FIM DA CORDA…

‘O senhor que me demita’, diz Mandetta em briga com Bolsonaro por telefone

Em uma dura conversa, ministro da Saúde disse ao presidente que ele deveria se responsabilizar pelas mortes na pandemia

Durante a ligação, o presidente teria dito ao ministro da Saúde que ele deveria pedir demissão e deixar o governo. Mandetta rebateu de pronto: “O senhor que me demita, presidente”. Carolina

No jantar que teve com Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia na noite desta quinta — como o Radar revelou mais cedo –, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, narrou aos chefes do

Legislativo o tenso diálogo que travou com o presidente Jair Bolsonaro pelo telefone.

Durante a ligação, o presidente teria dito ao ministro da Saúde que ele deveria pedir demissão e deixar o governo. Mandetta rebateu de pronto: “O senhor que me demita, presidente”.

A partir desse momento, a conversa teria esquentado ainda mais, ao ponto de o ministro da Saúde recomendar ao presidente que ele se responsabilizasse sozinho pelas mortes causadas pelo coronavírus, que já infectou 8.230 brasileiros e matou 343 pessoas.

Apesar da tensa discussão, Mandetta trabalha normalmente nesta sexta e já participou de uma série de reuniões.*

(*) Manoel Schlindwein – Coluna Radar – veja.com

“BRASIL, MOSTRA A SUA CARA!”

Carlos Vereza critica postura de Bolsonaro com Mandetta e rompe com governo em rede social: ‘tirei o time’

Cotado para integrar equipe de Regina Duarte na Secretaria Especial de Cultura, ator acusou presidente de agitar apoiadores contra ministro da Saúde para ‘fritá-lo’

RIO – Apoiador de primeira hora de Jair Bolsonaro entre a classe artística, Carlos Vereza fez críticas à posutura do presidente em relação ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e anunciou seu rompimento com o governo em seu perfil no Facebook, nesta sexta-feira.*

(*) O Globo

O REI DO GADO

O tuíte de Bolsonaro

Só que personagens como Bolsonaro e Trump dão uma invertida nas normas democráticas padrão. Porque sua estratégia é a de alimentar desinformação. É de confundir.

Seria engraçado, se não fosse trágico. Na semana passada, uma penca de contas de Twitter publicaram um mesmo post. Contava, com as mesmas palavras e vírgulas, a história da família de um porteiro indignado porque ele teria morrido num acidente mas, na certidão de óbito, foi posto Covid-19. Quem lê o tuíte, muitas vezes, não percebe que se trata de um robô. O que vê é um testemunho pessoal. Sai com a impressão de que, talvez, exista algo de falso na estatística dos mortos pelo novo coronavírus. Uma conspiração tenta aumentar artificialmente o impacto da pandemia. A história, evidentemente, é falsa. Na verdade, por conta da falta de testes, o problema é justamente o contrário. Muita gente está morrendo da nova doença mas, sem a certeza, o registro só indica pneumonia. Robôs, assim como sua versão humana — as pessoas pagas para publicar em diversas contas falsas da rede social —, custam dinheiro. Está em curso uma campanha paga cujo objetivo é desinformar. Não surpreende, claro. Nos habituamos. Faz parte do cenário político corrente.

Mas isso pode estar mudando. A decisão pelo Twitter, logo seguida por Facebook e Instagram, de apagar posts do presidente Jair Bolsonaro são marcos importantes. Já haviam feito antes, com Nicolás Maduro, da Venezuela. Só que ninguém presta muita atenção em Maduro. Trata-se de um ditador mambembe. Com Bolsonaro é diferente. Ele atua seguindo o modelo do presidente americano, Donald Trump. Até há pouco, as redes sociais adotavam por política não questionar o que publicam políticos importantes, incluindo chefes de Estado. Só que o coronavírus os forçou a rever esta decisão.

Há um dilema, claro. Afinal, se uma pessoa recebeu votos a ponto de ser elevada a um cargo público, o alcance de sua voz foi ampliado por decisão democrática. Quem tem o direito de calar esta voz? Dilema semelhante vivem os repórteres que, diariamente, cobrem à porta do Alvorada as coletivas informais de Jair Bolsonaro. Estão ali, em essência, para serem ofendidos e extrair pouca informação. Mas ele é o presidente da República e o trabalho de repórter é levar sua voz a leitores e espectadores. É direito dos brasileiros saberem o que fala seu presidente, independentemente do que ele fala.

Só que personagens como Bolsonaro e Trump dão uma invertida nas normas democráticas padrão. Porque sua estratégia é a de alimentar desinformação. É de confundir. Aproveitam-se das fraquezas estruturais das redes sociais para distorcer o debate público. Estas fraquezas são duas. A primeira é que os algoritmos lançam à frente para mais pessoas tudo aquilo que gera indignação. E uma boa história falsa, como a do tal porteiro, entra neste pacote. A segunda fraqueza é humana — a hesitação, por critérios honestos e defensáveis, de apagar o que publica um presidente, ou mesmo um deputado.

Como se defende uma democracia se um dos grupos fortes que disputam espaço nela atua para quebrar o debate público? Na falta da capacidade de argumentar em defesa do indefensável, inventa fatos, distorce a realidade. Como, por exemplo, ignorar a quarentena alegando que o vírus não oferece perigo real. É só mais uma gripe que talvez até mate alguns, mas isso ocorre todo ano.

Quando as redes tomam a decisão de apagar o que publicou um presidente por ser falso, um limiar importante foi cruzado. A decisão de defender a democracia de quem a sabota foi tomada. Agora é só discutir quais os critérios para decidir quando pode e quando não pode desinformar. Será que terão coragem de fazer o mesmo com Donald Trump? A ver. Se sim, o Vale do Silício terá atingido maturidade política. Terá compreendido que a responsabilidade é também de suas empresas>*

(*) Pedro Doria – O Estado de S. Paulo

…E DESOBEDECE QUEM É MALUCO

Mandetta reforça necessidade de isolamento

Na entrevista de hoje,  o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde)  insistiu na necessidade de manter o isolamento social pedido por governadores, sobretudo em razão da falta de equipamentos de proteção para médicos e respiradores — muitas compras estão sendo canceladas pela China.

“A gente recomenda fortemente a manutenção por parte da sociedade, da orientação por parte dos governadores. Cada pessoa que não vai para o CTI é um insumo que a gente está economizando”, afirmou.

O objetivo, disse, é evitar surtos paralelos da Covid-19 em grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

“Segurem, não deixem entrar em espiral antes do sistema estar mais preparado para atender. Ele ainda não entrou nos bairros operários do Brasil.”

“Se a gente puder ganhar de tempo para melhorar o sistema, tempo para nós hoje é sinônimo de vida. Quem puder organizar o tempo está fazendo saúde neste momento”, disse depois.*

(*) Em entrevista coletiva às 17h de hoje

MANDA NADA

Bolsonaro não tem coragem de demitir Mandetta, diz Maia

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “não tem coragem” de demitir o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e mudar a política da pasta para enfrentar a pandemia do coronavírus no país.

A declaração foi dada em teleconferência via YouTube promovida pelo jornal “Valor Econômico” e pelo banco Itaú.

Na conversa, Maia afirmou que se Bolsonaro preferir ouvir quem quer o cargo do ministro de forma oportunista, será uma decisão política, mas o presidente sabe da importância de Mandetta e sabe que o seu trabalho é reconhecido pelos brasileiros.

Sobre a queda de braço entre Bolsonaro e Mandetta no que diz respeito ao isolamento social, Maia criticou a postura do presidente —que defende a abertura do comércio e que jovens voltem ao trabalho— e disse acreditar que o ministro não pedirá demissão.

“Mesmo sendo desautorizado, Mandetta cumpre papel fundamental baseado na ciência, e é fundamental que ele não saia da condução dessa crise. Mandetta não vai pedir o boné mesmo com toda a adversidade”, afirmou.

Ontem, em entrevista à rádio Jovem Pan, Bolsonaro disse que “falta humildade” ao ministro da Saúde, mas negou os boatos que circulam desde a semana passada sobre a possível saída dele da pasta.

Para Maia, as críticas de Bolsonaro a Mandetta “mais atrapalham do que ajudam”, e afirmou que o ministro tem o apoio dos deputados.

“Governadores têm feito um papel extraordinário sob orientação de Mandetta, e o presidente critica governadores que seguem orientação de seu próprio ministro. (…) Mandetta tem todo o respaldo que precisar da Câmara dos Deputados”, declarou.*

(*) UOL – SP

CEGOS, SEM BENGALAS, EM TIROTEIO

Merecendo o capitão

O neto do general obrigava os outros garotos do prédio a lhe baterem continência

SGA Notícias: Charge do Aroeira - 26/04/2019

Uma amiga minha, filha de um major do Exército, morou em Brasília em 1970, apogeu da ditadura. O apartamento de seus pais ficava numa superquadra reservada a militares, de frente para o Eixo Monumental. E, como a vida militar se regula pela hierarquia, seus prédios na cidade seguiam essa hierarquia. Mesmo que com diferença de um andar, um general sempre morava mais alto que um coronel e este idem que os majores e capitães. Aos tenentes, só devia restar o térreo e de fundos.

Como os militares se mudavam para Brasília com a família, a hierarquia se transferia automaticamente para esta —donde um filho ou neto de general tinha preferência, digamos, no elevador, sobre o neto ou filho do de outra patente. Segundo minha amiga, alguns desses meninos, já adestrados no espírito da categoria, exigiam que seus coleguinhas de prédio, filhos de oficiais subordinados, lhes batessem continência, como os pais destes faziam quando cruzavam nos corredores com o generalão.

Foi esse rigor hierárquico que impediu que certos pesos-pesados da ditadura atingissem os postos a que se julgavam destinados –suas patentes os levavam a bater a cabeça no teto e dali não passar. Um deles o general-de-divisão Albuquerque Lima, candidato à sucessão de Costa e Silva, mas que nunca chegaria lá por não ser general-de-Exército —como Médici. Se um general com uma estrela a menos não podia ser presidente, imagine um coronel como Mario Andreazza, que, naquela mesma sucessão, também delirou com a Presidência.

Mas os tempos mudam. Hoje, generais batem continência para um ex-capitão expulso do Exército por indisciplina e que depois se entregou a uma longa e bem paga sinecura de político profissional. Se isso diz algo sobre a nossa pobreza política, diz ainda mais sobre a militar.

Queiram ou não, os generais estão merecendo esse capitão.*

(*) Ruy Castro – Folha de São Paulo

O MALUCO CONTINUA DESAFIANDO A CIÊNCIA

Bolsonaro: Vírus é igual chuva; você vai se molhar, mas não morrer afogado

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a minimizar a covid-19, comparando o novo coronavírus a uma chuva que molha, mas não mata ninguém afogado. A declaração foi feita hoje em entrevista ao “Brasil Urgente”, da TV Bandeirantes.

“O vírus é igual a uma chuva. Ela vem e você vai se molhar, mas não vai morrer afogado”, argumentou. “Tem essas pessoas mais fracas. Às vezes a pessoa vive pobre, fraca por natureza, dada a falta de uma alimentação mais adequada. Então essas pessoas são quem sofre mais.”

Bolsonaro ainda revelou ter se reunido com um grupo de pesquisadores que estuda a atuação da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. “A cloroquina é uma realidade, é quase palpável. Falta uma comprovação científica, uma base maior. Parece que está tendo resultados que podem nos levar a uma certeza”, disse, sem dar maiores detalhes.

Cloroquina não é unanimidade Apesar do que diz o presidente, o medicamento vem gerando dúvidas entre especialistas. Ainda não existe nenhuma evidência científica concreta de que a hidroxicloroquina seja eficaz no tratamento.

O próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ainda é cauteloso quanto ao remédio. Ontem, na apresentação do balanço de casos e mortes por coronavírus, Mandetta reforçou que não há evidências de que ela “pode ser usada [como] profilático [para prevenção de doenças], muito menos em pessoas que não estão em estado grave.” *

(*) UOL-SP

NOIVO, MARIDO OU IRMÃO?

Compra em massa dos EUA à China cancela contratos de importação de equipamentos médicos no Brasil, diz Mandetta
Segundo o ministro, há também uma busca elevada por respiradores

BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que compras feitas pelo Brasil de equipamentos de proteção individual, como máscaras e gorros, da China “caíram” após os Estados Unidos adquirirem um grande volume de produtos. Segundo Mandetta, a mesma corrida por respiradores tem ocorrido. Ele disse que “demos um passo atrás” na aquisição desses itens fundamentais ao enfrentamento ao covid-19.

– Hoje os Estados Unidos mandaram 23 aviões cargueiros dos maiores para a China, para levar o material que eles adquiriram. As nossas compras, que tínhamos expectativa de concretizar para poder fazer o abastecimento, muitas caíram.

Mandetta disse que, no caso de respiradores, importantes para pacientes graves, fornecedores que já tinham sido contratados, mas disseram que não tinham mais estoque para atender.

– Nós estávamos comprados, tínhamos, quando começamos a pedir. Entregaram a primeira parte. Na segunda parte, mesmo com eles contratados, assinados, com o dinheiro para pagar, quem ganhou falou: não tenho mais os respiradores, não consigo te entregar. Então, nós voltamos de algo que a gente achava que a gente já tinha, demos um passo para trás.

Mandetta voltou a falar que será preciso normatizar o uso de máscaras N95, considerada mais moderna para filtrar o ar. Segundo ele, o equipamento terá o nome de cada profissional de saúde e será esterilizada para ser usada por diversas vezes.

– A gente espera que a China volte a ter uma produção mais organizada, e a gente espera que os países que exercem o seu poder muito forte de compra já tenham saciado das suas necessidades para que o Brasil possa entrar e comprar a parte para proteger nosso povo.*

(*) Renata Mariz, André de Souza, Leandro Prazeres, Daniel Gullino e Gustavo Maia – O Globo