido negativo em 0,8%; em abril, o dado foi revisado, de alta de 0,12% para leve queda de 0,01%, segundo a Reuters. Com isso, junho marca o quinto mês seguido de indicadores negativos na comparação com o mês anterior.

Na comparação entre junho deste ano e junho do ano passado, o recuo da economia foi ainda maior, de 2,68%. No acumulado do ano até agora, a economia está quase estável, com leve alta de 0,08%.

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) é considerado por analistas como uma “prévia mensal” do resultado oficial do PIB (Produto Interno Bruto), que é divulgado a cada três meses pelo IBGE.

O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária.

Prévia do PIB não determina resultado oficial, diz diretor do BC

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, afirmou nesta sexta-feira (15) que não é correto afirmar que a variação do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil foi negativa no segundo trimestre tendo como base o IBC-Br.

Os indicadores são calculados usando uma base diferente (leia mais abaixo), e, portanto, é preciso aguardar o resultado oficial do IBGE.

Carlos Hamilton, que participa de seminário em São Paulo, afirmou que a projeção do BC para o PIB é a que consta no Relatório de Inflação, que é de alta de 1,6% para 2014.

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  • Raphael Salimena/UOL

IBC-Br

O índice é elaborado mensalmente pelo BC e é considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto) –que é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a cada trimestre e leva a um resultado anual.

O indicador do BC é visto pelo mercado como uma antecipação do resultado do PIB, e serve de base para investidores e empresas adotarem medidas de curto prazo. Porém, não necessariamente reflete o resultado anual do PIB e, em algumas vezes, distancia-se bastante.

O indicador do BC leva em conta a trajetória das variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (agropecuária, indústria e serviços).

A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores acrescida dos impostos sobre produtos. O PIB calculado pelo IBGE, por sua vez, é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante certo período.

(*)  UOL ECONOMIA Com Reuters

A PAZ ORTOGRÁFICA

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O primeiro acordo luso-brasileiro de reforma  ortográfica da língua portuguesa data de 1931, com a adoção das propostas de Gonçalves Viana, de 1904; em 1938, um “desacordo” alterou a ortografia, sobretudo quanto à acentuação gráfica. Em 1943, houve outro acordo preocupado em renovar as intenções do acordo de 1931. Em 1945, novo acordo foi assinado, mas apenas Portugal respeitou.  Em 1971, novo acordo acabou com os acentos diferenciais.  Em 1995, novo acordo, proposto por Antônio Houaiss, só recentemente entrou oficialmente em vigor. Além desses acordos malsucedidos e basicamente preocupados apenas com acentos e tremas, houve algumas tentativas isoladas de reforma, como a de Qorpo Santo  (pseudônimo de José Joaquim Campos Leão) em 1868; a de Miguel de Lemos (Catesismo Pozitivista), em 1887; a de Alfredo Pessoa, em 1924; a do general  Bertoldo Klinger, em 1939; a de Eno Teodoro Wanke , em 1987. Todas essas reformas e sugestões de reformas apenas perturbam a aprendizagem , causam prejuízo às editoras, transformam em papel velho obras de consulta e de referência, como enciclopédias, dicionários, livros didáticos, gramáticas, manuais de linguística, etc. O pior: fazem crer que o português é uma língua sem dono, uma “casa de mãe Joana”,  em que cada um  que detenha certo poder se ache no direito de alterar a grafia oficial  mesmo que não tenha formação específica, titulação acadêmica, notório saber ou  conhecimentos linguísticos ou filológicos adequados.

As reformas do italiano, do alemão, do espanhol e, recentemente, do romeno, foram únicas e definitivas, porque foram chamados à obra professores doutores,  linguistas e filólogos de notório saber com prática de pesquisa e formação científica.

Mal entrou em vigor a última reforma ortográfica, e já querem novamente alterar a grafia oficial do português. O site www.simplificandoaortografia.com é um amontoado de sugestões muitas das quais em nenhum respaldo científico. Por exemplo:1. “adotar a crase em todos os as, como em francês” (confusão entre o acento grave indicativo de crase e o fenômeno de fonética sintática da fusão de duas vogais iguais; em “camisa azul” existe, na fala, crase do a: “camisazul”); 2. eliminar o pretenso dígrafo sc de nascer, por exemplo, tendo em vista que se eliminou o s em scena ou em scelerado (Os dígrafos sc, xc, por exemplo, só existem no Brasil; em Portugal, o s final de sílaba soa palatal, e o c antes de vogal anterior soa alveolar, portanto nascer, em Portugal, se pronuncia nach-cer, sem dígrafo; e no caso de scena, o s inicial não se lia, era apenas respeito à etimologia. O dígrafo é um problema sério a ser estudado, porque muitas gramáticas ensinam que há dígrafo em pombo, em anta, em Congo,  por exemplo, quando existe foneticamente um glide consonântico nasal bilabial em pombo,  dental em anta e velar em Congo. Aliás, é esse glide nasal bilabial em pombo que justifica a regra de se escrever m antes de p e b. Esses glides consonânticos nasais não são perceptíveis ao ouvido, mas são detectados em aparelhos em laboratório de fonética,  até mesmo por um quimógrafo.); 3. eliminar o u de queijo, porque não é pronunciado; isso cria o problema de pronúncias dúplices, como liquidificador ou quinquênio, em que o u pode soar ou não; substituir o ch por x cria problemas com a homofonia: cheque/xeque, chá/xá; usar sempre z em lugar do s intervocálico cria problemas também na homofonia: coser/cozer, etc.; 4. suprimir o h inicial, o que também cria problemas, como por exemplo: “Por ora, ele trabalha por hora”.

Na Espanha, o pronome ello soa elho; na Argentina, soa ejo; no Chile, soa eyo. Não importa a pronúncia: o que importa é que se trata do mesmo vocábulo escrito do mesmo jeito em todos os países de língua espanhola. Por que escrever Egito sem o P, sem escrevemos e falamos egípcio com o P? Por que escrever caráter sem c, se dizemos característico, com c? O importante é manter a coerência gráfica, mais do que atentar para o fato de uma letra ser ou não pronunciada. A grafia deveria respeitar as famílias de palavras: elétrico (com c)-eletricidade (com c). É a “aparência” das palavras que ajuda a entender a correlação entre as que são da mesma família, mesmo em línguas diferentes. Por exemplo: o inglês knife lembra o francês canif e o português canivete.

Só espero que haja paz ortográfica. Ou um estudo sério que vise a uma reforma última e definitiva.*

(*) José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

É MUITA CARA DE PAU…

Cinco meses depois de ter comparado Eduardo Campos a Collor, Lula finge chorar a morte do ‘homem público de rara e extraordinária qualidade’

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A grande seita dos cínicos deveria ao menos poupar a família de Eduardo Campos do espetáculo do farisaísmo, registrou o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, depois de registrar a colisão frontal entre dois palavrórios de Lula sobre o mesmíssimo ex-aliado que ousou desgarrar-se do rebanho. No primeiro, despejado em março numa conversa com empresários, o ex-presidente enxergou em Eduardo Campos uma versão pernambucana do Fernando Collor de 1989.

(Em 1993, numa entrevista ao jornalista Milton Neves, o agora amigo de infância de Collor disse o que pensava do arrivista escorraçado do cargo pela pressão popular. Segue-se um trecho transcrito sem correções: “Ao invés de construir um governo, construir uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra”)

Nesta quarta-feira, numa nota encomendada a algum assessor capaz de escrever, o ex-presidente resolveu compensar o insulto que Campos ouviu em vida com uma promoção póstuma. Segundo Lula, o Brasil acabou de perdeu “um homem público de rara e extraordinária qualidade” na queda do Cessna que, caso se espatifasse cinco meses atrás, teria apenas dispensado o país de perder o sono com uma reencarnação da figura que descreveu no parágrafo anterior.

Ou coisa pior, vinham avisando os disparos dos bucaneiros alocados pelo PT no front da internet. A fuzilaria se intensificou em janeiro, com publicação na página do partido no Facebook de um artigo que retrata Eduardo Campos como “um playboy mimado”, “um tolo deslumbrado”, “um ambicioso que traiu Lula, Dilma e a memória do avô Miguel Arraes”. Fora o resto.

O serviço sujo se estendeu à área de comentários, infestada de militantes que amam concluir o desfile de adjetivos grosseiros com a ofensa anabolizada por letras maiúsculas e o buquê de pontos de exclamação: CANALHA!!!!! Surpreendidas pela morte do alvo, as milícias redescobriram em segundos que Eduardo Campos era um bom companheiro. Os generais do lulopetismo já veem no Judas de ontem um forte candidato à canonização. Dilma só não chorou na TV por falta de treino. E a tropa toda ensaia com muita aplicação a cara de viúva inconsolável recomendada a penetras de velório.

Em países afeitos ao convívio dos contrários, ninguém estranha a presença de líderes de distintos partidos na cerimônia do adeus a um velho adversário. Se a luta pelo poder obedece a regras civilizadas, se não são permitidos golpes abaixo da cintura, não há razão para constrangimentos. Esse rito ecumênico só acontece em países que erradicaram a selvageria política. Não é o caso de um Brasil governado por gente que acha que, numa eleição, só é proibido perder.

Lula divide o país em “nós”e “eles”.  “Nós” são os que se curvam sem mugidos aos desígnios do chefe. “Eles” são o resto, e como restos merecem ser tratados. Os celebrantes de missas negras revogaram o sentimento da honra e removeram a fronteira que separa a crítica dura do agravo que fere a alma. Alguém precisa ensinar-lhes que infâmias imperdoáveis não são anuladas por notas hipócritas.

Até lá, os cínicos profissionais continuarão aparecendo nos velórios dos afrontados com o mesmo desembaraço que exibem em festanças no clube dos cafajestes.*

(*) Blog do Augusto Nunes

JOGO EMBOLADO

Marina tornou-se solução

e problema para Aécio

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Aécio Neves teria uma quarta-feira repleta. Depois de exibir-se para o eleitorado do Rio Grande do Norte, faria comícios em três municípios da Paraíba. Ao receber a informação de que uma tragédia aérea abreviara a vida do amigo Eduardo Campos, o presidenciável tucano cancelou os compromissos e voou de Natal para São Paulo. Na capital paulista, reuniu-se com o candidato a vice Aloysio Nunes Ferreira e com o coordenador de campanha José Agripino Maia. A tróica tentou apalpar o futuro.

Concluíram que, diante da fatalidade, a conversão da vice Marina Silva em cabeça da chapa do PSB é o melhor e o pior que pode acontecer. Melhor se ela substituir Campos e amealhar apenas os votos suficientes para levar Aécio até o segundo turno. Pior se Marina crescer a ponto de ultrapassar Aécio, chegando, ela própria, ao segundo round. Muito pior ainda se a líder da Rede for escanteada. Nessa hipótese, Dilma pode prevalecer na primeira rodada.

Otimistas, Aécio e seus operadores avaliam que os 23% obtidos no último Ibope são constituídos de “votos consolidados”. E parte dos 38% amealhados por Dilma seria composta de eleitores volúveis. Nesse cenário, uma candidatura encabeçada por Marina, ex-petista e ex-ministra de Lula, tenderia a subtrair mais votos de Dilma que de Aécio. De resto, Marina reteria parte dos eleitores de Eduardo Campos e atrairia um naco do contingente de indecisos.

De resto, Aécio e seus operadores avaliam que o PSDB pode herdar alguns acordos políticos firmados por Eduardo Campos nos Estados. Por exemplo: fechados com Campos, Nelson Trad (PMDB) e Benedito de Lira (PP), candidatos aos governos do Mato Grosso do Sul e de Alagoas, respectivamente, migrariam para o palanque de Aécio se Marina virar a número um do PSB.*

(*) Blog do Josias de Souza

VIRADA DE MESA

Presidência é destino

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Nunca a frase atribuída a Tancredo Neves, de que a Presidência da República é questão de destino, foi tão apropriada quanto agora, diante da trágica morte de Eduardo Campos, que cortou uma carreira política ascendente e mudará necessariamente a eleição presidencial.

Quis o destino que o ex-governador de Pernambuco nem mesmo chegasse a disputar o cargo, para o qual se qualificou por meio de uma carreira política exitosa. E Marina Silva, que havia sido impedida de disputá-lo pela segunda vez, devido a manobras políticas, pode vir a ser a candidata na vaga aberta pela morte de Campos, de quem era companheira de chapa.

Campos pretendia liderar uma nova maneira de fazer política, e acreditava que com a propaganda oficial, a partir do dia 19, poderia, com a apresentação de sua proposta de governo, reverter o quadro sucessório em que aparecia em terceiro lugar.

A jogada política mais ousada da campanha eleitoral até agora foi dele, ao se aproximar de Marina Silva assim que a ex-senadora perdeu o direito de disputar a eleição por seu partido, a Rede Sustentabilidade. Essa imprevisível aliança política criou mais problemas do que soluções para sua candidatura, mas deu a Campos a possibilidade de disputar um espaço político maior e, sobretudo, expectativa de vitória devido aos 20 milhões de votos que Marina recebera na eleição de 2010.

A decisão sobre a campanha eleitoral do PSB tem que ser tomada em dez dias, segundo a legislação eleitoral, e num prazo tão curto será difícil criar uma candidatura do nada. Se aparentemente a substituição por Marina seria escolha natural, as disputas internas, no entanto, podem levar o PSB a outros caminhos.

Há um grupo à esquerda no partido que sempre preferiu o apoio à candidatura Dilma, dando continuidade a uma aliança histórica com o PT que Campos passou a renegar de uns anos para cá. O tom da campanha do ex-governador de Pernambuco, porém, torna difícil essa opção.

Dilma era sua adversária preferencial, ao mesmo tempo em que ele poupava Lula, por amizade e cálculo político, pois considerava provável que, a certa altura da campanha, vendo a impossibilidade de reeleger a presidente, o PT a cristianizaria e passaria a apoiá-lo a comando de Lula.

Também o PPS, que apoiava a candidatura de Campos, não aceitaria essa hipótese e passaria a apoiar Aécio Neves, do PSDB. O lançamento de Marina transformaria a terceira via em uma alternativa bastante viável, mas, embora seja filiada ao PSB, quem daria o tom da sua campanha seria a Rede, e este é o maior embaraço na costura dessa nova aliança, com Marina na cabeça da chapa. A ex-senadora já apareceu em pesquisas eleitorais com 27%, na última vez em que seu nome foi testado.

Uma hipótese pensada em setores do partido é simplesmente abrir mão de apresentar uma nova candidatura, o que representaria na prática um apoio branco à reeleição da presidente Dilma. Apresentar um candidato próprio, que seja do PSB e não da Rede, teria o mesmo efeito, pois dificilmente esse indicado conseguiria ter uma projeção nacional e, sobretudo, não contaria mais com o apoio nem de Marina nem da Rede.

Na hipótese de Marina não vir a ser a candidata, o que pode acontecer até mesmo por decisão dela de não participar da eleição nessas circunstâncias, a eleição se transformaria num duelo entre Dilma e Aécio Neves — numa antecipação do segundo turno, mas com a desvantagem para o candidato do PSDB, que continuará com três vezes menos tempo de televisão que a incumbente.

As recentes pesquisas eleitorais mostram, no entanto, que, no confronto direto com a presidente, o candidato tucano recebe grande parte dos votos que iriam para os demais candidatos, chegando a um virtual empate técnico.

Caso Marina venha a ser a candidata do PSB em substituição a Eduardo Campos, a disputa ficará mais difícil para Aécio Neves, mas o segundo turno estará praticamente garantido, e, com ele, os riscos da presidente Dilma aumentarão bastante. *

(*) Merval Pereira, O Globo

SEGUNDO TURNO À VISTA

Marina vem aí

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O PSB e seus aliados pretendem fazer da vice Marina Silva sua candidata ao Planalto. Com a morte de Eduardo Campos, os políticos avaliam que será preciso escolher um nome de viabilidade eleitoral garantida para dissuadir os que querem se entregar ao PT ou ao PSDB. Os cientistas políticos e marqueteiros avaliam que a posição de Aécio Neves está ameaçada e que a disputa irá agora, com certeza, para o 2º turno. *

(*) Ilimar Franco, O Globo

 

TRAGÉDIA NACIONAL

Sem Marina, acaba a terceira via

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Caberá ao PSB decidir o que fará com a cabeça de sua chapa à Presidência da República, mas de duas uma: ou Marina Silva ascende à posição aberta com a morte de Eduardo Campos, ou a terceira opção desaparece. Se ela era a candidata a vice-presidente até as primeiras horas da manhã de ontem, será difícil justificar outra solução, sobretudo tratando-se de uma companheira de chapa que tem identidade própria e recebeu 20 milhões de votos na última eleição.

Marina não entrou na chapa de Eduardo Campos como um simples apenso destinado a costurar acordos partidários. Se não serve para substituir o candidato morto, serviria para quê? Com algum exagero no paralelo, o entendimento de que o vice-presidente é um enfeite desemboca na manhã de outro agosto, de 1969, quando o presidente Costa e Silva estava entrevado por uma isquemia cerebral, e os ministros militares mandaram o vice Pedro Aleixo para casa. Dezesseis anos depois, para alívio geral, o vice-presidente José Sarney assumiu no dia em que Tancredo Neves deveria ser empossado. O presidente eleito estava hospitalizado e morreria mês depois.

Pedro Aleixo e Sarney já haviam sido eleitos. Ambos, contudo, eram enfeites. Um, para dar um toque civil à Presidência de um marechal. O outro, dava sabor governista a um presidente da oposição. Não sendo enfeite, Marina é mais que isso.

Se a ex-senadora for deixada de lado, a terceira via implode. Se ela substituir Eduardo Campos, a natureza dessa terceira via muda de qualidade e transforma a eleição deste ano numa reedição do pleito de 2010.

Eduardo Campos será sepultado no mesmo jazigo onde está seu avô, Miguel Arraes, morto em outro 13 de agosto. Ele disputava a Presidência contra outro neto, Aécio Neves. Nos próximos dias, vai-se saber o que farão o PSB e Marina. A lembrança de Arraes e Tancredo, contudo, leva a uma especulação passadológica. Em 1980, quando a polarização bipartidária foi rompida pelo governo, Tancredo sinalizou que iria para um terceiro caminho, dizendo que o seu MDB não era o de Arraes. Quatro anos depois, quando se costurava o arco de alianças que permitiria a eleição indireta de Tancredo, o deputado Fernando Lyra (irmão do atual governador de Pernambuco) costurou um encontro de Tancredo com Arraes e o impossível aconteceu. Os dois ficaram juntos, acabaram com a ditadura e foram felizes para sempre.

Tancredo elegeu-se presidente da República porque costurou alianças consideradas impossíveis pela política do andar de cima e óbvias para o ronco das ruas no andar de baixo, ouvida durante a campanha das Diretas. Havia no avô de Aécio Neves habilidade, mas sobretudo conhecimento da História. Diferenciou-se pela percepção que teve do fenômeno político que formaria alianças prá lá de implausíveis.

Se o PSB, marineiros e tucanos quiserem impedir que o PT permaneça no governo por 16 anos seguidos, em algum lugar alguém pensará o impossível: Marina Silva na campanha de Aécio Neves. Olhando-se essa hipótese pela ótica da política é enorme o espaço que os separa. Pela ótica da História, caso ela esteja no tabuleiro, é razoável. Se não estiver, paciência. Tancredo não fazia só política, fazia História.*

(*) Elio Gaspari, O Globo

ELEIÇÕES 2014

Um partido na encruzilhada

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Nas próximas horas, Roberto Amaral assume a presidência do PSB. Pela segunda vez no mesmo papel: substituiu Miguel Arraes, morto em 2005, e sucederá a Eduardo Campos, neto de Arraes, vítima ontem.

Depois do funeral, ele vai convocar o diretório do partido para decidir: a) se o PSB terá ou não candidato presidencial; b) caso tenha, se vai ser Marina Silva, a vice de Eduardo Campos.

Aos 75 anos, Amaral encarna as ambiguidades do PSB nesta disputa presidencial. Cresceu na política como burocrata de partido e é aliado de Lula e Dilma Rousseff. Ano passado, sugeriu a Campos apoiar Dilma deixando a candidatura presidencial para 2018. Aliou o PSB do Rio ao candidato petista Lindbergh Farias.

A decisão sobre o futuro imediato do PSB passa por outro personagem ambíguo, Márcio França, 51 anos, ex-prefeito de Campinas, deputado federal e candidato a vice-governador de São Paulo na chapa liderada por Geraldo Alckmin (PSDB).

França controla pouco mais de um terço dos votos no diretório nacional do PSB. Venceu a rejeição de Marina Silva à aliança com o PSDB de Alckmin, mas tem preservado uma pública equidistância do candidato Aécio Neves.

O PSB realizou uma proeza, em dezembro, ao unir Campos a Marina, que sempre o suplantou nas pesquisas. Desde a eleição passada, quando levou 21% dos votos de Minas, 31% do Rio e 21% de São Paulo, ela insiste em se apresentar como alternativa ao jogo PT-PSDB.

Marina seria a candidata “natural”, mas a oposição interna deixa o PSB numa encruzilhada: tem muito pouco tempo para decidir se continuará na trilha aberta por Campos ou se recua e congela seu futuro, subordinando-se como satélite na constelação do PSDB ou do PT.*

(*) José Casado, O Globo