QUANDO CAI A MÁSCARA

ACABOU NOSSO CARNAVAL?

A folia de Bolsonaro é a versão tupiniquim e bem menos sofisticada das digressões de Trump aqui nos Estados Unidos


Pelas redes o que se vê/É uma gente que nem se vê/ Que nem se sorri/Ataca e ameaça/E sai tuitando/ Brigando e xingando/Torcidas do horror.

Peço perdão a Vinicius de Moraes, mas nesta Quarta-Feira de Cinzas em que escrevo minha coluna semanal para ÉPOCA, a situação brasileira é tão tóxica que nem saudades nem cinzas restaram. O presidente da República precisa aprovar uma reforma, mas puxou o tapete debaixo dos pés de Sergio Moro e enfraqueceu um de seus superministros. O presidente da República precisa aprovar uma reforma, mas já demonstrou relutância em relação a pontos do plano apresentado por Paulo Guedes, o outro superministro entre os únicos dois a ter respaldo técnico em suas áreas. O presidente da República precisa passar uma reforma, mas, na terça-feira gorda, preferiu tuitar vídeos pornográficos atacando o Carnaval, como se todos assim se comportassem, e, por tabela, manchar a instituição da Presidência. O presidente da República precisa passar uma reforma, mas prefere incitar a divisão estúpida sobre assuntos comezinhos ante o tamanho dos desafios que enfrenta o Brasil. O presidente da República precisa passar uma reforma, mas prefere p

erder tempo com a ignomínia de alguns de seus ministros, de seus filhos, de alguns de seus seguidores nas redes sociais. O presidente da República precisa passar uma reforma, mas prefere tuitar perguntas esdrúxulas no amanhecer das cinzas.

Há quem já tenha se dado conta de que a reforma apresentada por Paulo Guedes está ameaçada pelas próprias atitudes do chefe da nação. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, soltou advertência sobre a desorganização da base governista no Congresso e disse, nas entrelinhas, que desse jeito não vai dar. Entre os investidores, começa a despontar a sensação desagradável de que o atual presidente da República, governado pelas redes sociais, não terá estofo ou coragem para enfrentar a saraivada de contestações sobre os principais pontos da reforma. Volto sempre ao mesmo ponto, que não canso de repetir: o eleitor real de Bolsonaro, aquele que é fiel ao capitão, não aquele que repudiou o PT, não votou na reforma da Previdência. O eleitor fiel de Bolsonaro talvez nem saiba direito por que a reforma da Previdência é necessária — não falo da turma do mercado financeiro que ainda não largou o osso. Falo das pessoas que haverão de pressionar para que a reforma seja diluída ou que verão nela — sobretudo no tempo adicional que

terão de trabalhar para desfrutar de suas contribuições — uma espécie de traição. Não falar durante a campanha dá nisso. Não dizer o que defende durante a campanha, não comparecer a debates, esconder-se nas redes e recolher-se às bolhas dá nisso. Agora que o Carnaval passou e que a vida real haverá de se impor, Bolsonaro terá duas escolhas: enfrentar o debate e a eventual queda de sua aprovação e popularidade ou criar chuvas azuis, cor-de-rosa, verdes, amarelas, douradas ou de qualquer outro tom que desvie a atenção por um tantinho de tempo daquilo que de fato importa para o país. Não acredito que o Carnaval de Bolsonaro — não a festa popular, mas a fábrica de inutilidades que ele e os seus criaram — acabe nesta semana.

A briga mais ferrenha será não com os servidores públicos que, segundo a proposta de Guedes, teriam de contribuir muito mais do que hoje o fazem. A briga mais ferrenha será com eleitores desiludidos, porque, ao não entenderem a urgência da reforma da Previdência por falhas de Bolsonaro durante a campanha, verão na Previdência o espectro do estelionato eleitoral. A idade mínima, o tempo de contribuição, as regras de transição — tudo necessário, nada explicado. Tudo necessário, nada entendido pela maioria da população brasileira.

Enquanto isso, quem disser essas verdades para lá de inconvenientes continuará a ser alvo da turba que saliva nas redes. Mas não faz mal. A realidade sempre se impõe, mais cedo ou mais tarde. Para os que pedem vai vai vai vai, não vou. Para os que negam a vida real fora das bolhas virtuais, advirto: vai vai vai vai, sofrer; vai vai vai vai, chorar; vai vai vai arrepender. Saravá.*

(*) Monica de Bolle é diretora de estudos latino-americanos e mercados emergentes da Johns Hopkins University e pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics – Revista Época

AMEAÇAS GROTESCAS

Imprensa é alvo de ataques do presidente Bolsonaro no Twitter a cada 3 dias

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

 

Em pouco mais de dois meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro usou sua conta no Twitter para publicar ou compartilhar mensagens nas quais critica, questiona ou ironiza o trabalho da imprensa brasileira. Foram 29 publicações desde a posse até esta segunda-feira, 11, uma média de uma vez a cada quase três dias na rede social que o presidente tem utilizado como principal meio de comunicação com a população.

Quase metade das críticas e acusações contra a imprensa que aparecem na conta de Bolsonaro é feita por meio de retuíte de aliados e familiares, como dos filhos Carlos e Eduardo e as páginas que costumam reunir simpatizantes do presidente.

FAKE NEWS – Foi o caso do site Terça Livre, que neste domingo, 10, publicou texto que falsamente atribui à repórter do Estado Constança Rezende a declaração “a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”, ao tratar da cobertura jornalística das movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador e filho mais velho do presidente.

Na noite de domingo, o próprio Bolsonaro escreveu no Twitter: “Constança Rezende, do ‘O Estado de SP’ diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o Impeachment do Presidente Jair Bolsonaro. Ela é filha de Chico Otavio, profissional do ‘O Globo’. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos”.

SITE FRANCÊS DESMENTE – A gravação do diálogo, porém, mostra que Constança em nenhum momento fala em “intenção” de arruinar o governo ou o presidente. A conversa, em inglês, tem frases truncadas e com pausas. Só trechos selecionados foram divulgados.

O texto publicado no Terça Livre tem como origem uma postagem no site francês Mediapart, que disse nesta segunda-feira que as informações que serviram de base para o tuíte de Jair Bolsonaro “são falsas”. O texto original é assinado por Jawad Rhalib, que se apresenta como “autor, cineasta, documentarista e jornalista profissional”.

A publicação no site brasileiro é assinada por Fernanda Salles Andrade, que ocupa cargo no gabinete do deputado estadual Bruno Engler (PSL), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

ENTIDADES – O caso envolvendo a repórter do Estado ganhou repercussão internacional e enfática reação de entidades que representam empresas de comunicação, jornalistas profissionais e a liberdade de expressão.

Nesta segunda-feira, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) emitiram nota conjunta em que lamentam o ataque do presidente ao Estado e à repórter Constança Rezende.

As entidades afirmaram que os ataques à repórter têm o objetivo de desqualificar o trabalho jornalístico. “Abert, Aner e ANJ assinalam que a tentativa de produzir na imprensa a imagem de inimiga ignora o papel do jornalismo independente de acompanhar e fiscalizar os atos das autoridades públicas”, diz a nota.

DENÚNCIA FALSA – Para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o episódio mostra por parte do presidente o “descompromisso com a veracidade dos fatos” e se caracteriza como “o uso de sua posição de poder para tentar intimidar veículos de mídia e jornalistas”.

Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga afirmou que o ataque é um atentado à liberdade de imprensa. “O presidente e seus seguidores tentam intimidar os profissionais jornalistas por meio de agressões verbais e ameaças”, declarou.

Procurados nesta segunda-feira, integrantes do governo Bolsonaro não quiseram comentar o caso. Ao eleger a imprensa e veículos de comunicação como alvo, o presidente costuma fazer comentários em tom irônico e acusações de fake news. Em quatro postagens, consideradas em levantamento anterior do Estado, Bolsonaro também divulgou entrevistas que concedeu à TV Record e a um canal italiano, e um discurso seu em que fala sobre liberdade de imprensa.*

(*) Matheus Lara, Paulo Beraldo e Tulio Kruse
Estadão

O INSANO NO PODER

Eduardo avisa que serão quatro
anos com Olavo palpitando

 

Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro mais ligados a Olavo de Carvalho, saiu em defesa do “guru” após a confusão no MEC gerada pelos tuítes disparados da Virgínia. Para Eduardo, Olavo está “no papel dele de crítico”. “A outra opção que ele tem seria ficar quieto e olhar coisas que ele não concorda acontecendo. Certamente, ele, como brasileiro, não vai fazer isso. Gente, serão quatro anos assim. Eu não vejo como crise, vejo como saudável”, disse, reconhecendo que a palavra do ideólogo tem “um peso diferenciado por conta da história”.*

(*) Coluna do Estadão

CEGO EM TIROTEIO

O governo tem rumo, o da crise

A quitanda não tem troco, mas vende fiado emendas constitucionais

O professor Delfim Netto avisou que a partir do dia 2 de janeiro o governo precisaria abrir a quitanda todas as manhãs oferecendo beringelas e troco à freguesia. A quitanda tem oferecido encrencas, baixarias e tuítes. Se isso fosse pouco, o “Posto Ipiranga” de JairBolsonaro vende fiado três projetos de emendas constitucionais, daquelas que precisam de três quintos das duas Casas do Congresso. Pode-se até pensar que a da reforma da Previdência será aprovada. Qual? A que conseguir os três quintos.

Como se planejasse dificuldades, o ministro Paulo Guedes anunciou que pretende propor a desvinculação das despesas orçamentárias. Nova emenda constitucional. Tem mais. Uma medida provisória determinou que as contribuições sindicais não podem ser descontadas na folha de pagamento dos trabalhadores. Ótima ideia, porque a nobiliarquia do sindicalismo quer que os trabalhadores tenham todos os direitos, menos o de decidir se contribuem para suas guildas. O fim do desconto compulsório abalará todos os sindicatos, que bem ou mal, devem cuidar dos interesses dos trabalhadores. Para evitar esse colapso surgiu outra boa ideia, acabar com a unicidade que obriga que cada categoria tenha um só sindicato por município. Em tese, havendo competição, o sistema funcionará melhor. Para o estabelecimento da pluralidade será necessária uma terceira emenda constitucional.

Vistas separadamente, cada uma dessas propostas faz sentido. Juntas, coligam os interesses dos sindicalistas, dos marajás da Previdência às corporações da saúde ou da educação. Separados, esses blocos podem ser batidos. Juntos, até hoje estão invictos.

Há na pregação do ministro Paulo Guedes algo de José Wilker no comando da inesquecível caravana Rolidei do “Bye Bye Brasil” de Cacá Diegues. Quem viu o filme lembra que no seu momento de glória poética o Lord produziu o supremo símbolo da modernidade: neve.

A plataforma reformista de Guedes tem suas próprias dificuldades, mas a elas somou-se à natureza errática do próprio presidente, que não pode ver casca de banana sem atravessar a rua para escorregar nela. Em menos de cem dias, Bolsonaro viu-se encoberto pela névoa de um possível controle palaciano. É a velha lenda segundo a qual grandes ministros são capazes de controlar presidentes. Donald Trump está aí para demonstrar a futilidade dessa ideia.

No Brasil, a teoria do controle interno teve dois grandes fracassos e um êxito. Pensou-se que Fernando Collor seria controlado. Deu no que deu. Antes dele, pensou-se em blindar o comportamento errático do general João Figueiredo. A trama derreteu em menos de um mês.

O controle funcionou no caso do general Emilio Médici. De 1969 a 1974, quando ele presidiu o Brasil, mandaram os professores Delfim Netto (na economia), João Leitão de Abreu (na administração) e o general Orlando Geisel (nas Forças Armadas). A manobra só deu certo porque foi voluntária e sincera. Médici, que não queria ser presidente, decidiu delegar esses poderes. Ao decidir não mandar, mandou como poucos, até porque tinha o cajado do Ato Institucional nº 5. Faltam a Bolsonaro não só o AI-5 como a disciplina circunspecta de Médici. (Vale lembrar que, sabendo o risco que corria por ter dois filhos adultos, levou-os para o quartel do Planalto. De um deles, Roberto, pouco se falou. Do outro, Sérgio, nada.)

O governo Bolsonaro parece sem rumo. A má notícia é que seu rumo pode vir a ser o de uma crise.*

(*) Elio Gaspari – Folha de São Paulo

POBRE BRASIL…

Jair Bolsonaro cria no Twitter um Brasil alternativo

 

No momento, há dois países num mesmo Brasil. Há o país real e o país alternativo, que existe apenas no Twitter de Jair Bolsonaro. No Brasil do Twitter do presidente, o Carnaval é um grande Golden shower e o Caso Coaf não passa de um conjunto de “chantagens, desinformações e vazamentos” dos quais a imprensa se aproveita para fabricar uma guerra contra o Palácio do Planalto.

No Brasil real, há pessoas espantadas com a alternância de extremos no poder. Saiu a turma do “nós contra eles”. Entrou a tropa do “eles contra nós”. Os dois grupos têm pelo menos dois pontos em comum. Não enxergam culpados no espelho. E vêem a imprensa como grande inimiga da nação. Antes, era a “mídia golpista”. Agora, são os os cultores de “fake news.”

No Brasil do Twitter de Bolsonaro, um fake presidente distorce declarações de uma jovem jornalista para acomodar nos lábios dela as frases que atormentam os seus pesadelos. Nos sonhos ruins de Bolsonaro, a imprensa quer “arruinar a vida” de Flávio Bolsonaro, o filho ‘Zero Um’, e “buscar o impeachment” do inquilino do Planalto. Pilhado nas distorções, esse presidente fake das redes sociais não deu o braço a torcer. Ele voltou à carga: “Segue o jogo da farsa e do vitimismo” da imprensa, escreveu Bolsonaro.

No país real, um presidente novo em folha espalha no Planalto um rastro pegajoso em que se misturam nódoas do amigo Queiroz, que ele indicou para assessorar o primogênito, manchas do laranjal plantado na folha do gabinete do filho e até marcas de um repasse esquisito para a conta da primeira-dama. Mas o Bolsonaro do Brasil alternativo do Twitter, quando confrontado com o melado que escorre ao redor no país real avalia que não deve nada a ninguém. Muito menos explicações.*

(*) Blog do Josias de Souza – UOL

 

LULA ESTÁ PRESO, SEUS BABACAS!

Como agem o capitão e seus devotos nas redes sociais

Tão logo o jornal Folha de S. Paulo, ontem à tarde, publicou em seu site que o coronel Dadio Pereira Campos havia sido nomeado para cuidar das redes sociais do governo, o presidente Bolsonaro correu a escrever no Twitter: “É fake!”.

Então o jornal informou que nomeação assinada pelo próprio Bolsonaro saíra em uma edição extra do Diário Oficial da União. O que fez o capitão outra vez flagrado mentindo? Socorreu-se do Twitter para decretar: “É fake do fake”.

Não era.

Nas pegadas do seu ídolo, o responsável pelo site bolsonarista Terça Livre, de nome Allan Santos, exibiu em vídeo no Facebook um post do Twitter atribuído à jornalista Constança Rezende.

“Estamos falando dessa jornalista aqui, jornalista que disse que o Brasil virou uma ditadura, que com a morte da Marielle (Franco) isso ficou bem claro”, esperneou Allan.

O post era falso. Como falso era o perfil da jornalista no Twitter. O perfil já foi eliminado pelo próprio Twitter.

Em tempo: não vale dizer que o PT já procedeu assim no passado recente. O PT perdeu a eleição. Lula está preso, seus babacas.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

O MALUCO CHUTOU O BALDE

Ciro diz que Gleisi é chefe de quadrilha

Ciro Gomes, em sua entrevista ao jornal Valor Econômico, acusou Gleisi Hoffmann de ser a chefe da quadrilha de Lula.

Leia aqui:

“Eu não pensava mais em ser candidato. Havia renunciado à vida pública e estava na CSN com um super salário. Renunciei a tudo para brigar. E fui agredido, caluniado, atropelado pelas costas por essa canalha da cúpula do PT. Isso é formação de quadrilha, organização criminosa, a cúpula, não a militância. Qual é a lista que o Paulo Paim entrou? E a que o Olívio Dutra entrou? O Tarso Genro, o Eduardo Suplicy, o Henrique Fontana? Nenhum deles. Só a turma do Lula.”

O jornal perguntou:

“O senhor diz que Gleisi pertence a uma quadrilha?”

Ele respondeu:

“Sim, não tenho dúvida. Ela é a chefe. Ela e o marido estão enrolados em tudo. Se quiserem me processar, já estou acostumado. Estou falando a verdade. Não vale me processar por dano moral. Me processe por calúnia que tenho direito a demonstrar. É só tirar certidões das acusações do Ministério Público. Quantos tesoureiros o PT tem? Estão todos presos. Lula apoiou Sérgio Cabral até o gogó. Quem nomeou Michel Temer vice, contra minha opinião?”

SONHO DE CONSUMO DOS DITADORES

‘Eleição’ na Coreia do Norte tem comparecimento de 99,99%

As “eleições” legislativas da Coreia do Norte, no domingo, tiveram comparecimento às urnas de 99,99%, segundo a agência estatal de notícias da ditadura.

Para cada vaga no Parlamento, havia um candidato, e os nomes do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte obtiveram todos 100% de aprovação em seus distritos.*

(*) O Antagonista

AGORA, O PORQUÊ E OS MANDANTES

Dois policiais militares são presos no Rio pela morte da vereadora Marielle Franco

A ação foi feita com equipes reduzidas para evitar chamar atenção. Às 5h, equipes já cumpriam mandados de prisão em endereços dos suspeitos.

O CRIME – Segundo nota divulgada pelo Ministério Público do Rio, um dos presos é o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48. Ele seria um dos suspeitos de ter disparado a arma que matou a vereadora e seu motorista, Anderson Gomes. Gomes levava Marielle e uma assessora de um evento da Lapa, centro, para a Tijuca, zona norte. No meio do caminho, em uma região do centro conhecida como Cidade Nova, um carro emparelhou com a do vereadora e uma pessoa disparou, segundo a polícia, uma arma automática.

De acordo com a promotoria, “a empreitada criminosa foi meticulosamente planejada durante os três meses que antecederam o atentado”. A denúncia da Promotoria identifica Lessa como executor do crime. O segundo suspeito preso foi o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, 36. Ele estaria, segundo o Ministério Público, no carro quando os tiros foram disparados.

OUTRAS MEDIDAS – Além dos pedidos de prisão, o Ministério Público também pediu a suspensão da remuneração e do porte de arma de Lessa. Também foi pedido à Justiça indenização por danos morais das famílias da vítima e pensão em favor do filho de Anderson Gomes até ele completar 24 anos.

A Folha apurou que os dois também foram denunciados por tentativa de homicídio da assessora de Marielle que sobreviveu ao atentado. Segundo a denúncia, Marielle teria sido morta em razão de sua militância em favor dos direitos humanos. A operação desta manhã foi a primeira com a participação do Ministério Público do Rio, por meio do Gaeco, que é o grupo de combate ao crime organizado. Essa unidade investiga crimes principalmente relacionados às milícias no Rio.

BURACO DO LUME – A ação foi batizada de Lume, em referência ao Buraco do Lume, praça no centro do Rio em que parlamentares do PSOL costumam se reunir para falar de seus mandatos, toda sexta-feira. Marielle tinha um projeto no local chamado Lume Feminista.

“É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia”, diz a denúncia.*

(*) Lucas Vettorazzo
Folha