A MORTE ANUNCIADA

POR UMA CABEÇA

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SÃO PAULO – Para quem gosta de alimentar a competição entre brasileiros e argentinos, vai uma dica. Foi-se o tempo em que a renda per capita brasileira, medida em dólares, era uma pequena fração comparada à argentina.

Em 1983, quando o vizinho do sul saiu da ditadura, o PIB por habitante no Brasil não chegava a um terço do argentino. Três décadas depois, estamos a cinco pontos percentuais da igualdade. Por uma cabeça, como diz o tango de Carlos Gardel.

Se cotejamos o volume total das duas economias, o cavalo lusófono dispara na pista. Para cada US$ 100 produzidos no Brasil hoje, a Argentina faz apenas US$ 22 “”contra US$ 71 há 30 anos.

O desempenho do Brasil no período foi apenas razoável. Foi a Argentina que afundou, e as explicações sobre esse desastre nacional convergem para a política.

A redemocratização argentina passou ao largo da necessidade de regularizar, aprofundar e estabilizar as instituições de mercado. A moeda nacional foi rifada na gestão Menem (1989-1999), no plano para erradicar a inflação com dólares alheios.

O modelo ruiu quando os dólares globais buscaram abrigo nos EUA no final da década de 1990. Na Argentina, isso produziu uma das mais severas recessões de que há registro. A deterioração financeira logo se tornou catarse política, que derrubou o presidente Fernando de la Rúa em 2001.

O ciclo seguinte em nada inovou. Reascendeu a velha cepa populista argentina, que distribuiu fartos recursos públicos sob a forma de subsídios, controlou preços e afugentou investimentos.

Esse grupo gozou de conforto no poder enquanto durou a exuberante arrancada chinesa da primeira década do século 21.

A bonança chega ao fim sem que a Argentina tenha se modernizado. O peso afunda em descrédito, e a crise financeira está perto, a uma cabeça, de desaguar em convulsão política.*

(*) Vinícius Motta – Folha de São Paulo

MUDANÇA DE VENTO

Cenários mudam onde Dilma venceu com folga

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Presidente enfrenta ambiente incerto em Minas, Pernambuco, Ceará, Rio, Bahia e Maranhão, que lhe deram vantagem de 11 milhões de votos em 2010

O cenário favorável que a presidente Dilma Rousseff teve na eleição de 2010 em seis Estados – onde sua vantagem sobre o rival José Serra (PSDB) no 1º turno superou um milhão de votos – dificilmente se repetirá na sua tentativa de reeleição em outubro. Além de Minas Gerais e Pernambuco, onde os prováveis candidatos Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) certamente terão votações expressivas, outros Estados, como Bahia, Ceará, Rio e Maranhão apresentam hoje um quadro bastante diverso do que existia quatro anos atrás.

Em 2010, a Bahia deu 2,7 milhões de votos de vantagem a Dilma. No Ceará, ela conseguiu outros 2,1 milhões. Pernambuco (1,97 milhão), Minas Gerais (1,75 milhão), Maranhão (1,63 milhão) e Rio de Janeiro (1 milhão) completaram o quadro, garantindo-lhe folga de 11,27 milhões de votos sobre o rival. Além disso, aliados de Serra acusaram Aécio – que era candidato ao Senado – de não se empenhar por ele na briga presidencial no Estado. E Campos apoiou o PT em Pernambuco.

PMDB. Nos outros quatro Estados, o principal problema hoje é a proximidade cada vez maior do PMDB com o PSDB. Na Bahia, a legenda articula uma frente de oposição a Dilma que inclui o DEM. Além disso, o PSB de Campos terá candidatura própria entre os baianos.

No Rio, Sérgio Cabral (PMDB) deu palanque a Dilma em 2010 mas este ano, sem o mesmo prestígio da época, tenta fazer seu sucessor – e, diante da candidatura de Lindhberg Faria (PT), avança nas conversas com o PSDB.

O mesmo ocorre no Ceará, onde o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira quer ser candidato ao governo mas sente-se preterido pelo PT. Assim, tenta também uma aliança ao menos informal com o PSDB de Tasso Jereissati.

No Maranhão, o PT tenta não melindrar o clã Sarney, que ainda está sem um nome forte para disputar a sucessão da governadora Roseana Sarney (PMDB). Mas o diretório regional do PT deve vetar uma aliança com o PMDB.

Em 2010, a eleição foi ao segundo turno e Dilma venceu por 46,9% dos votos válidos, contra 32,6% de Serra. Para este ano, o ideal para o PT seria liquidar a fatura no 1º turno. O próprio partido avalia que, no 2º, o cenário é menos seguro.*

(*) Ricardo Brito, Daiene Cardoso / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

PERGUNTAR NÃO ESTUPRA

NA MORTE DE SANTIAGO, ONDE ESTAVAM

CAETANO VELOSO, PABLO CAPILÉ E A MÍDIA NINJA?

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Depois da morte de Santiago Andrade, é bom lembrar o que vem acontecendo desde junho passado, quando começaram as manifestações populares, no Rio de Janeiro e São Paulo, organizadas pelo movimento Passe Livre, que depois foram se encorpando, ganhando adeptos e incluindo protestos contra a Copa do Mundo e exigindo “Padrão Fifa” para educação, saúde, transportes e segurança.

De repente, apareceram em cena os black blocs. Surgiam na fase final dos protestos, provocavam a polícia de uma maneira inacreditável, quebravam o que estivesse na frente, especialmente abrigos de ônibus e agências bancárias.

Junto aos black blocs, notabilizou-se a mídia ninja bancada pela ONG de Pablo Capilé, espalhada pelo país com generoso financiamento do governo federal, de governos estaduais e prefeituras, não somente ocupadas pelo PT mas também por outros partidos, inclusive o PSDB de São Paulo, vejam que ironia, além de empresas privadas e entidades interessadas em agradar a quem está no poder.

“ALTERNATIVA” À MÍDIA

Os ardorosos defensores de Capilé argumentavam que seus seguidores eram uma alternativa à mídia normal, para “cobrir” as manifestações e denunciar as agressões dos policiais. Muita gente boa entrou nessa esparrela, inclusive Caetano Veloso, que foi visitar os tais ninjas e se deixou fotografar como black bloc, que santa ingenuidade.

Na época, aqui no Blog, chamávamos atenção para uma realidade flagrante – os mídias ninjas jamais apresentavam imagens de manifestantes agredindo policiais nem fazendo atos de vandalismo. Pelo contrário, suas imagens visavam  sempre denegrir os policiais.

O melhor exemplo foi a série de imagens de um manifestante correndo pelas ruas e depois sendo alvo de pistola de choque e agressão por policiais, fato que virou um escândalo nacional. Mas esqueceram de mostrar o que o manifestante fizera antes, provocando os policiais de tal forma que eles perderam a razão.

Agora, na morte de Santiago Andrade, onde esta a a mídia ninja? Todas as imagens que documentaram o assassinato do cinegrafista foram feitas pela mídia nacional e estrangeira, incluindo jornalistas ingleses e russos. Nem uma só imagem da mídia ninja. Por que será? Devo perguntar ao Caetano Veloso? Ou a Dilma Rousseff, tão amiga e ligada a Pablo Capilé?

Que Deus proteja os jornalistas de verdade!*

(*) Carlos Newton, Tribuna da Imprensa Online.

AGAURDEM

CARTÃO-VANDALISMO

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Depois do Bolsa Família, Bolsa Escola, Cartão-Gás e do Cartão-Material, o advogado do black bloc Caio Silva revelou a mais recente criação da esquerdopatia nacional: o cartão-vandalismo, de R$ 150.*

(*) Diário do Poder

GARGANTA PROFUNDA

PMDB ameaça votar contra projetos do governo esta semana

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Partido tentará derrubar Marco Civil da Internet

e veto de Dilma à criação de novos municípios

BRASÍLIA – Incomodado com o andamento da reforma ministerial, o PMDB promete dar muitas dores de cabeça à presidente Dilma Rousseff esta semana. O partido está empenhado em derrubar duas medidas de interesse da presidente: o Marco Civil da Internet e o veto ao projeto que permite a criação de novos municípios. E nem mesmo a provável ida de Dilma a um jantar do partido, hoje à noite, no casa do vice Michel Temer, deve alterar os ânimos. Após quatro meses trancando a pauta da Câmara, o projeto do Marco Civil começa a ser votado esta semana e tem no PMDB seu principal adversário. Em reunião da bancada, semana passada, o líder Eduardo Cunha indicou voto contra. — Há uma posição política de derrotar todo projeto que tenha urgência para poder limpar a pauta. A polêmica do Marco Civil pode levar esse projeto a ficar três semanas na pauta e acaba fazendo um jogo que no fundo o governo quer: manter a pauta trancada — disse Cunha. Para tentar contornar a oposição peemedebista, o relator do projeto, Alessandro Molon (PT-RJ), trata a proposta como suprapartidária: — Quem trabalhar contra o projeto estará tentando derrotar não o governo, mas 100 milhões de internautas que serão beneficiados. Lamento profundamente essa postura do PMDB e espero que até o dia da votação ela seja revista. Não se pode misturar divergências com o governo e matérias dessa importância para o Brasil, ainda mais o segundo maior partido da base. (Paulo Celso Pereira)

(*) O GLOBO.

BABERNEIROS JURAMENTADOS

Dilma e Sininho

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É inaceitável que um jornalista seja tolhido ou ameaçado no exercício de sua função.*

(*)José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça

                              * * *  

O que há em comum entre Dilma Rousseff e Elisa Quadros, de apelido Sininho? Antes de responder à pergunta apresento-lhes Sininho. Gaúcha de 28 anos de idade, estudante de cinema, no momento desempregada, ela mora no Rio de Janeiro e é ligada aos black blocs – aqueles sujeitos mascarados que se metem em passeatas legítimas e pacíficas para destruir o que encontram pela frente. Por que agem assim?

Bem, uma coisa de cada vez. O alvo dos black blocs são os símbolos do capitalismo – agências de bancos, por exemplo, lanchonetes do tipo McDonald’s e vitrines de lojas. Sininho faz o meio de campo entre os black blocs e pessoas de extrema esquerda que pensam como os black blocs. Se não pensam igual, ao menos os querem como aliados. Na semana passada, Sininho atraiu todos os holofotes.

Um cinegrafista morreu no Rio atingido por um rojão. Quem disparou o rojão foi um black bloc. Sininho arranjou um advogado para defender o black bloc. E assim virou o objeto de desejo dos jornalistas.

Repito: o que há de comum entre Dilma Rousseff e Sininho? A política. As duas são políticas. E as duas admitem o uso da violência para alcançar objetivos políticos. (Devagar. Não tirem conclusões apressadas.)

Dilma precisou usar violência para ajudar a derrubar a ditadura militar de março de 1964, que durou 21 anos. Sininho usa a violência para derrubar… Nem ela mesma sabe direito o quê.

O ideal seria que as ditaduras caíssem sem o emprego da violência. Mas o emprego da violência justifica-se, sim, para derrubar uma ditadura. É o que penso. Vocês podem pensar diferente. Por sinal, essa é uma das vantagens da democracia.

De esquerda ou de direita, ditadura usa a violência contra o povo. Enquanto existe uma ditadura, você só dirá sem medo o que pensa se pensar como ela. Se pensar diferente poderá ser preso, torturado e morto. Dilma está aí vivinha, mas foi presa e torturada.

Suponho que Sininho e sua turma desejem ferir gravemente o regime democrático sob o qual vivemos. O regime democrático é imperfeito e sempre será. Mas é o melhor dos regimes. Na democracia posso dizer o que penso porque jamais serei preso e torturado por pensar assim ou assado.

É crime usar a violência para que o regime democrático ceda lugar a outro. Sininho sabe disso. Mas parece não se importar. Ganhou seus cinco minutos de fama. Quem não gostaria de virar celebridade? Pois é… Dilma não lutou contra a ditadura em troca de cinco minutos de fama. Não havia isso naquela época.

Há os que acham que Dilma lutou contra a ditadura para pôr no lugar outra ditadura de acordo com suas ideias, e não uma democracia de verdade. O que eu acho disso? Até pode ser que sim. Mas Dilma acabou chegando ao poder por meio do voto livre, que é a base da democracia. Converteu-se, digamos assim, à democracia.

O que quero mesmo dizer com essa história de Dilma e Sininho? Eu sei o que quero dizer. Mas prefiro que vocês tirem suas próprias conclusões. Vocês têm 30 segundos… Pronto! Acabou o prazo! Pensaram? Não? Então lá vai minha conclusão.

Se lutamos tão arduamente, arriscando nossas vidas, inclusive, para derrotar uma ditadura militar que silenciava as palavras, faz sentido agora permitir que a expressão da democracia seja a morte de um jornalista? Não, não faz sentido. Não faz o menor sentido.*

(*) Blog do Noblat.

POLTRÃO

LEWANDOWSKI PISCOU

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A História é uma trapaceira. Às vezes passa na porta da biografia de uma pessoa e ela não percebe. Na quarta-feira, o ministro Ricardo Lewandowski presidia a sessão do Supremo Tribunal Federal quando a multidão convocada pelo MST colocou-se diante do prédio. Temendo uma invasão, suspendeu a sessão e foi para seu gabinete. Nenhum manifestante entrou no tribunal.

A biografia do ministro seria outra se tivesse outra atitude e dissesse: “Ninguém neste país interrompe uma sessão do Supremo Tribunal. Prossigamos”. A doutora Dilma, alertada, transferiu sua agenda do Planalto para o Alvorada.

Faz tempo, Juscelino Kubitschek dizia que a capital devia ir para o cerrado goiano porque um quebra-quebra de bondes no Rio era suficiente para sitiar o governo. Com exemplos como os de Lewandowski e da doutora, um dia a capital vai para Roraima.*

(*) Elio Gaspari – Folha de São Paulo