QUEM DÁ MAIS?

VERDES EM LEILÃO

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O presidente do Partido Verde, José Luiz Penna, tem encontros marcados até o fim de janeiro com os presidentes do PT, do PSDB e do PSB.

Embora afirme em público que o PV terá candidato próprio a presidente, ele quer saber o que os presidenciáveis estão dispostos a oferecer por seu apoio.

(*) Veja

AINDA OS DICIONÁRIOS

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Diz-se que um verbo é transitivo direto quando tem objeto direto. O objeto se chama direto porque é um complemento diretamente ligado ao verbo, sem auxílio de preposição, como em “Maria viu Pedro”, em que o sentido de “viu” é completado por “Pedro”, sem preposição. O objeto indireto, no entanto, é sempre preposicionado, como em “Preciso de você”, em que “de você” completa o sentido de “preciso” com a ajuda de uma preposição.

Ocorre que o objeto direto pode ser preposicionado e, nesse caso,  a preposição se emprega para desfazer ambiguidades  (exemplo 1, abaixo), ou por eufonia (exemplo 2),  ou antes do indefinido quem, ou antes de pronome pessoal tônico ou reto em emprego oblíquo (exemplos 3), ou quando se pretende dar ideia de parte, com verbos como puxar ou pegar, sempre com a preposição de (exemplos 4):

1. Viu ao ladrão o soldado. (A preposição empregada com o objeto direto “ao ladrão” impede que, por causa da inversão sintática, o leitor ou ouvinte fique sabendo qual é o sujeito de “viu”, pois o sujeito raramente é preposicionado (como em “Aqui acontece de tudo”, em que o sujeito “tudo” aparece preposicionado).

2. Vemos a Deus como Criador do Universo (o objeto direto “a Deus” é preposicionado por eufonia, e a preposição poderia ser suprimida).

3. A quem você viu? (Isto é: quem você viu?). Ele não viu a mim, nem eu vi a ele (isto é, ele não me viu , nem eu o vi).

4. Desta água não beberei. Puxou do revólver. Pegou do pano. Soube da história.

O Houaiss comete deslize na predicação de alguns verbos. O fato de um objeto direto ser preposicionado não significa que o verbo seja transitivo indireto. No entanto, no verbete satisfazer, verbi gratia, o Houaiss “ensina” que o verbo é transitivo indireto, exemplificando com a frase “Finalmente, pude satisfazer aos meus desejos”. No exemplo seguinte, o Houaiss registra o verbo como transitivo direto e transitivo indireto, pondo a preposição entre parênteses numa clara demonstração de que a preposição pode ser suprimida, caracterizando um caso de objeto direto preposicionado: “satisfazer (a) uma promessa”. Nos dois exemplos, o verbo é transitivo direto com objeto direto preposicionado. A preposição é mero recurso estilístico.

No verbete macho, o Houaiss, no boxe “Gramática e uso”, explica:

“a) como adj., aceita as flexões habituais da língua: javali macho, jacaré macho: toutinegra macha, formiga macha; b) por ser masculino na significação, o feminino (macha) do adj. é menos us. do que o substantivo macho, para formar femininos compostos; tal emprego exige, porém, o uso de hífen, por passar a tratar-se de palavra composta por dois substantivos: toutinegra-macho, formiga-macho; esse subst., colocado após outro subst. denominador de um ser sexuado, é um determinante específico invariável em gênero, mas não em número, e indica que o ser é do sexo masculino (a cobra-macho, as aranhas-machos) ou um ser viril (um cabra-macho) ou um ser masculinizado (mulher-macho); c) após nome de ser inanimado, ger. peças de encaixe em mecanismos, peças de carpintaria, dobradiças etc., indica qualquer peça que se combina ou ajusta com outra, penetrando-a (colchete-macho).”

Pela lição do Houaiss, a ausência do hífen tem não só o poder de transformar o substantivo (macho/fêmea) em adjetivo, mas também o poder de designar o gênero dos nomes macho/fêmea: formiga macha, sem hífen; formiga-macho, com hífen! As boas gramáticas recomendam que se diga, por exemplo, cobra-macho / cobra-fêmea, ou o macho da cobra /a fêmea da cobra, nunca cobra macha. Nem jacaré fêmeo. Linguistas, como Mattoso Câmara (Dicionário de Filologia e Gramática. 6.ed. Rio de Janeiro: J. Ozon, 1974, s.v. gênero) e gramáticos, como Adriano da Gama Kury (Português básico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1990, p.102) só se referem a macho e fêmea como invariáveis em gênero. Fazer variar macho e fêmea em gênero é transformar esses dois nomes em adjetivos, quando, na verdade, são substantivos que exercem a função de apostos especificativos.

O Aurélio registra macho e fêmea como adjetivos (verbete macho), omitindo a formação de epicenos.

No verbete pastel, o Houaiss informa que se trata de um adjetivo de dois gêneros e dois números: calças pastel. Como no caso de macho e fêmea, pastel não é um adjetivo, mas um aposto especificativo. Cf.: vestidos laranja, guerras-relâmpago, Óticas Visual, cópias Xerox, Praça Quinze, notícias bomba, comandos surpresa, mandatos tampão, desvios padrão, etc. O aposto é função substantiva e não adjetiva.

O Aurélio é o único dicionário de língua portuguesa a registrar um verbete no mínimo estranho: por-favor-me-pegue, com a seguinte explicação: “Na Ilha da Trindade, peixe de uns 30cm de comprimento, muito abundante, e que é pescado com balde pelos marinheiros que servem ali.” Segue-se um exemplo tirado do romance Maria de cada porto, de Moacir C. Lopes.

Confrontemos essa explicação com a apresentada no verbete sardinha, por exemplo: “Designação comum a várias espécies de peixes actinopterígios, clupeiformes, isospôndilos, clupeídeos. Vivem aos cardumes e são utilizadas largamente, frescas ou industrializadas, na alimentação humana. Também se usam em óleos, farinhas e adubos. No rio Amazonas existem sete espécies de sardinhas verdadeiras.”

Aí vêm as perguntas: A que ordem e a que raça pertence o “por-favor-me-pegue”? Qual é o seu nome científico?  Não teria sido uma invenção do escritor Moacir C. Lopes que não saberia o nome  do peixe que se pesca com baldes e inventou esse nome como recurso legítimo em obra ficcional?

Consta que o Aurélio vai acrescentar (se já não acrescentou) termos hoje usados e ainda não abonados por outros dicionários. Parece-me uma temeridade, já que não se sabe se as palavras a serem inseridas permanecerão na linguagem do povo ou sumirão com o tempo. Um dicionário de língua não é um dicionário de gírias nem de expressões populares. Incluir no dicionário uma palavra malformada só porque é frequentemente usada, sem a contrapartida de sua forma adequada, parece-me algo temerário. O Aurélio registra corretamente a forma completitude (bem-formada) e também a forma haplológica popularizada completude. Mas não será recomendável registrar chocólatra, forma popular que designa o adorador de chocolate, mas que também designa (sem atestação nos dicionários) o adorador de choco, um tipo de polvo também conhecido como siba, se não registrar a forma paralela mais adequada embora não usada, para o adorador de chocolate: chocolatólatra. Pelo menos o Houaiss, ao registrar o verbete privacidade (oriunda do inglês privacy, surgido na década de 70, equivalente à antiga e clássica forma privança, dicionarizada), registrou também uma forma paralela mais bem-formada: privatividade, ainda que ninguém a use.

De tudo isso fica a sensação de desconfiança nos métodos usados por nossos dicionários no registro e na atestação de seus verbetes.

O que é uma pena.

 

(José Augusto Carvalho, Mestre em Linguística pela Unicamp e Doutor em Letras pela USP, é autor da Gramática Superior da Língua Portuguesa e do Pequeno Manual de Pontuação em Português, ambos em 2ª edição, da Thesaurus, de Brasília.)

SE NÃO TÊM PÃO, COMAM BRIOCHES

Em meio a caos nos presídios Roseana Sarney

licita 80 kg de lagosta

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O banquete de Roseana Com os presídios em chamas, o Maranhão escolherá nesta semana as empresas que abastecerão as geladeiras de Roseana Sarney (PMDB) em 2014. A lista de compras da governadora inclui 80 kg de lagosta fresca, uma tonelada e meia de camarão e oito sabores de sorvete. As iguarias deverão ser entregues na residência oficial e na casa de praia usada pela peemedebista. O Estado prevê gastar R$ 1 milhão para alimentar a família Sarney e seus convidados até o fim do ano.

Fartura – O pacote para os palácios maranhenses também inclui 750 kg de patinha de caranguejo, por R$ 39 mil. O governo do Estado comprará ainda duas toneladas de peixe e mais de cinco toneladas de carne bovina e suína.

Para adoçar – As residências oficiais receberão 50 caixas de bombom e 30 pacotes de biscoito champanhe. Outro item curioso: R$ 108 mil em ração para peixes.

Jesus tá vendo – O edital ainda prevê a compra de 2.500 garrafas de 1 litro de “refrigerante rosado” com “água gaseificada, açúcar e extrato de guaraná”. Descrição sob medida para a compra do guaraná Jesus, bebida famosa do Maranhão.*

(*) BERNARDO MELLO FRANCO – EDITOR INTERINO DO “PAINEL” –

FOLHA DE SÃO PAULO

CÂNCER NACIONAL

Intervenção já!

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BRASÍLIA – Não bastasse ser o último, ou estar na rabeira, do IDH, do ensino de matemática, do ensino de português, do saneamento básico e por aí afora, o Maranhão dos Sarney choca o país, quiçá o mundo, com atos de pura barbárie.

Só os cineastas mais violentos, talvez nem eles, poderiam produzir cenas em que dissecam a perna de um preso (ou seja, sob a custódia do Estado brasileiro). Tiram a pele, depois músculos, veias, artérias, até o osso.

Também só cineastas doentios, talvez nem eles, armariam o cenário, destacariam atores e filmariam pessoas (também sob a responsabilidade do Estado) sendo decapitadas.

Onde nós estamos?

Foram estupros e 60 mortes em 2013, e 2014 já começou com mais duas. A crise extrapolou as grades e foi parar nas ruas, onde vândalos atacaram ônibus e atearam fogo numa menininha na… “Vila Sarney”. Ela morreu ontem. A mãe está mal.

Meu pai nasceu em Pedreiras, o foco macabro é a penitenciária de Pedrinhas e essa nova crise não deixa pedra sobre pedra na biografia do patriarca José Sarney no seu Estado de origem. O vandalismo dos presos não é isolado. Apenas reflete a situação carcerária que, por sua vez, reflete a calamidade pública geral.

Folheiam-se os jornais e encontram-se ali, entre os recordes do pior nisso, pior naquilo, outras muitas histórias horripilantes. Cito uma, porque o espaço é curto: os carros, carteiras, cadeiras e os materiais escolares que foram enviados pelo governo federal para a Prefeitura de São Luís, novíssimos, apodreceram debaixo de sol, chuva e descaso, sem jamais terem sido usados.

Tudo se encaixa. Ontem mesmo, a empregada lá de casa comentou: “A moça da vizinha não sabe ler nem escrever. Pensei que não existia mais isso”. De onde ela é? “Do Maranhão”.

A realidade supera a ficção mais macabra e soa patético o governo Roseana se irritar e responder à Procuradoria Geral que são “inverdades”.

Intervenção já!*

(*) ELIANE CANTANHÊDE – FOLHA DE SÃO PAULO

 

A PROPÓSITO

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“A oligarquia Sarney só se sustenta com ajuda federal. Só que, desta vez, demoraram demais para reconhecer a própria incompetência.”

DO PRESIDENTE DA EMBRATUR, FLÁVIO DINO (PC do B-MA), sobre Roseana Sarney ter aceitado ontem ajuda do Ministério da Justiça para o Maranhão.

“O BICHO VAI PEGAR”

“Não vai ter Copa”

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Manifestações marcadas para começar no dia 25 podem embaralhar previsões para este 2014

“NÃO VAI TER COPA” é o mote de protestos marcados para o dia 25 de janeiro, em todas as capitais, ou pelo menos nas “capitais da Copa”. Seria um ensaio da reestreia dos protestos, iniciativa de alguns daqueles grupos que desencadearam as manifestações de 2013.

Como tais grupos são desarticulados e dispersos, é difícil saber o que articulam. Muito menos é possível saber se vai haver repeteco da articulação esdrúxula, acidental e mesmo indesejada entre pequenos grupos de esquerda e massas indignadas mas apolíticas, o grosso de quem foi às ruas.

A Copa é, óbvio, um prato cheio de desperdício, politicagem autoritária, incompetência e outros acintes. A depender do gosto do freguês manifestante, não vai ser difícil contrastar essa despesa perdulária e arbitrária com algum motivo de revolta com a selvageria social e a inércia política brasileiras.

Vai colar? O 25 de janeiro pode ser um fiasco, ao menos em termos midiáticos, pois os ponta de lança da onda inicial de junho, os estudantes, ainda estarão de férias. Mas não convém especular com hipóteses fáceis.

Junho de 2013 não apenas começou como se desenvolveu e terminou de modo imprevisto, com ondas de choque se espraiando em direções diversas, um miniBig Bang político-social.

Houve os notórios, midiáticos e então subitamente submersos Black Blocs, mas muito mais. Houve revoltas contra a violência polícial em bairros paulistanos de “classe média baixa”, um dia bastiões de voto conservador. Houve séries de protestos de associações de gente deserdada da periferia, a bloquear estradas e avenidas nos fundões da cidade. Não há como saber se mesmo um 25 de janeiro fraco vai reanimar brasas dormidas ou revelar novas organizações.

Pode haver fastio: muita gente pode ter se desencantado com a inconsequência prática dos protestos; de resto, revolução permanente não é o estado habitual de gente alguma, exceto em cataclismos históricos raros, seculares. A tentativa de repeteco de 2013 pode, assim, não colar.

Pode haver oportunismos: as manifestações fizeram estrago sério no prestígio de governos. O tumulto nas ruas pode ser obviamente um instrumento para avariar, ao menos, o prestígio de quem quer que esteja no poder, mas de petistas em especial. Repetir 2013 pode ser arma eleitoral.

O leitor, que é perspicaz, pode refutar tudo isso com um “especulativo, protesto”, como se diz em filme de tribunal americano. Mas há de concordar que são demasiadamente ricas para não serem exploradas as oportunidades políticas e politiqueiras de um ano de Copa com eleição e eventual tumulto de rua transmitido pelo mundo inteiro.

Enfim, o caldo socioeconômico pode estar mais azedo e contribuir para os protestos; ou os protestos podem azedar o caldo.

A tendência básica do ano é de tudo crescendo mais devagar ou na mesma: renda, emprego, consumo, inflação. Há riscos de tumultos no câmbio, de o Congresso aprovar coisas como renegociação de dívidas de Estados e municípios ou de o Supremo dar uma tunda nos bancos no caso dos reajustes das poupanças dos planos econômicos velhos. Tudo isso intoxicaria o ambiente econômico e, assim, ânimos políticos, ao menos entre as elites.*

(*) VINICIUS TORRES FREIRE – FOLHA DE SÃO PAULO

MAIS UMA ARMAÇÃO DO “PODEROSO CHEFÃO”

BNDES volta a favorecer grupo Marfrig

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Com acordo na virada do ano, banco estatal adia, em um ano e meio, pagamento de dívida de R$ 2,15 bilhões

Trato também inclui trocar dívida por ações, a um preço muito acima do mercado; banco e empresa não comentam

Em meio às celebrações da virada do ano, o BNDES selou um acordo para, mais uma vez, favorecer o grupo Marfrig, um dos “campeões nacionais” do governo Lula.

Com uma dívida de quase R$ 6,7 bilhões e valendo R$ 2,1 bilhões na Bolsa, o Marfrig está numa situação financeira muito delicada.

O banco estatal aceitou adiar em um ano e meio o vencimento de uma debênture (título de dívida) de R$ 2,15 bilhões do Marfrig –de junho de 2015 para janeiro de 2017.

O frigorífico também terá seis meses a mais para pagar R$ 130 milhões em juros dessa dívida, que venciam em junho deste ano.

O BNDES concordou ainda em manter um dos pontos mais polêmicos da operação: a conversão das debêntures em ações, a um preço muito acima do mercado.

O BNDESPar, braço de participação do BNDES em empresas, se comprometeu a pagar em 2017 a quantia de R$ 21,50 por ação do Marfrig.

O valor é um pouco inferior aos R$ 24,50 acertado no primeiro contrato dessas debêntures, selado em junho de 2010, mas está muito acima do preço em Bolsa.

Na sexta-feira, as ações do Marfrig fecharam a R$ 3,96.

O acordo deve garantir algum fôlego financeiro ao frigorífico, que cresceu com a ajuda estatal, comprando concorrentes no exterior, e hoje não consegue administrar suas dívidas e é castigado pelos investidores.

De acordo com comunicado divulgado na sexta-feira, a operação com o BNDES vai permitir ao Marfrig obter um caixa positivo de R$ 100 milhões neste ano. Sem essa ajuda, “queimaria” mais R$ 150 milhões de caixa.

PÉSSIMO NEGÓCIO

O BNDES, por sua vez, tenta postergar um péssimo negócio. Se as debêntures fossem convertidas hoje em ações, o banco pagaria R$ 2,15 bilhões por uma fatia do Marfrig que vale atualmente menos de R$ 400 milhões na Bolsa –um prejuízo de 81,4%.

No final de 2012, o BNDES teve a oportunidade de converter, a preços de mercado, todas as debêntures (que chegavam a R$ 2,5 bilhões) e se tornar dono do Marfrig. Na época, as ações valiam R$ 8.

No contrato entre o frigorífico e o banco estatal, estava prevista essa prerrogativa se a empresa realizasse um aumento de capital. O BNDES, no entanto, optou por converter apenas R$ 350 milhões, o que gerou pesadas críticas.

O banco argumentou que foi uma exigência do Marfrig para fazer o aumento de capital. O frigorífico, que já enfrentava problemas, levantou R$ 2,3 bilhões no mercado e ganhou uma sobrevida.

Em meados de 2013, o grupo repassou a Seara ao concorrente JBS, que assumiu R$ 5,85 bilhões em dívidas. Por questões cambiais e outros débitos, o endividamento líquido da empresa, no entanto, caiu apenas R$ 3,168 bilhões e continua altíssimo.

O Marfrig é um dos principais problemas da BNDESPar, que, entre compra direta de ações e debêntures, já investiu R$ 3,5 bilhões na empresa e é o segundo maior acionista, com 19,6%. O BNDES não comenta a operação, e o Marfrig afirmou que vai se pronunciar apenas amanhã.*

(*) RAQUEL LANDIM, DE SÃO PAULO – FOLHA DE SÃO PAULO

POBRE BRASIL

Dias de cão no jardim das ilusões de Dilma’

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Sempre que se fala em Glauber Rocha a tendência é relembrar obras-primas do cinema nacional que dirigiu, como Deus e o Diabo na Terra do Sol, principalmente, e Terra em Transe, primoroso registro cinematográfico do subdesenvolvimento político nacional. Embora o documentário Maranhão 66 já circule há muito tempo no YouTube, poucos telespectadores o destacarão para o panteão em que figuram os dois grandes filmes citados. Afinal, trata-se de trabalho encomendado e pago e, portanto, suspeito de ser o registro hagiográfico de um político que sobreviveu ao cineasta e ainda atua com força e poder na gestão pública do seu Estado, onde seu clã reina até hoje, com raros interregnos insignificantes, e também na cena federal.

No entanto, Maranhão 66 é uma obra que só melhora com o tempo, sem ter sido necessária uma única mudança ou intervenção de seu diretor, o que seria impossível tanto tempo após sua morte precoce. Como é possível esse absurdo? Procure o filme e veja. O que assistirá é ao discurso competente, bem alinhavado e de certa forma barroco do jovem deputado federal do grupo rebelde da chamada banda de música da UDN nos anos 60 José Sarney assumindo o governo do Maranhão. As imagens acompanham, de início, o povo na praça ouvindo o eloquente tribuno e, depois, fazem um mergulho profundo num abismo de miséria e sordidez que confirma as palavras ditas na praça denunciando a barbárie vivida por aquela gente sob o jugo do padrinho e, depois, principal adversário do novo governador, o pessedista Vitorino Freire. E, coerente com as ancestrais utopias políticas nordestinas, prometendo uma era de paz, bonança e prosperidade, similar às profecias de peregrinos como Antônio Conselheiro, protagonista do massacre de Canudos. Hoje, qu ase meio século depois, a miséria é a mesma, o discurso é igual e o filme de Glauber, que parecia laudatório, torna-se uma denúncia política coerente e forte.

Já não se fazem documentários em p&b como antigamente e talentos como Glauber não existem mais. No entanto, o contraste brutal entre a retórica salvacionista e a horrenda realidade do subdesenvolvimento real manifesta-se de forma mais crua no cotidiano de informações e entretenimento da televisão colorida do dia a dia.

Ao começar o último fim de semana do ano passado, os telejornais diários exibiram de forma franca a atualidade ululante do documentário de Glauber no Maranhão de 1966. Câmeras e microfones registraram o drama de uma jovem mãe com seu bebê nos braços em peregrinação pelos hospitais públicos de sua cidade para encontrar um pediatra para consultar. Ela não estava no Vale do Jequitinhonha nem no sertão do Piauí, mas em plena capital da República e seus arredores. A criança não foi examinada, mas o secretário da Saúde do governo distrital, sob comando petista, não teve pejo de registrar a ausência de pediatras em sua jurisdição e terminou com a promessa de hábito: em março serão contratados novos profissionais. A pobre mãe e seu bebê que os esperem.

Domingo, à noite, em horário nobre, com discurso dessemelhante ao de seu aliado Sarney pelo estilo, mas bastante similar pelo afastamento da realidade, a presidente Dilma Rousseff descreveu e deu números positivos sobre o que seu governo tem feito pela saúde de pobres mães e bebês como aqueles. Vieram médicos de Cuba e eles estão garantindo o atendimento nos ermos do sertão brasileiro.

Por falar em sertão, os telejornais também noticiaram a falta de água em Itapipoca, no interior do Ceará, porque uma adutora, que custou R$ 16 milhões ao contribuinte, se rompeu e a construtora que vencera a concorrência para construí-la faliu. Ninguém responde pela obra inconclusa: os falidos sumiram e os que retomaram a obra nada têm a dizer. O governador Cid Gomes ─ que rompeu com o chefão de seu partido (PSB), Eduardo Campos, governador de Pernambuco, para ficar no palanque da presidente petista ─ tentou resolver o problema mergulhando num tanque buscando fechar um registro e evitar que a água vazasse. Enquanto isso, a população da cidade não tem água para lavar, cozinhar ou matar a sede de nenhum vivente.

Mas no Paraíso na Terra descrito por Dilma no domingo seguinte o país vive uma prosperidade não só inédita na própria História, como singular num planeta afundado em crise. E o único risco é provocado pela canalha oposicionista que maldiz a própria terra criando empecilhos para investimentos e prejudicando, assim, o pobre povo brasileiro. No discurso da presidente, de 15 minutos recheados de deselegantes gerúndios sem dês (estou fazeno, estou realizano, e por aí afora), os anjos dizem-lhe sempre amém, mas o diabo corre atrás para demolir sua fantástica obra de governo.

Só que no Maranhão governado por Roseana Sarney ainda resta um exemplo de que o endereço de nosso inferno é o mesmo do Éden de Dilma, embora o baiano Patinhas, que escreve seus discursos, não saiba. Na Penitenciária de Pedrinhas, em São Luís, os chefões do crime organizado, que à ausência de autoridade mandam e desmandam, matam com métodos cruéis presos desassistidos pelo Estado cujas mulheres, irmãs e mães se neguem a lhes prestar favores sexuais. O Conselho Nacional de Justiça já contou 60 cadáveres e a Organização dos Estados Americanos cobrou reação imediata dos governos do Estado e da União. Ninguém apareceu para responder. O ofício foi para o Ministério da Justiça, o causídico Cardozo negou ser assunto dele e o reencaminhou para a Secretaria dos Direitos Humanos, cuja titular, Maria do Rosário, mandou de volta para o destinatário original. “Não é comigo” é o jeito gerentão com que Dilma modernizou o “não vi, não ouvi, não falei” do padim Lula de Caetés.

Infelizmente, contudo, ninguém encontrou nos longos e tediosos votos presidenciais de boas-festas uma só referência à segurança do bem-aventurado cidadão do Brasil sob a égide do PT e do PMDB. A vida de seu súdito não é da conta dela, nunca foi, nunca será. Vade retro! E amém nós tudo.*

(*) JOSÉ NÊUMANNE – ESTADÃO

 

 

SE GRITAR, PEGA LADRÃO….

A privataria petista mora nos detalhes

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Durante o tucanato, converteram-se papéis podres de dívidas da União em moeda corrente, juntaram-se financiamentos do BNDES, dinheiro dos fundos de pensão estatais, e torrou-se a patrimônio da Viúva na festa da privataria. O comissariado petista diz que não faz isso, pois não vende o que é da Boa Senhora. Tomando-se o caso dos leilões dos aeroportos, resulta que fazem diferente, e pior.

Em novembro a Odebrecht, associada a uma operadora de aeroporto de Cingapura, arrematou a concessão do Galeão por R$ 19 bilhões. Quem ouve uma coisa dessas acredita que o futuro chegou. As vítimas da Infraero pensam que se livrarão do dinossauro e que o novo dono investirá seu dinheiro no aeroporto para torná-lo uma vitrine da cidade.

Não é bem assim. A Infraero continua com 49% do negócio, e o velho e bom BNDES e mais um fundo de investimentos estatal botaram R$ 1,4 bilhão na operadora de transportes da Odebrecht. Somando-se essa participação à da Infraero, a Viúva fica com mais de 50% do Galeão.

Pode-se argumentar que a gestão ganhará a eficácia da iniciativa privada, mas ganha uma passagem de ida a Davos quem sabe onde terminam os braços das empreiteiras e onde começa o Estado dos comissários. Ganha a passagem de volta quem sabe onde termina a máquina de administração de serviços do Estado e onde começa a das empreiteiras.

Até aí, ainda haveria lógica, mas, conforme o repórter Daniel Rittner revelou, as empreiteiras que arremataram as concessões dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Viracopos querem fazer uma pequena mudança nos contratos assinados em 2012.

Pelo que se acertou, as concessionárias podem construir hotéis, centros de convenções e torres de escritórios nas áreas arrendadas, explorando-os por períodos de 20 a 30 anos. Agora, uma associação de concessionários cabala a prorrogação da posse dessas melhorias.

Nesse caso, o negócio não é administrar aeroporto, mas explorar empreendimentos imobiliários. Parece a piada do chinês de Nova York: “Meu negócio é a tinturaria, venda de cocaína é disfarce”.

A privataria tucana patrocinava grandes tacadas iniciais, a petista move-se suavemente nas mudanças dos contratos. Cada mudança, um negócio. Para quem quer desmoralizar o país como destino de investimentos estrangeiros, nada melhor.

Nem a criatividade dos advogados da bancada da Papuda seria suficiente para explicar a uma empresa que entrou no leilão de um aeroporto e teve seu lance superado que devia ter previsto a possibilidade da extensão do período de exploração dos empreendimentos imobiliários.

A doutora Dilma deve botar sobre sua mesa um talonário do jogo do bicho carioca: “Casa Lotérica São Jorge, vale o que está escrito”*

(*) Elio Gaspari, O Globo.

CARA DURA

MAIS UMA ‘MARQUETADA’: DILMA ANUNCIA AJUDA

FINANCEIRA ‘ILIMITADA’ ÀS CIDADES INUNDADAS

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Como diz o ditado, “falar é fácil”. Os jornais divulgam que, após sobrevoar Governador Valadares e Virgolândia, em Minas, a presidente Dilma Rousseff anunciou ajuda financeira “ilimitada” às cidades devastadas pelas chuvas neste fim de ano e classificou a visão que teve dos municípios mineiros como “impactante”.

Acontece que a realidade é muito diferente. O governo de Dilma Rousseff (ou Lula Rousseff) não conseguiu aplicar este ano o orçamento de que dispunha para prevenir essas calamidades, que desta vez foram responsáveis por 43 mortes só na última semana, sendo 20 em Minas Gerais e 23 no Espírito Santo.

A esse respeito, a repórter Renata Mariz, do Correio Braziliense, fez uma crítica impactante, ao destacar: “A despeito do alívio que investimentos emergenciais podem trazer às famílias que perderam tudo, os discursos de políticos diante da tragédia anunciada, que todo verão faz mortos e desabrigados no país, escondem uma incompetência histórica da gestão pública”.

SEM GASTAR

Realmente, o ano já está acabando e o tal programa Gestão de Riscos e Respostas a Desastres, que tinha R$ 5,3 bilhões para serem aplicados em 2013, só investiu 3,2 bilhões — e já contando recursos pendentes de anos anteriores que só foram pagos no exercício atual.

“São 10 vezes mais gastos com resposta do que com prevenção. Todo ano é a mesma coisa: o governo não consegue sequer aplicar os recursos do orçamento para, depois dos desastres, ter gastos ainda maiores, que poderiam ser minimizados, sem contar as vidas perdidas”, lamentou o economista Gil Castello Branco, fundador da organização não governamental Associação Contas Abertas.

Segundo ele, o cenário dos desastres acaba sendo interessante para o jogo político, ao lembrar que parte do dinheiro prometido emergencialmente, muitas vezes, nem sai do papel. “Politicamente, é melhor aparecer na hora da resposta do que na hora da prevenção”, denunciou o economista, entrevistado pelo Correio Braziliense.

Por fim, prometer “ajuda ilimitada” chega a ser patético, diante dessa realidade irrespondível.*

(*) Carlos Newton – TRIBUNA DA IMPRENSA ONLINE