É muita incomPTência

ADEUS, AMOR

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Foi bom enquanto durou. Agora, a Petrobras está se livrando de 8.300 funcionários, graças ao Plano de Demissão Voluntária que implantou. São 12,4% dos empregados, parte de uma equipe de grande competência, que ajudou a transformar a Petrobras numa das maiores empresas do mundo. O objetivo do PDV é “adequar o efetivo da companhia aos desafios do Plano de Negócios e Gestão 2014-2018”. Em nota, a Petrobras diz que as dispensas ocorrerão por etapas, de modo a garantir “a necessária retenção do conhecimento, indispensável ao crescimento e à continuidade operacional, segura e sustentável, da companhia”. Com o PDV, a Petrobras espera reduzir suas despesas em R$ 18 bilhões até 2018.*

 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

SALVE-SE QUEM PUDER…

NEGÓCIO NA ÁFRICA DE BANQUEIRO AMIGO VAI À CPI

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Será alvo da CPI a venda amiga dos poços de petróleo da Petrobras na África para o BTG, banco de André Esteves, quando ainda era “amigo de infância” do ex-presidente Lula e de Antônio Palocci, em 2012. A oposição quer saber como ativos na Nigéria, Tanzânia, Angola, Benin, Gabão e Namíbia, avaliados em US$ 7 bilhões por Jorge Zelada, ex-diretor da área internacional, foram dados ao BTG por US$ 1,5 bilhão.

PREÇOS ALTERADOS

O valor dos ativos da Petrobras na África foram reestimados depois da posse de Graça Foster na presidência da estatal, em 2012.

PECHINCHA AMIGA

Avaliados em US$ 7 bilhões, os poços africanos caíram para US$ 4,5 bi, US$ 3,16 bi, até o BTG levar o negócio pela bagatela de US$1,5 bi.

IMPRESSIONANTE

Com a CPI, a oposição quer entender como em menos de 1 ano o BTG obteve retorno de US$ 150 milhões na África, a título de dividendos.*

 

A PROPÓSITO

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REVELAÇÕES DE EX-DIRETOR PODEM ‘INCENDIAR’ O PAÍS

Pessoas ligadas ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato, garantem: ele não repetirá Marcos Valério, que aguentou firme, não entregou ninguém, preservou o ex-presidente Lula e foi condenado a 37 anos de prisão. Costa pode “incendiar” o País, recorrendo a delação premiada, e contar tudo sobre negociatas, não só na Petrobras, e o envolvimento de autoridades federais e estaduais.

PRIMEIRO A FAMÍLIA

A delação premiada de Paulo Roberto Costa poderá reduzir sua pena e livrar familiares, que correm risco de cadeia por obstruírem a Justiça.

SOB PROTEÇÃO

São tão graves as esperadas revelações do ex-diretor que sua defesa poderá solicitar sua inclusão no Programa de Proteção a Testemunhas.

SEGURANÇA MÁXIMA

Paulo Roberto Costa foi levado de volta à carceragem da PF para sua segurança. No presídio comum, poderia ser alvo de queima de arquivo.

SILÊNCIO DE OURO

Fornecedores ou parceiros de grande e médio portes da Petrobras, estão insones, rezando para que Paulo Roberto Costa fique calado.*

(*) Diário do Poder

OBSERVAÇÃO

REBOBINANDO

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Em evento na cidade de Timon, no Maranhão, no final do mês passado, o ex-governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos, afirmou que o senador José Sarney (PMDB) ficará no campo da oposição em seu eventual governo. Ele publicou a declaração realizada no evento em sua conta no microblog Twitter: “O senador Sarney terá meu respeito, mas no meu governo ele será oposição durante os quatro anos”.

A PROPÓSITO

Desde a redemocratização, o apoio político da família Sarney e sua participação no governo só foi rejeitada numa gestão, a de Fernando Collor.*

(*) Blog do Ilimar Franco.

MUY AMIGOS…

Dilma teme mais os aliados que os rivais na CPI

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Diante da inevitabilidade da CPI da Petrobras, o Planalto tentou excluir os deputados do lance, restringindo a encrenca a uma comissão composta só de senadores. Com esse movimento, Dilma Rousseff ficou no meio de um tiroteio entre a Câmara e o Senado. O governo recebeu um aviso: excluídos, os deputados iriam buscar a CPI mista na marra. Na noite passada, Dilma já considerava a hipótese de organizar sua tropa para a CPI ampliada, com senadores e deputados.

A presidente passou a temer mais os supostos aliados do que os rivais da oposição. Soube que o PMDB briga consigo mesmo em torno da CPI. A banda do PMDB da Câmara, liderada pelo presidente Henrique Eduardo Alves e pelo líder Eduardo Cunha, concluiu que uma CPI só do Senado concentraria poderes demais nas mãos de Renan Calheiros.

Renan não terá um assento na CPI da Petrobras. Mas alguns dos principais membros da comissão terão lugar cativo na antessala da presidência do Senado. Além de se autoproteger, Renan ofereceria escudo a Dilma, cacifando-se. “Sabe Deus o que pedirá em troca”, comentava nesta segunda (6) um peemedebista da Câmara. “Cansamos de fazer papel de bobos. A Câmara morde, o Senado assopra. Já deu.”

No papel, respeitada a regra da proporcionalidade das bancadas, o governo vai à CPI da Petrobras com o controle da presidência, da relatoria e de 76,9% dos votos. Numa comissão do Senado, leva dez dos 13 assentos. Confirmando-se a mista, coleciona 20 das 26 cadeiras. O diabo é que Dilma já se deu conta de que o pior tipo de solidão é a companhia dos seus aliados.

Até a noite passada, apenas dois líderes haviam indicado representantes para a CPI mista, ambos da Câmara. Mendonça Filho (PE), do DEM, indicou Rodrigo Maia (RJ) como titular e Onyx Lorenzoni (RS) como suplente. Rubens Bueno, do bloco PPS-PV, indicou a si próprio como titular e o colega verde Antonio Roberto (MG) para a suplência. Nem sinal, por ora, dos nomes do bloco dos governistas ma non troppo: PMDB, PR, PDT, um pedaço do PTB…

Um dia depois de recorrer ao plenário do STF contra a liminar da minstra Rosa Weber, que mandou instalar a CPI, Renan reunirá os líderes da Câmara e do Senado às 15h30 desta terça-feira. A exemplo de Dilma, ele emitiu sinais de que deve se render à CPI mista. Nessa hipótese, restaria ao governo tentar domar os aliados para obter indicações companheiras.

Nos últimos tempos, CPI virou sinônimo de desmoralização. Mas tanto barulho em meio a uma campanha eleitoral não é coisa agradável. De resto, o petismo carrega a bola de ferro da CPI dos Correios. Começou na filmagem de um servidor de terceiro escalão recolhendo propinas em nome do PTB. E terminou no mensalão. A presidência era do PT. A relatoria, do PMDB. A maioria era governista. Mas não houve força capaz de deter os fatos.*

(*) Blog do Josias de Souza

VALE TUDO

Dilma entrega vice-presidência da Caixa ao tesoureiro do PTB

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Cargo que foi ocupado por Geddel Vieira Lima, do PMDB, fica com sigla que promete aliança pela reeleição da presidente

Brasília – Para conseguir apoio do PTB à candidatura à reeleição, a presidente Dilma Rousseff loteou uma das vice-presidências da Caixa ao partido, que já ocupava uma vaga na cúpula do Banco do Brasil desde junho passado. A nomeação como vice-presidente corporativo de Luiz Rondon Teixeira de Magalhães Filho, primeiro tesoureiro do PTB, foi publicada na edição desta segunda-feira, 5, do Diário Oficial da União.

Gama assumiu o comando do PTB após Jefferson pedir licença do cargo, depois de ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão. Ele esteve presente no encontro nacional do PT, na sexta-feira, em São Paulo.

Efeitos. O partido aliado deve formalizar neste mês o apoio à reeleição de Dilma. O Palácio do Planalto pretende com isso neutralizar as ameaças de rebelião da base aliada por outros partidos, como PR e PROS.

Fora da Esplanada, o PTB conseguiu um cargo na Caixa que tradicionalmente era ocupado pelo PMDB. O último que despachou como vice-presidente corporativo ou de pessoa jurídica, como era chamado o cargo, foi Geddel Vieira Lima, que chegou a pedir pelo microblog Twitter que Dilma o exonerasse do cargo para poder disputar a eleição ao governo do Estado.

Com a nomeação, o PTB conseguiu ocupar cargos nos dois principais bancos públicos comerciais. No BB, Benito Gama indicou para substituí-lo Valmir Campelo, ministro que se aposentou do Tribunal de Contas da União (TCU) antes mesmo de contemplar 70 anos para assumir o posto no banco estatal. Rondon, o indicado pelo PTB para a vice-presidência da Caixa, foi o homem do partido na Eletronuclear e secretário adjunto de Previdência Complementar no Ministério da Previdência.

Cidades. Já a nomeação de José Carlos Medaglia Filho à vice-presidência de Governo da Caixa é indicação do PT. Ele substitui Gilberto Magalhães Occhi, que saiu do banco estatal para assumir o Ministério das Cidades. Occhi é ligado ao PP. O ministro conseguiu levar para a pasta Raphael Rezende Neto. Ele pediu exoneração do cargo de vice-presidente de Controle e Risco na Caixa para ser diretor de Mobilidade Urbana. No lugar dele, ficará interinamente a funcionária de carreira Alexsandra Braga.

O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel, disse que a presidência nacional do partido deve se pronunciar sobre a troca, que deve levar insatisfação às bancadas. “Para o PMDB nacional é uma demonstração de perda de espaço. Não conseguiu ampliar a participação nos ministérios e ainda abre mão de espaços como esse que já estavam certos”, afirmou. Ele disse, porém, que não há no Estado “nenhum tipo de preocupação” porque na Bahia o PMDB apoia a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB).

Para a vaga de Geddel, o PMDB tinha indicado Roberto Derziê, funcionário de carreira há mais de 20 anos no banco. A escolha tinha o aval de Jorge Hereda, presidente da instituição, que queria ver um nome técnico na vaga depois que Geddel pediu demissão por uma rede social, mas a presidente deu o cargo ao PTB. *

(*) Murilo Rodrigues Alves – O Estado de S. Paulo

EM QUE PESE

000- a coluna do Joauca - 500

Na expressão “em que pese a” (com a vogal tônica fechada, como em “pêsames”)  o termo “pese” não é verbo. Segundo Antenor Nascentes, no seu  Dicionário etimológico da língua portuguesa (Rio de Janeiro: Acadêmica, São José, Francisco Alves, Livros de Portugal, depositários, 1955, s.v. pêsame), a palavra “pêsame”  se origina da 3ª  pessoa do singular do presente do indicativo do verbo “pesar” com o sentido de “causar pena ou tristeza” mais o pronome de 1ª pessoa “me” (pêsame). Por transferência (derivação imprópria) a expressão verbal “pesa-me” virou substantivo. O verbo “pesar” origina-se do supino “pensum”  do  latim “pendere”, pender, porque a balança “pende” para o lado mais pesado.  Afinal, pensar é “pesar” as coisas mentalmente, ponderar (que se relaciona também com pender), segundo lição dos autores Evaldo Heckler, Sebold Back e Egon R. Massing, do Dicionário Morfológico da Língua Portuguesa (São Leopoldo: Unisinos, 1984, s.v. vol. III).

Da mesma forma, na expressão “em que pese a”, “pese” não é verbo, porque é parte da  locução prepositiva, que significa “apesar de”, “não obstante”. Senão vejamos.

Na expressão “em que pese a”, a partícula “em” se origina do arcaico  “ende” , do latim “inde”, que significa “daí”, “disso”, “ainda” (cf. fr. en :“j’en viens”, “j”en ai beaucoup”). O sentido  de “em que pese a” é  o de “ainda que cause pesar a”. No processo de transferência ou de derivação imprópria, “pese” deixou de ser verbo e, portanto, não tem sujeito e ainda menos objeto.

O dicionário Houaiss registra no verbete pesar uma regra no mínimo estranha: “em que pese a”, invariável, seria usado só para pessoas  (“ex.: “em que pese aos governistas”); “em que pese”, sem a preposição final,  seria usado só para coisas e “pese” teria sujeito e, portanto, poderia assumir a forma “pesem”, se o pretenso sujeito estivesse no plural (ex.: “em que pesem as suas contradições”). O Aurélio, felizmente, não abona essa lição.

Curiosamente, no livro Manual de Redação e estilo (3.ed.São Paulo: Moderna/O Estado de São Paulo, 1997, s.v.) Eduardo Martins  dá a mesma informação (variável para coisas, invariável para pessoas), mas contradiz-se ao dar uma regra prática: no caso de referir-se a pessoas, com a preposição “a”, subentende-se sempre “isto”, “aquilo”: “Em que (isto) pese  a todos nós… / Em que (isto) pese aos inimigos…” Ora, por que subentender o sujeito num caso e não subentender em outro? Por que não se poderia dizer então “”em que pese os inimigos”, subentendo-se igualmente a preposição final e  o sujeito “isto”? Por que subentender num caso e não subentender em outro?

Domingos Pachoal Cegalla, em  Dicionário de dificuldades da língua portuguesa (Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1996, s.v. “em que pese a”) , cita exemplos em que  a preposição final aparece antes de nomes de coisas: “…em que pese à sua grande autoridade”. E cita um exemplo de Drummond: “Parece que todos os cachorrinhos são iguais, em que pese à vaidade ou à ternura cega dos donos.” E completa: “Alguns gramáticos condenam converter o objeto indireto  (sic) em sujeito e construir: ‘A máquina estatal mostra-se ineficiente em que pesem os esforços do governo.’ ‘Não recuaremos diante desse desafio, em que pesem as dificuldades do momento’.”

Ora, se na expressão “em que pese a” o termo “pese” fosse verbo invariável quando se trata de pessoas, qual seria então o seu sujeito? Imaginar um sujeito “isto” ou “aquilo” ou qualquer outro nome ou pronome engenhoso é raciocinar com o que não está no texto. Um verbo impessoal denota tempo ou fenômenos da natureza, o que não se aplica a “pese”. Além disso, não faz sentido que uma expressão varie no plural quando se trata de coisas e permaneça no singular quando se trata de pessoas. Qual a lógica?

Analisar “em que pese a” como locução prepositiva parece-me a solução mais adequada, em que se afirma a invariabilidade do núcleo “pese”. Afinal, em “não obstante”, expressão também considerada prepositiva, “obstante” é particípio presente do verbo “obstar”. Apesar de não ser reconhecido pela Nomenclatura Gramatical Brasileira, o particípio presente é uma realidade que deve ser considerada, ainda que, normalmente, se apresente como substantivo ou adjetivo. Na frase constante do Houaiss (s.v. tirante), “era igual ao pai, tirante a cor dos olhos”, o particípio presente significa “retirando, tirando”, com força verbal, embora considerado preposição. Por que “em que pese a” não seria também preposição?

(*) José Augusto Carvalho é mestre em linguística pela Unicamp, doutor em letras pela USP, autor da Gramática Superior da Língua Portuguesa (2.ed. Brasília: Thesaurus, 2011) e do Pequeno Manual de Pontuação em Português (2.ed. Brasília: Thesaurus, 2012)  e professor aposentado (por idade) da Universidade Federal do Espírito Santo.

FIM DE LINHA

Adeus, PT

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Tudo tem um começo e um fim, como poderia dizer o Marquês de Maricá. E o fim está próximo.

A cinco meses da eleição presidencial é evidente o sentimento de enfado, cansaço, de esgotamento com a forma de governar do Partido dos Trabalhadores. É como se um ciclo estivesse se completando. E terminando melancolicamente.

A construção do amplo arco de alianças que sustenta politicamente o governo Dilma foi, quase todo ele, organizado por Lula no início de 2006, quando conseguiu sobreviver à crise do mensalão e à CPMI dos Correios.

Naquele momento buscou apoio do PMDB — tendo em José Sarney o principal aliado — e de partidos mais à direita. Estabeleceu um condomínio no poder tendo a chave do cofre. E foi pródigo na distribuição de prebendas. Fez do Tesouro uma espécie de caixa 1 do PT. Tudo foi feito — e tudo mesmo — para garantir a sua reeleição.

Parodiando um antigo ministro da ditadura, jogou às favas todo e qualquer escrúpulo. No jogo do vale-tudo não teve nenhuma condescendência com o interesse público.

A petização do Estado teve início no primeiro mandato, mas foi a partir de 2007 que se transformou no objetivo central do partido. Ter uma estrutura permanente de milhares de funcionários petistas foi uma jogada de mestre.

Para isso foram necessários os concursos — que garantem a estabilidade no emprego — e a ampliação do aparelho estatal. Em todos os ministérios, sem exceção, aumentou o número de funcionários. E os admitidos — quase todos eles — eram identificados com o petismo.

Desta forma — e é uma originalidade do petismo —, a tomada do poder (o assalto ao céu, como diria Karl Marx) prescindiu de um processo revolucionário, que seria fadado ao fracasso, como aquele do final da década de 60, início da década de 70 do século XX. E, mais importante, descolou do processo eleitoral, da vontade popular.

Ou seja, independentemente de quem vença a eleição, são eles, os petistas, que moverão as engrenagens do governo. E o farão, óbvio, de acordo com os interesses partidários.

Se no interior do Estado está tudo dominado, a tarefa concomitante foi a de estabelecer um amplo e fiel arco de dependência dos chamados movimentos sociais, ONGs e sindicatos aos interesses petistas.

Abrindo os cofres públicos com generosidade — e que generosidade! — foi estabelecido um segundo escudo, fora do Estado, mas dependente dele. E que, no limite, não sobrevive, especialmente suas lideranças, longe dos recursos transferidos do Erário, sem qualquer controle externo.

O terceiro escudo foi formado na imprensa, na internet, entre artistas e vozes de aluguel, sempre prontas a servir a quem paga mais. Fazem muito barulho, mas não vivem sem as benesses estatais. Mas ao longo do consulado petista ganharam muito dinheiro — e sem fazer esforço. Basta recordar os generosos patrocínios dos bancos e empresas estatais ou até diretamente dos ministérios.

Nunca foi tão lucrativo apoiar um governo. Tem até atriz mais conhecida como garota-propaganda de banco público do que pelo seu trabalho artístico.

Mas tudo tem um começo e um fim, como poderia dizer o Marquês de Maricá. E o fim está próximo. O cenário não tem nenhum paralelo com 2006 ou 2010. O desenho da eleição tende à polarização. E isto, infelizmente, poderá levar à ocorrência de choques e até de atos de violência.

O Tribunal Superior Eleitoral deverá ser muito acionado pelos partidos. E aí mora mais um problema: quem vai presidir as eleições é o ministro Dias Toffoli – como é sabido, de origem petista, foi advogado do partido e assessor do sentenciado José Dirceu.

Se a oposição conseguir enfrentar e vencer todas estas barreiras, não vai ter tarefa fácil quando assumir o governo e encontrar uma máquina estatal sob controle do partido derrotado nas urnas.

As dezenas de milhares de militantes vão — se necessário — criar todo tipo de dificuldades para a implementação do programa escolhido por milhões de brasileiros. Aí — e como o Brasil é um país dos paradoxos — será indispensável ao novo governo a utilização dos DAS (cargos em comissão). Sem eles, não conseguirá governar e frustrará os eleitores.

Teremos então uma transição diferente daquela que levou ao fim da Primeira República, em 1930; à queda de Vargas, em 1945; ou, ainda, da que conduziu ao regime militar, em 1964. Desta vez a mudança se dará pelo voto, o que não é pouco em um país com tradição autoritária. O passado petista — que imagina ser eterno presente — terá de ser enfrentado democraticamente, mas com firmeza, para que seja respeitada a vontade das urnas.

É bom não duvidar do centralismo democrático petista. Não deve ser esquecido que o petismo é o leninismo tropical. Pode aceitar sair do governo, mas dificilmente sairá do aparelho de Estado. Se a ordem de sabotar o eleito em outubro for emitida, os militantes-funcionários vão segui-la cegamente. Claro que devidamente mascarados com slogans ao estilo de “nenhum passo atrás”, de “manter as conquistas”, de impedir o “retorno ao neoliberalismo”. E com uma onda de greves.

A derrota na eleição presidencial não só vai implodir o bloco político criado no início de 2006, como poderá também levar a um racha no PT. Afinal, o papel de Lula como guia genial sempre esteve ligado às vitórias eleitorais e ao controle do aparelho de Estado. Não tendo nem um, nem outro, sua liderança vai ser questionada.

As imposições de “postes”, sempre aceitas obedientemente, serão criticadas. Muitos dos preteridos irão se manifestar, assim como serão recordadas as desastrosas alianças regionais impostas contra a vontade das lideranças locais. E o adeus ao PT também poderá ser o adeus a Lula.

 

(*) Marco Antonio Villa,  historiador, no O Globo.

SEGUNDA-FEIRA, 6 DE ABRIL DE 2014

Dilma prometia a eficiência de Merkel,

mas parece os Irmãos Marx, diz FT

000 - Dilma- irmãos Marx

A presidente Dilma Rousseff prometia ser tão eficiente como Angela Merkel, mas lembra os comediantes Irmãos Marx. A comparação foi feita em um editorial do jornal britânico Financial Times. “Pobre Dilma Rousseff”, diz o texto ao lembrar que a presidente projetava “uma aura tediosa da eficiência de Angela Merkel”, mas resulta em um trabalho mais parecido com o dos comediantes Irmãos Marx. Os atrapalhados irmãos Chico, Harpo, Groucho, Gummo e Zeppo ganharam o mundo nas primeiras décadas do século passado no cinema norte-americano.

Comédia. Irmãos Marx ficaram conhecidos no início do século XX / YouTube “Os preparativos atrasados para a Copa do Mundo já envergonham o país, enquanto aqueles para os Jogos Olímpicos de 2016 são classificados como ‘o pior’ que o Comitê Internacional já viu. A economia também está em queda. O Brasil, uma vez que o queridinho do mercado, vê investidores caindo fora”, diz o texto do FT. “O País precisa de um choque de credibilidade. Se Dilma não entregá-lo, as eleições presidenciais de outubro o farão”. O jornal cita que Brasil enfrenta três desafios imediatos: o caso Pasadena, o fornecimento de energia após a recente seca e a chance de protestos e insucesso da Copa do Mundo.

Apesar do tom duro, o jornal dá um voto de confiança à presidente. “Dilma Rousseff é conhecida por falar em vez de ouvir, mas há sinais de que ela mesmo está reconhecendo as críticas”. “Fala-se que ela poderia dar independência formal ao Banco Central em um segundo mandato (originalmente, uma ideia de oposição). Ela também pode recrutar o presidente do BC, Alexandre Tombini, para substituir Guido Mantega, o desafortunado ministro da Fazenda. Ambos movimentos seriam bem-vindos”, diz o texto.

Emprego. Em discurso pelo Dia do Trabalhador, Dilma ressaltou baixo desemprego / YouTube “Saber se a senhora Rousseff que parecia Merkel, mas resulta nos Irmãos Marx é realmente a pessoa certa para colocar o Brasil de volta aos trilhos é outra questão. Afinal de contas, sua primeira administração foi uma decepção. Mas, pelo menos, há sinais de que os mercados do País estão trabalhando como deveria através da transmissão de uma preocupação generalizada e crescente. Estes estão agora começando a empurrar o debate político em uma direção favorável aos investidores. Isso só pode ser uma coisa boa”, diz o texto.*

(*) Fernando Nakagawa – Estadão

 

“VAI TRABALHAR, VAGABUNDO”…

GENOINO, MESMO COM “CARDIOPATIA GRAVÍSSIMA”,

QUER SAIR PARA TRABALHAR E ATÉ JÁ ARRANJOU EMPREGO

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Reportagem de Bernardo Caram, no Estadão, anuncia que o advogado Claudio Alencar vai recorrer ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão do ministro Joaquim Barbosa, que determinou o fim da prisão domiciliar do ex-deputado José Genoino.

De acordo com o advogado, não há plantão de cardiologista na Papuda, porque o médico que atende no complexo está de férias. Por isso, reclamou muito, ao informar que o médico particular de Genoino ficará à disposição para acompanhar o paciente: “O sistema penitenciário é que deveria prover a todos os internos o atendimento de saúde”.

O médico particular de Genoino, Geniberto Paiva Campos, disse ao repórter que, no momento, o ex-deputado está muito bem. “Os meses que ficou recolhido à sua residência com acompanhamento familiar foram muito bons para ele”, disse. Para o médico, entretanto, a cardiopatia de Genoino é “gravíssima” e o sistema penitenciário não é o local adequado para tratar um paciente com esse quadro de saúde.

A FARSA CONTINUA…

A situação de José Genoino na penitenciária de Brasília é bastante confortável. Como se sabe, na Papuda os mensaleiros estão muito bem tratados. A visita que o PT arranjou para denunciar o mau atendimento a José Dirceu foi um tiro no pé. Os deputados encontraram o ex-ministro numa cela especial, maior do que muito apartamento conjugado, e com colchão anatômico, fogão, chuveiro elétrico e TV de plasma. É claro que Genoino vai conquistar as mesmas regalias, porque o governador petista Agnelo Queiroz é muito compreensivo, digamos assim.

Genoino só não poderia pedir para trabalhar fora, porque recentemente, alegando que não tem mais saúde para trabalhar, solicitou aposentadoria com salário integral (já recebe R$ 20 mil, quer subir para R$ 26,7 mil).

E o advogado diz que já arranjou emprego para ele. Ou seja, a farsa continua. Genoino está doente para pedir aposentadoria especial, mas se considera apto a trabalhar em horário integral… Na verdade, sabe hoje que é um guerrilheiro de araque, digno de desprezo de quem realmente lutou contra o regime militar.*

(*) Carlos Newton – Tribuna da Imprensa Online